Velha Infância - Berita
20 Epílogo
Notas iniciais
Meses Depois
– Estão todos prontos? – questiona Júnior, olhando para os outros.
Todos estavam cheios de malas, prontos para irem ao aeroporto.
– Sim, pai – responde Bia.
Júnior sorriu ao ouvir a palavra pai sair da boca de Bia. A pouco tempo ele a adotou legalmente e ouvir aquelas palavras o alegrava imensamente.
– Não vejo a hora de chegar na Disney! – continuou a garota.
Beto e Clarita se olham e sorriram um para o outro.
– A única coisa ruim, é que vamos ter que segurar vela pra esses dois – reclamou Bia, olhando para os irmãos-namorados.
– Não reclama, okay? – disse Clarita, abraçando o namorado.
– Não esqueça quem teve a ideia dessa viagem – completou Beto.
Bia revira os olhos.
– É claro, maninho–cunhadinho.
– Acho melhor só Beto – comentou Júnior.
– Também com essa confusão. Não sei se esses dois são meus irmãos ou meus cunhados.
– Somos os dois – o casal Berita, disseram juntos.
– Vai Bia, melhore esse humor – acrescentou Clarita. – Você está indo pra Disney e não pra escola.
Bia encara a irmã.
– Uau! Bela comparação.
– Cala a boca – disse a mais velha, lhe empurrando.
– Vamos parar com isso, garotas? Agora vamos aproveitar as nossas merecidas férias na Disney!
(...)
O voo atrasou um pouco mais de uma hora, o que deixou Bia impaciente; e Bento e Clarita preocupados.
E quando finalmente estavam prontos para embarcar, Clarita e Beto anunciam:
– Divirtam-se! Mas nós não vamos.
– Como é? – questiona Júnior.
– Pai, nós resolvemos ficar por aqui mesmo e aproveitar.
– Aproveitar? – repetiu o mais velho.
– Vou ganhar um sobrinho? – perguntou Bia.
– Bia! – o casal, exclamou.
– O que eu posso fazer? – Júnior dá de ombros. – Vocês são maiores de idade, só esperam que tenham juízo em tudo que forem fazer enquanto estarei fora.
O casal sorri e logo se despedem de Júnior e Bia. Depois de verem o avião subir voo, Beto diz:
– E o primeiro lugar que devemos ir é no Café Boutique.
(...)
Quando chegaram lá, Beto e Clarita foram recebidos pelos os olhares de todos os funcionários; principalmente de dois: Mili e Francis.
– Boa tarde a todos! – cumprimentou Beto os funcionários.
– Clarita! – Mili corre abraçar a amiga.
Já fazia dias que ambas não se veem. Clarita saiu do apartamento e foi morar na casa de Beto, já que Júnior adotou sua irmã. Sendo assim, ela também saiu do emprego de garçonete que tinha ali no Café Boutique.
– Pra onde vão com essas malas? Já não deviam estar no avião para a Disney? – pergunta Mili.
– Nosso destino é outro – respondeu Beto, abraçando Clarita.
– Tão lindo ver que vocês finalmente estão juntos – Mili disse, animadamente. – Já estava mais que na hora.
– Pensa que é fácil conquistar essa pequena?
Mili e Beto riram enquanto Clarita olhava para Francis que via a cena a distancia.
– Acho que devo falar com alguém antes de irmos.
Beto olha em direção a Francis e assentiu. Logo Clarita se afasta do namorado e da melhor amiga para conversar com o barista.
(...)
Por escolha de Francis, Clarita e ele foram conversar na cozinha do Café.
– Quanto tempo, não é? – ela começa a dizer.
– Pensei que jamais me dirigiria a palavra.
– Por que faria isso?
– Pelo simples fato de ter escolhido o Beto.
– Só porque estou com o Beto, não podemos ser amigos?
O barista fica em silêncio e ouve Clarita continuar a falar:
– Fiquei sabendo que quando fui sequestrada, você ficou preocupado comigo. Isso realmente foi importante para mim, acredite.
– Não me preocupei como amigo.
– Francis...
– Eu sei, você gosta dele – diz ele, como uma criança de cinco anos de idade. – E mesmo sendo difícil para eu dizer isso, espero que sejam felizes. Espero que ele te faça feliz, já que escolheu ele.
Clarita sorriu e abraçou Francis – ficando na ponta dos pés.
– Obrigada Francis! – agradeceu ela. – Espero que você encontre alguém que te faça muito feliz.
– Obrigado e boa viagem!
– Na verdade, acho que é um adeus.
– Como assim?
– Não sei se volto pra cá depois dessa viagem.
– O que o idiota do Beto pensa em fazer?
– Francis!
– Desculpa, mas o que ele pensa que está fazendo?
– Vou ser feliz ao lado de quem eu amo – respondeu Beto, entrando na cozinha.
Francis olha para Beto enquanto Clarita olhava para ambos.
– Espero que cuide bem dela.
– Cuidarei, pode ter certeza disso.
– Vão embora mesmo ou é só uma viagem?
Beto dá de ombros.
– Vamos rodar o mundo.
– É isso que vão fazer da vida?
– Deixe de agir como se fosse meu pai – Beto disse, abraçando Francis. – Vamos viajar o quanto podermos, mas vamos ter uma vida como qualquer outra pessoa. Além do mais, não quero ir brigado com você. Vamos ficar de boa a partir de agora?
Francis o olha como se duvidasse das palavras de Beto. E Clarita sorriu para eles.
– Tudo bem – Francis resolve dizer e eles dão um aperto de mão.
– Como é bom vê-los assim! – comemorou Clarita.
– Agora vamos, pequena – disse Beto e ela confirmou.
(...)
