Vende-se um noivo
2 Um dia desses. Num desses encontros casuais.
Notas iniciais
Sexta feira. Para algumas pessoas, apenas um dia que antecede o fim de semana. Para outras, um dia qualquer. E para Carlos, amigo de Arthur, um dia muito cheio e louco. Definiria como uma sexta feira interessante. Na verdade, desde que começara esse projeto de “caça a noivas” tudo se tornara mais excitante. Ajudar seu amigo nessa empreitada era emocionante. Era como dar um tiro no escuro. Como cego em tiroteio. Como tudo que não tem um rumo certo. Não sabia exatamente aonde essa história iria parar, mas se fosse a um lindo casamento com seu amigo vestindo um terno, no altar, estaria satisfeito.
Carlos chegara mais cedo ao trabalho e antes de adentrar ao local, já se escutava os murmúrios a respeito do artigo publicado no dia anterior. As opiniões divergiam entre si. Uma senhora que estava sentada esperando o ônibus discutia com uma jovem, dizendo o quão desrespeitoso havia achado e como na época dela era tudo diferente. A jovem, entre gargalhadas, comentava que esse era um jeito moderno de se conseguir uma pessoa atualmente.
Não fazia ideia de que a notícia ganharia tanta repercussão. Certo que não era algo que acontecia diariamente, mesmo nos dias atuais. Mas também não era nada tão chocante, em sua visão. Como já trabalhava no jornal durante muitos anos, fazer publicações desse “gênero” eram fáceis para ele. Apenas deveria evitar ofensas e coisas do tipo.
Andava agora pelo corredor repleto de mesas, cadeiras, computadores e livros. Carregava sua velha bolsa de lado, cheia de papéis, enquanto seus colegas o encaravam com cochichos e sorrisos marotos. Então se pôs a pensar no que poderiam estar comentando e só passava pela sua cabeça a mesma coisa, a tão polêmica notícia.
Seu superior veio a seu encontro, com um largo sorriso estampando na face, como quando alguém descobre que ganhou na loteria! Deu-lhe tapinhas nas costas e disse-lhes que deveria ir para a sala, pois assuntos o estavam esperando. Carlos franziu o cenho e caminhou apressadamente para a sua sala. Abriu a porta como se esperasse algum desastre. Seus olhos percorreram o escritório e o mesmo avistou uma silhueta feminina desconhecida.
Fechou a porta atrás de si e caminhou para sua mesa. Curvou-se, apertando a mão da mulher e sentou-se na cadeira, acomodando-se.
A mulher tinha longos cabelos negros de um brilho intenso. Usava um vestido azul marinho de mangas curtas, justo ao corpo. Seu cinto dourado deixava transparecer a boa forma da moça, acentuando ainda mais suas curvas.
— Então, posso saber o que deseja em meu humilde escritório, senhorita...?
— Bárbara. Pode me chamar de Bárbara. – Cruzou as pernas.
— O que deseja Bárbara? — Pigarreou.
— Sobre o artigo de ontem. Como tudo irá funcionar? – Aproximou-se com interesse.
Toc Toc (Batidas na porta)
A porta foi aberta e a conversa interrompida. Um garoto, que aparentava ter uns vinte anos de idade se encontrava parado com as mãos na maçaneta da porta. Metade do corpo para fora da sala e a outra metade para dentro. Ficara um pouco envergonhado por interromper o diálogo e ainda mais porque agora estava sendo o centro dos olhares.
— Senhor, está ocupado? — Sorriu, como forma de espantar o constrangimento.
— No momento sim. Por quê? – Levantou-se e caminhou até a porta.
— Bem, aqui fora está se formando um aglomerado de mulheres querendo falar com você.
— O que? Está ficando louco? – Deu um passo para trás e abriu a porta.
Engoliu em seco. Carlos não acreditou no que estava vendo. Como aquilo havia acontecido? De um dia para o outro, tão rápido? Sério?
Estavam ali! Mulheres de todos os jeitos. Altas, magras, gordas, baixas, coloridas, excêntricas, loucas e tantos outros adjetivos que lhes fugiam a boca.
— Mande-as ficar no aguardo. O dia será longo. — Recuperou o fôlego, suspirou e retornou ao seu lugar.
— Sim senhor! – Fechou a porta.
— Então, onde estávamos mesmo? – Sorriu desconcertadamente.
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