Vampyrit - Recomeço
2 Kyriu
Acordei deitado no chão gélido da igreja, meu corpo estava doendo, minha cabeça girava, minhas pernas tremia, quando eu estava quase totalmente recuperado ouviu um som vindo fora da igreja.
Levantei-me com dificuldade do chão, minhas pernas ainda tremia, mas eu já conseguia andar normalmente, quanto mais me aproximava da porta da igreja mais alto ficava o som.
Aquele som lembrava-me muito grito de pessoas, era vários gemidos de dor, agonia e até mesmo desespero.
Abrir ah porta da igreja e fui logo surpreendido com um chute na altura do meu peito que me arremessou alguns metros para trás, minha visão ficou um pouco turva, mas consegui ver a criatura levantar uma grande maça com quatro espinhos na superfície do metal da arma.
Rolei para o lado pra tentar fugir do golpe, e com sucesso e muita sorte conseguir me desviar do seu ataque, levantei-me e corri em direção da estatua, na qual Kayrro observava atentamente – na noite anterior – quando me aproximei do altar tive que pular para minha esquerda tentando desviar do ataque do meu inimigo que quase me acertou novamente, um rugido de fúria acuou dentro da igreja, agora com minha visão boa novamente pude ver o rosto do monstro que me atacava.
Sua pele era verde e escamosa, seu corpo era alto e forte como as de um Troll, sua pele era marcada, como as de capitães nas Aldeias Bárbaras do Sul, seu rosto era horrível, sua cara era toda enrugada com uma marca de um corte no olho esquerdo, percebi que ele era cego daquele olho e poderia usar aquilo ao meu favor, ao mesmo tempo em que eu sentia um pouco de medo, eu também sentia um pouco de fascinação pela criatura, pois aquela era a primeira vez que eu via um DraKiean na minha frente, já ouvira muitas historias sobre eles, mas velo frente a frente era algo tão intenso e magnífico, e é claro muito assustador.
Comecei a subir no altar o mais rápido possível, o DraKiean vinha no embalo para me acerta novamente, e dessa vez eu não teria mais tanta sorte como antes, quando subi todos os degraus do santuário, via as ultimas coisas que eu esperava encontrar dentro de uma igreja. Logo pendurada na parede embaixo da estatua havia duas espadas de lamina curtas – Estranhamente eu não havia prestado atenção naquela estatua quando cheguei à igreja e não havia percebido as espadas – corri até elas, mas quando estava prestes a pegar a espada vi que o gigante estava prestes a arremessar sua arma em minha direção.
Sem muito jeito pulei para o lado para esquivar do seu ataque, a maça acertou em cheio as espadas que logo quando se chocou um estrondo gigantesco acuou novamente pela igreja, o som foi horrível, mas não podia me concentrar no som ainda precisava me concentrar em meu inimigo.
Levantei-me rapidamente e quando levantei vi meu inimigo me acerta um belo soco no meu tórax, que me jogou para cima facilmente, mas tudo que sobe desce e eu não fui diferente, quando comecei a cair já levei outro soco que me arremessou na parede do outro lado do altar.
Com dificuldade levantei-me do chão que começou a ficar vermelho com o sangue que caia de meu corpo. O DraKiean andou ate sua maça, que fez um grande estrago na estatua, as espadas ainda estavam completamente intactas, era como se nada estivesse acontecido com elas. Olhei para a criatura que me observava, dei uma pequena olhada para a porta principal da igreja e vi um homem enfrentando um DraKiean muito menor do que o líder, o soldado deu um golpe no pescoço do seu inimigo que o matou na mesma hora, o sangue escuro jorrou pelo pescoço do monstro, oque fez com que um pouco de sangue jorrasse na roupa do homem, o soldado olhou para mim e deu um grito de alerta, e ainda bem que ele fez isso, pois o líder estava preste a me acertar com sua arma, desviei de seu golpe dando uma cambalhota por baixo de seu braço que me atacava, corri na direção das espadas e dessa vez consegui chegar a tempo de não levar outro golpe, quando percebi a aproximação do DraKiean já me coloquei de pé e me preparei pra lutar contra meu inimigo de igual para igual, ou quase isso.
Meu inimigo já estava cansado, isso era obvio, pois sua expressão mostrava claramente seu cansaço, sua respiração estava mais acelerada, seu peito enchia de ar a cada segundo que se passava, mas em recompensa eu estava bastante ferido com seus ataques, meu corpo estava doendo demais para pensar em uma estratégia, mas tive uma idéia suicida– bom e loucura, mas é a melhor idéia que eu tenho — pensei comigo mesmo naquele momento.
Meu inimigo me observava friamente, oque para muitos já era um bom motivo pra molhar as calças, dei um passo para trás, e coloquei uma espada na horizontal na frente do meu corpo, e a outra espada apontava para a parede nas minhas costas olhando, diretamente para seus olhos, me preparei para atacar com toda a minha força contra meu inimigo.
