Verdade

16 Capítulo XVI – Traumas


Notas iniciais
Há males que vem para o bem, as vezes é preciso um acontecimento ruim para reunir o que havia sido separado, para construir o que havia sido destruído. E todos os corações quebrados tem conserto.

–Thomas, vem logo jantar rapaz! Tem visita na sala! – Chamava Mônica, mãe de Regina e esposa de Alberto. Mas o Rapaz nem respondia. – O menino está quieto hoje, emburrado... –Exclamava ela, surpresa, já que Thomas sempre fora tão carinhoso.

–Deve estar cansado da academia... Treinou muito hoje. – Afirmou Alberto, pegando mais uma porção de molho. – Mas então rapaz, você está há muito tempo lá no restaurante, os clientes quase nunca reclamaram de mal atendimento da sua parte, pretende ser garçom a vida toda? – Perguntou Alberto, dirigindo-se a Fábio, que sentava meio constrangido, ao lado de Regina.

–Não, não senhor, eu quero fazer faculdade, medicina... Quero ser ortopedista, mas por enquanto eu venho trabalhando no restaurante mesmo, até conseguir custear a faculdade e não deixar minha família na mão, entende? – Explicou brevemente Fábio, Regina já estava prevendo a chuva de perguntas do pai, e temeu que Fábio nem quisesse mais olhar para ela depois de todo aquele episódio.

–Entendo.... Mora com quem? Muitos irmãos?

–Na verdade só um irmão menor e a minha mãe... Eu tenho uma irmã mais velha, mas ela mora sozinha e é mais afastada da família... – Fábio respondia as perguntas com calma, sendo sincero em cada uma, mas não escondia um pouco de nervosismo que Regina percebia.

–E pai, você não tem? – Regina teve que se conter para não cutucar Alberto por debaixo da mesa.

–Ele faleceu há alguns anos, eu ainda era adolescente. – Explicou Fábio com calma.

–De que? Eu ouvi dizer que é um lugar bem violento lá onde você mora e...

–PAI! – Regina teve que interromper, o objetivo de Alberto era constranger o rapaz.

–Não, não é nada disso... Ele faleceu num acidente com uma obra, ele era construtor civil.

–Ah, sim... Pedreiro. – Completou Alberto, e dessa vez foi Mônica a lhe dar um tapa na mão e um olhar repressivo ao tom de desprezo com que ele falou. – Me diga rapaz, vocês têm uma religião?

–Nós... Nós somos católicos eu acho... Na verdade a gente não vai muito a igreja... Mas eu acredito em Deus sim. – Explicou o rapaz, não entendendo onde Alberto queria chegar com tudo aquilo. Regina levou a mão ao rosto e suspirou.

–Minha filha vai casar na igreja, nós somos de tradição aqui em casa, não é mesmo Mônica? – A mulher nem concordou, apenas balbulciou algo e assentiu com o rosto. Regina teve vontade de enfiar a cabeça em um buraco. – E quanto à politica? Você tem alguma preferência?

–Pai, eu acho que já dá pra ir pegando a sobremesa né? – Disse Regina, tentando sair daquele interrogatório. Mas Alberto queria ouvir.

–Espera, estamos nos conhecendo melhor, eu e seu amigo.

–Eu não sou muito entendido em política na verdade... Eu não tenho nenhum partido nem candidato especifico... Mas me considero alguém liberal até. – Disse Fábio gaguejando, política era a coisa no mundo da qual sabia menos, provavelmente.

–Liberal? Hum... Você já fumou maconha garoto?

–Alberto vamos ali na cozinha que eu estou sentindo que tem algo assando... –Disse Mônica pegando o marido pela mão e o levantando da mesa.

–Não, não, não tem nada, eu desliguei o forno. – Protestou ele, ingenuamente.

–Ah, tem sim... Já passou do ponto. – Disse Mônica, e sussurou baixinho: “vem cá que isso já passou dos limites” – Vem filha, pra me ajudar ali na cozinha... – Disse ela, chamando Regina e os três deixaram Fábio sozinho na sala.

–Que história é essa Alberto? Que cena! Meu deus coitado do menino, tava vermelho que nem um tomate, nem sabia o que falar. – Mônica estava indignada, mesmo com a porta da cozinha fechada talvez Fábio, lá da sala, ouvisse os protestos da mulher.

