Verdadeiramente, Deus não está morto!
9 Decisão
Josh narra:
Passei o fim de semana e feriado todo lendo o livro da Ayisha, queria muito falar com ela, mas eu tinha vergonha e confesso que também orgulho de ir até ela e perguntar algumas coisas, não queria parecer fácil e instável nas minhas opiniões. Fui pra faculdade, semana de provas, a única coisa boa era que o semestre estava chegando ao fim, não a vi durante o intervalo da aula, não tinha nem o número do telefone dela.. Acabei a prova do dia e estava saindo para casa, até que senti alguém esbarrar em mim no corredor quando estava de costas, me virei depressa e vi alguns livros no chão, me abaixei pra juntar e vi que era a Ayisha.
–A gente tem que parar de se encontrar assim..-eu sorri pra ela, ela levantou a cabeça ficando em pé, eu catei os livros do chão.
–Oi Josh.-entreguei os livros pra ela.-Desculpa estava andando com pressa e distraída que nem te vi e acabei esbarrando, como você está?- ela falou comigo meio séria.
–Estou bem, bem vou indo...-cocei a cabeça.-a gente se vê.- ela concordou com a cabeça e foi andando para a saída da faculdade, mas queria falar com ela, até que sem pensar muito tomei a atitude.
–Ayisha!-Falei alto chamando a atenção dela, fazendo ela se virar e me olhar.-Queria muito falar com você...bem se der pra você claro.-falei acanhado.
–Bem estou quase sem vida social..-ela disse me mostrando os livros e sorrindo- mas aparece hoje lá na lanchonete no final do meu expediente às 20:00 hrs se puder.
–Estarei lá.-Sorri de leve.
Durante aquela tarde eu estudei pra prova do dia seguinte, queria muito que anoitecesse logo, estava meio ansioso. No início da noite fui lá na lanchonete que a Ayisha trabalha e aproveitei pra dormir na casa do meu pai, mesmo não gostando muito, mas seria melhor que eu me deslocar de noite pra longe sabendo que cedinho teria que estar na aula, fazendo provas. Quando fui pegar meu lanche Ayisha sorriu pra mim e eu pra ela, esperei até o fim do expediente dela lá fora, até que ela saiu e veio falar comigo.
–Então.. Desculpa a demora, normalmente saio esse horário, as vezes mais tarde. Depende da faculdade.-ela riu.
–Tudo bem.. imagina. Eu não estou atrapalhando né? Semana de provas e tudo, você deve está muito ocupada estudando.-me senti mal, lembrando dos diversos livros que ela tava levando depois da aula.-Qualquer coisa nós conversamos outro dia.
–Imagina!! Eu pedi pra você vir, estou adiantada nos estudos, não se preocupe não.-Ela saiu andando a minha frente.-Vamos?! A gente vai conversando até a sua casa.-sorriu e eu concordei. -Então, em que posso te ajuda Josh?
Fomos caminhando, havia um pouco de movimento nas ruas.
–Eu li o que você pediu.- nessa hora ela me olhou surpresa.
–Se..sério? Não acredito..-gaguejou, eu disse que sim e até expliquei pra ela o que entendi.-Que maravilha Josh!-disse muito feliz.-Me fala mais!
–Não entendo Ayisha!! Aconteceu algo estranho..-disse confuso e parei na rua nessa hora.
–Josh! Eu não acredito no acaso, não falei com você por nada, Deus quer você, Ele te escolheu desde o ventre da sua mãe!-ela disse isso tão convicta como se fosse a única verdade, e quem sabe seja mesmo, nem eu mais sei o que penso, mas me lembrei da passagem sobre Deus ter me escolhido que Ele me deu.
–Eu quero conhecê-lo Ayisha..Quero saber se vale tão a pena como você fala, mas to perdido e não sei o que fazer.-nessa hora até o meu orgulho saiu de mim, eu realmente estava diferente.
–Vem! Quero te mostrar uma coisa!
Ela me puxou pelo braço indo por outro caminho, não estávamos mais indo em direçao a casa do meu pai, perguntei pra onde estávamos indo, e ela só sorriu e disse que era pra eu parar com a curiosidade. Chegamos em uma igreja, era um pouco grande, ela pegou uma chave e abriu, fazia anos que eu não entrava em uma igreja, seguimos por um corredor do lado da igreja. Tinha varias salas do lado do salão principal, e entramos em uma bem nos fundos da igreja, parecia mas um pequeno apartamento do que uma sala. Perguntei se ela morava ali, ela disse que sim.