– Vocês vão me fazer chorar – reclama Mili, que estava abraçada com o namorado.
– Não chore amiga! – Clarita se aproxima e logo sente os braços de Mili a envolverem.
– Tem certeza dessa loucura? – questiona Mosca.
– Não é loucura, só vamos viver nossas vidas.
– Vai ser estranho não ter vocês aqui – diz Mili.
– Também sentiremos a falta de vocês – fala Clarita. – Mas poderemos nos visitar sempre quando pudermos...
– Vocês principalmente – acrescentou Beto.
– Pode deixar – fala o casal Mosli.
– E não se esqueçam de nos convidar para o casamento! – avisa Clarita.
– Até parece que iremos esquecer disso – fala Mili. – Mas ainda vai demorar.
– Pare de enrolar a Milena! – exclamou Beto dando um soco no braço de Mosca.
– Não é simples assim – responde Mosca, fazendo massagem no lugar do soco.
– Okay. Acho que está na hora de irmos, amor.
Então, pela última vez Beto e Clarita se despedem dos melhores amigos e entram dentro do carro.
(...)
– Afinal, pra onde estamos indo? – questiona Clarita, um segundo depois de ter entrado no carro.
Beto dá de ombros.
– Pra onde você quiser.
– Pro Japão, pode ser?
Beto a olha, confuso.
– Se quiser ficar dois anos viajando pra chegar lá – ele dá de ombros.
– Claro que não! – Clarita gargalhou. – É sério, qual é o nosso primeiro destino?
– É surpresa! – falou ele, com um lindo sorriso no rosto.
(...)
Clarita não estava acreditando no que estava vendo. Beto a levou para o térreo de um prédio e lá tinha um caminho trilhado por pétalas de rosa e no final um enorme coração também de pétalas de rosas.
– O que é isso? – ela ri, segurando o choro.
Logo aparece um homem de terno e gravata acompanhado por duas mulheres. Em seguida, Clarita vê Beto se ajoelhar em sua frente e abre uma caixinha revelando duas lindas alianças.
– Quer agora nesse exato momento não ser apenas a minha namorada, mas sim, a minha mulher para o resto de sua vida?
Clarita abre a boca sem emitir som algum, ela estava feliz e surpresa com isso. Realmente, é uma decisão que mudará a vida deles pra sempre.
E com um enorme sorriso, ela responde:
– É claro que eu quero!
Minutos Depois
Depois de ter emprestado um vestido azul claro – que parecia com o da Cinderela daqueles contos de fadas – para o seu casamento; Clarita estava entrando com um pequeno buquê em mãos – buquê que o próprio Beto comprara pra ela, antes mesmo de fazer o pedido -, para ir ao encontro de seu futuro esposo.
Assim tendo duas funcionárias do prédio como testemunhas, o juiz fez o casamento de Beto e Clarita em um térreo de um prédio da grande São Paulo.
(...)
Já fazia algumas horas que Beto e Clarita seguiram viagem depois de terem de casado.
– Com certeza, a história do nosso casamento vai ter que ser contada pra todas as nossas gerações.
Beto riu com as palavras de sua esposa.
– Nossos filhos contando para nossos netos e assim vai: a história do casamento Berita.
Clarita gargalhou.
– Jamais imaginei que meu casamento seria assim. Com um vestido emprestado de uma loja de fantasia, num térreo de um prédio e com duas mulheres desconhecidas como testemunhas.
– Tive a sorte que elas aceitaram serem testemunhas – fala Beto, fazendo Clarita rir novamente.
– O que seu pai vai dizer disso?
– O importante que agora vamos ser feliz como marido e mulher, o que os outros vão pensar não importa.
– Garanto que a Mili e o Mosca vão nos matar por não ter os chamado.
Beto dá de ombros.
– Vai que eles trariam o Francis? Foi melhor assim mesmo.
Clarita ri e dá um tapa no braço de Beto.
– Duvido que eles fariam isso – afirmou ela.
Ambos riram e logo percebem que o motor do carro começa a falhar até parar completamente no meio do asfalto.
– Era só o que faltava! – reclamou Beto, batendo as mãos no volante.
– Calma, meu amor. Vamos ligar pra mecânica e eles virão resolver nosso problema.
–Às dez horas da noite?
– Não vamos saber se não tentarmos.
Beto tenta ligar para mecânica, mas ninguém atende.
– Acho que vamos ter que dormir no carro hoje, amor.
Clarita olha pra ele e segura o riso.
– Bela noite de núpcias a nossa. Mais uma história para nossos filhos – disse ela.
Beto dá um pequeno sorriso.
– Ei não fica assim – pede ela acariciando o rosto dele. – Vamos aproveitar isso já que o destino quis assim.
– E como podemos aproveitar?
– Liga a rádio – pediu ela.
Beto faz o que ela pediu e logo eles percebem que a música que está tocando é “Velha Infância”.
– Me concede está dança? – questiona Beto.
Clarita sorriu e estendeu sua mão. Logo eles começam a dançar no meio de uma BR.
– Essa música tem tudo haver com nossa história, não acha? – Beto diz.
– Meu melhor amigo é o meu amor. Com certeza essa é nossa música!
– Que chique temos uma música – Beto disse, segurando o riso.
– Bobo! – fala Clarita, lhe dando um tapa no ombro. – Essa é Velha Infância – Berita, a nossa história de amor.
Beto sorriu.
– Me lembre de agradecer o Mosca e a Mili por esse nome: Berita.
– Ah claro – afirmou a loira e logo o puxa para um beijo. – Te amo, Beto.
– Também te amo, pequena. Você é o melhor presente que a vida me deu! – declarou-se Beto e voltou a beija-la em baixo de um céu estrelado.
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