–Pai pelo amor de tudo o que é mais sagrado, parecia um interrogatório! – Exclamou Regina, constrangida.

–Ué... Você já está até se abraçando e se agarrando na rua, com um funcionário meu... Nada mais justo que eu chamar para trocar uma ideia ué... Não posso nem saber quem anda se agarrando por ai com minha filha? Ainda mais se a pessoa trabalha no meu restaurante?

–Mas cristo ele é só um amigo! Aquilo foi só um abraço por que ele me deu um conselho importante! Sobre o Thomas andar calado assim ultimamente, eu fiquei preocupada e perguntei pra ele o que devia fazer! Foi SÓ isso pai, nem um beijo no rosto rolou! Como o senhor é exagerado!

–Thomas calado? Como assim... O Thomas não está calado...

–Desde ontem pai! Credo, anda calado e respondão, nem saiu do quarto pra jantar, chegou da academia e colocou um monte de som pesado pra ouvir e tá lá trancado! Só o senhor não viu!

–É verdade isso Mônica?

–Sim Alberto! Como você é desligado... Eu até pensei em ligar pro Marco, mas ele não atende...

–Desculpa filha. Eu sou distraído mesmo. — Falou Albertou meio arrependido. – Eu só queria o melhor pra você acabei interpretando tudo errado....

–Tudo bem pai, agora espero que ele ainda queria olhar na minha cara né? – Riu Regina, ainda constrangida.

Fábio esperava na sala, não sabia se ria ou se ficava extremamente constrangido, Alberto era seu chefe, e devido a todas aquelas perguntas, provavelmente não estava contente com a amizade dele com sua filha, Fábio até entendia, ele era um simples garçom e ela tinha um futuro promissor, era normal que Alberto não quisesse ele por perto, pensou em se despedir e ir embora, arranjando uma desculpa qualquer para evitar mais constrangimentos.

–Oi, você deve ser o Fábio. – Disse um jovem que surgiu pela outra porta bem na hora que Fábio ia se levantar.

–Sim, sou eu mesmo, você deve ser o Thomas provavelmente... –Disse Fábio levantando-se e apertando a mão do rapaz, que realmente era bem diferente da descrição que Regina fizera. Ele falava com uma voz esforçadamente grave, lenta e pesarosa, como se tivesse perdido prematuramente a alegria ou o espírito de viver. Era alguém não necessariamente triste, mas cuja alegria morria.

–E aí, veio conhecer esse bando de loucos? – Disse ele arrancando com as próprias mãos um naco de carne e mastigando-o.

–Seu tio me convidou pra jantar, ele é meu chefe, e eu sou amigo da Regina e a gente acabou... – Apresentou-se ele.

–Sim. Ela me falou a seu respeito. – Disse Thomas, interrompendo Fábio, num gesto que dizia algo como “não quero ouvir mais”.

–Ela também falou de você. – Respondeu Fábio, tentando ser simpático. – Mas eu te imaginava diferente. –Riu ele, tentando puxar assunto, talvez aconselhando Thomas ajudasse Regina de alguma forma.

–É claro, até eu me imaginei diferente. – Respondeu ele. – Fábio fez cara de quem não entendeu. – Regina deve ter falado alguma coisa, do contrário não estaria dizendo isso.

–Sim, na verdade ela me contou o motivo de você estar vivendo aqui.

–É claro... Ela anda preocupada comigo, eu agradeceria se você pudesse dizer a ela que está tudo bem, tão bem como nunca.

–Thomas, as vezes as pessoas se decepcionam muito com a vida, mas se fechar, tornar-se alguém frio não é a melhor reação, existem pessoas que nos amam, somos queridos, e não podemos nos negar a essas pessoas. Afinal elas são parte de nós, mesmo que outros nos decepcionem, nosso coração tem espaço suficiente para o amor.

–Amor? Tão importante e útil quanto um relógio sem os ponteiros. – Rebateu Thomas servindo-se de mais um naco de carne mal passada. –Todas as vezes que eu o procurei me feriu. Um animal selvagem que não pode ser domado, e mesmo que domado fosse, não teria motivo ou serventia.

