Vampire Diaries: Secrets.

12 Conversando com os mortos.


Notas iniciais
Outro capítulo, espero que curtam.

“Olá? Tem alguém aí? Apenas acene se puder me ouvir. Tem alguém em casa?”

Pink Floyd – Comfortably Numb

O silêncio que nos rodeou assim que eu terminei de falar foi sufocante. E eu esperei que alguma delas o quebrasse, mas tanto Bonnie quanto Caroline pareciam não sabe o que dizer. Uma expressão de incredulidade estampada no rosto.

– Desculpa, isso parece loucura. Mas eu precisava desabafar. – falei, não agüentando o silêncio. – Vocês têm o direito de não acreditarem em mim. Eu entendo, mas pelo menos eu contei tudo que pensava.

– Você não tem idéia de quem está te enviando essas mensagens de texto? – perguntou Caroline, lendo meu celular pela sexta vez seguida. – Não dá pra descobrir o remetente?

– Não. – expliquei. Me sentindo mais confiante agora que elas estavam dispostas a falar alguma coisa. – O número é privado.

– Já pensou em chamar a polícia? Porque com certeza tem alguém te aterrorizando, e isso é sério?

– NÃO! – disse, completamente convicta de que tudo que eu menos queria naquele momento era o envolvimento da polícia. — Já basta Jeremy ter que depor pela morte de Daniel Lockwood naquela festa, não acho que suportaria ver policiais novamente.

Bonnie quebrou seu silêncio pela primeira vez, me fitando com seus grandes olhos castanhos, que naquele momento pareciam tão aterrorizados quanto eu.

– E quanto ao Stefan? Você tem certeza disso que acabou de dizer? Ele realmente te ameaçou de morte... O que ele é, afinal?

– Eu já pensei em tantas possibilidades. E acreditem, isso está uma loucura na minha cabeça, mas de uma coisa eu tenho certeza: Stefan Salvatore não é humano. Ele é alguma coisa, algo que foge dos padrões naturais.

Um arrepio de nervosismo e medo correu pelo meu corpo. Dizer aquilo que eu vinha pensando durante todos esses dias em voz alta parecia apenas concretizar a verdade inabalável.

– Minha avó costumava me contar histórias sobre... Vocês sabem, vampiros.

– Ora, Bonnie. Não me venha com essa coisa de bruxa novamente. E vampiros não existem, Elena está passando por muitas coisas nos últimos dias. Ele pode ter tido algum tipo de alucinação. Não pode, Elena?

Fitei Caroline, que esperava por uma resposta, e respondi que sim. Eu poderia ter imaginado aquilo tudo.

– Mas você não acredita que tenha sido alucinação, não é? – indagou Bonnie, parecendo estranhamente calma agora.

– Não, não acho. – conclui.

– Então, todos sabemos que Mystic Falls é recheada de histórias de vampiros. É nosso maior folclore, há séculos que escritores, historiadores, esse monte de gente vem aqui só pra pesquisar nossas lendas de vampiro.

– Mas isso é só lenda. Apenas isso.

– Caroline, convenhamos, o que Elena viu não pode ser apenas lenda. Ela disse que o Stefan a ameaçou, e as coisas que ele foi capaz de fazer não podem ser normais.

– Você quer dizer que ele é um vampiro? É isso? – Caroline parecia aterrorizada, aumentando o tom de voz e fazendo negações com a cabeça. Tudo porque não queria acreditar no que estava escutando ali.

– Há um jeito de descobrirmos. – falou Bonnie, ficando cada vez mais séria. – Mas pode ser perigoso.

– O que é? – perguntei, levemente curiosa.

– Eu sei que você ainda tem aquele tabuleiro de Ouija que nós três compramos quando éramos menores. Agente pode tentar algum tipo de contato, e perguntar o que queremos saber?

– Você só pode estar brincando né? – zombou Caroline, não conseguindo fingir que não estava com medo. – Você que falar com espíritos? Isso é uma besteira.

