Vampyrit - Recomeço
4 Kyriu
Acordei um pouco desorientado, já havia anoitecido, não havia muita luz apenas uma vela acesa com pouca cera, meu corpo doía é minha cabeça girava.
Levantei-me com dificuldade, mas logo eu estava estabilizado, minhas pernas tremiam um pouco, mas consegui caminhar até uma janela no fim do quarto, dei alguns passos até á janela, e observei a lua cheia que estava estabelecida sobre o céu estrelado.
Olhei para a lua por algum tempo é lembrei-me de quando Morrigan tentava me ensinar o nome de todas as estrelas e o nome das três luas que apareciam no céu noturno, àquela noite havia apenas uma no céu, mas sempre que olhava para aquelas luas lembrava-se de minha antiga amiga, que até hoje havia sido apenas mais uma em minha vida que deixara no passado.
Caminhei de volta para a porta que estava atrás de mim, é antes de sair apaguei a vela.
Quando sair da casa os dois guardas já haviam ido embora, mas não me importei, fui até a porta da igreja e quando cheguei vi o estrago que o DraKiean havia feito, eu decidi entrar na antiga catedral, meu olhar passou por todo o salão até se encontrar com um homem velho se encontrava sentado em um pequeno trono no alto do altar.
Ele me olhava com seus olhos velhos é sério, estava escuro aquele salão, mas o branco de seus olhos mostrava que aquele velho homem não estava feliz.
Caminhei para perto do altar, mas antes de eu começar a subir as escadas o velho homem esticou sua mão e fez um gesto para que eu parasse.
_ Acho que acredita que devo agradecer-lhe pelo que fez para nossa cidade, se não fosse por você teríamos sido dominados por aquelas bestas demoníacas. – disse o homem com uma voz nenhum pouco feliz, ele olhou para o lado e meu olhar seguiu com o dele, na base da escada perto de outro pequeno trono estava um corpo de um DraKiean. – Recebi um aviso que estava vindo para cá Príncipe traidor, mas não acreditei que traria uma praga junto com você.
Dei mais um passo, mas logo o homem fez outro gesto com a mão para que eu não me aproximasse, não conseguia ver muito, mas o pouco que via de sua mão era as rugas que apresentavam em sua pálida mão.
_ Me lembro da época que ouvi á notícia que o herdeiro de Vampyrit havia sido banido de sua casa, alegaram Házaro havia condenado injustamente o seu filho de traição. – Olhei para o velho e imediatamente meu coração pegou fogo de raiva, meus sentimentos não eram bons, o ódio pela lembrança daquela época me assustava, mas ao mesmo tempo me revigorava subir mais dois degraus é mais uma vez o velho me repreendeu. – Sugiro que você vá embora traidor, muitos aqui não sabem quem é você, e prefiro que continuem assim, Daiger já tem seus conflitos, não quero novos problemas.
Voltei a subir a escada e quando o velho me repreendeu novamente o ignorei, quando cheguei ao topo do altar caminhei ate o pequeno trono onde estava, vi o desespero nos olhos do ancião quando me aproximei, quando faltava pouco para chegar ao velho ele levantou, mas quando começou a abrir a boca já estava com a minha mão direita em seu pescoço.
_ Como ousa encostar a sua... Mão em um... Membro da... Igreja – O velho estava perdendo o ar muito rápido, pois a cada palavra que saia de sua boca ficava mais difícil de entender oque ele falava com a minha mão direita o joguei de volta no trono, o velho caiu sentado batendo a cabeça no encosto do assento.
Aproximei meu rosto ao dele e olhei no fundo de seus olhos, o velho fedia á um aroma de flores mortas, seu cheiro me lembrava dos pântanos, seus olhos já não estavam brancos e sim vermelhos, sua pupila era um verde bem escuro, mas poderia ser outra cor já que estávamos em um escuro quase completo. Eu não havia percebido até ficar frente a frente com o velho, mas ele usava um tipo de vestimenta que apenas acólitos poderiam usar.
_ Oque vai fazer? – O velho mesmo com medo não perdia a posse e olhando no fundo de meus olhos deu um pequeno sorriso que me lembrava muito os DraKiean’s. – Me matar dentro da igreja?
Dei as costas para o velho que logo perdeu o medo e começou a gargalhar em minhas costas, seu riso era agonizante e muito irritante, comecei á caminhar até a escada escutando aquele som infernal atrás de mim, então antes d’eu começar a descer os degraus sua voz desaparecera daquele lugar, não havia nenhum som naquele salão, aquele local começara a me assustar de acordo que eu ficava ali, meu corpo começou a ficar frio, mesmo com meu Sobretudo, minha pele congelava, meu peito começou a doer, minha boca secava e não conseguia respirar muito bem mais.
Antes mesmo d’eu conseguir da o passo para descer as escadas sentir uma mão em meu ombro esquerdo, aquele local começou a doer, minha cabeça começou a girar, sentir meu coração acelerando e quando virei meu rosto para a esquerda para tirar a mão daquele velho do meu ombro vi apenas ossos, não havia carne naquela mão, minhas pernas começaram a tremer, aquela sensação estranha da noite anterior voltara, eu não conseguia mais mexer meu corpo, e o medo havia tomado conta de mim.
