Verdade Ou Pesadelo
2 Apenas Histórias de Terror?
Notas iniciais
Particularmente eu fiquei satisfeita com esse, amos ver o que vocês vão achar né
As três acomodaram-se nos colchões ajeitados no chão da sala e acenderam a lanterna de Lorie.
– Já a história de Mary Worth? – começou Amanda. – Mais conhecida como Bloody Mary hoje em dia. Ela viveu em Hollywood, Beverlly Hills. Ela era uma menina muito bonita e atraente, mesmo no auge de seus 9 anos de idade já chamava a atenção de caras mais velhos. Naquele dia fatídico, Mary voltava da escola passando por um beco escuro atrás de um bar à noite e sozinha. Encontrou um grupo de rapazes bêbados, que sem hesitarem sequestraram-na e levaram-na para o banheiro do bar. Abusaram dela por um longo tempo. Depois, arrancaram seus olhos ainda viva, ela agonizou de dor por mais algum tempo até decidirem mata-la de vez, cortando-lhe a garganta com um pedaço do espelho que Mary havia quebrado se debatendo tentando escapar. Mas ela não continuou morta. Não totalmente. Ela começou a habitar os espelhos e se vingou daqueles que a fizeram sofrer, mas isso não foi suficiente para acalmar sua fúria. O espírito cheio de ódio de Mary continua habitando os espelhos até hoje, e cada vez que alguém chama seu nome 3 vezes diante do espelho do banheiro, ela aparece pra arrancar seus olhos e te matar.
– Você quer me assustar ou me fazer dormir, Amanda? Eu provei que esse mito é falso agorinha mesmo, lembra?
– Você só teve muita sorte de ela não ter arrancado seus olhos ali mesmo – disse Lorie. – Ela vai aparecer pra você, ela sempre aparece para aqueles que a chamam, mais cedo ou mais tarde.
– Hm, ok. Eu mando um postal da Califórnia quando isso acontecer avisando vocês, tá? – Scout fez pouco caso.
– Acredite no que quiser – disse Amanda por fim.
– Minha vez – disse Lorie. – Dizem que o cemitério Morgantown foi o cenário da morte de um rapaz chamado Andrew Campbell, de 19 anos. Ele e os amigos foram fazer algum tipo de culto satânico, invocar espíritos ou alguma coisa parecida, mas algo saiu muito errado. Os amigos de Andrew desapareceram todos, e Andrew foi encontrado morto e dilacerado pendurado numa árvore, os órgãos pendurados para fora de sua barriga, alguns caídos no chão. Seu rosto ficara totalmente desconfigurado, mesmo quem o conhecesse há anos não saberia dizer que era ele. O corpo foi visto pelo coveiro, porém o tempo que o coveiro levou para avisar alguém foi tempo o suficiente para o corpo desaparecer sem nem deixar rastro. Quem passa na frente desse cemitério à noite avista uma rapaz irresistivelmente atraente, que te leva pra dentro do cemitério. É o espírito perturbado de Andrew buscando vingança. Uma vez que alguém pisa naquele cemitério à noite acaba igual Andrew: sem tripas e com a face irreconhecível.
– Valeu a tentativa, mas vocês não conseguiram chegar nem perto de me assustar – disse Scout.
– Veremos se você ainda vai fazer essa pose de corajosa quando trombar com o espírito do Andrew – disse Lorie.
– Ou quando receber a visita da Mary – disse Amanda.
– Estou tremendo de medo – debochou Scout. – Boa noite meninas.
Elas viraram-se de costas, cobriram-se e não demorou muito para que pegassem no sono.
Por volta de 4:00 am, Amanda acordou, se levantou com cuidado para não acordar as amigas e se dirigiu ao banheiro. Não se deu ao trabalho de acender a luz, afinal ela não ia demorar.
Quando Amanda tentou abrir a porta do banheiro, a porta nem se mexeu. Parecia estar trancada. Mas quem trancara a porta? As chaves estavam do lado de dentro, e por mais que Amanda forçasse elas não giravam na fechadura.
– Lorie! Scout! O que vocês pensam que estão fazendo? Abram a porta! – exigia Amanda.
Um frio súbito tomou conta do banheiro, fazendo-a se arrepiar. Alguma coisa no espelho do banheiro chamou sua atenção. Ela pensou ter visto alguma coisa se mexer, tentou acender a luz mas tudo continuou escuro mesmo depois de Amanda apertar o interruptor. Que ótimo, a luz havia queimado.
Ela aproximou mais o rosto do espelho para conseguir ver melhor. Parecia não haver nada, mas ela tinha certeza de ter visto algo. Chegou mais perto ainda, quase encostando o nariz no espelho. Amanda piscou e quando abriu os olhos novamente deparou com o reflexo de uma menina de no máximo 9 anos gritando, com a garganta cortada e no lugar dos olhos dois buracos negros por onde escorria uma trilha de sangue de cada lado do rosto, pele branca como um cadáver e cabelos cor de breu lisos e compridos.