O DraKiean deu um rugido que provavelmente deve ter se escutado pela aldeia inteira, a criatura grotesca começou a correr em minha direção, pronto para me matar com a sua arma, não movi nenhum músculo até o memento de seu ataque, o ser monstruoso levantou sua arma para me acerta, quando vi que sua arma começou a descer na direção da minha cabeça, eu coloquei a espada horizontal acima de meu corpo fazendo com que seu ataque parasse com sorte a lamina era firme e forte, nem ao menos trincou com o impacto do ataque, oque já era ótimo, pois meu inimigo tinha recuado e aberto à guarda para mim, e como um tigre não tive dó de seu corpo, com a espada que estava apontada para a parede hás minhas costas, comecei a atacar meu inimigo, o primeiro ataque foi bem na altura de seu abdômen, oque deve ter machucado muito, pois suas tripas depois do corte começaram a sair de seu corpo, dei outros dois cortes na altura do peitoral do meu inimigo fazendo um tipo de X, o DraKiean não teve tempo nem de rugir de dor, pois quando pós de joelhos ao chão deram-lhe o golpe fatal em seu pescoço, não o deixei nem dizer suas ultimas palavras, o DraKiean caiu jorrando sangue pelo altar.
Ouvi gritos de socorro vindo fora da igreja, isso significava que ainda teria pessoas vivas na aldeia, sem demorar muito sai correndo para tentar ajudar as pessoas lá fora, pelo menos eu ainda tinha esperança de ver alguma pessoa viva.
Quando o soldado que vira o fim da minha luta, percebeu que eu estava indo ajudar seus companheiros, logo começou a correr na direção da batalha, avisei a ele que reunisse um grupo e fosse para os portões impedir que mais DraKiean’s entrasse na aldeia.
Olhei para os muros que cercavam a aldeia e dei graças aos deuses que esse povo teria pensado na idéia de fazer uma grande muralha em volta do povoado.
Disse para outro grupo que fosse para as casas para tentar ajudar as pessoas que ainda estivessem vivas, por sorte ainda tinha muitas mulheres e crianças vivas.
Fiquei sozinho com os grupos de DraKiean’s, não era muitos mais ainda dava pra se divertir com os restantes, corri pela estrada como um raio, a cada monstro que me atacava um movimento eu fazia com minhas novas espadas, oque era incrível era que todos os meus movimentos eram letais, era como se as espadas estivesse conectadas a mim, prontas para quando eu me movimentasse, uma cabeça saísse do corpo de meus inimigos.
Depois de alguns minutos de batalha, percebi que minha estratégia estava funcionando, sem o seu líder os DraKiean’s ficaram completamente confusos, os inimigos não conseguiam entrar na aldeia, e os que ainda estavam dentro da aldeia era facilmente abatido.
Quando achei que todos estavam a salvos, percebi como estava errado, escutei um grito de socorro vindo um pouco depois da casa da bruxa. Corri o mais rápido que pude e na direção da casa, e quando cheguei dei graças, pois ainda eu tinha tempo.
Um DraKiean encurralou uma mulher e uma menina que deveria ter uns oito anos, olhei para a mulher e não tive duvida, a menina ainda estava bem, mas parecia estar com muito medo, assoviei e chamei a atenção do meu inimigo. DraKiean não e uma criatura muito inteligente isso você pode ter certeza, imagine um Orc, bom a inteligência deles e um pouco superior a isso, exceto os lideres, que diferente dos outros era bem inteligente e assustador.
Quando meu inimigo me viu logo correu em minha direção, ele me atacou algumas vezes, ate eu desviar de um dos seus ataques e enfiar uma das laminas dentro de sua barriga. O monstro gritou de agonia mais logo em seguida sucumbiu à morte.
A menina estava bastante assustada, mas eu me aproximei lentamente a ela, ela tampou o rosto com as mãos tentando não ver sua mãe morta, pra dizer a verdade eu acreditei que ela não queria olhar para mim também.
Peguei a garota pelo colo e chamei os soldados que estavam andando naquela parte, um homem veio ate onde eu estava, pedi a ele que levasse o corpo da garota para perto dos portões, pedi a ele também que avisasse a todos os soldados que levasse o corpo de todos os mortos para os portões da cidade.
Quando voltei para a estrada que levava para os portões, todos que estavam vivos ainda me olharam, nenhum com um sorriso, ou algo parecido. O soldado que me vira lutar contra o líder se aproximou de mim e bateu à mão em meu ombro, o jovem soldado deu um sorriso e se virou para olhar a todos os cidadãos daquela aldeia, ele deu um passo à frente e deu um grito.
_ AO NOSSO HERÓI!
Admito que aquilo me constrangia um pouco, mas foi bem legal, o jovem deu um passo a trás e me perguntou qual era o meu nome, sem jeito disse meu nome a ele e o soldado deu outro grito.
