Vazio
1 Vazio
Notas iniciais
Tudo bem com vocês?
Bom, há coisas que a gente simplesmente precisa escrever e isso aqui foi uma delas. Gostaria de avisar novamente que essa one-shot irá tratar de temas sensíveis como depressão e pensamentos suícidas e pode ser GATILHO para algumas pessoas. Se esses assuntos são delicados para você, recomendo que não leia.
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É aquele sentimento de novo. Aquela vontade absurda de deixar de existir. Aquele desejo que cresce em seu interior, enquanto o rapaz se encontra ali, deitado em sua cama, se sentindo completamente vazio e encarando as rachaduras do teto. Exausto demais para se levantar, exausto demais para dormir. Exausto demais para qualquer coisa. Aquele maldito sentimento que vai e vem em ondas. Mas sempre volta.
Louis Weasley não quer morrer. Ao menos, acha que não. A morte parece algo definitivo demais. E, verdade seja dita, um tanto assustadora. No entanto, ele gostaria de poder pausar a vida. Apenas por um tempo. Desaparecer por um mês ou dois. Talvez um ano inteiro. Deixar de existir. Ou talvez nunca ter existido, para começo de conversa.
Apagar sua vida inteira não lhe parece um crime tão grave. Ninguém pode sentir falta do que nunca foi. Do que nunca existiu. De quem nunca esteve ali. O garoto, entretanto, sabe que isso não é possível. E, não sendo possível nunca ter nascido, sabe que não pode se arrancar desse mundo sem deixar consequências. Sem deixar um buraco. Um lugar vago na mesa. Um vazio. Um rasgo sangrento de dor e desespero no coração daqueles que mais ama. Louis sabe que não pode fazer isso. Então, continua ali, apenas encarando o teto, enquanto o tempo corre e o cansaço se infiltra em seus ossos, os transformando em pedra.
Talvez fosse mais fácil se ele não soubesse que é amado. Se não sentisse a força do amor que o rodeia. Mas ele sabe. Tem uma família grande, barulhenta e cheia de afeto que o ama com todo coração. Tem pais maravilhosos. Duas irmãs incríveis. Ótimos amigos. Pessoas que não deseja machucar.
Louis Weasley tem tudo o que alguém pode querer. É bonito, inteligente e popular. É o capitão do time de Quadribol da Grifinória. É amado por meninas e meninos. Teve uma infância feliz e, embora não seja rico, nunca precisou se preocupar com dinheiro. Ele deveria ser feliz. E talvez, em boa parte do tempo, seja. Em dias como esse, no entanto, é difícil se lembrar disso. Difícil se lembrar de como é sorrir ou gargalhar ou sentir o que quer que seja. Sua memória se torna um borrão e tudo o que existe é o agora e toda a sua agonia sufocante.
No agora ele não está feliz. Não está feliz há dias e não entende o motivo. Não aconteceu nada que justifique sua ausência de felicidade. No entanto, também não sente tristeza. Seria mais fácil se sentisse. Louis não consegue definir o que o consome. Essa ausência de todas as coisas. Esse vazio. Essa sensação de estar oco. Mas sabe que o mundo parece sem cor, que a comida parece sem gosto, que suas músicas favoritas soam erradas e que nada parece ter sentido ou propósito. Sabe que se sente muito cansado, mesmo que não entenda como pode estar tão completamente cansado, quando se é tão jovem. Mesmo que não entenda como pode estar tão cansado, quando há dias que não sai da cama. Sabe que deseja que tudo isso acabe. Não para sempre. Só por um tempo. Só por agora.
Notas finais
Espero que tenham gostado! ♥
Em caso de pensamentos suicidas é possível contatar o CVV - Centro de Valorização da Vida - 24 horas por dia através do telefone 188 e do site (http://www.cvv.org.br/).
Beijinhos,
Thaís
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