Amanda gritou e recuou rapidamente em direção à parede.
– LORIE! SCOUT! ME AJUDEM! SOCORRO! POR FAVOR, ALGUÉM ME AJUDA! – gritava ela à beira do desespero forçando a porta.
Amanda sentiu uma presença atrás de si, porém não teve coragem de se virar. Seus gritos cessaram, o medo era tanto que não a deixava soltar um pio. Devagar começou a se virar. A garota cadavérica no espelho agora estava parada em sua frente, e no segundo que Amanda olhou diretamente nos buracos que substituíam seus olhos teve os seus arrancados tão rapidamente que ela não se deu conta de como aconteceu. A dor insuportável fez com que Amanda cambaleasse batendo nas paredes e na porta do banheiro, e acabou batendo as costas no espelho, quebrando-o.
– AMANDA, ABRE A PORTA! AMANDA! O QUE TÁ ACONTENCENDO?! – gritavam Scout e Lorie do outro lado da porta, tentando abri-la.
De repente os gritos de Amanda se silenciaram. Scout tentou abrir a porta de novo. Dessa vez a porta abriu, mas seria melhor se tivesse continuado trancada, pois o cenário que viram era o mais perturbador que se possa imaginar: Amanda estava morta no chão, sem os olhos, com a garganta totalmente mutilada. O banheiro estava repleto de sangue. Scout e Lorie só puderam gritar.
– Não olha, Lorie! – disse Scout, puxando Lorie pelo braço e fechando a porta do banheiro.
– O que a gente vai fazer?! – perguntou Lorie, chorando.
– Eu não sei! – sem saber o que fazer, Scout pegou o telefone e começou a discar o celular do pai, que havia viajado para Laguna Beach com sua mãe e estava voltando para casa aquela noite, porém a ligação caía direto na caixa postal.
– Droga, ele já deve estar no avião! Deve ter desligado o celular! – Scout bateu o telefone no gancho.
– O que vamos fazer?! Não podemos deixar a Amanda lá daquele jeito! – Lorie chorava compulsivamente, soluçando cada vez mais.
– A gente tem que chamar a polícia! – Scout pegou o telefone outra vez e começou a discar. Ela descreveu a situação por cima e informou o endereço ao policial que a atendeu, desligando logo em seguida. – Vem, Lorie! – ela guiou Lorie até o jardim e ambas ficaram esperando a chegada dos policiais.
Lorie não estava nada bem. Estava pálida, sua mente parecia confusa, ela olhava fixamente para o chão, estava com uma aparência insana. Não que Scout estivesse muito melhor, mas naquele momento ela só tinha a Lorie e Lorie só tinha a ela, e perder a cabeça não deixaria Lorie mais calma, muito menos ajudaria em alguma coisa.
Não demorou muito até a polícia chegar.
– Graças a Deus! – Scout se aliviou um pouco.
Enquanto os policiais entravam na casa, Scout e Lorie ficavam apenas olhando o vácuo. Ainda não havia caído a ficha. Como Amanda morrera daquela jeito? Quem havia feito aquilo com ela? Elas eram as únicas na casa, pelo menos era o que elas achavam.
Lorie parecia um pouco melhor agora, apesar de ainda estar chorando, mas interrompeu suas lágrimas quando ouviu um sussurro. Alguém chamando seu nome. Uma voz feminina. Onde?
– Scout, tá ouvindo? – perguntou ela.
– O que?
– Esses sussurros.
– Eu não to ouvindo nada – Scout estava falando a verdade, a única coisa que ela ouvia eram os ruídos noturnos da vizinhança e um caminhão que vinha lá longe pela rua.
Os sussurros foram ficando mais claros e Lorie pôde reconhecer a voz de Amanda chamando seu nome. Começou a olhar em todas as direções procurando por ela, até que avistou o corpo ensanguentado e mutilado da amiga do outro lado da rua escura e repleta de mato.
– S... Scout... – Lorie tremia e apontava para Amanda.
Quando Scout olhou para onde Lorie apontava não viu nada, apenas a rua mal iluminada e o matagal de sempre.
– O que foi, Lorie?
– Amanda... – Lorie mantinha o olhar fixo na visão de Amanda e começou a caminhar em direção a ela, que estendia a mão como se chamasse Lorie para perto.
– Lorie, o que está fazendo?! – Scout tentou parar a amiga, mas ela a empurrou para o chao e continuou andando.
O caminhão que até agora estava longe agora estava mais próximo e ia passar por cima de Lorie se ela não parasse agora mesmo.
Scout se levantou e tentou chegar ate a amiga, porém ela já estava no meio da rua, e o caminhão a menos de dois metros de distancia dela.
– LORIE! – Scout gritou, antes de ver o caminhão atingir Lorie em cheio.
Havia sangue na rua, no matagal, no corpo deformado de Lorie e inclusive em Scout.
Sangue... Isso era algo que ela iria ter de se acostumar a conviver.
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