_ Você é diferente garoto, tenho que admitir isso. – Disse uma voz atrás de mim, não era mais o velho, a voz era mais grave, mas ao mesmo tempo mais fina e ao mesmo tempo em que ele falava a minha língua ele falava outra, um tipo de língua morta – Não são todos que conseguem ficar em minha presença, muito menos agüentam o meu toque em suas peles, pelo que me lembro de apenas seis pessoas nesse mundo conseguiram tão proeza.
O velho começou a da uma risada um tanto que irônica, tentei me lembrar da sensação no mundo dos mortos quando salvei a vida da Morrigan, tentei me lembrar da força, do poder, da energia que passaram em meu corpo naquele momento, mas o medo me dominava naquele momento, eu queria correr, mas minhas pernas apenas tremiam, eu queria gritar, mas minha voz desaparecera, não havia como fazer nada.
_ Vou deixá-lo parti hoje Kyriu Yroch! – Disse o homem com a voz voltando a ser a do velho estranho. – Mas da próxima vez que nos reencontrarmos, vou fazer com que fique junto com sua amiguinha.
Após dizer essas palavras sua mão desaparecera de meu ombro, aquela sensação desaparecera, meu corpo desabou rolando na escada ate chegar ao piso inferior do salão, não tinha muito controle do meu corpo, então fiquei ali deitado por algum tempo pensando...
Eu sobrevivi ao toque da morte... Que sorte que eu tenho
Depois de quase uma hora caído ali no chão meu corpo voltara ao meu domínio, com um pouco de dificuldade eu consegui levantar, o mais irônico era que naquele dia eu ficara naquela situação quase o dia inteiro.
Caminhei até a porta da igreja e antes de sair do salão olhei para trás onde eu tive um encontro um tanto que peculiar com a morte, por mais que aquilo me assustasse um pouco, percebi que aquilo que eu estava procurando ate ontem a noite não era a morte, e sim um motivo para continuar vivendo.
Saí da igreja o mais rápido que pude e fui até há taverna em busca de respostas a pequena garotinha.
Quando entrei na taverna o movimento já não era o mesmo da noite anterior, oque se via era penas um velho servindo cerveja para três homens e uma mulher que para mim era a filha e ajudante do velho.
Caminhei até o balcão e os três homens foram para uma das mesas, o cervejeiro veio ate mim é olhando nos meus olhos, de certa forma leu meus pensamentos.
_ Ah menina esta dormindo em um dos quartos lá em cima, mais tarde minha filha te leva até ela.
Olhei para a moça que estava com um vestido surrado preto com detalhes branco, para mim não era novidade, pois parecia que todas as mulheres naquela cidade usavam aquele mesmo tipo de vestido, apenas trocando um pouco o tom da roupa surrada.
Voltei meu olhar no velho, ele ficava limpando um copo que por mais que estivesse limpo ele continuava limpando, aquele habito infernal parecia ser moda, pois não conseguia lembrar-se de qualquer outro cervejeiro fazer diferente daquele homem.
_ Prazer companheiro, meu nome é Jeremy Cal e aquela menina e minha filha Melissa... – Jeremy me olhava com um pouco de desdém, mas aquilo não me incomodava já havia me acostumado com aquele tipo de olhares. – Você como se chama?
Olhei para o velho é por um segundo pensei em um nome pra falar, mas a maioria dos nomes que vinham em minha mente era ridículos, Kall, Yoshi, Gabriel, nenhum nome legal, então eu decidi falar a verdade para Jeremy.
_ Meu nome é Kyriu Yroch. – Jeremy me observou por um seguindo, e depois de uns dez segundos me olhando, o velho colocou um sorriso em sua cara pálida.
_ Eu sabia! – Afirmou o velho
_ Espera como assim sabia?
A pergunta havia soado um tanto que ridícula, olhei para Melissa que servia os três bêbados que estavam no balcão.
_ Como soube quem eu era? – perguntei, e novamente soou meio estranho ah pergunta.
Ele me analisava é me estudava como guerreiros experientes faziam em um campo de batalha, Jeremy não parecia ser um homem bobo, oque era estranho, pois com seu perfil era de se estranhar que trabalhasse naquele local.
_ Faz algum tempo para ser sincero. – respondeu o velho com um ar de superioridade. – alguns dias atrás um homem alto com um jeitão meio arrogante apareceu aqui, ele conversou com a melissa, o assunto foi tão longe que ele disse que alguns dias antes ele havia encontrado um cara que se dizia ser herdeiro de toda Vampyrit, no inicio achei loucura, mas logo quando você chegou aqui há quase três dias, á minha fixa caiu.
Ele parou de esfregar o pano no copo é desviou seu olhar para um bêbado que encarava a sua filha.
_ Você era diferente dos outros homens, pagava de forma correta é não tentava dar em cima da Melissa, fazia as coisas com um tanto de cuidado, e claro não bebia. – Jeremy deu um tipo de risadinha e depois voltou a falar. – homens só não bebem quando e casado ou tem algo a esconder, como você não aparentava ser casado você tinha um segredo a guarda, foi apenas juntar as peças depois.
