Verbotene Liebe
20 Toda novela mexicana precisa ser entre Tapas e Beijos

Como de costume na capital alemã, nossos jovens, ao acordarem e realizarem todos os seus costumes matinais, foram para a escolar treinar serem o futuro do país. Não era diferente com o trio de irmãos, Ace, Sabo e Luffy, que embarcavam em mais um dia ensolarado na Sweet Piece, a doce escola comandada por Kaidou e Doflamingo.
Adentraram a sala de aula, já com seus livros e materiais prontos e sentaram em suas respectivas carteiras. Sabo e Ace sentaram um de frente pro outro e Luffy ficou na frente de Coby, pegando seu celular no mesmo momento em que ficou parado enquanto as aulas não começavam.
— Bom dia. – Marco chegou cumprimentando Sabo e Ace, aquele era o segundo dia depois dos boatos que cercavam o menino de sardas e o professor Shanks. – Como vocês estão?
— Oi, Marco. – Sabo respondeu. – Depois que aquele professor novo chegou, você sabe se falaram mais alguma coisa do meu irmão?
— Ah não, nem começa com isso. – Resmunga o moreno de sardas impaciente. – Esses infelizes não cansam, não?
— Calma, eu acho que eles já pararam de falar sobre isso. – Marco diz. – Ou pelo menos eu não vi mais ninguém comentar.
— Que bom, né. – Sabo se vira pra trás, bagunçando os cabelos de Ace. – Esse aqui ficou tão zangado ontem que quase quebrou o controle do videogame! Hahahaha.
— Para com isso, não é verdade. – Tira as mãos do irmão de sua cabeça, ficando levemente vermelho. – Eu só precisava descontar a raiva em alguém, só isso.
— Que mentira! Você só ficava gritando com o controle na mão pra que não começasse a chorar.
— Cala boca, Sabo! – Com mais vergonha ainda, começa a dar vários tapas no ar com intenção de atingir o irmão. – I-Isso não é verdade, eu só tava com raiva do mundo, mas eu não tava chorando!
— Hahaha, claro que não, eram lágrimas de ódio, não é?
— S-Sim, eram. Algum problema? – Vira a cabeça pro lado, cruzando os braços.
— Não dá pra culpar o Ace, qualquer um ficaria nervoso nessa situação. – Comenta o que parecia levemente um abacaxi. – Resta torcer pras coisas terem melhorado, né.
— Mas nada vai conseguir estragar o dia de amanhã. – O de sardas diz, animado. – Vai ter o torneio de videogame. Vocês não esqueceram, certo?
— Não dá pra esquecer com você lembrando toda hora. – Seu irmão retruca. – Você vai lá em casa, Marco?
— Claro, depois da escola nós vamos juntos.
— Ei, Coby. – Ao mesmo tempo, do outro lado da sala, Luffy vira-se de costas e deixa o celular por um instante para falar com o amigo de cabelos rosas. – Você não vai acreditar no que aconteceu ontem!
— Oi, o quê? O que aconteceu?
— Eu fui me encontrar com o Torao na clínica dele, né.
— Sim, o médico que você trai com o Kid... eu já te disse que não acho isso certo.
— Mas você não sabe o que eu descobri! O Kid e esse Torao também se conhecem.
— Sério? Isso vai dar muito ruim...
— Não é só isso, eu descobri isso ontem, os dois também ficam!
— Han? – Ficou com cara de desentendido. – Como assim?
— Eu acho que o Torao descobriu que a gente namorava. O Kid ia encontrar com ele no consultório segunda, aí o Torao me ligou e pediu pra eu ir lá também.
— Pera aí... então vocês dois, q-quer dizer, vocês três.. descobriram que se traem mutuamente?!
— Pois é! O Kid e o Torao tem um caso, assim como eu, kishishishi. – Começa a rir como se a situação fosse engraçada.
— E você 'ri'?!
— É que é engraçado! Imagina, você trai o seu namorado e descobre que ele também te trai com a mesma pessoa.
— Quais são as probabilidades disso acontecer..?
— Na hora eu fiquei assustado porque eu achei que o Kid ia descobrir tudo, e depois eu fiquei surpreso porque ele tinha feito a mesma coisa. Daí a gente brigou.
— E o que aconteceu?
— Ele ficou com muita raiva de mim, aí o Torao disse que ele era hipócrita e falou pra ele não ficar com raiva porque ele tava fazendo a mesma coisa. Mas eu acho que isso só deixou ele com mais raiva ainda.
— Caramba, que difícil... eu disse que trair o Kid não ia funcionar. O que vocês fizeram depois disso?
— O Kid foi embora e não falou mais comigo, eu fiquei um pouco com o Torao depois disso, ele disse pra esperar o Kid esfriar a cabeça.
— O que esse cara quer, hein? Eu já achava estranho um médico ter um caso contigo, agora ele também tem um com o seu namorado e quer dar conselho?
— Sei lá, eu acho que o Torao queria ficar com nós dois ao mesmo tempo.
— C-Como assim? Isso é possível?
— O quê, ele querer ficar com o Kid ao mesmo tempo?
— É, quer dizer... d-dá pra ficar com duas pessoas de uma vez?!
— Claro que dá, Coby, ele chegou a dar um beijo triplo com nós dois.
— O quê? Como é isso?
— Coby, eu sei que você nunca ficou com ninguém, mas não é possível que você não saiba disso...
— Mas, mas... como se beija duas pessoas ao mesmo tempo?
— Enfim, eu não sei mais o que eu faço! Você acha que eu devo falar com o Kid?
— Eu acho que você deveria terminar com os dois e arranjar alguém da sua idade.
— Você acha?
Luffy perguntou com desinteresse, mas percebeu que seu celular havia vibrado. Ele pegou e logo notou que havia recebido uma mensagem de Trafalgar Law.
“Oi. Tá aí?”
— O Torao me mandou uma mensagem. – Disse.
— Sério, até o seu celular ele tem? Você vai responder?
— Por que não?
“Oi, tô sim.”
— Isso não vai dar certo... – Coby achava.
— Você é muito pessimista, Coby.
“Foi mal por ontem, eu não deveria ter chamado vocês dois ao mesmo tempo. Como o Kid tá?”
“Tudo bem, foi até engraçado. Eu não sei como ele tá, ele não falou mais comigo...”
