Vampire Academy - (Sangue Nobre)
39 Capítulo 39 - Círculo De Confiança
Notas iniciais
**Boa leitura!!! Nos vemos nas notas finais**
Como era de se esperar, encontrar Natasha Ozera, não foi assim uma tarefa tão fácil. Após reviramos o quarto de Dimitri e Ian em busca de alguma prova contra ela, decidimos ir visitar Isadora em busca de alguma informação útil, sobre o que realmente havia dentro daquele maldito livro.
Quando chegamos ao seu quarto, ela estava em companhia da minha médica Dra. Isis Valentine. Isadora agora comia uma espécie de sopa de legumes, com aparência pouco apetitosa.
–Olá Rose. Guardião Belikov. – Ela nos cumprimentou com um sorriso aberto. Seu cabelo vermelho estava solto em cascatas pelos seus ombros, e sua aparência antes doentia, estava bastante melhorada, para algo sadio.
–Olá – Tratei de interromper as formalidades, enquanto aproximava-me do sofá onde ela estava sentada, de frente para uma pequena mesa, com sua refeição.
–Pela sua aparência, devo arriscar que algo não muito agradável os trouxe aqui. – Foi à fez da Dra. Valentine, avaliar-me por cima da armação de seus óculos. Ela segurava firmemente uma prancheta apoiada em seu braço, a qual ela fazia algumas anotações.
–Na verdade, temos um problema. – Ela e Isadora se entreolharam, mas logo, Isadora voltou a levar uma colher carregada de sopa aos lábios, em tom indiferente. Era uma forma bastante estranha de conversar.
–Qual o problema? – Isadora perguntou, depois de um momento de silêncio. Seus olhos azuis, cintilando para mim e Dimitri, que parecia uma estátua ao meu lado.
–Natasha Ozera está com o meu livro. – Eu disse bravamente, cruzando meus braços sob o peito, quase no mesmo instante em que a sopa que antes estava na boca de Isadora, voou como um jato e quase me atingiu.
–Oh pelo amor de Deus. – Enruguei o nariz, sentindo nojo enquanto observava o chão.
–Como que diabos ela pegou seu livro? – Isadora dirigiu seus olhos flamejantes em minha direção, enquanto limpava sua boca com um guardanapo. A notar pela sua aparência, eu arriscaria que ela estava bastante irritada.
–Eu não tive culpa. – Argumentei, tentando desviar minha atenção do chão sujo.
–Eu te disse que era para ter cuidado. – Isadora voltou a argumentar. Dessa vez, respirou fundo e apertou a extremidade de seu nariz, tentando manter algum controle.
–Ela não teve culpa. – E para minha surpresa, a voz carregada de sotaque de meu namorado, soou ao meu lado. – Se deve culpar alguém, este alguém sou eu.
Os olhos de Isadora então se abriram como pratos e ao lançar um olhar de soslaio para Isis, notei que ela também parecia bastante surpresa.
–Okay. Ele sabe sobre bruxas e demais – Virei os olhos, tentando evitar outro possível chilique sobre a parte de Isadora, para com Dimitri. –E não é como se ele fosse qualquer um. É meu namorado.
Isadora então pareceu perder seu apetite antes aguçado de vez. Ela se colocou de pé e caminhou em nossa direção. Percebi que ela estava usando um vestido longo esverdeado, quase no mesmo tom de seus olhos, contrastando com sua pele bastante pálida.
–Não vou argumentar sobre seu círculo de confiança, mas precisa tomar cuidado. –Sua voz agora estava moderada como de costume e ela me encarava de uma forma bastante estranha. – Não pode deixar seu livro com ela.
–Essa parte eu já suspeitava, mas espero que ao menos vocês me digam sobre o que se trata. O que realmente eu estou procurando. – Soltei meus braços e com uma mão na cintura, aguardei que ela continuasse.
–Eu suponho que Abe Mazur, não faça parte de seu círculo de confiança. – Sua pergunta nada mais era, do que uma perfeita afirmação.
