Vem cá, te conheço?!
10 Wills, todas deveriam ter Wills
Notas iniciais
Quando acordei, minha cabeça latejava, eu estava deitada no meu quarto, Daniel estava sentado numa poltrona.
–Que po…
–O Barman te deu uma bebida “batizada”, então você ficou doidona. Eu te trouxe pra cá, você dormiu e agora já melhorou.
Me espreguicei. O vestido do baile limitava meus movimentos.
–Vou tomar um banho, Daniel- Anunciei- Até mais tarde!
– Até- Ele deu um beijinho na minha bochecha e saiu.
Me levantei, parecia que um caminhão tinha me atropelado, entrei no meu banheiro e enchi a banheira de mármore. Ela era grande o suficiente para nadar e mergulhar.
Despi-me e entrei na água quente. A vista era maravilhosa. Eu podia ver o mar, e o sol da manhã reluzindo contra as ondas. Fechei os olhos, e acho que adormeci, pois quando percebi, vi Henrique sentado perto da borda, me cutucando.
–AHHHH!- Arregalei os olhos, mas, graças a Deus, a espuma estava densa o suficiente para me cobrir- O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI?!
–Ainda sou o futuro duque, e ainda sou o responsável para lembra-la de seus compromissos, e tenho as chaves do seu quarto- Ele disse- E além disso, você tem uma reunião do conselho sobre os próximos passos em relação ao inimigo.
–Então permita-me vestir-me, com licença, Sr. Primm…
–Isa, por que está me torturando desse jeito? Por que está saindo com Daniel? Por que não me chama pelo nome? Eu te amo- Seus olhos brilhavam e ele parecia prestes a chorar.
–Você me traiu enquanto eu estive fora, pegou uma vampira...Trocou-me por uma noite!
–Você não me deu chance de explicar!
–E nem vou dar!- Gritei- Eu vi! Testemunhas oculares!
Ele saiu do banheiro. Vi o lampejo de lágrimas na bochecha dele.
Saí do banho e coloquei um jeans e uma camisa escrito: LEALDADE Á LEALDADE!
Indiretas…Cara, eu amo isso.
Caminhei com uma frieza diferente do normal. Acho que tudo está muito confuso! Vou sentar e chorar!!
Cheguei nas sala de reuniões. Meu pai e minha mãe ocupavam a cabeceira da mesa, Richard estava do lado esquerdo á eles, sentei-me no direito. Curiosamente o duque WolfBloddy e duque Kalais –dos duendes- conversavam. Madame Eglantine olhava para meus pais com uma expressão maligna, mas contida, poderia passar por uma dor de estomago, mas eu fui treinada para “ler” as pessoas.
A rixa entre os vampiros e bruxos é antiga. Começou quando o príncipe Arthuro e a vampira Viviane se apaixonaram. Os bruxos negaram terminantemente o namoro. Sim, erámos uma raça preconceituosa, não queriam “manchar” o nome dos Le Fray, então o rei Otro matou a vampira, esmagando seu coração. Isso foi a um século atrás, mas vampiros são seres extremamente orgulhosos, e pra quem vive eternamente, um século não é nada.
Daniel é uma exceção, ele é fruto de um caso de Eglantine com um normalis, então tem os poderes de um vampiro, mas não é imortal. A rainha das sereias – Dentro de um tanque – falava com o Lorde Primm. E a duquesa FairHipnos começou a falar sobre Will e Anna, que estavam com Henrique do outro lado da mesa.
– Ordem! Ordem! – Gritou meu pai.
Todos se sentaram eretos – ou pararam de se agitar na água – e se aquietaram.
–Pois bem, Karanlik Ses não ataca faz tempo, mas já sabe que Isa está aqui, já que ela voltou pra cá e o jovem Sr Primm não nos reportou diretamente. Sabemos que agiu por amor – Minhas bochechas esquentaram- Mas foi irresponsável. Agora devemos pensar que Isa está com os poderes enfraquecidos, semana que vem ela vai para o acampamento, treinar mais e mais. Henrique, treine os jovens para o exército, Karanlik deve se manifestar em breve.
–Sim- Disse Eglantine- E Daniel se prontificou para protege-la.
–Seu filho?- O Sr WolfBloddy perguntou surpreso- O correto não seria ser o namorado dela?
–Henrique e ela tem mais intimidade, então em algumas situações será mais fácil, pois eles namoram, e Henrique é um dos melhores bruxos daqui- Disse a lady FairHipnos.
–Só que vocês esqueceram de um detalhe- Me pronunciei- Eu e Henrique terminamos.
0 sr Primm ficou pálido.
–Por que?
–Motivos pessoais que não devem ser debatidos numa reunião de conselho- Falei, com certa aspereza- Mais tarde, se quiserdes, ficaria feliz de falar com o senhor em particular.
Ele assentiu, fuzilando Henrique com os olhos.
– Então aceito Daniel MacArthur como meu guarda particular, segurança e protetor.
–Tudo bem...- Minha mãe disse- Agora, teremos que fazer inscrições para o exército...
E eles leram a chata e extensa pauta enquanto eu pensava em como esse povo, antes tão rival, era amigo.
As fadas e os duendes estavam em guerra, a setenta anos. Os vampiros e os lobisomens tinham certa rivalidade. Vampiros e bruxos não eram muito amistosos entre si. Sereias e Fadas não eram próximas...Todos agora estavam numa paz. Mas se sentia a tensão de séculos passados no ar, misturado ao tom leve da conversa.
Richard me deu um chute debaixo da mesa. Olhei pra ele e ele falou, sem emitir som algum: DEPOIS-DA-REUNIÃO-ESCONDERIJO, OK?