“Você não deve mais querer me ver depois disso, né?”
“Eu não sei! Eu gosto de você, mas sei lá, eu também gosto do Kid.”
“Eu tava querendo falar com ele, com vocês dois aliás. Você acha que dá pra marcar alguma conversa lá em casa?”
— Ele tá perguntando se eu acho uma boa ideia conversar com ele e com o Kid ao mesmo tempo na casa dele. – Luffy explica pra Coby.
— Recusa! Recusa!
“Pode ser, não é uma má ideia.”
— Eu aceitei.
— Por quê? É uma péssima ideia!
“Mas você acha que ele vai querer?”
“Eu não sei, o Kid é muito chato com algumas coisas, ele fica com raiva fácil. Mas eu vou falar com ele.”
“Tá bom, fala com ele sim e me avisa qualquer coisa.”
“Pode deixar.”
“Mas e você, você tá chateado comigo?”
“Não tô, sério. Eu também não queria parar de ficar com você, mas eu não sei como vai ser.”
“Quer se encontrar comigo hoje à tarde?”
“Sério?”
“Só pra conversar, no horário do almoço.”
“É nessa hora que eu saio da escola.”
“Eu posso te buscar aí. Que tal?”
“Pode ser então!'
— Eu marquei com o Torao, ele vai passar aqui na escola depois da aula pra conversarmos. Depois é só falar com o Kid.
— Isso não vai dar certo...
Os alunos ficaram na sala de aula até o professor adentrá-la, para finalmente ter aula. Ao mesmo tempo, na mesma escola, porém em outro lugar, Doflamingo, o diretor, estava em sua sala fazendo o que fazia de melhor: servindo de juiz para seus alunos.
— Mas eu não tava fazendo nada! – Havia um adolescente de frente para a mesa dele, tentando se explicar.
— Então você nega que tenha matado aula por obscenidades?
— Eu só beijei o meu namorado! Isso é um crime?
— Você saiu da sala de aula dizendo que ia ao banheiro e lá dentro ficou se pegando com essa pessoa.
— Tá, mas eu disse que ia ao banheiro e realmente fui.
— Só que o banheiro da escola não é lugar disso. Seus pais sabem que você mata aula pra fazer esse tipo de coisa?
— Claro que não.
— E você sabe o que vai acontecer contigo se fizer isso? Você vai sair desse lugar sem ter aprendido nada de importante, a única coisa que vai saber fazer é ficar enfiando a língua nas coisas por aí. Você quer ser cafetão quando crescer?
— Não! Lógico que não!
— Porque quem larga os estudos pra fins sexuais só pode ser isso. Seus pais sabem desse seu namorado?
— Não, eles não iam aceitar.
— Legal, bom saber. – Doflamingo pega seu telefone e começa a discar um número. O garoto não diz nada, mas estranha a ação. – Alô?
“Oi.”
— Aqui é o diretor da Sweet Piece, eu estou com o seu filho na minha sala.
“Meu filho? O que ele fez?”
— Pera, pera! Você não vai fazer isso, vai? – O aluno fica ansioso, mas é ignorado.
— Eu estou ligando pra informar que o seu filho anda matando as aulas pra ficar com o namorado no banheiro da escola.
“O quê?”
— Não acredito! – Ele avança na mesa do diretor e tenta tirar o telefone das mãos de Doflamingo. – Para com isso! Não fala pra ela! – Em desespero.
“Como assim 'namorado'? Que namorado? Meu filho?”
— Oh, a senhora não sabia que o seu filho namorava? – Doflamingo continua ignorando o garoto.
“Não! Não com um menino pelo menos. Isso é alguma pegadinha?!”
— Por favor, não faz isso! – O menino quase chora tentando desligar o telefone do outro. – Minha mãe vai me bater!
— Não, não é pegadinha. Ele tá aqui comigo, quer falar com ele?
“Pode apostar que eu quero!”
— Ela quer falar com você. – Doflamingo passa o telefone.
— A-Alô?
“VOCÊ TÁ MALUCO, GAROTO? BEIJANDO MACH@! #*!@$ *@#!%... %$#¨&*..” — Ela começa a discutir com o filho por telefone, gritando com o pobre menino que chegou a começar a chorar.
— Desculpa, mãe! É mentira, eu juro!
— Heh. – O sádico diretor apenas ria. – Idiota.
— Por que você fez isso?! – Ele pergunta após desligar o telefone, com lágrimas nos olhos. – Minha mãe nunca mais vai me deixar entrar em casa!
— Ótimo, agora você pode morar na escola e ter aula todos os dias.
— Eu não acredito, você é o pior diretor do mundo! – Levantou e saiu da sala correndo e chorando. – Isso deveria ser crime! Eu vou te processar!
Alegre por ter mais de um de seus alunos em estado depressivo por sua causa, Doflamingo pôde relaxar, colocando os braços atrás do pescoço e apoiando os pés na mesa com um sorriso sádico estampado em seu rosto. Eis que, algum tempo depois, Kaidou entra em sua sala.
— Doffy?
— Oh, e aí. – Ele se ajeita, sentando-se direito.
— Posso saber por que um garoto acabou de passar correndo no corredor chorando?
— Não sei, mas dê uma multa pra ele, não pode correr no corredor.
— Ele tava vindo dessa sala aqui...
— Você não pode provar nada.
— Doffy, vamos conversar um pouco. – Kaidou, o vice-diretor do colégio e também orientador, senta-se de frente pro loiro e o olha com pesar. – Me diz, você quer desabafar sobre alguma coisa?
— Desabafar?
— Não é vergonha nenhuma se algum trauma de infância tiver te corroendo até hoje, mas guardar pra si mesmo nunca é uma coisa boa.
— Do que você tá falando, Kaidou?
— Você adora fazer seus alunos chorarem, isso pode ser o passado te relembrando tempos ruins. Algum diretor seu de antigamente fazia isso contigo?
— Para de bancar o psiquiatra comigo...
— Não tem problema se você não se sentir confortável me contando isso, mas vai te fazer bem. Eu prometo que vai ficar entre nós.
— Kaidou, eu sinto te desapontar, mas não aconteceu nada de extraordinário na minha infância.
— Então por que você judia tanto dos seus alunos?
— Porque é engraçado.
— Como você consegue ser sádico tão naturalmente?