–Abe Mazur está fora disso. – Voltei a virar os olhos, lembrando-me de nossa conversa há alguns dias atrás. – Pelo menos por enquanto.
–Presumo que seja assim. – Isadora então brincando com seus próprios dedos, se afastou alguns passos e começou a andar pelo cômodo. – Como pretende tirar o livro de François?
Pela minha visão periférica, percebi que Dimitri me encarava em confusão. Tecnicamente François deveria estar morto, mas não era bem assim na prática, mas antes que eu explicasse mais alguma coisa a ele, precisava encerrar minha conversa com Isadora.
–François não tem lá um aspecto mais saudável do mundo. Não creio que seja difícil assim, parar um velho. – Eu quase ri de minha própria piada, enquanto a imagem do pai de Natasha, passava pela minha cabeça como em um filme rebobinado.
–Não subestime seu adversário Rose. – Isadora que tinha o corpo virado de costas em uma pausa, se virou para me encarar. Seus olhos eram opacos. –François é o motivo da vinda de Lucian para a Corte Real e inclusive, meu motivo de estar aqui.
Automaticamente, memórias de minha conversa com Isadora e Isis sobre a primeira descoberta de minha linhagem, voltaram a minha mente:
“...A diferença entre vocês é que ele não tem o sangue de feiticeiros correndo em suas veias, como você tem. Mas ele é um usuário de espírito, que foi salvo por um bruxo. Minha mãe, na verdade.”
–Okay. Que eu não resolva subestimar François ou Benjamin, ou qualquer coisa o qual vocês decidam chama-lo. – Virei os olhos. – Qual sua alternativa para tirar o meu livro da mão deles?
Novamente as duas se entreolharam silenciosamente, me fazendo suspirar já impaciente.
–Rose escute bem. – Isadora caminhou e parou de frente para mim. –Lucian está atrás de François e eu, estou atrás de Lucian.
O impacto daquelas palavras, estava por começar a me fazer suar por debaixo do pesado casaco que Dimitri, havia insistido para eu vestir. Tentando ao máximo controlar toda a minha ansiedade e indignação por aquela situação mal resolvida, decidi que já estava na hora daquelas duas, começarem a falar comigo, de forma diferente. Lancei um olhar para um par de poltronas em um canto, com aspecto bastante confortável e pedindo permissão, resolvi sentar-me.
–Bom, acho que já está na hora de você me contar de uma vez, o que ainda não contou. – Cruzando minhas pernas relaxadamente e depositando minhas mãos em meu colo, respirei fundo, esperando Isadora começar.
Ela então voltou a sua própria poltrona enquanto Isis, seguiu para a maquina de café expresso, tirando de lá um par de xícaras. Uma para mim e outra para Dimitri. O aspecto do café não era realmente excitante, mas aceitei sua oferta sem rodeios.
–Lucian pretende fazer algo bastante grande e ainda não estamos tão certas sobre seu plano. – Isadora me encarava de uma forma estranha. Era como se cuidadosamente, ela estivesse escolhendo bem suas palavras. –De prático sabemos que ele pretende usar François e minha mãe.
–Por isso não se sentiu tão à vontade aquele dia, ao mencionar sua mãe? – Enruguei minha testa, sentindo o peso de seu olhar sob o meu.
–Logo quando Benjamin morreu e minha mãe salvou François, Lucian a levou embora de nossa aldeia. – A palavra aldeia, fez com que um nó se formasse em minha mente. Talvez aquilo fosse ainda maior, do que eu estava esperando.
–E nunca mais teve notícias dela? – Arrisquei, mesmo sabendo que o assunto a perturbava de uma forma devastadora.
–Eu sei que ela esta viva, por que sinto seu poder emanando de Lucian. Ele a mantem viva para seus próprios propósitos. – Isadora então virou seus olhos. –Mas o que eu quero que saiba é que apesar de todo o problema da ambição de Natasha, ainda assim, precisamos manter François longe das mãos de Lucian.
