Venenos Invisíveis
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O silêncio do quarto era quebrado por gemidos, sussurros e o ranger ritmado da cama. Um casal se entregava aos prazeres de uma paixão ardente. Saciados, permaneceram abraçados, esperando as respirações voltarem ao normal.
Sara (sorrindo, ofegante): Amor... estava pensando aqui... talvez eu devesse fazer uma greve de sexo de vez em quando. Só para provocar esses momentos intensos. Que loucura foi essa!?
Grissom (rindo, enquanto a cobre de beijos): Você quer me matar, Sara? Greve, nem pensar! Esses três dias longe de você já foram um tormento. Estou viciado em você.
Faz seis meses que Grissom havia finalmente baixado a guarda e se entregado aos sentimentos pela perita. Tão envolvido estava que, após quatro meses de namoro, decidiram contar para os colegas da equipe — embora com discrição, respeitando as regras rígidas do laboratório e escondendo o romance de Ecklie.
Novo turno está começando e um ex rato de laboratório vai chegando na sala de descanso. Ao chegar para o plantão, Greg Sanders foi recebido por uma equipe especialmente animada.
Greg (entrando com bom humor): Boa noite, meninas e meninos! Cheguei!
Catherine (erguendo uma sobrancelha): Que animação é essa?
Sara (rindo): Teve encontro?
Nick: Ou tomou seu chocolatinho milagroso?
Warrick: Dormiu bem?
Greg (sorrindo com paciência): Vocês estão engraçadinhos hoje... Mas sim, acertou em cheio, Warrick. Dormi muito bem.
Sara (em tom brincalhão): Ohhh, que fofo! Dormiu direitinho...
Greg: Sonhei com você, Sarinha.
Nick (em tom provocativo): Melhor você tomar cuidado com o que diz, Greg. Vai que alguém escuta...
Greg: Relaxa, Nick. O chefe entende.
Grissom entra na sala neste momento: Entendo o quê, Greg?
Warrick (engasgando de riso): Ih... a casa caiu.
Greg (tentando se salvar): Nada demais, chefinho...
Catherine (dedurando): Mentira, Gil. O Greg disse que dormiu bem porque sonhou com a Sara.
Grissom (sério, mas contido): Greg, infelizmente não posso controlar os seus sonhos... Mas vai ficar só neles.
Greg (engolindo seco): Claro, chefinho...
Grissom encerrou o assunto e distribuiu os casos. Designou Sara para trabalhar com Catherine naquele turno.
Catherine (em voz baixa, no corredor): Sara, me diz uma coisa... O Gil é ciumento?
Sara (olhando de lado, sorrindo): Muito. Só não admite.
Catherine: Percebi hoje. Ele se segurou com o Greg, mas o olhar dele gritou "ciúmes" na hora.
Enquanto isso, em outro ponto da cidade, Heather Kessler tinha seus próprios problemas e planos.
Sentia-se sozinha. A briga com a filha ainda doía. Grissom estava fora do seu alcance e o único homem à sua volta — Michael — era loucamente apaixonado por ela, mas ela não sentia o mesmo.
Um desejo antigo ressurgia: engravidar de Grissom. Porém, ele nunca a viu como mais do que uma amiga. Tentando anestesiar a dor, teve algumas noites com Michael — e acabou engravidando.
Foi então que uma ideia retorcida surgiu: se conseguisse uma noite com Grissom, poderia dizer que o filho era dele. Assim, destruiria o relacionamento dele com Sara e, de quebra, o teria de volta.
Determinada, pediu a Michael que vigiasse Sara e a seguisse. Qualquer brecha, qualquer escorregão... seria útil. Paralelamente, contratou dois homens para forjar um ataque em sua casa — e assim atrair o entomologista para sua teia.
Enquanto Heather manipulava nos bastidores, Sara vivia um momento especial. Ela e o capitão Brass estavam no aeroporto esperando James, seu irmão mais velho.
Sara (abraçando-o com emoção): James... que bom ver você de novo!
James: Oi, pequena... bom te ver também. Obrigado por tudo, capitão.
Brass: Sua irmã é como uma filha pra mim, James. Faço qualquer coisa por ela. Agora, você vai ficar comigo até a Sara falar com o namorado, ok?
James (rindo): Claro. Quero conhecer o cunhado e ver se aprovo esse cara aí!
Sara (brincando): Bobo! Estou muito feliz. Ainda estamos no começo, mas já estou morando com ele. Prefiro contar com calma antes de te levar lá. Ele está viajando.
James: Tudo certo. Chegar do nada na casa do cara podia ser meio... chocante.
Abraçados, riram juntos — sem saber que estavam sendo observados. À distância, Michael os fotografava.
Michael (sussurrando): Heather vai pirar com isso...
Horas depois, Michael chegou apressado à mansão e mostrou as fotos a Heather.
Michael: Consegui. Peguei a Sara com um cara... abraçados, rindo. Aposto que é um caso.
Heather analisou a imagem com olhos brilhando de crueldade.
Heather: Melhor do que eu esperava. É agora.
Ligou para Grissom, fingindo desespero.
Heather (chorosa ao telefone): Gil, estou com medo... estão me perseguindo, vigiando minha casa. Você pode vir quando voltar? Só confio em você...
Grissom, que retornava à cidade naquela noite, prometeu passar lá antes de ir para casa. Michael avisou aos dois contratados que era hora do atentado. E assim o fez. Saiu do aeroporto direto para os domínios de Heather. Grissom estacionou e bateu à porta.
Heather (abraçando-o): Ainda bem que veio... estou tão assustada!
Grissom: Me conta, o que está acontecendo?
Heather: Há dias sinto que estou sendo seguida. Hoje, um carro ficou parado aqui em frente por horas...
Antes que terminasse a frase, dois tiros ecoaram. Uma pedra quebrou o vidro da sala. Grissom a protege instintivamente e saca o celular.
Grissom: Brass, tivemos disparos na casa da Heather. Venha imediatamente por favor.
Poucos minutos depois, o capitão chegou e fez a varredura. Nenhum sinal dos atiradores.
Brass: Heather, tem ideia de quem pode ter feito isso?
Heather (dramática): Não... essa foi a primeira vez que atacaram de verdade.
Brass: Vamos verificar câmeras nas redondezas. Te aviso se descobrirmos algo.
Puxando Grissom para o lado, sussurra:
Brass (desconfiado): Você não estava fora da cidade? O que faz aqui? Tenho certeza que Sara não sabe que esta aqui!
Grissom: Ela me ligou pedindo ajuda. Disse que só confiava em mim. Não preciso falar para Sara todos os lugares que vou.
Brass (frio): Sei. Você que sabe.
Grissom voltou para a sala da amiga, já cansado.
Grissom: Heather, é melhor você ir para um hotel por uns dias. Qualquer novidade, me avisa.
Heather (segurando-o pelo braço): Gil... antes de você ir, tem uma coisa que eu preciso te contar. É sobre a Sara. Você é meu amigo e quero seu bem.
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