— Eu não sei, é divertido, heh.
— Você não pensa em mudar?
— Por que eu mudaria?
— Porque deixa as pessoas tristes.
— Sério?
— Sério! Suas ações com os alunos refletem a sua personalidade no dia a dia. Se você continuar sendo cruéis com eles, você vai acabar sendo cruel com as pessoas que você gosta.
— Você acha?
— Claro que sim, o sadismo não vê cara.
— Kaidou.
— Oi.
— Você acha que eu sou cruel com você?
— Se eu acho que você é cruel comigo..? – Ele hesita um pouco, lembrando de situações onde esteve com Doflamingo até chegar em uma conclusão. – Óbvio que sim! Você sente prazer em me maltratar.
— Não é totalmente verdade, vai. Nós tivemos bons tempos juntos.
— N-Não tivemos. – Vira o rosto, encabulado.
— Tivemos sim, eu não sou mau quando eu quero, admite.
— Sim, você é, inconscientemente.
— Não sou, você gostou daquele encontro que nós tivemos. Nós ficamos juntos a noite inteira praticamente e você não ficou chateado comigo.
— Isso porque você decidiu entrar em um pub que eu não queria nem ir.
— Mas você gostou depois.
— Tá, eu admito que aquela noite foi legal. – Disse com o rosto meio avermelhado e virado. – Mas só aquela.
— A gente pode repetir ela algum dia, se você quiser. – Se aproxima de Kaidou, com um olhar menos sádico.
— N-Não muda de assunto.
— Eu vou tentar não ser muito mau com você, fufufu, eu prometo.
— Não é comigo que eu me preocupo, eu já tô acostumado com todos sendo malvados comigo, me deixando de lado, dizendo coisas ruins pra mim, se afastando... é com os adolescentes que eu me preocupo. Se eles não receberem amor agora, não vão mesmo receber adultos.
— Cada frase sua, Kaidou, parece aquelas músicas depressivas que as pessoas ouvem quando estão na merda.
— Obrigado, Doffy, é bom receber o seu apoio.
— Eu vou tentar não fazer nada com os pirralhos, ok? Só se eles merecerem.
— Já é um começo.
[Toc toc] — Alguém bate à porta.
— Pode entrar! – Doflamingo exclama e logo surge Crocodile, o mais novo professor de sociologia da escola.
— E aí. – Ele entra com uma face séria e curiosa ao mesmo tempo. – Foi mal, eu não quero atrapalhar vocês dois.
— Imagina.
— A-Atrapalhar o quê? – Kaidou fica tímido. – Nós não estávamos fazendo nada.
— Não, é que eu acabei de dar aula pra uma turma aí e um dos alunos apareceu chorando e dizendo que o diretor tinha tirado ele do armário. – Se aproxima, ficando perto dos outros dois.
— Fufufu, mas já. – Doflamingo ri.
— Doffy, isso foi maldade. – Mas Kaidou o repreende. – Você não pode contar pros pais de um garoto que ele é gay. Isso deve ser crime em algum lugar.
— Eu achei isso ótimo. – Crocodile diz com uma empolgação no olhar. – Quase não consegui segurar o riso quando contaram isso lá na turma.
— Alguém que me entende.
— Dois sádicos numa mesma sala. – Lovato fica assustado. – É melhor eu sair daqui, eu sou um alvo fácil.
— Eu não gosto de gente enrustida, então eu sempre faço debates de sexualidade e gênero na aula pra enfiar na mente desses pirralhos infernais imaturos que certas coisas existem. Daí tem sempre um ou outro que acaba se assumindo. É bom que Sociologia é a única matéria que dá pra fazer isso.
— Nem fale, também não suporto gente enrustida. – Doflamingo concorda.
— Não gostar não te dá direito de 'desenrustizar' os outros... – Lovato murmurava. – Vai saber o que ele vai passar na família agora.
— Deixa isso pra lá, já tá quase na hora do almoço. Nós podíamos ir comer alguma coisa juntos.
— Nós três? – Crocodile indaga. – Pode ser.
Os três podem ter se dado bem e virado amigos, porém, não era a realidade na escola inteira. Durante o intervalo, os adolescentes foram até o pátio da Sweet Piece como era de costume, entretanto, quando Ace, Marco e Sabo estavam quietos em um canto jogando videogame portátil, algumas pessoas chamaram suas atenções.
— Não é aquele garoto que teve um caso com o professor do ensino médio?
— É! É ele sim, eu soube da história!
— Hahaha, deve ser alguém muito sozinho pra ficar com um professor velho. — Cochichavam.
— Ei, garoto! – Alguns adolescentes se aproximaram do trio, indo falar com o Ace.
— Han, que foi? – Que respondeu com impaciência.
— Nada não, é que eu tenho um professor particular de história que tá solteiro, se você quiser.
— Hahahaha! – Os que estavam com o garoto riram.
— Hã? Vai se foder! – Ace levanta, indo até o garoto.
— Ace, não faz isso! – Mas seu irmão o segura.
— Hahahaha, otário. – O que faz os outros irem embora, rindo dele.
— Tsc, não me segura, Sabo! – Grita nervoso. – Você viu o que eles fizeram.
— Eu vi, mas reagir só vai fazer com que continuem.
— Ei, viado! — De repente, outro grupo de amigos grita na direção de Ace, mas afastados. – Como você pretende fazer pra passar de ano agora que não pode mais ficar com os professores por nota?
— Hahaha, ele pode tentar ficar com o diretor!
— Ei, parem com isso! – Marco exclama na direção deles. – Vão arrumar coisa pra fazer, imbecis!
— Deixa ele, deve tá com ciúmes! – Outro deles provoca.
— É, eu soube que esse loirinho é namorado dele!
— Nossa, tantos assim? Hahahaha!
— Vão se foder, todos vocês! – Ace continua querendo ir atrás deles, mas é impedido pelo irmão.
— Ace, não faz isso!
— Me larga, Sabo, eu não posso deixar esses infelizes dizerem o que quiserem sobre mim ou sobre o Marco!
— Se você reagir assim eles só vão te atacar mais ainda, você não percebe isso?!
— Isso deve ser bem coisa de família. – Um deles vai para perto do moreno de sardas e começa a falar com desdém. – Já me contaram que o irmão dele também é viado. Se bobear os dois também se pegam, hahaha!
