Verdades e Mistérios
3 Déjà-vu
Notas iniciais
Não foi muito diferente da viagem que fizeram para derrotar o lorde Shen e salvar o Kung Fu. Caminho de trilha, de escalada... até que no fim, eles precisavam cruzar um rio. Durante toda a viagem, Shifu reclamava da preguiça e da falta de disposição do Panda. Era o tempo inteiro o Dragão Guerreiro, que deveria ser o exemplo, reclamando de tudo, enquanto o honrado mestre Shifu pedia que ele calasse a boca.
— Estou exausto! — falava o panda. — Sou o único aqui que quer parar para comer ou dormir?! — questionou ofegante.
— Pare de reclamar, panda! — reclamou Shifu.
— Po, espere um pouco que já estamos chegando. — falou Víbora.
— Bom saber. — falou Po, sem um pingo de animação.
Logo que chegaram ao lago, avistaram um barco. Não era muito grande, mas era maior do que o que os levaram para Go Hen City {OBS da Menth: não sei como se escreve}. Próximo ao porto, viram uma ave. Não parecia ser jovem, mas sim uma coroa de boa aparência. A gavião fêmea usava um lenço rosa no pescoço e tinha um belo sorriso nos lábios. Um sorriso de alívio. Os grandes mestres do Palácio de Jade se aproximam da ave majestosa, que diz:
— Meu nome é Mey Shon. Fui enviada por Li Sheng para levá-los até o vilarejo. Peço que entrem no barco e lhes darei mais detalhes do nosso grande problema.
— É uma mensageira? — perguntou Tigresa.
— Não exatamente. Bom, não da vila, mas sou uma amiga de confiança do nosso líder.
— Então é estrangeira? — perguntou Louva-Deus.
— Sou chinesa, mas não moro no vilarejo. Estou apenas visitando. — respondeu a gavião fêmea.
— Vamos entrando. — falou Shifu — Nos conhecemos melhor à bordo.
Assim como dito, os oito entraram. O capitão do navio era um gavião também, mas era mais jovem. Já na parte de dentro, havia uma enorme mesa com bastante comida. Os olhos de Po brilharam. Ao ver a mesa farta de alimento. Estava faminto! Enquanto todos comiam de forma educada, Po enfiava um bolinho de feijão na boca e mordia um bolinho de lua de forma apressada, assustando Mey Shon e o capitão, que logo se foi descoberto ser o filho da própria.
— Parece que não comem há bastante tempo! — falou Mey — Quanto tempo de viagem?
— Três dias. — falou Macaco. — tínhamos suprimento, mas a caminhada foi longa.
— Nossa! Então vocês são mesmo tudo o que falam! — falou o capitão — Eu não conseguiria andar por três dias, e olha que eu voo!
— Erik! — reclamou Mey.
— Tudo bem! Reconheço um fã quando vejo. — falou Po, orgulhoso.
— O nome do seu filho é "Erik"? — questionou Shifu.
— Sim, o meu falecido marido não era chinês. Veio da Alemanha.
— Como se conheceram? — perguntou Víbora, que parecia querer ouvir uma história romântica.
— No momento, o mais importante é a missão. — falou Shifu.
— Certamente. Há duas semanas, uma moradora foi encontrada morta próxima a casa dela. Era apenas uma jovem, da idade de Erik. Nela havia uma flecha envenenada. Foi um choque para todo o vilarejo. Eles são unidos como uma única família. — contava Mey.
— E eu estaria mentindo se dissesse que não sinto a falta dela. Éramos muito próximos. — falou Erik em tom deprimido.
— Não precisa contar sua história para eles, meu amor. — Mey acaricia a cabeça de seu filho com carinho, depois se vira para os outros e retorna ao assunto: — Li Sheng pediu que todos ficassem em alerta e não se desesperassem. Três dias depois, houveram mais duas portes pela mesma razão: flechas envenenadas.
— E temos que descobrir quem é o arqueiro misterioso, certo? — questionou Garça, e Mey confirmou com a cabeça.
— A missão será arriscada, nunca se sabe quando o Arqueiro escolherá você como o alvo. — alertou Erik.
— O Arqueiro só age a noite, então evitem sair a esse horário. É muito perigoso. — alertou Mey. — É só isso por enquanto.