–Você não está ajudando. – Me senti impaciente em meu próprio lugar. –Como vou nocautear o velho, se não posso colocar as mãos nele? – Fechei os olhos com força mas em seguida, senti uma mão grande e quente sobre a minha. Era a mão de Dimitri.
–François não é seu rival. – A voz de Isadora agora tinha um leve timbre de nervosismo. – Ele está nas mãos da filha. Está velho e cansado demais para ir contra ela.
–Quer que eu faça o que então? Arranque a cabeça de Natasha? – Sugeri aquilo com uma risada amarga.
–Quero que tenha uma conversa com ela e pegue seu livro de volta. Deixe que eu mesma cuidarei de François. – Isadora firmou seu olhar, alternando de mim para Dimitri.
–O que tem nesse livro? – Toquei meu pescoço, sentindo-me estranhamente desconfortável.
–Ele leva ao segredo para a cura dos Strigoi – As palavras eram frias e afiadas como navalha, enquanto saiam da boca de Isadora. Sim, aquilo era bem mais complexo, do que eu imaginava.
–--X---
Assim que saímos dali, eu e Dimitri seguimos para meu dormitório em busca de algum conforto e traçarmos nosso plano de ação, contra Natasha Ozera. Pelo tom que Isadora usou e seus argumentos, ela não acreditava que François era nosso inimigo, mesmo por que, ela parecia estar o defendendo com um fervor desconhecido. Resolvi que não implicaria mais com essa situação. Isadora parecia ter motivos sólidos e é claro, sua mãe também estava envolvida.
Dimitri fechou seu aparelho prateado pela terceira ou quarta vez. Eu havia desistido de contar.
–Ainda sem notícias da Vacasha? – Ironizei, afundando meu rosto no travesseiro. Não precisei olhar para Dimitri, para receber seu olhar de advertência.
–Ela não saiu da Corte. – Ouvir sua voz aveludada e carregada de sotaque, me fez virar o rosto para encara-lo. – Eu deleguei que qualquer manifestação eles me informem. Natasha não poderá sair desta Corte.
–Uau. Finalmente resolveu apoiar sua pobre namorada – Virei os olhos, recebendo um olhar de desdém de Dimitri, mas que logo, fora substituído por um meio sorriso.
–Sabe que tem meu apoio. Sempre será assim. – Dimitri então sentou em uma cadeira, de frente para a cama onde eu estava deitada. –Mas presumo que já estamos aqui á uma hora e não resolvemos nada.
–Você fala como se estivéssemos aqui há cinco dias. – Fechei meus olhos, sentindo-me sonolenta. Foi quando senti um estalo doloroso em minha bunda. Abri meus olhos em espanto, bem a tempo de ver Dimitri rir.
–Hey camarada! Não estamos na parte da agressão física, ainda. – Ironizei, logo me sentando na cama para encara-lo. Dimitri deu de ombros e logo o acertei a face com meu travesseiro, que se finalizou em várias penas pelo chão. Não conseguindo evitar, comecei a rir ao observar o rosto dele, totalmente coberto por penas.
Minha felicidade não durou muito, pois logo Dimitri pegou o travesseiro que pertencia a Alice e começou a me acertar, fazendo com que mais penas cobrissem o chão. Quando já estávamos sem armas para lutar, ele puxou meu corpo para o seu e tão logo, cobriu meus lábios em um beijo casto. Quando me afastei, somente o suficiente para encarar seus olhos castanhos, dei-me conta de que estávamos ajoelhados em uma cama de solteiro e completamente cobertos por penas de aves.
Abri a boca para um comentário bastante inoportuno, quando a porta do quarto foi aberta. Sem tempo suficiente para nos distanciarmos, apenas avistamos as figuras curiosas de Alice e Ian, olhando de uma forma surpresa tanto para o quarto, quanto para nós dois ali de joelhos. Graças a Deus ainda estávamos vestidos.
–Okay. Quem é a criança de seis e a de sete? – Alice perguntou emburrada, colocando uma mão em sua cintura, enquanto suas botas de salto, pisoteavam impacientes o piso do chão de madeira.
