Verão

1 Capítulo 1


Acordo em sobressalto, após o que parecia ser um sonho ruim, estou acostumada a ter esses sonhos, onde sou perseguida ou estou em perigo. Me levanto da cama e vou me olhar no espelho, meus cabelos estão mais enrolados e grandes do que nunca, e o tom acobreado não está apenas em meu cabelo, olho para meu reflexo e vejo olhos castanhos que até chegam a parecer acobreados.

Moro nessa mansão isolada de toda a cidade, ao redor apenas fazendeiros que nunca ousam falar comigo, meu tio Ezra e os empregados são as únicas companhias que conheço. Ezra sempre me fez questionar de onde vim, não pareço com os parentes que estão nas pinturas, e ele tem olhos verdes e cabelo louro, lembrava até um pouco a minha mãe, Emilie. Nem ao menos pareço com minha mãe.

Terminei de me arrumar e fui para meu local preferido dessa mansão, uma pequena torre, meu esconderijo habitual, aqui observo os dias ensolarados ou as estrelas brilhantes, a única coisa que ainda tenho direito nessa vida, apreciar o céu que me traz a sensação de liberdade. Hoje o dia está diferente, não há sol, as nuvens que indicam que haverá chuva tampam o sol de verão.

— Summer? Cadê você minha querida?- Ezra me chama. Sinto uma pontada de sarcasmo ao me chamar de querida, sei que no fundo ele me odeia profundamente, eu também o odeio.

— Já estou indo. – Fecho a janela rapidamente, para que ele não note o que estava fazendo, qualquer coisa que alegre meu dia o aborrece.

—Estou a pensar, faltam alguns dias para seu aniversário de dezoito anos, você já pensou em algo que queira ganhar? – Disse Ezra com um tom de voz ácido, o que me fez pensar bastante antes de dar uma reposta que pudesse aborrece-lo.

—Gostaria de poder sair... – Digo quase sussurrando.

Ezra é tão alto que me faz parecer indefesa, seus olhos são como os de meus avós. Me sinto uma intrusa nessa família, simplesmente não me encaixo, acredito que por não ter traços da família Ezra sempre diz palavras duras, “Você sujou a linhagem de nossa família, veja só, com o que parece? Você não se parece com ninguém, nem com sua mãe.” Sei que não me pareço com ela, mas poderia parecer com meu pai.

—Ezra, você sabe quem é meu pai? –Digo isso, mas me arrependo.

— Seu pai com certeza é um desconhecido, será que não percebe o porquê de sua mãe te abandonar?

— Não! Não há um motivo que explique ela ter me deixado com alguém como você! – Digo quase vomitando, quem me deixaria com uma pessoa como essa por vontade própria?

— Você deve ficar escondida do mundo, ou não percebeu que é apenas uma migalha perto do que essa família realmente foi antes de você existir? E vamos descer, aqui não é lugar para você, bastarda.

Chego até a mesa de café e tem uma pequena caixa em meu lugar, escondo antes que Ezra perceba o que encontrei, pode ser um presente.

—Coma depressa e vá para seu quarto, hoje receberei visitas e não quero que te vejam, sua bastardinha. – Diz Ezra, sempre me irritando

—Quem você vai receber? Porque não posso conhecer?

— Não são visitas para você, então não diz respeito a você.- Diz Ezra quase gritando.

Pela primeira vez em anos receberemos visitantes e eu nem se quer posso vê-los?

Mexo meu café, e como um pedaço de pão. Estou ansiosa para subir e ver o que há nessa caixa misteriosa, me levanto da mesa e saio quase que correndo para o meu quarto. Na pequena caixa que lembra um baú e embaixo esta escrito. “A partir de agora você irá a uma caça ao tesouro.” É uma caligrafia bonita, letras bem pequenas.

Abro o pequeno baú com cuidado, e dentro há um colar de ouro branco com um pingente que parece ser um rubi, a cor é maravilhosa, um vermelho vibrante. Resolvo colocar o colar em meu pescoço, quando o colar está em meu pescoço sinto meus olhos arderem, rapidamente olho no espelho de minha penteadeira e não vejo o meu reflexo, no espelho há uma garota jovem, com cabelos tão louros que parecem brancos e olhos tão verdes quanto esmeraldas. A garota parece estar em um labirinto de arbustos, ela corre muito, parece estar fugindo e com medo. Com medo do que mais poderia ver tiro o colar.

— Ah, meu Deus! O que acabou de acontecer? O que eram aqueles olhos verdes esmeralda? Poderia ser minha mãe... A garota era parecida com Ezra. Não pode ser.

Me distraio deitada em minha cama, pensando nas possibilidades, e se a garota do espelho poderia ser minha mãe. Escuto algo arranhando a janela e corro para abri-la, é um gato preto. Como apareceu aqui? Tento pegar, mas seus olhos assustados me fazem recuar, ele me olha por mais alguns segundos e vai embora. Guardo o colar no baú. E vou espiar o que Ezra pode estar fazendo.

Desço as escadas com cuidado para que meu tio não perceba, já está quase na hora do almoço então, provavelmente eles estarão na sala de jantar. Chego no último degrau e caminho até a sala de estar com todo silencio que posso, quase sem respirar.

Quando estou na porta com uma visão estratégica, olho para o jovem que está sentado quase em frente a porta, seus olhos são violetas, lembra o do gato preto que acabara de ver. Observo-o discretamente, seus cabelos pretos são desalinhados o que dá um charme a mais, sei que não conheço muitos garotos, mas ele é encantador. Acho que estou fascinada por ele, sua pele é tão branca, parece que nunca conheceu a luz. Ele se vira e me olha, nós nos olhamos por um tempo, não consigo desviar o olhar do dele.

—Summer Undervood! O que está fazendo aqui garota? – Diz meu tio com o tom de voz duro, sei que poderei ficar de castigo.

—Estava indo a cozinha, tio. — Respondo de cabeça baixa, virando-me para ir a cozinha.

—Bom dia! Sou Dante Migght. Mudei para a vizinhança tem algumas semanas e nunca vi essa jovem em lugar algum.- Dante diz sorrindo para mim.

—Aah, é que... – Começo a tentar dizer algo, mas minhas palavras somem.

—Ela não gosta de sair muito, prefere ficar com os livros –Ezra apressou em responder.

—Também gosto muito de ler, Summer, aposto que vamos nos dar muito bem. – Disse Dante com um sorriso torto fez o meu coração acelerar. Ele caminha até mim pega minha mão direita e beija as costas dela.

—Summer. Estou encantado em lhe conhecer.

— Ah, é... Também estou encantada... Em conhecer você.- Digo toda gaguejando.

—Summer. Já pode subir. Acho que você não tem mais nada a fazer aqui. – Diz Ezra.

Vou até as escadas, quando chego ao primeiro degrau olho para trás e vejo Dante me olhando, sinto que meu coração vai pular pela minha boca, dou um sorriso e vou para o meu quarto. Deito na cama e começo a pensar no jovem que vi, Dante, até seu nome soa bonito. Quero vê-lo mais vezes.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.