_ UM GRANDE SALVE AO KYRIU, O HOMEM QUE SALVOU O NOSSO LAR. – É com isso todos deram um salve.
Ah menina ainda estava com medo, e eu dava motivos ah ela, para estar daquela forma, lembrei-me de quando minha noiva morrera há anos atrás quando vi o rosto da garota, ela estava como eu, ela provavelmente se sentia sozinha, pedi para que um guarda ficasse um pouco com ela, o guarda não discutiu comigo e ficou com a menina, chamei mais dois guardas para virem comigo vasculhar o local, tinha a impressão de que poderia encontrar alguma coisa, tinha que ter certeza que aquelas pessoas iriam estar seguras.
Fiz mais alguns grupos de soldados e mandei-os para pontos estratégicos dos lugares, eu o soldado que me virá lutar na igreja e mais outro homem foi à direção da igreja.
Quando estava chegando à igreja olhei para a casa da bruxa que estava completamente destruída, olhei para eles e perguntei como se chamava a bruxa que morrera.
_ Ninguém sabe ao certo como se chamava a mulher Kyriu, muitos apenas ah chamava de bruxa – Disse um dos soldados, ele era mais alto é mais forte que o outro, tinha uma pequena cicatriz no queixo, é um ferimento no ombro por causa da recente batalha, ele tinha olhos escuros e uma pele mais escura ainda, diferente dos outros soldados que tinham cabelos longos ele não tinha um único fio na sua cabeça, olhei para ele e fiz um movimento com a cabeça de entendimento, me aproximei da entrada da casa e abrir a porta – Oque você acha que esta fazendo, não pode entrar ai dentro.
_ Volto logo!
Entrei na casa e a porta logo se fechou atrás de mim.
Tenho que dizer que estava surpreso, não era nada como eu havia imaginado, era uma lojinha bem aconchegante para ser sincero, era quente e bem escura com poucas velas iluminando o local, a parte da loja estava intacta como se por algum motivo nada estivesse destruído, havia alguns vidros destruídos no chão do local, olhei aos arredores do local e vi varias estatuas, mas a que me surpreendeu de verdade foi à serpente que corria pelas paredes da loja, era uma estatua linda e perfeita entalhada em uma madeira rara – uma madeira que só nascia aos arredores de Yroch.
Pulei o balcão e vi uma escada que se escondia atrás da parede, caminhei até a escada e comecei a subir, no fim da escada havia um pequeno corredor com duas portas, caminhei até a porta da esquerda e á abrir, não havia muito dentro da porta apenas uma cama desarrumada e uma boneca encimam do travesseiro, fui ate a janela que dava ao bosque onde a mulher foi morta pelos DraKiean’s, fiquei poucos minutos olhando aquele lugar, era triste pensar na garotinha que perdera a mãe recentemente, virei-me para trás é escutei uma voz vindo do outro lado da parede, caminhei até a porta e a fechei, fui para o outro cômodo da casa onde o som havia vindo, era outro quarto, não muito diferente do outro ao lado, uma cama e uma janela ampla, bem iluminada e calma, tinha um pequeno armário, que se destacava no quarto todo, olhei algumas coisas no quarto, mas como não encontrei nada, me virei para porta e comecei a caminhar na direção do quarto quando escutei uma voz vinda atrás de mim.
Virei-me assustado, mas não havia ninguém atrás de mim, exceto uma carta que aparecera misteriosamente em cima da cama, olhei para os lados para ter certeza que não havia ninguém no quarto além de mim e sentei-me a cama.
Com hesitação peguei a carta e comecei a abri-la, o ambiente começou a ficar mais frio, os pelos de meu corpo começara, a arrepiar, a porta se fechou é uma nevoa começou a surgir debaixo da porta, hesitei em continuar ah abrir a carta, mas ao fim retirei as folhas do envelope, quando comecei a ler o envelope uma voz surgiu, à mesma voz de antes, parei de ler e olhei para frente.
Assustado, não consegui acreditar no que via, a mesma mulher que morrera no bosque mais cedo estava na minha frente, ela estava tão linda, sua pele era branco e seus cabelos escuros flutuavam no ar, seus lábios eram rosados, e seu corpo magro fazia com que seu rosto se destacasse, seus olhos eram claros como a água de um rio calmo, tão verde quanto os rios que se esgueiravam ao redor de uma floresta protegida por elfos. Ela usava um vestido branco de ceda, era um vestido hipnotizante que me fazia admirar seu corpo, levantei-me da cama, e olhei para a garota a minha frente.
_ Como você esta aqui, eu vi você...
_ Morta! – interrompeu-me a mulher – Você me vê, pois antes de morrer eu já sabia que você viria até mim – ela se aproximou até mim e colocou sua mão em meu rosto – Meu pequeno Tigre.
Minha visão ficou turva, tudo começou a ficar branco, era como se tudo mudasse, meu corpo ficou gelado, minhas pernas começou a tremer, quando percebi já não estava de pé.
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