– Eu topo. – disse, levantando-me do sofá e correndo até meu quarto atrás do tabuleiro que estava guardado em cima do meu armário. Fazia anos que ninguém mexia naquilo, e eu fiquei um tanto surpresa que tia Jenna nunca o tivesse jogado fora.

– Nós podemos fazer isso aqui mesmo. – disse Bonnie, que me seguira até meu quarto. Caroline logo atrás. – Precisamos de privacidade. Feche as janelas.

– Você sabe o que está fazendo, não é? – perguntei, puxando Caroline para o meu lado e me sentando no chão, com o tabuleiro repleto de letras na nossa frente.

– Isso é tudo relativamente fácil. São só perguntas.

– São só perguntas. – debochou Caroline, segurando minha mão. – Bonnie, nós estamos prestes a conversar com os mortos.

Bonnie fechou os olhos, respirando profundamente e expirando grandes lances de ar.

– Pensei que você tivesse dito que não acreditava nas lendas de Mystic Falls, Car. E não se preocupe, se eu sou realmente descendente das bruxas de Salem, falar com os espíritos esta no meu sangue.

– Todas nós temos que tocar o indicador. – falou Bonnie, estendendo o dedo e tocando primeiro. Em seguida eu a obedeci, e depois Caroline. Nós três respiramos fundos, nos concentrando. Se tudo desse certo, o indicador se moveria apontando para letras e expressando uma mensagem; se os espíritos quisessem falar, assim seria.

Foi Bonnie quem fez a primeira pergunta, e de repente a temperatura no meu quarto pareceu cair uns dez graus.

– Falem comigo. Tem alguém aqui?

E nesse momento o pequeno indicador de plástico se moveu, apenas uma tremida no começo, mas ganhando força e rapidez a medida que os segundos passavam. Era impossível que qualquer uma de nós estivesse movendo aquilo, porque aplicávamos um ponto de pressão diferente.

O indicador fez um círculo e parou sobre a palavra SIM. Alguém estava disposto a conversar com a gente. Caroline fechou os olhos, e eu percebi que ela tremia.

Bonnie fez a segunda pergunta.

– Você pode nos ajudar respondendo algumas perguntas?

O indicador tremeu mais um pouco e voltou ao círculo com a palavra SIM. Bonnie sorriu, parecendo ser a única ali que estava gostando daquela experiência.

– Pode perguntar, Elena. Ele vai te escutar.

Eu engoli em seco, tentando não mexer o dedo onde eu tocava o indicador, e juntei as palavras.

– Stefan é perigoso?

O indicador circulou o tabuleiro e voltou ao SIM.

Respirei fundo, pronta para a próxima pergunta. O frio no quarto era terrível, me forcei a não bater o queijo.

– O que Stefan Salvatore é?

Caroline gemeu baixinho, e eu não tirei os olhos do indicador de plástico que corria pelo tabuleiro, indo de letra em letra até formar a palavra.

VAMPIRO.

Bonnie fechou os olhos novamente, controlando a respiração. As cortinas se mexeram e algum tipo de presença sobrenatural circulou nós três. Era tudo tão forte que eu senti que poderia tocá-lo.

– Quem é você?

O indicador continuou sua peregrinação de palavra em palavra, percorrendo o tabuleiro cada vez mais rápido. A palavra se formando.

KLAUS.

– Klaus, então esse é seu nome? Ok, eu tenho uma última pergunta: Quem está me enviando as mensagens de texto?

Pela terceira vez seguida, o indicador tremeu e começou a percorrer as palavras. Mas nesse momento algumas coisas aconteceram. Tudo ao mesmo tempo.

– CHEGA! Eu não quero mais fazer isso! – gritou Caroline, tirando o dedo do indicador e levantando-se de supetão. Ela parecia extremamente abalada.

E logo depois o som de passos subindo as escadas, e em seguida a porta do meu quarto se abriu.

Elena, que bom que eu te encontrei. – falou tia Jenna, arfando de cansaço. – É o Jeremy. Ele sumiu.

Notas finais
Deixem reviews!!!!!