Quando Ace ouviu uma pessoa desconhecida falar de seu irmão, nem mesmo Sabo conseguiu segurá-lo. Ele foi correndo até o adolescente e virou-se de frente pra ele, segurando seu uniforme com ódio e fazendo-o andar pra trás com uma face de ódio estampada.
— ACE! – Os dois loiros gritam, indo até ele.
— O QUE VOCÊ DISSE? – Grita com raiva, permitindo que todos ali redirecionem sua atenção até ele. – NUNCA MAIS FALA DO LUFFY DE NOVO!
— Ei, eu não–
— Não quero saber! – Ace fica o empurrando pelo peito, fazendo-o andar pra trás. – Pode falar o que quiser de mim, mas nunca mais fale uma palavra de algum amigo ou irmão meu!
— Ei, ei, calma, calma, não foi por mal...
— Vai à merda, eu não ligo! – Ele levanta um dos braços, ameaçando destilar um soco no garoto.
— Ace, não faz isso! – Mas seu irmão o segura novamente pelo braço, impedindo-o. – Não faz isso, você vai ser expulso da escola!
— Eu não ligo! – Ficou nervoso, tentando se soltar novamente.
— Eu sei que você não liga, mas me ouve!
— Eu não ligo, Sabo, eu não vou deixar esses filhos da mãe continuarem a falar de mim ou de vocês!
— Não é assim que você vai fazer eles pararem, isso só vai te prejudicar, você vai ser expulso por causa desses merdas!
— EU NÃO LIGO! – Ele grita, ficando mais nervoso ainda. – Eu não tô nem aí se eu for expulso ou não, eu não vou me arrepender nunca em bater em ninguém que falar do Luffy ou de qualquer outra pessoa que eu goste!
— Ace, me escuta! – Sabo o vira de frente, olhando pra ele com um ar sério. – Eu sei, pode apostar que eu seria o primeiro a te ajudar a bater em qualquer um que mexesse com o Luffy, só que aqui não dá!
— Por que não? Você vai deixar eles falarem assim do nosso irmãozinho?
— Porque se você for expulso eles vão continuar falando e vão continuar perseguindo você, a diferença é que você não vai nem poder ficar aqui pra se defender!
— Então o que você sugere? – Olha pro irmão igualmente com ódio, porém quase chorando. – Que a gente deixe eles falarem o que quiserem e esperar que um dia eles parem sozinhos?!
— Não! Eu não sei o que a gente pode fazer, mas não é comprando briga dos outros. Não foi você mesmo que queria tentar colocar o Shanks de volta no colégio? Se continuar nesse clima é aí que ele nunca mais volta mesmo.
— Mas eu... – Ele hesita, com o peito apertado, coração acelerado e mãos trêmulas. – Eu só... não quero que essa história envolva nenhum de vocês, nem você, nem o Luffy, nem o Marco.
— Eu sei. – Sabo, também hesitando, abraça o irmão bem forte, dando um beijo em seu pescoço e falando perto dos seus ouvidos. – Você acha que eu gosto de ouvir esses merdas falarem de você?
— Desculpa...
— Não precisa se desculpar, a culpa não é sua. Vamos embora daqui.
(…)
Já na hora da saída, quando nossos jovens podiam finalmente ir pra casa, também era hora dos professores terem um minuto de folga e poderem ir almoçar antes de voltar para mais um turno na escola. Luffy e Coby saíram da sala já com suas mochilas, juntos, indo encontrar uma pessoa do lado de fora do colégio que o moreno havia marcado.
— O tal do Torao já tá aqui? – Coby indaga.
— Não sei... ah! Ali ele! – Luffy logo o vê, e vai correndo na direção de Trafalgar.
— Hm? – Law nota que haviam dois garotos indo em sua direção. – Ah, oi, Luffy!
— Oi! Você tá esperando há muito tempo?
— Não, não, eu cheguei agora. Esse é um amigo seu?
— Aham, o nome dele é Coby.
— É-Ér... o-oi. – Cumprimenta tímido, ajeitando seus óculos e segurando seu braço.
— A gente precisa esperar o Crocodile. – Enquanto isso, Kaidou e Doflamingo também estavam saindo da escola.
— Vamos esperar no lado de fora, é mais fácil. – Donquixote diz, andando com ele. – Ele deve estar saindo de alguma sala.
— Onde a gente vai comer hoje?
— Não sei, depende del...
Tudo estava indo bem até Doflamingo notar a presença de Trafalgar Law, com quem já teve um caso quando era seu estudante, conversando junto com Luffy e Coby ainda na escola. No mesmo segundo ficou paralisado e só piorou quando Law o viu também, abrindo um pequeno sorriso sádico em sua face de deboche.
— Doflamingo? – Ele chama seu nome, com voz irônica. – Você por aqui?
— Que é que você tá fazendo aqui? – E no mesmo segundo, o loiro vai até ele.
— Ah não... – Kaidou já fica preocupado. – Sem briga...
— Você é professor do Luffy?
— Han? – O garoto não entende. – Ele é meu diretor, vocês se conhecem?
— Oh... diretor. – Law fica surpreso, olhando para Doflamingo dos pés à cabeça. – Subiu de cargo, hein.
— Que é que você quer, garoto? – Se aproxima mais, com ódio. – Quer o que por aqui?
— Nada, eu só vim visitar o meu namorado. – Diz, abraçando Luffy pelo ombro. O garoto fica calado com ar de desentendido.
— Namorado? – O diretor fica pasmo, quase sem fala. – Você tá namorando o Luffy, um dos alunos daqui?
— Por quê, algum problema? – Só pra provocar, vai na direção dele. – Não é nada que você já não tenha feito também.
— Tsc... – Fica com um ódio fulminante. – Imprestável... você não tem vergonha na cara, não?
— Vergonha por quê? Até onde eu sei, o Luffy é maior de idade.
— Ele é um estudante dez anos mais novo que você! Você é um irresponsável insensato e também uma péssima influência, deveria ter vergonha na cara e só andar com gente da sua laia.
— Gente da minha laia como assim, tipo você? – Volta a olhá-lo de cima a baixo, se aproximando. – Pode até ser divertido.
— Olha aqui, não me provoca. – Range os dentes, com vontade de iniciar uma briga física. – Você não é mais um pirralho que tá sob minha responsabilidade.
