Vermelho

1 Capítulo único.


Vermelho.

Era tudo que ele via enquanto os braços pequenos o rodeavam e os cabelos esvoaçavam ao redor do seu rosto. Ela cheirava a alecrim, limão e pergaminhos. Perguntou-se por que gostava tanto disso. Por que gostava tanto dela.

Ele jamais teria uma resposta para essa questão.

Mas quando os olhos gentis e atrevidos se focavam nele, quando ela o abraçava sem medo e pudor... Era como um sopro de ar e lucidez, ele sentia o mal escorrendo lentamente para o lugar obscuro onde ficava guardado em sua presença.

Ginevra Weasley era sua fraqueza e ele estava acostumado a lidar com fraquezas de uma forma absolutamente diferente. Um suspiro satisfeito escapou de si mesmo quando os lábios quentes tocaram a pele exposta do seu pescoço.

Estava acostumado a lidar com fraquezas de forma que não envolviam abraços quentes e lençóis bagunçados.

Mas Gina o via de forma diferente do que o resto do mundo, ela o olhava como se ele fosse especial e bom, e mesmo que Tom soubesse que não era nem uma coisa ou outra, não deixava de apreciar quando ela o tocava ou quando ela gemia seu nome em aprovação nos momentos em que ele a tocava.

Perguntava-se sempre como se deixou envolver de forma tão inegável no feitiço da ruiva, mas quando ela começava a deslizar as unhas bem feitas por sua pele, as questões pareciam evaporar de sua mente.

Um sorriso matreiro se espalhou nos lábios de Gina quando ela o flagrou observando-a, Tom achava graça da forma como Ginny não corava — como as garotas de seu tempo — ao contrário disso, ela parecia se divertir e se sentir lisonjeada com a atenção que recebia dele.

E de tantos outros garotos, para o desgosto de Tom.

— Você está me encarando. — Ela cantarolou, erguendo os braços e prendendo os cabelos em um coque bem feito que deixava o rosto bonito à mostra. Tom pode ver perfeitamente as sardas que combinavam com os lábios vermelhos.

Tudo nela era vermelho.

Os cabelos, os lábios, as bochechas, as vestes... O sangue grifinório.

— Você é uma grifinória.

Ela arqueou as sobrancelhas, um sorrisinho brotando em seus lábios. — Achei que já soubesse disso, Tom.

Tom.

Ele gostava da forma como o seu nome soava nos lábios dela.

— Você me deixa louco. — Resmungou, deitando-se sobre os lençóis negros.

Ginny riu, bastante satisfeita com a constatação. Tom quis, quem sabe, lançar alguma maldição que fizesse a ruiva não irritá-lo, mas era impressionante como não conseguia levantar um dedo — ou varinha — se quer, para ela.

— Bem, pois saiba que você também me deixa louca. — Ela piscou para ele, o tom claramente divertido e despreocupado.

Despreocupada.

Ela estava bastante despreocupada agora. Os pergaminhos ao redor da cama dele, vestindo a camisa dele, usando a pena dele. Ginevra estava cheia de coisas que pertenciam a ele, inclusiveuma coisa que ele não sabia que tinha.

Um coração.

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