Vergonha Alheia!!
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Tudo começou numa quinta-feira de agosto. Não gosto nem de lembrar, tamanha foi a vergonha. Bom, deixe-me explicar. Nossa querida escola teve a brilhante ideia de colocar o primeiro, segundo e terceiro colegiais em um ônibus que iria a uma universidade para uma feira de profissões. Eu, Maka, do segundo colegial, minha amiga da minha sala Yuno, e minhas outras duas amigas do primeiro, Megumi e Kohai, juntamo-nos na porta da escola, entramos no ônibus, e nos sentamos eu e Yuno na frente, Kohai e Megumi atrás.
Nós quatro éramos fissuradas em dois meninos do primeiro, Neko (um japa muito parecido com o L, de Death Note) e Tsuna (um menino de cabelos meio ruivos e enrrolados), e adivinhem quem entrou e sentou bem do nosso lado? 10 pontos pra quem disse os dois. Eles entraram com o grupinho de amigos deles (que gentilmente chamamos de "a tribo"), Tsuna sentando bem do lado de Megumi, e Neko atrás do amigo.
Bom, Yuno tem um corpo, digamos que um tanto avantajado, e é a mais baixinha do grupo, e, já fazia uma semana que Megumi e Kohai haviam invocado com o seu número de sutien. Não sei como (realmente não sei), mas Megumi, Kohai e Yuno começaram a discutir esse assunto AOS BERROS.
– A Yuno é uma Shiemi da vida. — disse Kohai.
– Pode ser uma Tsunade também. — disse Megumi. — Como alguém tão baixinha pode usar sutien número 44? — berrou o número com a maior naturalidade do mundo. Nesse momento, minha vergonha alheia explodiu. Nunca imaginei que vergonha alheia poderia atingir proporções astronômicas.
– Calem a boca. — gritei tentando fazer minha voz sobressair-se às vozes das três. Não deu certo, elas continuavam berrando. Tentei mais uma vez e nada.
– Como assim 44? — disse Kohai.
Nesse momento, Tsuna nos olha com uma cara muito maliciosa. Deuses, alguém faça essas crianças calarem a boca, pensei querendo me tacar no tartáro. Continuei tentando fazê-las calarem a boca, mas nada dava certo.
– A Yuno tem uns peitos gigantescos, e a Maka é uma tábua. — disse Megumi apontando para mim. Nesse momento, Neko colocou o cotovelo na perna, descansando a cabeça na mão. Até aí, tudo bem, mas ele virou o corpo para a janela, e começou a RIR. Não preciso falar que queria matar uma né?!
– Dá pra vocês falarem mais baixo? Quem tá aqui do lado ta escutando! — disse com um olhar significativo. Elas começaram a rir, como se isso não fosse nada de mais, mas na verdade, estavam com muita vergonha.
Acho que eu nunca fiquei tão feliz em chegar a um lugar como naquele dia. Os monitores nos mandaram descer do ônibus e esperar do lado de fora, pois tínhamos que participar de uma palestra antes de prosseguirmos para a feira. Nós quatro descemos e tentamos ficar o mais longe possível da tribo. Entramos na sala onde seria a palestra e nos sentamos do lado contrário deles, mas, como a sorte não gosta de nós, tivemos que trocar de lugar, e os únicos que tinham sobrado era na frente da tribo. Ótimo! Enterrei-me no banco e tentei ficar o mais focada possível na palestra, mas isso era complicado quando, do meu lado o assunto AINDA levantava polêmica (mas dessa vez, em voz baixa, graças aos Deuses) e atrás de mim, havia risadinhas seguidas de comentários alheios. Nada da nossa conversa foi mencionada no banco de trás, mas eu estava atenta a qualquer indício da conversa.
