Verlorenes Paradies - Paraíso Perdido

5 Sob o Teto de Fumaça e Destino


Sob o Teto de Fumaça e Destino

A cabana era construída com madeira firme e peles grossas que bloqueavam o vento do inverno. A fumaça do fogo subia lentamente por uma abertura no teto, misturando o cheiro de ervas queimadas com terra úmida.

Brand sentia cada respiração arder.

O braço esquerdo estava pesado. A dor não era apenas física — era memória, culpa, perda.

Ele abriu os olhos com esforço.

A luz do fogo desenhava sombras no rosto dela.

Ahyoka não se movia muito. Observava.

Seus olhos hazel claros não eram de julgamento. Eram atentos — como os de alguém que escuta o que não está sendo dito.

Brand percebeu detalhes que antes não havia visto:

Um colar de contas azul-esverdeadas pendendo sobre o peito dela.

Pequenas penas presas ao cabelo escuro.

Uma marca pintada discretamente no pulso — símbolo de sua tribo.

Ela segurava um pequeno recipiente de madeira com infusão de ervas. Quando ele tentou se levantar, o mundo girou.

Ela colocou a mão em seu ombro.

Firme.

Quente.

O contraste com o frio do mar ainda em sua pele era quase insuportável.

— Ahyoka — ela disse devagar, tocando o próprio peito.

Brand repetiu, com sotaque pesado:

— A… rió… ka…

Ela quase sorriu.

Quase.

Ele levou a mão ao peito.

— Brand.

O nome saiu como um juramento.

Silêncio novamente.

Do lado de fora, passos na neve.

O pai dela entrou.

Alto. Ombros largos. Olhar endurecido por invernos e batalhas.

Ele não falava alto — mas sua presença enchia o espaço.

Ahyoka levantou-se lentamente.

Os dois trocaram palavras na língua da tribo. O tom era baixo, mas tenso.

O chefe olhou para Brand como se avaliasse uma arma caída no chão.

Não como homem.

Como risco.

Brand percebeu isso.

Mesmo sem entender a língua.

O chefe aproximou-se.

Abaixou-se.

Pegou o colar de metal que Brand ainda carregava — símbolo de seu clã nórdico.

O metal frio refletiu o fogo.

O olhar do chefe mudou.

Reconhecimento.

Perigo.

Ele disse algo firme.

Ahyoka respondeu com intensidade pela primeira vez.

Seus olhos de outono brilharam mais claros sob a chama.

Havia algo ali.

Não rebeldia.

Convicção.

O chefe ficou em silêncio por alguns segundos que pareceram eternos.

Então tomou uma decisão.

Ele apontou para Brand.

Depois apontou para a floresta.

Depois fez um gesto com a mão cortando o ar.

Ahyoka compreendeu.

Brand não.

Ela se aproximou dele.

Com gestos simples, mostrou:

🌿 Ele viveria.

Mas seria testado.

Se sobrevivesse ao inverno… poderia permanecer.

Se não… os espíritos decidiriam.

Brand entendeu apenas parte.

Mas entendeu o suficiente.

Ele não estava salvo.

Ele estava em julgamento.

E naquela noite, enquanto o vento batia contra as paredes da cabana, Brand sonhou novamente.

Sonhou com Kaira.

Mas, pela primeira vez, no sonho, havia outro par de olhos.

Olhos da cor do outono.

Observando-o.

Não como inimigo.

Mas como destino.