–Culpado – Falei ao mesmo tempo em que Dimitri, recebendo um olhar brincalhão de Ian e um de advertência suicida, vindo de Alice.
–--X---
Depois que arrumamos toda a bagunça, já se passavam das oito horas da noite. Dimitri foi chamado por Charles, por duas vezes pelo celular, tornando inadiável sua ida a sala de Hans, junto com Alice e Ian. Dessa forma, resolvi que procuraria por Natasha Ozera sozinha. A única exigência de Dimitri, fora que eu não me aproximasse dela, sem avisa-lo e eu, poderia muito bem lidar com isso.
Ao passar em frente ao prédio onde os Moroi jantavam, logo notei a cabeleira loira, pertencente a minha melhor amiga. Vasilisa Dragomir. Com um breve aceno, sinalizei para que ela se aproximasse. Eu não queria atrair grandes atenções. Lissa estava ao lado de Christian seu namorado, e bem atrás deles caminhando devagar graças à pausa para acender um charuto, Adrian Ivashkov.
–Rose! O que faz aqui? – Seu cabelo loiro estava preso em um perfeito coque e ela parecia ainda mais corada do que o habitual. Provavelmente graças a sua alimentação rotineira, notei.
–Estava procurando Adrian, mas acho que o encontrei. – Adrian então por cima da fumaça espessa, sorriu de forma encantadora, quando notou minha presença. –E também Natasha Ozera. Sabe onde está sua tia? – Sem mais delongas, fitei Christian em busca de alguma resposta mas o mesmo, mantinha o rosto imparcial, indiferente.
–O que quer com ela? – Ele virou os olhos, pouco a vontade em estar ali. Calmamente ele tocou sua própria jaqueta, demonstrando nervoso.
–Eu preciso falar com ela. – Fui direto ao ponto, não desviando o olhar. –Ande, onde ela está? – Sem que eu percebesse, acabei dando um passo à frente, mas logo fui interrompida pois Adrian, ficou no meio de nós. Lissa pareceu um pouco alarmada pelo meu gesto grosseiro, mas manteve-se firme em seu lugar.
–E com quem acha que está falando? – Christian de entediado, mudou sua expressão para ligeiramente aborrecido. Notando que eu estava cada vez mais sem paciência, ele virou os olhos. – Olha eu não sei muito bem onde ela está agora, mas me parece que ela foi a algum lugar com meu tio. – Ele então coçou sua cabeça, como se tentando lembrar-se de mais alguma coisa.
–Quando a viu pela última vez? – Senti uma ponta de esperança com aquela informação.
–Ela estava indo em direção à floresta, faz cerca de meia hora. – Christian disse por fim e eu soube ali, que não teria mais nenhuma informação vindo dele.
–Okay obrigada! – Me despedindo as pressas de meus amigos, puxei meu telefone do bolso do casaco e comecei a discar os números de Dimitri. Desta vez, eu iria seguir o protocolo e informa-lo sobre meu paradeiro, antes que meu relacionamento fosse de verdade, por água a baixo.
Uma mão tocou meu ombro e eu logo me virei, antes de depositar o telefone no ouvido. Era Adrian.
–Você estava me procurando e assim, vai me deixar? – Adrian deu uma última tragada em seu charuto, antes de joga-lo na grama.
–Use a lixeira. – Cerrei meus dentes, desaprovando sua atitude. Adrian apenas deu de ombros.
–Do que precisa? Desembuche. – Colocando as mãos dentro dos bolsos de seu paletó, Adrian me encarou.
–Eu não quero mete-lo em mais confusão, do que já está. – Desviei o olhar.
–Você não acha pequena Dhampir, que eu já estou mais metido do que deveria? –Um sorriso de puro sarcasmo cruzou suas belas feições. –E de qualquer forma não me importo. Quero te ajudar.
–Está bem. – respondi por fim, enquanto encarava meu telefone prateado. –Mas preciso avisar Dimitri de onde estamos indo.
–E onde estamos indo? – Adrian perguntou mas o ignorei, enquanto discava novamente os números de Dimitri.