–É o que faz a vida florescer... É o que coloca um sorriso no rosto de cada um, isso que é o amor, o amor mostra as pessoas como elas deveriam ser sempre. Você está certo, não existe razão para amar, amor não precisa de “certo” “errado” e nem de justificativa. Quando se diz “eu te amo” não se pergunta por que, “eu te amo” já responde todas as perguntas possíveis.

–Que bonito. – Disse o rapaz com ironia. – Você tem veia poética.

–É sério Thomas, eu não te conheço, mas eu reconheço um coração partido quando eu vejo um, você tem que lutar contra isso, a pior coisa que existe é ver a vida em preto e branco.

–Não tem a ver com corações partidos... Tem a ver com o meu tipo de amor, ele não pode dar certo. – Desabafou Thomas, pela primeira vez demonstrando alguma emoção na voz.

–Você quer dizer... Com você ser gay... Escuta, eu pensei que você já tivesse superado essa questão... Não tem nada de errado, você sabe disso.

–Tem sim! Cara... Nunca dá certo, eu fui expulso, rechaçado, jogado fora, todas as vezes que tentei amar do meu jeito, então eu prefiro amar de jeito nenhum. – Admitiu o rapaz, batendo com os punhos na mesa.

–Escuta Thomas, eu não falei isso nem pra Regina... A minha irmã mais velha, ela é lésbica, o meu pai flagrou ela aos beijos com uma namorada um dia, eu tava aprendendo a escrever, mas ainda lembro do dia... Era fevereiro, quente que nem hoje, elas estavam num campinho de futebol lá do bairro, o meu pai tava indo pro trabalho e eu pra escola. Elas tinham matado aula pra namorar. Ele viu as duas se beijando e mandou eu cobrir os olhos, eu obedeci, mas ouvi os gritos dela apanhando. Eu não sabia por que. O meu pai foi trabalhar transtornado, se esqueceu de me entregar a mochila e o lanche, eu fiquei com fome no recreio aquele dia. Mas ele também esqueceu de colocar o equipamento de segurança, eu não sei, ele tava com raiva, talvez se ele tivesse lembrado isso teria salvo ele. Ele não morreu na hora, ficou um tempo no hospital, ele chamou minha irmã e perdoou ela, disse que estava de cabeça quente, e que só queria que ela fosse feliz. Mas minha mãe ainda culpa ela pelo acidente, por isso eu não vejo ela desde aquele dia, eu não me lembro direito do rosto dela, nem do meu pai, sabe, por foto é diferente, é um rosto forçado, a gente faz pose, mas não é o nosso natural... Mas eu lembro que eles se gostavam muito, mesmo que isso tenha deixado o meu pai tão transtornado, ele a amava tanto que só partiu depois de perdoar ela. O seu pai te ama Thomas, ele vai entender tudo o que acontece com você, ele não deixou de te amar, nem nunca vai deixar. E quanto aos outros... Thomas, nem todas as pessoas são como aquele cara... E ser gay ou hétero não define o caráter, existem pessoas boas e más dos dois lados, eu acho que você é maduro o suficiente para entender isso.


***

O sol era de rachar, nenhum vento ou brisa soprava, Pedro sabia que aquele era o melhor dia para aproveitar o rio, ele e Carol nadavam nas águas agradáveis enquanto o calor do sol ressecava a terra, ele dava mergulhos e atirava esguichos de água na direção dela, em suma um casal feliz, uma cena de filme romântico. Carol era a mais satisfeita, aquilo para ela era um paraíso. Pedro estava cada dia menos distante, talvez finalmente tivesse esquecido Thomas e começado a amá-la. Esse seria um ano maravilhoso.

–Sabe o que é melhor do verão? – Perguntou Pedro surgindo da água e abraçando Carol na altura da cintura.

–O que? – Riu ela.

–Te ver de biquíni. – Respondeu ele beijando o pescoço da garota.

–Ai seu bobo — respondeu ela se esquivando do rapaz. Ele correu atrás dela jogando água em sua direção, pareciam estar se divertindo, até que algo lhes chamou a atenção:

–Pedro! Tem alguém se afogando! – Gritou Carol horrorizada. Ela apontava para uma movimentação na água quase do outro lado do rio, um pequeno barco havia virado, e uma pessoa se debatia desesperadamente.