— Isso, encosta em mim, me bate, faz qualquer coisa. Eu ainda posso te denunciar por agressão e, aliás, os delegados vão adorar a história de como nós nos conhecemos.
— Você tá muito enganado se acha que pode dizer essas coisas pra mim de graça, garoto...
Ao mesmo tempo em que Doflamingo e Law entravam em um confronto verbal e todos os demais alunos assistiam seu diretor perder a paciência, Crocodile apareceu. Assim que viu que existia uma briga, se escondeu atrás de uma parede qualquer e ficou olhando.
— Eu conheço aquele garoto... – Murmurou baixo, para não ser notado.
— E o que você vai fazer? – Law continua o provocando. – Vai expulsar o Luffy por estar saindo comigo?
— Não, porque eu sei que ele é a vítima, ninguém merece estar namorando alguém como você. Só espero que não seja tarde demais quando ele notar.
— O que tá acontecendo..? – Coby pergunta meio assustado.
— Doffy, não faz nenhuma besteira. – Kaidou o alerta.
— Huh, de onde o Mingo e o Torao se conhecem? – Luffy indaga para si mesmo.
— Eu não me importo com o que você faça no presente, mas não pise mais na minha escola, Trafalgar Law!
— Han? – Quando ouviu o nome, Crocodile imediatamente estranhou e ficou mais atento ainda. – Aquele ali... é o tal do Law?
— Por quê, o que você vai fazer? – Trafalgar o confronta, ameaçando tocar nele fisicamente. – Vai me expulsar, vai?
— Vou. – Mas antes que o moreno fizesse, o próprio Doflamingo o empurra pelo peito, não muito forte, mas fazendo ele perder o equilíbrio. – Cai fora daqui, pirralho.
— E se eu não sair? Vai chamar a polícia? Oh, se bem que eu acho que você não pode fazer isso.
— Tsc... o que é que você quer?
— Nada, eu só não gosto quando querem vir tirar satisfações comigo sendo arrogantes. Se você pedisse com educação eu iria embora fácil, mas como você é rude...
— Eu tenho muitos motivos pra ser rude com você!
— E eu tenho muitos motivos pra ficar aqui, é a escola do meu namorado. Nada mais justo, não é? Ainda mais tendo um diretor como você, eu fico preocupado. O Luffy é uma gracinha e é maior de idade, não dá cadeia.
— Olha aqui...
— Ei!
Doflamingo já rangia os dentes e estava prestes a explodir; Kaidou ficara com medo e rezava mentalmente para que tudo desse certo quando, do nada, Crocodile aparece com uma pose bruta, olhar terrivelmente sério e sem o menor traço de empatia no rosto, olhando direto para os olhos acinzentados de Trafalgar.
— Hm, que é você? – Law indaga, com desdém e mão na cintura.
— Você tem mesmo um ego muito forte pra quem não passa de um garoto desprezível e sem moral nenhuma, exatamente como me falaram, Trafalgar Law. – O confronta, com uma voz grossa e pesada. Doflamingo já fica surpreso, mas Crocodile mantinha-se firme.
— Hã, quem é você? – Indaga ainda com sátira, não gostando da presença do moreno, mas tentando debochar o máximo possível e sem demonstrar interesse. – Hm, pelo visto deve ser só alguém que o Doflamingo ficou desabafando sobre mim.
— Infelizmente não, a pessoa que me falou de você é muito pior que ele.
— E posso saber que–
— Primeiro, você não faz perguntas. E segundo. – Crocodile o interrompe bruscamente. – Cai fora daqui e nunca mais apareça na minha frente de novo.
— Hã, quem você acha que é pra vir falar assim comigo? Eu não tenho medo de você só por essa pose marrenta!
— Eu posso falar do jeito que eu quiser com você, meu nome é Crocodile. Você provavelmente já ouviu falar de mim.
— Do que você tá falando? Eu nunca...
A voz de Trafalgar cessou no mesmo instante. Ele para tudo o que estava fazendo e somente olha diretamente nos olhos de Crocodile, com o corpo completamente trêmulo, assustado e com medo. Engoliu seco, se arrependendo de estar ali, com a pele pálida e olhos saltados. Seus pés foram caminhando pra trás sem sequer ele tomar ciência de suas ações.
Doflamingo ficou assustado com a reação dele, era como se todo o ego e orgulho de Law se quebrasse de uma só vez. Redirecionou seu olhar pra Crocodile, que continuava a olhar o garoto apavorado, com um ar sério de superioridade e nenhum mínimo traço de hesitação na face. Kaidou, Coby e Luffy não entendiam nada também.
— Pelo visto já sabe quem eu sou. – Crocodile fala, quebrando o silêncio.
— … – E Law continua inato, sem voz.
— Eu só vou falar uma vez. Não diz mais nada, só se vira e dá o fora daqui. Se você colocar os pés nessa escola de novo ou falar com o Doflamingo mais uma vez, você sabe o que eu posso fazer contigo.
Surpreendendo todos ali, perdendo todo resquício de orgulho que lhe restava, Trafalgar apenas deu às costas e saiu correndo da escola, sem olhar pra trás ou pensar pra que direção iria. Luffy não entendeu, mas saiu da escola igualmente, indo atrás dele.
— O que foi isso? – Doflamingo indagou, surpreso.
— Não se preocupa, aquele garoto nunca mais vai te incomodar. – Crocodile responde, acendendo seu charuto.
— O que aconteceu aqui? – Kaidou estava igualmente perdido. – Por que o Law ficou tão intimidado quando soube o seu nome?
— É, por que o Law ficou tão intimidado quando soube quem você era? – O loiro continuava perplexo. – Eu nunca vi ele tão apavorado assim! Aliás, eu nunca vi ele nem com medo.
— Um nome tem um peso maior do que qualquer ação.
— Tá, mas o seu nome é especial, né? Aquele garoto não ficaria assim por nada. Quem é você?
— Infelizmente, quando você tomar ciência do peso do meu nome, nós não vamos poder exercer nenhum tipo de relação. Melhor continuar assim.
— Você é forte, sério, não hesita, intimida e ainda tem esse olhar pesado... desse jeito eu vou me apaixonar por você.
— Não seja por isso.
— Vocês são... muito estranhos. – Kaidou fala. – E me dão medo.
— Bom, vamos almoçar.