Pronto, a palestra acabou, saímos da sala e passamos o maior tempo longe de Neko e Tsuna. O pessoal que estava nos guiando queria nos mostrar algumas salas, então todo mundo do nosso colégio foi em filinha (que bonitinho!!) para um lugar super longe. A tribo estava bem a nossa frente, mas tinha uma boa (na verdade, excelente) distância entre nossas "trupes". A primeira sala com a qual nos deparamos foi a de anatomia. Tinham um senhor em uma maca, parecendo uma múmia. Todos paramos para ver o cadáver, meu professor de matemática tentando fazer com que pudéssemos entrar na sala (reparei que Neko passou longe desta sala, mas nem liguei). No fim não conseguimos, e tivemos que ver máquinas sem graça (nem sei do que se tratavam, não tinha interesse nenhum nelas).
Quando voltamos para onde estava sendo a feira, já estava quase na hora de irmos embora. Uma das monitoras pediu para que todos fossem para a porta para fazer a chamada. Tinha um carrinho de pipoca lá, então nós quatro pegamos a pipoca, e quando já tínhamos passado pela contagem, Yuno falou.
– Gente, o Neko é meu tá?! — disse rindo.
– Eu vi ele primeiro! — disse entrando na brincadeira.
– Tenho namorado, então tô de boa. — disse Kohai.
– Você e a Maka se viram pra saber de quem é o Neko. — disse Megumi para Yuno. — Mas o Tsuna é meu!!! — gritou a segunda parte. Todas nós começamos a rir, até que eu viro para trás, e quem estava lá? Tsuna e Neko estavam parados bem atrás da gente, a milímetros de Megumi (exagerei um pouquinho). Engasguei com minha própria saliva, aquilo já era demais para mim. Nossa sorte é que havíamos inventado apelidos para os dois, e só conversávamos sobre eles com os apelidos, nunca dizendo nomes.
Quando eu engasguei, todas viraram para ver o que eu tinha visto, e foi a vez delas engasgarem. Só sei que nesse momento, uma monitora gritou, falando para que todos fossem para o ônibus (nós saímos praticamente correndo). Nós não tínhamos visto antes, mas havia dois. Na contagem, Neko acabou ficando com a gente no ônibus (e sentou bem do nosso lado, de novo), e Tsuna no outro. Dessa vez, nada de assuntos indelicados. Eu tratei de deixar todas bem caladas.
Chegamos ao colégio e os pais de Megumi e Kohai já estavam ali, então nos despedimos e eu e Yuno entramos no colégio. Yuno foi embora primeiro, e eu fui por último. A tribo não estava mais lá, já tinham ido à loja de videogames que sempre iam, o que eu agradeci muito. Teria tido um treco se desse de cara com eles de novo.
***
Alguns meses depois (para ser exata em outubro), Yuno e Tsuna (sim, eles dois) começaram a namorar (eu dei uma mãozinha hehehe), e nós descobrimos que ele sabia DE TODOS OS APELIDOS, quem era quem, e até os apelidos que nós nos demos. Não sei se ele chegou a dizer ao Neko os apelidos, mas eu suspeito que sim, e ainda acho que quem descobriu a verdade dos apelidos foi Neko, pois ele e a namorada ficavam no mesmo lugar que nós nos intervalos (na escada da escola). Sim, Neko tinha uma namorada, e todas as quatro achávamos que era um desperdício (demos uma pequena — não tão pequena- stalkeada na namorada, e descobrimos que ela era muito chata). Ahhh, descobrimos também que Neko tem medo de sangue, por isso passou reto pela sala de anatomia.
Bom, até hoje essa cena é motivo de vergonha e piada. Nós chamamos isso de "a cena do busão", onde eu e a Yuno trocamos de lugar. Por que? Simplesmente porque quem fala baixo e manda as três calarem a boca é ela, e nesse dia, ela estava falando muito alto (o que eu só vi neste dia), e eu quem estava tentando fazer com que elas calassem a boca. Hoje, Megumi, Kohai e Yuno falam que da próxima vez elas vão me escutar, e que nunca mais vão levantar assuntos polêmicos em locais cheios.
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