–Moro aqui desde quando cheguei no Brasil. Deve ter percebido pelos meus traços.
–E pelo sotaque enrolado,-eu ri-mas imaginava que você era só descendente e não que tinha vindo de outro país.-Ela começou a me contar a história dela, que veio de outro país, chamado Eritréia, nunca ouvi falar, que era e falava árabe por isso se enrolava com o português, mas até que falava bem o português e um pouco de inglês, que foi expulsa de casa pelo pai e irmãos por causa da fé. Me questinei essa hora, como alguém é capaz de perder tudo pela fé. Mas antes que eu pergunta-se, ela mesmo respondeu.
–“Quem acha a sua vida a perderá, quem perde a sua vida por minha causa a encontrará” Mateus 10:37, prefiro perder a minha vida por causa de Deus.
Fiquei tao surpreso com aquilo, ela sofreu tudo isso, apanhou por causa do que acreditava, quase foi morta, mas não desistiu e recomeçou em outro país sem família, sem conhecer quase ninguém, e eu que qualquer coisinha já ficava abalado. Ela foi me contando o testemunho dela, sobre como começou a faculdade, sobre o emprego, como arrumava tempo pra servir a Deus, sobre as viagens missionárias que ela fazia, me mostrou umas fotos que mecheram comigo, de umas crianças carentes na África e também de ribeirinhos no Norte do Brasil, sobre um trabalho que a igreja dela fazia, aquilo era incrível. Ela pegou um papel e foi escrevendo uma sequência de livros da bíblia, ela me disse que era pra eu começar a ler esses livros, do novo testamento e depois do antigo, achei interessante o que ela estava fazendo e me lembrei que estava com a biblia dela na mochila que eu carregava com as minhas coisas.
–Isso é seu, obrigado.
–Não precisa devolver pode ficar lendo!
Disse pra ela que talvez fosse importante pra ela por causa das fotos, ela concordou e me deu outra bíblia que ela tinha, estava nova, lacrada. Agradeci pelo presente. Vi um violão no canto da sala dela, então peguei, perguntei se ela sabia tocar, ela me disse que estava aprendendo, sentei em uma das cadeiras e comecei a tocar umas notas, ela me perguntou se eu sabia tocar, eu disse que amava música, era a minha paixão. Ela pediu o número do meu whats app, eu dei e ela me enviou umas músicas, disse que iria baixar em casa. Ela me convidou para ir ao culto no fim de semana, fiquei com muita vergonha, porém eu queria aquilo que a Ayisha tinha, porque nos momentos das dificuldades era feliz. Ela perguntou um pouco da minha vida enquanto arrumava uns livros na sala dela, qual curso eu fazia, minha idade, sobre minha família, eu disse pra ela que morava com minha mãe e meu pai que morava ali perto e as vezes ia pra lá, enquanto tocava musicas com o violao dela a gente estava conversando, eu disse pra ela que não entendia certas coisas que vivi, ela me disse que as vezes Deus nos permite viver certas coisas para nos dar um testemunho para contar para as pessoas, mas que ele nunca nos abandonou e não sofremos sozinhos. Que no mundo somos atribulados, porém não angústiados, abatidos, porém não destruídos.(II co 48:9). Já estava ficando tarde, e acho que ela iria revisar alguma matéria, disse que iria embora e ela me fez uma pergunta inusitada, perguntou se podia orar por mim, fiquei surpreso, nunca orei... até quando li a Biblia dela eu só li, mas não orei, porém concordei, eu ja estava de pé pra ir embora, ela pegou minhas duas mãos e começou a apresentar a minha vida para Deus. Eu só fiquei calado, e ela me fez uma pergunta.
–Josh, você aceita Jesus como seu Senhor e salvador?-me olhou nos olhos, eu concordei com a cabeça, fiquei meio emocionado mais não queria demonstrar. Não na frente dela. -Hoje há uma grande festa nos céus!-ela estava muito feliz
Quando acabou ela disse pra eu tentar orar em casa, se despediu abriu a porta, peguei minha mochila e fui embora.
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