— Entendido. — falou Shifu — Tomaremos cuidado, Mey Shon e Erik.
— Somos gratos a Deus por terem recebido o recado e se compadecerem pela nossa causa. — Mey Shon sorri para Shifu, que estava encantado com aquela ave.
O barco tinha apenas três quartos. Um, ficaram Mey Shon e Erik, no segundo, Tigresa e Víbora, os outros ficaram no terceiro. A noite estava quente. Tigresa poderia aguentar o tempo que fosse dormir em uma caverna dura e fria durante uma tempestade, mas o calor... aí era outra história. Rolava de um lado para o outro na cama. Uma hora encarava o teto, outra o chão, outra sua amiga Víbora... mas suas próprias pálpebras ela não escarava por muito tempo. Decidiu parar de tentar dormir e ir até a broa do navio meditar.
— Paz interior... — "O Po parece um idiota quando está se achando o tal", pensou ela. Isso a fez rir, mas logo ela sacode a cabeça e prossegue: — Paz interior... — "Ele implorando por comida, como se fosse um sem teto!", ela pensa de novo, e novamente riu! Afastou o pensamento e tentou mais uma vez: — Paz interior... - "Por que será que estou rindo desse idiota?!Ele não passa de um panda gordo e idiota!".
O pensamento faz ela rir de novo, um pouco mais abertamente. "Antes dele aparecer, eu não ficava rindo como uma retardada como estou agora". Tigresa desistiu e encarou o céu estrelado. A lua estava linda. Não cheia, mas linda. "Na verdade, eu nunca sorria!" Ela abriu um enorme sorriso com as lembranças de Po. Fechou os olhos e pensou: "Sou grata a ao Po, por me ensinar a sorrir". Fechou os olhos e sentiu o vento que logo começou, refrescando a tigresa que estava com calor.
— Que linda. — Tigresa ouve alguém falar muito baixo, quase como um leve sussurro.
Tigresa vira a cabeça e encara um panda sem graça. Pela bilionésima vez, ela riu do panda idiota. Estava tão distante em seus pensamentos que mal pensou na hipótese de Po ter se referido a ela.
— Concordo. Nunca vi tantas estrelas no céu. Noite linda. — falou as duas últimas palavras se sentando.
— É... noite linda. — coçou a nuca.
— Também não conseguiu dormir? — questionou Tigresa.
— Não é bem isso. — deu de ombros — Só acordei no meio da noite! E você? — perguntou enquanto Tigresa se levantava e se aproximava do mastro.
— Não consigo dormir bem no calor. A noite está abafada. Então resolvi meditar — deu um soco no mastro e prosseguiu — e treinar.
— Se esse mastro não é um oponente digno nem para mim, vai ser para você? — brincou o panda, estendendo o braço para a amiga da mesma forma que ela fez — Vai! Estou pronto!
— Nós dois sabemos o que aconteceu na última vez. — alertou a felina.
— Não tenho medo de você. — falou Po sorrindo.
Tigresa deu de ombros e deu um soco em sua mão. Logo depois, Po retira o braço e solta um grito de dor, fazendo Tigresa rir.
— Lamento.
— Sei que você tá curtindo. — falou ele massageando o braço.
— Já sentiu a sensação de estar vivendo novamente o mesmo momento? — questionou Tigresa.
— Isso tem um nome. Me esqueci qual. — falou Po. — Por falar naquela vez, o que iria me contar?
Tigresa mal se lembrava do episodio. Mal se lembrava de ter quase dito ao Po que era alguém normal, apesar de tudo. Que tinha sentimentos. Ainda não por ele, mas tinha! Ela não era uma máquina fria de kung fu. Era um ser de carne e osso como ele.
— Eu ia contar que...
— O que fazem acordados a essa hora? — questionou Mey Shon na porta, os surpreendendo.
— Estávamos apenas treinando. — falou Tigresa séria.
— O dia será longo amanhã. No lugar de vocês, eu iria dormir. — aconselhou Mey.
— Bom, é... estou indo. — falou Po.
Tigresa foi quieta até o quarto onde estava Víbora, que nem se mexeu durante o sono, e se deitou na cama. Como meditar não daria certo, tentou novamente a primeira opção: dormir.
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