Vampire Kingdom
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Mesmo que o Alan tivesse me avisado que os vampiros estavam me caçando, eu decidi sair a noite para ver a cidade, haviam alguns panfletos espalhados, marcavam o inicial da Festa medieval em Sighisoara, na terra natal do conde Vlad, não era muito longe, e imaginei que todos iriam para lá, pois as ruas estavam vazias, até para o horário, mas a lua de sangue seria no dia seguinte, uma coincidência memorável, mas eu temia que minha sede atacasse novamente, enquanto estava mergulhado em meus pensamentos alguém tocou meu ombro.
— Oi! Sera que você sabe onde ficar Sig... Sighisoara? Acho que é assim que se fala, enfim, será que pode me ajudar?
Era uma garota que falava comigo, devia ter seus vinte anos, pele clara e roupas informais, short curto e uma camisa regata preta, ela parecia ser uma turista assim como eu.
— Bom... Acho que estou tão perdido quanto você... Digo, vi onde fica essa cidade no plano de viagem, por que ia ter essa festa lá, mas esperava que o guia me levasse até lá.
— Eu também, mas ele sumiu de uma hora pra outra, me pediu para esperar no saguão do hotel, por que ele iria pegar o carro, mas não voltou até agora, então sai para dar uma olhada na cidade e achei que essa festa seria interessante.
— Nós podemos nos perder juntos, procuramos um táxi, pedimos para nos levar até lá,e torcemos para chegar, e meu nome é Cesar alias.
— Prazer, pode me chamar de Mindy.
Estendi a mão para um aperto amigável, e por um momento eu até tinha esquecido de tudo que acontecera até ali, e no que eu havia me tornado até que ela soltou minha mão com certa urgência.
— Acho que você deveria se agasalhar, sua mão está gelada.
— Eu também acho. Mas então, nós vamos procurar um táxi agora? Amanhã provavelmente não acharemos nenhum.
Rodamos um pouco até acharmos um táxi parado na esquina, era um senhor simpático que conduzia o carro, nos levou para Sighisoara rapidamente sem cobrar muito da gente.
Ao descermos do carro notamos o quão mais animado tudo estava do lado de fora, parecia manhã, todas aquelas luzes e fogos, pessoas conversando e música pra todo lado, aquela festa provavelmente duraria três dias direto.
— Hey, você tá se alimentando direito? Tá meio pálido.
Desde que sai do castelo sequer havia me olhado no espelho, se é que eu conseguiria me ver nele, me recusava a pensar no que tinha acontecido, ainda torcia para que tudo tivesse sido um pesadelo, e que em pouco tempo o guia apareceria para nos guiar pela cidade, mas temia que isso não acontecesse.
— Eu tô bem, é só a falta de sol por aqui.
Nós andamos pela cidade aos poucos, parando em barracas para provar de tudo e ver de tudo, a forma com que as pessoas falavam entregava que ainda teria mais coisa amanhã, então senti que havia sido a coisa certa a se fazer sair do hotel naquele momento.
Conforme o tempo passava a multidão aumentava, e ela estava me dando calafrios, a atmosfera do lugar era exatamente a mesma do pátio do castelo, eu não havia me dado conta disso até Mindy falar que ia no banheiro e me deixar sozinho, com certeza metade das pessoas ali nem estavam mais vivas, e isso me deixava extremamente nervoso, mas então notei que meu coração não palpitava rápido como deveria, ao tocar no meu peito senti que meu coração nem se movia, ficou por um tempo assim até dar uma batida lenta e forte, aquilo era extremamente bizarro.
Mais uma vez eu estava preso em meus pensamentos e perdi tudo o que estava acontecendo a minha volta, notei que Mindy ainda não tinha voltado e fui até o banheiro, pode parecer obsessivo, mas já fazia algum tempo que ela não voltava, e ela não mostrou ser o tipo de pessoa que daria um bolo sem mais nem menos em alguém.
Ao chegar na área dos banheiros não encontrei ela por lá, achei aquilo muito estranho, então uma garota se dirigiu a mim, cabelos longos e escuros, pele acinzentada e um vestido vermelho, colocou algo na minha mão e sussurrou no meu ouvido “Me pediram para te entregar isso”, quando ela se afastou notei que era um papel dobrado, desdobrei e vi que era uma mensagem em tinta vermelha, mas a textura estava estranha, e quando li o que estava escrito temi que aquilo fosse sangue, e não tinta de caneta.
Caro Cesar
Nós tomamos a liberdade de trazer sua nova acompanhante para conhecer nossos aposentos, ela se juntou a nós de bom grado, mas acredito que não ache nenhum de nós tão atraente quanto você, então solicitamos sua presença na nossa humilde residencia, se não for muito incomodo, claro.
Atenciosamente, Todd.
Com certeza eles me matarão quando eu chegar lá, não posso vence-los sozinho, não sei nem se posso vencer algum deles sozinho, mas eu não poderia deixar que eles matassem aquela garota, ela nem mesmo sabia no que estava se envolvendo, e mesmo assim foi pega, precisava do Alan, ele era o único que poderia me ajudar. Ligo varias vezes para o Alan, mas ele não responde, deixo mensagens para ele na esperança de que ele veja e então vou a procura de um táxi. Conforme caminho procurando percebo que eles não estão mais rodando, talvez já fosse muito tarde, mas talvez se eu corresse, conseguiria chegar antes do amanhecer, então acelero meu passo e começo a correr, porém me sinto estranho, conforme começo a correr o ar parece ficar mais rarefeito, as arvores passam mais rápido do que deveriam, Se aquilo fosse outro efeito da minha transformação, correr mais rápido do que o normal, nunca tinha visto nenhuma menção assim sobre vampiros, mas eu poderia questionar isso depois. Me acostumei rapidamente com aquela velocidade, conseguia virar intuitivamente antes de me chocar contra uma parede ou carro, e em questão de minutos eu estava na frente do castelo de Bran, o portão de entrada estava semi-aberto, mostrando que eles me esperavam de fato.