–Liga pra ajuda, rápido! – Pediu ele, lançando-se as águas. Carol obedeceu, em pânico, pegando o celular e chamando a emergência.

Pedro nadava bem, mas não era muito rápido, e o rio era caudaloso. Quando chegou até o local a vítima estava afundando, inconsciente, e qual foi a surpresa de Pedro ao reconhecer o rosto de Marco, o pai de Thomas. Ele o levou a superfície, e nadou com ele até a margem do rio. O homem era pesado, Pedro fazia o que podia, mas era difícil carregá-lo. Quando chegaram a pequena praia fluvial o homem estava inconsciente, e Pedro muito fraco devido ao esforço. Carol parecia uma criança desesperada.

–Pedro, Pedro, socorro! Ele, ele tá morto? Ele morreu? –Gritava ela, desesperada, como se fosse morrer também.

–Não, mas eu acho que engoliu muita água — disse Pedro sofregamente, levantando-se e pressionando o Peito da vitima que tossiu, eliminando toda a água. E uma espuma grossa que saia de sua boca e nariz. Ainda estava desacordado.

–Pedro, os médicos estão chegando! – Gritou Carol que pulava de um lado a outro como se estivesse empenhada em dificultar ainda mais a situação. Pedro relatou o acontecido aos médicos, e estes levaram Marco ao hospital.

–Era o Pai do Thomas, Pedro, você acha que ele vai ficar bem? – Dizia Carol, que tremia da cabeça aos pés de tanto nervosismo.

–Eu espero que sim, mas ele ficou muito tempo sem respirar. – Acrescentou Pedro, que estava fraco e também precisou ser atendido pelos médicos.

–A vitima era um conhecido seu? – Perguntou um dos médicos, já no hospital da cidade.

–Não, não, quer dizer: sim, sim, mas quer dizer... Ele não era da família moço, ele era só o pai de um amigo meu. – Informou Carol, tão confusa que até o médico teve dificuldades de entender o que ela dizia.

–Ele está em estado grave, mas não foi fatal. – Disse o médico como se quisesse dizer “ele ainda não morreu, pare de usar o pretérito imperfeito” – Mas existe alguém da família que possamos contatar? Ele precisou ser transferido para a capital. Nós não temos aparelhos tão adequados aqui, é uma cidade pequena.

–Sim, sim, o filho. Ah, não, ele está viajando... Não tem a esposa, quer dizer, ele não tem esposa... Ex-esposa ela é. Dona Isabel. Eu tenho o contato dela. – Informou Carol, numa fala tão difícil e confusa que o Médico imaginou se ela possuía algum problema de elocução.

–Eu vou contatar a família. – Informou o médico. – Quanto a você garoto — Disse ele, dirigindo-se a Pedro, que estava numa fase sonolenta e fraca. Vai precisar ficar um tempo em repouso, mas ainda hoje estará liberado. Foi muito corajoso o seu feito, não é recomendado que leigos se joguem na água para socorrer o afogado, pois aí existe o risco do socorrista tornar-se mais uma vítima. Mas nesse caso o tempo foi crucial. É cedo pra afirmar qualquer coisa, entretanto esses minutos proporcionam a ele uma chance a mais de recuperação.

***

Regina ouviu tudo pelo canto da porta, Fábio era realmente um rapaz de valor, esperava que aquilo que ele dizia fizesse Thomas mudar de pensamento. Não sentia pena de Fábio, admirava-o por sua conduta, por sua sinceridade e honestidade, aquele era realmente um rapaz perfeito, não importa o que seu pai pensasse.

–Thomas, resolveu acordar? – Disse Mônica voltando a cozinha para pegar mais um prato.

–Escuta rapaz, — disse Alberto olhando para o vazio e tentando encontrar as melhores palavras para falar com Fábio. – Foi mal se eu “peguei pesado”, é que eu me preocupo com a minha filha e... Olha, você faria o mesmo se fosse a sua.

–Seu Alberto... Se eu tivesse uma filha tão maravilhosa quanto a Regina eu agradeceria aos céus. – Respondeu Fábio aceitando as desculpas. – O senhor tem um tesouro.

Regina corou. Alberto não precisou responder, o telefone tocou interrompendo a conversa. Mônica foi atendê-lo. De repente todos prestaram atenção nas caras e bocas que a mulher fazia ao falar no aparelho, suas expressões iam de complacente a preocupada, e a menção da palavra “hospital” fez todos sentirem-se preocupados.