Assenti, e ele sorriu.
A reunião se passou lenta e tediosamente e assim que fomos liberados corri ao “esconderijo”.
O “esconderijo” era um lugar em que eu e Rich nos escondíamos, era um lugar no jardim, dentro do labirinto, um esconderijo para o caso de ataques.
–O que você queria?
–Daniel saiu do seu quarto seis e pouco da manhã! Vocês sumiram da festa! O que aprontaram?
–N-nada! Bebi um drinque de fada e fiquei doida, ele só cuidou de mim…
–Hum…
–Tenho que ir, vou ver Cometa.
–Não esqueça de arrumar as malas. Amanhã vamos ao acampamento.
–Sim.
Saí dali, perdida em pensamentos. Cheguei aos estábulos, Thomas estava lá.
–Atesa!- Ele se curvou.
–Thommy- Sorri.
–Cometa está pronto, acabei de escová-lo!
–Obrigada- Sorri, cansada.
Subi no meu cavalo e cavalguei pela pista. Não havia perdido a prática.
–Não vai falar comigo, amigão?
–Finalmente!!! Foi horrível vê-la e pensar que você não me reconheceria! E você não falou comigo depois!- Choramingou e relinchou em minha mente.
–Eu já me lembrei, ok? E quem cuidou de você enquanto estive fora?
–Ah! Thomas sempre me escovava e limpava, e aquele vampiro, filho da duquesa má, montava em mim pelo menos uma vez por semana, e aquele seu namoradinho, Henrique, ás vezes vinha me ver.
–Daniel?
–O que tem eu?
Me virei e quase caí do cavalo.
– Daniel!
Ele estava montado uma égua branca.
–Oi! Espero que não se importe, mas montei Cometa enquanto estive fora.
–Fico feliz, e quem é essa?
– Constelação- Ele disse, e se aproximou, galopando- Podemos andar juntos.
–Sim...
Cavalgamos no mais completo silêncio. Mas não era aquele silêncio tenso, era um silêncio bom, confortável, que me deixava tranquila e reflexiva.
–Eu te via cavalgar aqui com Henrique, Willian e Anna, sempre senti ciúmes deles...
–Por que?
–Porque eles eram seus amigos, tinham você...Eu sempre quis isso, você sabe.
–Saber é uma coisa...Ouvir você dizer assim…É outra completamente diferente.
Ele estava vermelho.
–Que fofo!- Murmurou uma voz afiada, não era o meu cavalo, pois ele pateou o chão, nervoso- Já conquistou mais um coração, é? Pois saiba que terá que desistir dele, também…Ou é você, ou é seu reino. A escolha é sua!
–Karanlick!- Rosnei- Saia daqui! Me deixe em paz!!!
–Te deixar em paz não é uma opção, querida princesa. Te darei seis meses… E então você me diz o que fará: Deixará seu reino lutar até a morte contra mim ou evitar um derramamento de sangue e vir até meu castelo? Seis meses!
Um arrepio percorreu minha espinha e a voz se calou.
–O-o que ele quis dizer com isso?- Perguntou Daniel.
–Não sei direito...Mas temos seis meses.
Ok, eu tinha uma vaga ideia…Precisava falar com Henrique...
–Dan, você pode guardar Cometa nos estábulos, preciso falar com uma pessoa urgentemente.
–Claro.
Pulei do dorso de cometa e corri para o castelo, parei na frente da porta dele e basicamente esmurrei a madeira até ele abrir.
–Isa? O que?
Entrei.
–É sobre Karanlick.
–O que houve?
Sentamos lado a lado na cama dele, como sempre fizemos...
Contei tudo pra ele, que ouviu sem me interromper.
Depois de eu terminar meu monólogo, ele arqueou as sobrancelhas e disse:
–Pelo menos temos seis meses- Não gostei do jeito que ele falou aquilo.
–Como assim “temos”?
E ele me beijou, suas mãos seguravam meu rosto com uma firmeza delicada, sua boca tinha gosto de menta, eu não lutei, amava os beijos dele, na verdade, eu o amo, amo por inteiro.
Mas ele me traiu, isso não tem volta.
Me desvencilhei dele.
–Me solta, Henrique!
Saí correndo, e encontrei Will no caminho.
–E aí?
–Oi.
–O que houve?
–Henrique me beijou.
–Ah…Foi estranho?
–Muito.
–Por que ele te beijou?
–Fui obrigada a falar com ele e ele me agarrou.
–Hum…Estranho…- Ele mordeu os lábios e brincou com o anel na mão direita- Já está pronta pra ir pro acampamento?
–Ainda não… Meu Deus! Já arrumaram uma cama no quarto da Anna? Não vou ficar com o Henrique!
–Mas vocês sempre dividiram o quarto…
–Nós éramos um casal... Agora não mais…
–Ok…Eu falo com a diretora.
–Obrigada, você é meu melhor amigo, sabia?
–Eu te amo, nanica!
Ele sorriu e me deu um abraço de irmão, carregado de amor, mas de um amor puro e fraterno, o amor de um garoto e de uma garota que aprenderam a andar juntos. Sempre pensaram que eu e Will seriamos um casal, mas ele é como um irmão pra mim, fazíamos festas do pijama e brincávamos de pirata. Richard morria de ciúmes dele, dizia que ele havia me “roubado”. Will é meu melhor amigo e sempre será. No mundo dos normalis, as mulheres diziam que todas as garotas deveriam ter um melhor amigo gay, eu digo que todas as garotas deveriam ter um amigo Will.

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