(…)
Já de noite, em uma casa no centro da cidade alemã, um trio de pessoas moravam juntos. No momento, Sanji, o cozinheiro da casa e também namorado da ruiva, havia preparado uma comida rápida para beliscarem enquanto assistiam televisão. Estavam ele, Nami e Zoro sentados no sofá a assistindo.
“Vamos às notícias do próximo fim de semana.”
— Alguém pode desligar a televisão? – Sanji indaga após o apresentador anunciar ao vivo.
— Por quê? – Nami retruca. – Deixa aí, tá bom.
— O Cook não quer ver o lance da feira culinária. – Zoro diz em deboche. – Ficou sentido por não ter se inscrito.
— Tsc, não é isso, idiota. – Ele responde. – Eu só não quero mais ver esse canal, a gente poderia ver um filme.
“Ocorrerá nesse fim de semana a feira tradicional de culinária da Alemanha, aqui na capital! As inscrições já foram encerradas e os participantes poderão batalhar pelo título de melhor Chefe do país.”
— Oh, é agora. – Zoro comenta. – Vai começar a falar sobre comida, já gostei.
— Sério, tira disso. – O loiro não aguentava.
— Sanji, não precisa ficar assim. – Sua namorada diz. – Você disse que não queria participar, certo? Mas você pode pelo menos ver como vai ser.
— Eu não quero ver, eu não quero saber. Aquela mulher vai estar lá.
— Deixa disso, Cook. – Interrompe o de cabelos verdes. – Só relaxa aí e assiste o programa, essa mulher que você tanto tem trauma nem deve lembrar da sua cara. Supera.
— Ela lembra sim, ela guarda rancor! Ela deve lembrar de todas as pessoas que destruiu os sonhos.
“Nossos Chefes também contarão com um júri muito especial! A mundialmente famosa líder culinária irá fazer parte da bancada para decidir o melhor Chefe da Alemanha. Com vocês... Marie Antoine Lee!” – O apresentador anuncia, colocando uma foto da jurada na tela da TV.
— Ah não, é ela mesmo. – Sanji ao rever, puxa seus cabelos, fica ansioso e quase chora. – É essa... a mulher que arruinou minha carreira como cozinheiro.
— Deixa de drama, ela só disse que não gostou da sua comida.
— Não foi só isso, ela xingou a minha comida! Você tem noção do que é ter uma mulher dessas tão famosa e reconhecida dizendo que você cozinha como lixo?
— Não fica assim, sua comida é ótima... – Nami tenta o consolar. – Essa daí é que deve ter uma língua suja.
— De qualquer jeito, eu fico feliz de não ter me inscrito. Eu não iria querer mesmo rever essa mulher, nossa.
“Bom, mas vamos apresentar nossos inscritos e futuros competidores! Lembrem-se, somente um deles irá ganhar o título e será o que mais agradar Marie Antoine.”
— É agora. – Zoro fica ansioso.
— Isso não vai fazer diferença nenhuma pra mim mesmo. – Sanji deita o rosto na mão, entediado enquanto tragava um cigarro.
“O primeiro candidato é do sul do país, seu nome é... *insira um nome qualquer aqui*!”
— Chato...
“Em seguida temos o Chefe de um restaurante cinco estrelas, seu nome é *insira um nome qualquer aqui também*.”
— Oh, ele é bonito. – Nami comenta. – E parece ser rico.
“Também temos *insira um nome qualquer aqui* da capital, *insira outro* do norte e finalmente *mais um* de um Estado meio distante!”
— Chato, chato, chato... – Sanji estava já morrendo de sono. – Eu vou embora, isso pra mim é perda de tempo. – E ameaça se levantar.
— Espera! – Mas Zoro o impede. – Vai perder a melhor parte.
— Que melhor parte?
“E por fim, também aqui da capital, ele trabalha em uma lanchonete bem conhecida e recomendada, mas seu nome ainda não é muito famoso. Ele é Sanji Vinsmoke!
— MAS– GUÊ..! – No mesmo instante que ouviu seu nome, sua primeira reação foi tentar gritar, mas como estava com seu cigarro na boca, acabou engasgando e engolindo muitas cinzas. – Bléeer! – Tossindo sem parar, com as mãos na garganta. – Aaar, cof, cof.. coff...
— S-Sanji, cuidado! – Sua namorada, preocupada, vai até ele e fica o batendo nas costas para que se desengasgue.
— Heh, não vai morrer antes da feira, Cook.
— M-Mas.. como? E-Eu não entendo! – Depois de conseguir voltar a respirar normalmente, Sanji se vê em prantos e fica extremamente confuso. – C-Como o meu nome foi parar ali?!
— Eu enviei a sua inscrição naquele dia, sem você saber.
Zoro assume seus atos e no mesmo instante, Sanji interrompe seu estado de confusão e olha pra ele como se estivesse assustado com suas ações. Nami faz o mesmo, e ambos ficam em um silêncio mútuo por alguns segundos por não conseguirem entender os motivos do de cabelo verde. Eis que, após um curto período, finalmente o loiro faz a pergunta que qualquer um faria em seu lugar.
— Mas... por quê?
— Porque eu vi que você queria entrar nessa competição, mas não tinha coragem, então eu te inscrevi.
— Nossa, eu nunca esperaria isso vindo logo de você! – Nami exclama, mas o outro havia ficado inato. – Eu confesso que tive vontade de fazer isso, mas eu nunca imaginei que seria logo o Zoro a ajudar o Sanji.
— Você... enviou mesmo a minha inscrição? – Estava paralisado.
— Sim, enviei. Mah, não precisa me agradecer, não foi nada dema–
— VOCÊ FICOU MALUCO?
Do nada, o loiro grita com ódio, ficando com a respiração pesada depois disso. Seu olhar de susto virou um misto de raiva com ansiedade; ele simplesmente abominava o de cabelos verdes com os olhos. Nami ficou assustada com a reação e Zoro, sem saber o que fazer ao certo.
— Hã? Do que voc–
— Eu tinha te contado naquele dia! Caralho, eu tinha te contado naquele dia que a presença dessa mulher me causa um mal estar horrível, por que diabos você fez isso?
— Como “por que eu fiz isso”? Era óbvio que você queria participar dessa competição idiota!