–Era a Isabel, sua mãe Thomas. O Marco tá baixado no hospital, afogamento.

–O que, como assim? Meu Irmão? – Disse Alberto, nervoso de súbito – Como assim afogamento? É impossível.

–Foi no Rio lá perto da fazenda, ele estava num barco velho e pequeno, parece que virou com o peso. A Isabel tava muito nervosa, não falou coisa com coisa. – Respondeu Mônica notando a preocupação do marido, mas ela mantinha-se mais calma.

–Pelo amor de deus, pro hospital, rápido. – Disse Alberto juntando as mãos e apontando para o alto como se fizesse uma prece. Ele estava nervoso demais para dirigir, além disso havia bebido um pouco de vinho, sendo assim, Fàbio se ofereceu para guiar o carro.

Isabel andava de um lado para o outro num corredor movimentado, Thomas sempre odiara hospitais, aquelas luzes brancas, aquelas pessoas doentes, a frieza dos médicos, o cheiro daqueles produtos fortes de esterilização, tudo era desagradável. Um calafrio percorreu a espinha quando imaginou o obvio fato que pessoas morriam ali frequentemente.

A mãe abraçou Thomas chorando, em parte pela fragilidade emocional que estava e em parte pelo arrependimento e a saudade de ter abandonado o filho daquela maneira. Ele estava com medo, queria disfarçar, ser forte, mas tudo sucumbira ao temor, amava seu pai, queria revê-lo, por mais que tivessem desavenças ele ainda era um pai.

–Vocês são da família de Marco Antônio Mantovani? – Perguntou um médico idoso que segurava uma prancheta. Regina foi a única a notar que seus óculos tinham grau em um olho só, ou pelo menos que o grau do direito era incrivelmente maior do que o esquerdo. Isabel respondeu a pergunta do médico, que informou:

–Bem, saibam que o pior já passou. Ele teve uma parada cardiorrespiratória, mas se recupera. O tempo foi crucial, se o cérebro ficar sem oxigênio mais do que 3 minutos as sequelas são graves, após 10 minutos, é considerado que a vitima não tem chance alguma, felizmente ele foi resgatado cedo, e a possibilidade de sequelas é baixa. Mas devido à hipotermia e ao esforço mental e físico ele ainda está desacordado e vai precisar passar um tempo em recuperação.

Todos respiraram aliviados, Alberto jogou as mãos para o céu e as fechou, como se fizesse uma reverência a um poder maior. Regina abraçou-se a Fábio e Thomas à sua mãe. O pior havia passado.

–M... Mas doutor... Eu não consigo entender. A gente nadava desde moleque junto naquele rio, mergulhava ia até o fundo, competia pra ver quem segurava a respiração por mais tempo, fazia o diabo naquela água... Como ele pode ter se afogado? – Perguntava Alberto indignado, agora, depois que o medo passara, ele passou a se questionar da situação.

–O paciente estava alcoolizado, é nesse tipo de caso que os afogamentos costumam ser mais grave, pois os reflexos da vítima estão prejudicados e isso facilita a aspiração de água. – Informou o médico. – Mas felizmente um rapaz que estava perto fez um resgate e isso salvou seu irmão.

–Ai não acredito... – Frustrou-se Isabel, lembrando-se do vício de Marco pela bebida.

–O que importa é que dessa ele se salvou. – Tranquilizou Mônica.

O sentimento era de alivio entre todos, Thomas imaginou quem seria esse “rapaz que estava perto” e um sorriso lhe subiu no rosto pela primeira vez, o alivio o havia feito se esquecer dos momentos ruins, e Thomas lembrou-se que tinha um coração, e naquele coração ainda tinha um lugar cheio. Como Fábio dissera mais cedo “amor não precisa de “certo” “errado” e nem de justificativa” talvez esse espaço cheio em seu coração pudesse mais uma vez desabrochar.

Notas finais
Gente, me deem uma licença artística nessa parte, eu não sou médico e não sei exatamente o tratamento e recomendações no caso de afogamento, então a Wikipédia foi meu guia rs. Fora isso, espero que tenham gostado e não se esqueçam dos reviews hein? até mais.