Todd estava sentado em um dos grandes sofás que geralmente são usados por visitantes para descanso, ele usava um smoking com gravata borboleta, e seu cabelo estava preso com gel, ele estava pronto para uma festa ou algo do gênero, estava com uma taça na mão e uma garrafa de champanhe na outra, e parecia completamente despreocupado.
— Você veio, junte-se a mim, vamos conversar civilizadamente como nos velhos tempos.
— Não! ... Onde... Onde ela está?!
— Hey, vai com calma, acho que você não está em posição de fazer exigências, mas ela está bem, não se preocupe, mas indo direto ao ponto, onde está o Charles?
— Charles, o que?
— Não se faça de desentendido, só o Charles poderia transformar alguém em um vampiro que não se machuca com a luz do sol, o Alan te trouxe aqui por que você estava perdido pela cidade, mas ele não sabe do paradeiro do Charles, então me diga você, onde ele está?
Aquela pergunta não fazia sentido algum, Alan havia me transformado, e ele mesmo havia dito que eu me tornaria um vampiro diferente dos convencionais depois daquilo, mas que eu não deveria falar que fiquei assim por causa dele.
— Você não quer falar? Tudo bem, eu entendo, você pode achar que o Charles vai te matar, bom, nós podemos não conseguir te matar, mas eu pessoalmente irei garantir que sua vida se torne bastante... desagradável, e acho que deveria começar por sua acompanhante.
— Não toque nela!
Alan havia contado outra versão de como eu tinha me transformado para eles, o que não faria sentido, a não ser que ele quisesse se esconder da vista deles, e talvez essa fosse a intenção, assim ele conseguiria matar eles por dentro sem que fosse notado.
— Tragam ela.
Todd estalou os dedos, então dois outros vampiros vestidos de terno a trouxeram, estava presa em um tipo de equipamento de tortura, igual ao que eu tinha visto no alçapão do quarto, ela estava completamente nua e com uma mordaça na boca, tinha marcas de corte por todo o corpo e estava desacordada, mas graças ao silencio mortal da mansão, eu conseguia escutar seu coração bater lentamente.
— Vocês... Vocês...
Fúria e desgosto estavam me consumindo por dentro, eu nem mesmo conseguia formar uma frase, tudo que eu queria era matar aqueles que fizeram isso, nesse ponto eu não tinha notado ainda, mas as minhas unhas tinham crescido de forma assustadora, se tornando do tamanho de facas de cozinha, e eu sentia como se meu maxilar estivesse deslocado, mas eu conseguia mexer minha boca sem esforços, era como se minha mandíbula tivesse se adaptado automaticamente, e os dentes que eu sentia atrás dos meus dentes, dessa vez não foram só eles que apareceram, eu sentia outra arcada dentaria atravessando minha gengiva, mais uma fileira de dentes como um tubarão, nesse ponto eu já havia me tornado um monstro irreconhecível.
Instintivamente pulei para um dos vampiros que havia trago Mindy, alcancei ele em um flash e atingi seu pescoço com as unhas, elas atravessaram seu pescoço como uma faca entrando na manteiga, sua cabeça se desprendeu do seu corpo logo em seguida, um jato frio de sangue sujou meu rosto. O segundo já tinha visto minha hostilidade e não deu brechas como o primeiro, porém ele não havia ficado nada parecido comigo mesmo após ficar hostil, seus dentes cresceram mas ele continuava normal, corri na sua direção mas ele me acertou no queixo com um soco, ele aparentemente não era tão ágil quanto eu, porém sendo mais experiente em combates ele iria me nocautear antes mesmo deu tentar algo, eu não conseguia cortar ele com minhas unhas, sempre se esquivava ou bloqueava na hora certa, mas assim que ele se preparou para outra investida, abocanhei seu rosto horizontalmente, meus dentes entraram na sua cabeça sem dificuldades, e dava para ver que aquilo havia o machucado, eu conseguia sentir seu sangue escorrendo pela minha boca. Ele me acertou com força no estomago e se afastou, em seguida colocou as mão na cabeça tentando inutilmente parar a dor, com essa brecha me aproximei dele e cortei seu estomago, quase que instantaneamente ele puxou uma faca da cintura e cravou no meu ombro, imagino que ele não tivesse a oportunidade de fazer aquilo antes, mas com a abertura que ele havia deixado tirando as mãos da cabeça para cravar a faca em mim, subia minha mão com toda a força até atingir sua cabeça e expulsa-la do corpo com a pressão do impacto, ela subiu alto e então rolou pelo carpete do saguão. Quando procurei pelo Todd para dar um fim nisso ele não estava mais lá, mas no meio da confusão, ele havia cortado a garganta de Mindy, que não tinha como sobreviver.
— Não... Por minha culpa... Não...
Eu já estava em lágrimas, mesmo mal conhecendo-a, ela tinha morrido talvez sem nem saber o porque, ela não merecia aquilo, mas eu tinha feito ela sofrer como sofreu, nunca mais veria seus pais e aquele passeio dela não iria ter um fim.
Enquanto estava ajoelhado chorando e me culpando escutei palmas ao fundo, quando olhei apenas consegui ver os olhos amarelos que não poderiam ser confundidos.
— Estou devidamente comovido, mas você matou dois deles sem precisar de um tutorial, tudo bem que eles eram tão jovens quanto você, mas não tira o mérito, você veio para cá sozinho atrás da princesa raptada no grande castelo do rei malvado Todd, eu sabia que você tinha coragem.
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