_ Tenho que admitir que para um simples barman você e muito observador.
_ Obrigado garoto. – O velho disse com um tom um tanto que ofendido, mas novamente não me importei muito com isso. – Mas você se engana se acha que meu maior talento e ser um Barman, servi muitos anos em um pequeno vilarejo á alguns daqui, mas quando minha filha nasceu decidi sair de tal vida, era um risco muito grande viver daquela forma, então vim para essa cidade e dei todas as minhas economias para criar esse estabelecimento, não e muito, mas é melhor do que nada.
Olhando para ele, fiquei meio que constrangido, ele não havia me contado muito, mas me contou o suficiente para eu perceber o sacrifício que havia feito para que sua única filha não precisasse ver seu pai morrer em campo de batalha, realmente aquilo não era lá uma vida muito boa, mas como ele mesmo disse que aquilo era melhor que nada.
Levantei-me do banco onde estava sentado e agradeci, olhando para a Jovem filha de Jeremy pedi que me levasse para o quarto onde Pandora estava hospedada, não caminhamos muito, mas foi um momento um tanto que constrangedor já que não houve uma só palavra até que chegássemos à frente do quarto onde se encontrava Pandora.
_ Obrigado. – tentei ser educado e agradeci um tanto que discretamente.
Ela balançou a cabeça e gesto afirmativo e antes que ela pudesse voltar para o bar perguntei se ela poderia fazer um favor a mim.
_ Sim! – Disse a garota com um sorriso no rosto que de certa forma me deu calafrio na espinha.·.
_ Você poderia pedir para que seu pai preparasse um cavalo para mim, preciso parti ainda de manha cedo, não posso ficar mais na cidade, pagarei pelo cavalo e tudo mais que for preciso.
Ela assentiu com a cabeça em forma positiva e deu meia volta, voltando para ajudar o pai no bar.
Entrei no quarto e vi Pandora abraçada com um pequeno ursinho de pelúcia deitada na cama, não quis incomodá-la então tirei meu Sobretudo e me acomodei em um canto do quarto dormindo mais rápido que esperava.
Naquela manhã quando acordei Pandora ainda dormia, sai do quarto para ver se encontrava Melissa para saber sobre o cavalo, e como pedira ela havia me arrumado um cavalo branco com olhos bem pretos.
_ O nome dele e Witer e é um dos meus cavalos mais rápidos e fortes, espero que goste. – Jeremy parecia estar certo, aquele cavalo era muito bonito e parecia ser bem forte, acreditei que ele poderia dar um trabalho no inicio, mas no fim acreditei que com o tempo ele seria um animal bem fácil de lidar.
Pedi que Melissa acordasse Pandora por mim é enquanto ela ia fiquei para terminar de colocar a cela e prepara o suprimento para a viagem.
_ Tem certeza que quer levar a menina?
_Sim tenho! – respondi tão seco quanto á pergunta. – E também havia prometido para a mãe dela que cuidaria da garotinha.
O velho fez uma cara de que não havia entendido nada então decidi falar antes que ele tentasse quebra a cabeça tentando entender.
_ Esquece!
Depois de alguns poucos minutos de conversa Pandora surgiu da taverna com um cabelo todo emaranhado e com os olhos inchados segurando a bonequinha pelos pés.
Achei aquela cena um tanto que engraçado, pois ao mesmo tempo em que era fofo ver a menina também era ridículo ver a menina naquele estado, agradeci Melissa e fui até a pandora, ao chegar nela me puis de joelho e encarei a menininha.
_ Você sabe quem sou eu?
_ Você é amigo da minha mamãe! – respondeu a pequena menina ainda bocejando.
Coloquei a mão na cabeça da menina e baguncei mais um pouco seu cabelo, ela tentou tirar minha mão de sua cabeça.
_ Ela pediu que eu cuidasse de você, mas estou de partida e não posso ficar aqui mais, então decidi te perguntar se queria vim comigo.
Ela me olhava e seus olhos eram idênticos com as de sua mãe, o tom roxo na pupila, o cabelo preto, a pele clarinha como a cor de um bebe recém nascido. Ela me encarava com um olhar de – não fui muito com a sua cara – ela respondeu.
_ Ela me mandou ir com você para onde fosse caso algo acontece com ela. – Disse a menina em meio a outro bocejo.
Dei um sorriso e me levantei, olhei para Witer é acariciei a sua pelagem, voltei para pandora que estava ao meu lado passando a ponta dos dedos na crina do cavalo branco, agachei-me e segurei a cintura da pequena menina e a coloquei na cela do cavalo.
Verei para Jeremy e Melissa que observava eu e Pandora, agradeci-lhes pelo cavalo é o velho homem me desejou sorte em minha jornada, agradeci novamente.
Voltei minha atenção para a estrada e com um pequeno assobio o cavalo começou a andar junto, Pandora ia em cima garanhão é eu ia há pé.
Finalmente eu começara o caminho para voltar para casa.
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