— CLARO QUE EU QUERIA! Eu queria participar dessa competição de merda, mas eu disse várias vezes que não ia conseguir com essa mulher sendo jurada. Eu achei que você tinha entendido o meu lado uma vez na vida sem falar nenhuma merda sobre mim, mas aí você faz uma coisa dessas! Qual é o seu problema?
— O que eu fiz? Eu te dei o primeiro passo pra você ter coragem de fazer o que quer e enfrentar esse seu medo idiota, eu fiz isso pra você tentar ser reconhecido pela culinária que você gosta tanto!
— Não, não, você fez isso porque você sabe que eu vou ficar mal. Eu tentei me abrir com você uma vez na vida e falar sobre os meus problemas, mas eu deveria imaginar que você faria uma coisa dessas!
— O que você acha que eu fiz?
— Você me empurrou pra essa competição porque você sabe que eu não vou conseguir me concentrar na comida e acabar fazendo merda de novo tanto na frente dessa mulher, quanto nas outras milhares de pessoas que vão estar assistindo! Você fez isso de propósito porque você quer que eu me ferre pra você conseguir rir de mim, como sempre você fez.
— Você acha mesmo que eu saí de madrugada escondido pra enviar a sua inscrição na intenção que você falhasse na frente de todas essas pessoas só pra poder rir de você?
— Eu não acho, eu tenho certeza. Desde que você colocou os pés nessa casa, é isso que você faz todos os dias, você me odeia de graça e fala um monte de merda!
— Não, eu nunca faria isso! Eu nunca desrespeitaria os sonhos de alguém por mais que eu quisesse que a pessoa morra, se eu fiz isso, pode ter certeza que foi pra esfregar nessa bosta de cara que você tem que você é um cozinheiro muito melhor que esses engomadinhos de merda!
— Ah, é? Você acha mesmo que tendo a oportunidade, você não iria estragar a minha vida de uma vez?
— De onde você tira que eu quero estragar a sua vida? Tudo bem se você quiser seguir sendo um merda covarde, mas não coloca a porra da culpa em mim!
— Meninos, calma... – Nami tenta afastá-los.
— Eu coloco a culpa em você porque foi VOCÊ quem enviou a merda da minha inscrição contra a minha vontade!
— Contra a sua vontade? Você mesmo disse aquele dia que queria se inscrever, mas não dava mais tempo!
— Ótimo, então agora banque o preocupado comigo! Vai se foder, você nunca fez nada por mim, eu não consigo visualizar você fazendo nada pra me ajudar porque você só move essa merda de bunda do sofá pra falar mal de mim, você é sempre o primeiro nessa casa a falar mal da minha comida e agora vem me dar lição de moral? Eu não engulo que gente que me odeia faça esse tipo de coisa de bom grad–
— EU NÃO TE ODEIO! – Exclama, precisando dar em seguida, uma pausa para respirar pela boca. – Eu não te odeio! Você não percebe isso..? Se eu te odiasse eu não teria te empurrado pra seguir com os seus sonhos, eu só teria ficado parado no sofá, rindo da sua cara e te lembrando o quão patético você é.
— É muito legal você dizer que não me odeia e se justificar me chamando de patético.
— Porque você é, você ignorou a ação que eu fiz por você por medo e agora quer jogar a culpa em mim pela sua falta de confiança.
— Eu não.. ignorei a ação que você fez por mim. – Ele tenta se acalmar, mas tremia os olhos como se fosse chorar de raiva a qualquer momento. – Eu só não vejo isso como uma atitude de bom grado sua.
— Então veja como quiser.
Zoro dá às costas, sem falar mais nada, e segue até seu quarto, batendo a porta do mesmo com força e trancando-se lá dentro. Sanji continuava trêmulo, mas fez o mesmo, correndo até seu quarto e se jogando na cama, segurando com força seu travesseiro e começando a socá-lo transmitindo todo seu ódio e imaginando o de cabelos verdes no lugar.
— Sanji, não faz isso... – Nami, sua namorada, vai tentar acalmá-lo.
— Não, eu tenho que fazer isso! – Mas ele continua batendo ferozmente no travesseiro. – Eu não consigo parar, aaaargh, eu nunca senti tanto ódio de alguém como eu sinto desse infeliz!
— O Zoro não é uma má pessoa.. você acha mesmo que ele fez isso por mal?
— Lógico, tá na cara! O que aquele brutamonte não faz por mal? Ele só fez isso pra me ver passar vergonha em público mais uma vez. E pensar que eu tinha quase...
— Quase o quê?
— Nada. – Sanji para de bater no travesseiro e o abraça, escondendo seu rosto no objeto aplumadado. – Eu só quero morrer.
— Não fala isso.
— Não dá. — Diz baixo por ter o travesseiro em sua face. – Eu nunca mais vou sair desse quarto, nunca, nunca.
— Para com isso... – Nami tenta afagá-lo. – Eu não quero te ver assim.
— Não dá, eu não consigo. — Ele finalmente começa a chorar, ainda agarrando o travesseiro. – Eu só... quero sumir daqui.
Ao mesmo tempo, do outro lado da casa, Zoro também estava em seu quarto, porém, com ódio. Ele havia dado um soco na porta para ver se conseguia extravazar seu estress, mas só o fez piorar. Queria entender por quê o fato de Sanji ter ficado tão chateado consigo o deixava naquele estado, quando geralmente não se importara com isso. Também sentia-se culpado por suas ações.
— Tsc... – Olhava para o chão, com raiva e arrependimento. – Que droga...
(…)
Mais tarde ainda, em uma zona bem afastada do centro da cidade, Crocodile dividia uma pequena casa com Smoker, com quem acabara de tomar banho junto. Os dois rapazes, fortes e com olhares sérios, após se secarem, colocaram apenas cuecas e se jogaram no sofá com as pernas abertas para descansar, acendendo mais charutos.
— Ah sim, você não vai acreditar no que eu descobri hoje. – Crocodile comenta, tragando um deles e olhando para o grisalho.
— O que é? – Que fez o mesmo.
— Você se lembra daquela festa lá onde você ficou com aquele guri e me deixou plantado em pé sozinho?
— Que que tem?
— Pois é, ele apareceu lá na escola que eu dou aula. Eu descobri o nome dele.
— Hm, valeu pela intenção, mas aquilo foi só uma noite qualquer, eu não tenho mais o menor interesse.