Dimitri atendeu no segundo toque e marcamos de nos encontrar na entrada da floresta, bem de frente ao último prédio da Corte. Os minutos de repente, pareceram horas, enquanto eu o aguardava e Adrian consequentemente, me enxia de perguntas.
–Está querendo dizer que além de Belikov saber de toda a história, Isadora quer a cabeça de Lucian em uma bandeja de prata? – Para minha ânsia precoce, Adrian parecia quase divertido nos últimos minutos.
–Eu não entendo essa diversão toda, quando estamos nitidamente ferrados. – Virei os olhos, voltando a cruzar meus braços sob meu peito.
–Pequena Dhampir a vida é tão breve, que se se desse conta disto, não ficaria a maior parte do tempo com essa expressão de fera em seu rosto. – Ele enrugou o nariz e foi o suficiente, para que eu cortasse a ligação visual entre nós e me limita-se a apenas encarar a entrada da floresta, assim como ele fazia agora.
–O que pretende fazer quando pegar esse livro? – Adrian perguntou-me de repente, depois de uma breve pausa.
–Eu vou entrega-lo a Isadora, esperando que ela me diga ao certo o que fazer. – Dei de ombros.
–Acha mesmo que podemos encontrar a cura para os Strigoi? – Pelo canto do olho, percebi que Adrian me encarava.
–Eu não sei, mas eu gostaria de averiguar isso com meus próprios olhos. – Argumentei, referindo-me ao meu livro agora, em posse de Natasha.
–Vai falar com seu pai? – Adrian se mecheu um pouco ao meu lado, parecendo inquieto.
–Se for preciso, eu o farei. – respondi decididamente.
Adrian não teve tempo de reformular outra pergunta, pois logo Dimitri estava ao nosso lado, acompanhado de Ian. As respirações de ambos, estavam levemente sobressaltadas, o que era sinal de que vieram correndo. Quando os olhos de Dimitri cruzaram com os meus, ele deve ter notado minha confusão momentânea.
–Eu trouxe algum reforço. – Dimitri deu de ombros, como se fosse à coisa mais óbvia a se dizer.
–Eu também. – Apontei com a cabeça para Adrian, que agora parecia preocupado.
Adentramos a mata, em busca de Natasha ou algum vestígio de François. Adrian ficou entre nós três, caso algum elemento surpresa surgisse. Dimitri carregava uma singela lanterna, para que não chamássemos muito a atenção ali. O meu maior problema no momento, era conseguir manter meus pés em contato com o chão úmido, sem que eu realmente causasse um acidente. Minhas botas embora próprias para a escalada, pareciam ter perdido parte do atrito e eu me sentia em alguns trechos, como em uma piscina de sabão.
Em dado momento, Dimitri pausou e por pouco, não bati com força em suas costas. Com um sinal silencioso em direção a Ian e em seguida em minha direção, nos agrupamos e então, a lanterna foi apagada. As mãos gélidas de Adrian seguraram com força meu braço, enquanto eu me esforçava para ouvir além. Parecia uma conversa.
Dimitri então voltou a caminhar, fazendo com que mesmo aos tropeços eu o acompanhasse ao lado de Adrian, pendurado em meu braço. Minha mão se apertou em minha estaca, conforme eu notava que estávamos chegando cada vez mais perto de nosso destino. Eu invejada a forma em como Ian e Dimitri pareciam se mover. Eram como gatos de rua silenciosos procurando sua presa, enquanto eu parecia uma pata, que tropeçava em seus próprios pés.
Quando houve a segunda pausa, eu estava prestes a xingar audivelmente, quando notei que havíamos finalmente chegado. Não muito distante de nós, havia uma fogueira e sentados ao redor dela, duas pessoas. Natasha e seu pai, François. Respirei aliviada dando um passo à frente, quando o braço de Dimitri me manteve no lugar. Não traindo a reação da natureza, voltei a derrapar e desta vez, atrai a atenção de nossos dois alvos que prontamente, levantaram suas cabeças em nossa direção.
