O castelo de Bran era realmente enorme, nunca me senti tão pequeno quanto quando entrei naquele lugar, eu poderia colocar a minha casa no salão principal, grande vigas brancas, uma escadaria a frente e um tapete vermelho, com algumas obras espalhadas com nomenclaturas, como aquilo havia se tornado um museu, tudo tinha que ter um nome.

Quanto mais caminhávamos, mais perplexo eu ficava com toda a estrutura do castelo, e o quão glorioso deveria ser morar ali, nesse horário do dia não havia muitas pessoas fazendo tours pelo castelo, e o nosso grupo era relativamente pequeno, apenas outras três pessoas aguardavam na entrada do castelo quando eu e o Alan chegamos, mas eu queria saber mais sobre o castelo, ver cada quarto, cada brecha, o guia havia dito que os quartos eram todos iguais para facilitar na construção, mas eu não conseguia imaginar cinqüenta e sete quarto com exatamente a mesma cortina, nós estávamos no que parecia ser o meio do castelo, era uma espécie de jardim aberto com bancos e flores, onde dava vista para algumas das torres do castelo e também algumas janelas de quartos, mas acabei notando algo curioso;

— Porque aquele quarto ao lado da torre não tem janelas?

Indaguei.

— Talvez por uma falha na construção, ou por falta de recursos, bom, voltando, logo a frente nós podemos chegar ao elevador que conecta o castelo as montanhas, lá poderemos encontrar...

Essa provavelmente foi a pior explicação que já havia escutado, alguém como Vlad Drácula não teria falta de recursos quando construiu um castelo dessa magnitude, muito menos moraria em um lugar defeituoso, decidi a partir daí que pegaria uma rota diferente da que o guia sugeria.

— Hey, aonde você esta indo, o guia vai pelo outro lado.

— Eu preciso de um banheiro.

— Não tem banheiros no castelo de Bran.

Acho que se Drácula realmente quisesse passar despercebido, deveria ao menos fazer de conta que era humano e colocar ao menos um banheiro em seu castelo.

— Eu quero saber o que tem naquele quarto lá em cima.

— Acho que isso não esta certo, mas eu vou com você para garantir que não desapareça misteriosamente.

Alan não conseguia disfarçar bem sua inquietação sobre tomar uma rota diferente, mas ele aparentemente estava gostando de tudo aquilo.

Ficamos parados por um tempo até o guia se afastar, então entramos na primeira porta e subimos a escada até chegar ao primeiro piso, onde havia um grande corredor com varias portas iguais, que iam para os dois lados.

— De que lado você acha que tem uma escada pra chegarmos ao segundo piso?

— Jogue uma moeda, cara vamos pela direita, coroa vamos para a esquerda.

— Eu não tenho uma moeda.

— Então vamos fazer de conta que caiu em cara, por aqui.

Não havia opção muito melhor, apenas segui Alan pelo corredor, por algum motivo o ar parecia mais rarefeito, e eu sentia um leve frio na barriga andando por ali, talvez fossem os quadros bizarros pintados a óleo que decoravam a parede, ou a pintura bizarra em volta das portas de madeira, mas algo não me deixava confortável ali.

No final do corredor realmente havia uma escada, era um corredor curto o qual levava até lá, e a iluminação começava a mostrar falhas a partir daquele ponto, talvez fizesse parte do cenário que as pessoas deixaram para assustar os visitantes, e se esse era o real objetivo, talvez tivessem conseguido.

Logo chegando ao segundo piso já era bem claro que não deveríamos estar ali, havia um alambrado no final da escada para impedir a passagem, e quase não havia iluminação ali, era igual ao andar anterior, porem haviam algumas portas diferentes, estatuas, vasos vazios sobre pilares pela metade, algumas entradas que não tinham porta, e enquanto andávamos passamos por um lugar que parecia ser uma cozinha, mas que não deveria estar funcionando naquelas condições, era escuro mas dava para ver que ainda tinha panelas penduradas e algumas coisas sobre a mesa, como facas e potes vazios cheios de poeira, era possível se escutar coisas enquanto andávamos, provavelmente ratos pelo fato do lugar estar quase abandonado.

O segundo piso parecia ser ainda maior que o primeiro, ainda não tinha nem sinal de alguma escada que levasse ao terceiro piso onde estava o quarto sem janelas, então pensei que poderia estar em algum quarto, que talvez fosse até mesmo uma sala.

— Hey, podemos entrar em algum desses quartos para ver.

— Eu não sei cara, isso ta ficando realmente estranho, não deveríamos voltar agora enquanto ainda podemos alcançar o guia?

— Ele não vai sair sem a gente, vamos, por aqui.

Abri a primeira porta a esquerda, era um quarto grande, com uma cama de casal gigante, havia velas no criado mudo, taças, um tapete vermelho eyHhhhhhjioppor toda a extensão, estava escuro, e começava a ficar difícil de enxergar, então notei que o tapete estava dobrado e relaxado na parte próxima a cabeceira da cama.

— Acho que as pessoas que ficam responsáveis pela limpeza do local não estão fazendo exatamente um bom trabalho.

— E que tal se deixarmos isso para eles, olha cara, eu estou...

Eu puxei o tapete para arrumar aquela parte, me sentia incomodado com aquilo, então notei algo, uma placa de metal em baixo do tapete.

— Mas quê...

Levantei mais o tapete e vi que se estendia até em baixo da cama, era um tipo de alçapão, mas porque haveria um alçapão no castelo de um vampiro? Era o que eu ia descobrir.

— Me ajuda a empurrar essa cama Alan.

Foi quando escutei passos pelo corredor, era possível escutar claramente já que era completamente vazio, e o piso de madeira ecoava em todo lugar. Estava ficando cada vez mais próximo, e mais, até o momento em que chega até o quarto e abre a porta.

Era o guia, aparentemente ele estava procurando as ovelhas que saíram do rebanho, mas como era possível que ele tenha nos encontrado.

— Os donos não gostam que bisbilhotem as coisas deles.

— Porque tem um alçapão em baixo da cama?

— Isso não diz respeito a mim ou a você, está fora do pacote do tour, mas é provavelmente só mais um deposito, agora vamos, por hoje é só.

Esse guia era o pior mentiroso que eu jamais havia encontrado, ele provavelmente não me deixaria ficar ali, mas eu queria saber o que realmente tinha naquele lugar, pensei em voltar mais tarde, era perigoso, mas minha curiosidade era maior.

Enquanto voltávamos olhei em meu celular e pesquisei eventos no castelo de Bran,e acabei descobrindo que haveria mais um de seus bailes de gala beneficentes na noite seguinte, o que me fez lembrar dos antigos bailes de Drácula, e que fez com que eu percebesse que não havia nada que fizesse reflexo naquele lugar, espelhos, vasos, absolutamente nada, o que de fato era esquisito, nem mesmo no salão principal nós víamos algo assim, mas já estava decidido que ia dar um jeito de voltar nesse castelo, e que seria pelo baile.