— Seu interesse vai voltar quando eu te contar o nome dele.
— Desembucha, então. É alguém famoso? – Coloca o charuto na boca, despreocupado.
— Aquele é Trafalgar Law.
— GUÊ– No mesmo instante, levando um susto, Smoker acaba engasgando com a fumaça do charuto. – Bléeer! – Tossindo sem parar, com as mãos na garganta. – Aaar, cof, cof.. coff... não faz isso.. cof coff... eu já tô velho demais pra esse tipo de coisa.
— Foi mal te avisar assim, mas é verdade. Eu tenho uma boa memória fotográfica.
— Você tem mesmo certeza?
— Você que deveria ter, idiota. Você não o reconheceu?
— … – Fica pensativo. – Tava escuro.
— Imagina só a reação da Ivan quando souber disso, é melhor você inventar uma desculpa melhor.
— Você não vai contar pra ela, vai?
— Não sei. – Deita mais relaxado no sofá, tragando o charuto. – Quem sabe.
— Não faz uma coisa dessas, nem brinca. Se aquela criatura souber disso eu sou um homem morto.
— Que pena... eu nunca fui muito bom com segredos.
— O que você quer em troca?
— Nada. – Crocodile levanta, dando às costas. – Mesmo que eu quisesse te proteger, eu disse que sempre contaria tudo à ela.
— Tsc, você com esse apego todo por essa pessoa é um porre. – Mas Smoker vai atrás dele. – Parece um bichinho de estimação pessoal.
— Isso, fala mais, só vai aumentar a minha vontade de abrir a boca. – Se dirige até a cozinha, onde pega uma fatia de mortadela na geladeira.
— Deixa disso. – O segue, abraçando Crocodile pela cintura por trás. – Não precisa contar tudo da sua vida, cachorrinho.
— Eu faço porque eu quero. E além disso, talvez ela até entenda o seu lado, de qualquer maneira eu preciso contar que ele tá namorando um dos meus alunos.
— Han, ele tá?
— Sim, está.
— O Law, namorando? Monogamia?
— Não sei dos detalhes, mas agora ele conhece o meu rosto. Você tinha que ver a cara dele.
— Eu imagino que ele deve ter ficado assustado. – Smoker vira Crocodile de frente, fazendo o moreno se sentar na bancada da cozinha, e o abraça pela cintura. – Aquele pirralho sempre foi bem arrogante.
— Nem me fale, pelo pouco que eu o conheci já deu pra notar. – Segura seu charuto com a mão, tirando-o da boca.
— E pelo visto ele não mudou em nada.
Smoker se debruça, puxando Crocodile para mais um beijo de língua, deixando que seus fortes e definidos peitos nus tocassem-se e roçassem-se e as mãos tocassem um no outro durante o ato. Ambas as bocas continham o mesmo ácido doce gosto de charuto, juntamente com o odor da fumaça que deixava o toque mais picante.
[Toc toc] — Mas tiveram que interromper quando a porta começou a bater. — [Toc toc toc toc toc toc toc] — E não parava mais.
— Já vai, já vai! Tsc, que saco. – Crocodile se afasta e vai até a porta, abrindo-a sem saco.
— C-Croco-boy!
— Ivan?! – Mas acaba se surpreendendo quando quem chega é Ivankov, por quem o moreno tinha um enorme carinho.
— Ah, não... – Smoker resmunga. – E lá vamos nós.
— Que bom te ver! – Ela diz, praticamente chorando devido à emoção. – Eu pensei que nunca mais te veria, que você tinha me abandonado aqui nesse inferno de fim de mundo...
— Não exagera, você sabe que eu arranjei esse emprego longe daqui e em tempo integral.
— Eu sei, mas eu sinto a sua falta. Quando você sai daqui só me resta esse brutamontes velho de cabelo branco que fica resmungando pra mim o dia todo. – Ao ouvir, Smoker revira os olhos e volta a deitar no sofá.
— Ei, mas não precisa ficar assim. Eu soube que você foi à padaria sem mim.
— Argh, foi horrível! Você acredita que eu precisei sair de casa antes de escurecer?
— Não precisa fazer esse tipo de coisa, da próxima vez me avisa que eu compro lá no centro mesmo e trago.
— Você é mesmo um amor, muito diferente de outras certas pessoas... – Lança um olhar direto para o grisalho.
— Falando em outras pessoas, você não vai acreditar no que eu descobri.
— O quê? Ai, me conta, babado. – Ambos se sentaram no sofá, praticamente expulsando Smoker e ficando um de frente pro outro, segurando as mãos.
— Sabe o Law?
— Huh, Law?
— Ele apareceu na minha escola, tá namorando um dos meus alunos.
— Oi? Quê? Sério? – Arregala os olhos, não acreditando. – Mentira...
— Verdade.
— Meu deus...
— Pois é!
— Não pode ser...
— Mas é.
— O Law... aquele garoto, na monogamia?
— Eu não sei como é o caso deles.
— Pffff, hahahaha! Adorei! – Ela exclama. – Adoro! Eu me lembro exatamente do dia em que ele desdenhou desse lugar e quis ir morar sozinho na “zona sul”. Ele tinha arranjado um caso com um professor aí. Como as coisas mudam, o garoto também é menor de idade?
— Não, já tem dezoito.
— Vocês se conheceram?
— Não só nos conhecemos, eu fiz questão de expulsá-lo da escola, ele ficou com muita cara de pânico. Eu queria muito ter fotografado só pra te mostrar.
— Que babado... nem dá pra acreditar.
— E não é só isso.
— Tem mais?!
— O Smoker ficou com ele.
— Aff, eu não acredito que você disse isso mesmo! – O grisalho começa a dar chutes no outro em cima do sofá. – Filho da puta!
— Hahaha, calma!
— O quê? – Ela olha pra ele pasma. – Sério?
— Tsc, eu não tinha reconhecido ele, faz mais de dez anos que eu não via aquele pirralho. Foi em uma festa aleatória.
— Nossa, agora eu realmente me surpreendi. Mas pelo visto aquele garoto não mudou nada então! Irrá! Sério que ele foi até a sua escola? Que coisa doida.
— Pelo menos agora eu conheço a cara desse sujeito, e ele a minha.
— Já sabemos que ele vai ficar um boooom tempo sem vir falar comigo.
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