Sem uma segunda opção, coloquei o braço de Dimitri cuidadosamente para o lado e comecei a caminhar na direção de Natasha e de seu pai, mas desta vez, guardando antes minha estaca de prata dentro de meu bolso, para não criar um alarme em tamanho escala. Quando os olhos claros de Natasha perceberam meu movimento, ela se levantou abruptamente em alarme, mas que logo foi interrompido por indiferença.
–Rose? O que faz aqui? – Sua falsa surpresa me fez virar os olhos. Percebi que eu estava sozinha e que Dimitri e meus outros amigos, estavam me dando algum espaço, para lidar com minha situação atual.
–Não se faça de desentendida. – Cruzando meus braços no peito e me aproximando cada vez mais, resolvi ir direto ao assunto. Ao lado de Natasha, seu pai se mexeu um pouco, parecendo pouco a vontade. – Quero meu livro de volta.
Ela ponderou por um momento minha reação explosiva, como se decidindo ou não, continuar em seu disfarce de mentiras. Com um suspiro, ela por fim resolveu o que fazer.
–Não tenho seu livro comigo. – Seu tom era cortante e seus olhos, bastante atentos.
–Então o que é isso na mão do seu pai? – Apontei com uma mão para o gasto volume, preso com toda a força, entre os dedos do homem velho. E foi ai, que François reagiu. Ele ficou de pé, colocando o livro protetoramente atrás de si.
–Você não sabe o que isso trás. – Suas palavras saíram assustadas, através de sua voz frágil e débil. –Precisa destruir isso. – Com sua mão voltando para frente do corpo, ele erguia o livro próximo do fogo.
Sabendo o que François estava prestes a fazer, corri em direção a ambos e foi ai que tudo aconteceu. Um vulto preto entrou na frente de minha visão e antes que eu me desse conta do que diabos estava acontecendo, vi os olhos vermelhos do Strigoi.
Lucian cruzou seu olhar com o meu por um milésimo de segundo, mas foi o suficiente para todos agirem. Ian se colocou na frente de Adrian, enquanto Dimitri protetoramente, se colocava na frente de Natasha e François, ficando em ligeira desvantagem.
Meu raciocínio simplesmente disparou, quase no mesmo instante em que me joguei contra o Strigoi, para evitar um verdadeiro massacre. Ele não esperava minha reação, mas não cessou seu punho de se encontrar violentamente com minha face, me fazendo cambalear vários passos para trás. Levantando-me rapidamente para interceptar sua outra investida, percebi que sua atenção não estava totalmente em mim. Os olhos do monstro, agora em tom escarlate, se dirigiram ao homem atrás de Dimitri. Ele seria seu próximo alvo.
Adrenalina pulsou em minhas veias, percebendo a real intenção do Strigoi. Com um impulso, me joguei nas costas de Lucian, esperando tardar seu ataque e dar um tempo a Dimitri, mas Lucian foi mais rápido me lançando longe, fazendo com que eu batesse as costas contra uma árvore. Dor cruzou minhas feições, mas mal tive tempo para protestar, quando percebi que Dimitri estava agora lutando com Lucian e uma Strigoi fêmea, havia surgido no meio do caos, lutando arduamente com Ian. Adrian ao seu lado, estava tentando usar um aparelho que parecia um telefone móvel, mas seus dedos tremiam mais, do que conseguiam discar alguma coisa. Sons de dor e gritos eram ouvidos.
Pela minha visão periférica, percebi que Natasha estava prestes a correr dali. Cambaleando, fui ao encontro dela e seu pai e percebi, que François estava mais pálido do que o habitual. Eu estava prestes a para-la, quando alguém atingiu sua cabeça grosseiramente, fazendo com que Natasha caísse desmaiada. Era um terceiro Strigoi. Apertando minha estaca contra meus dedos, empalei a Strigoi sem demoras e quando me voltei para François, percebi que ele estava agonizando no chão. Lançando um olhar para Dimitri e Ian, percebi que não teria ajuda. Ian estava bastante ocupado com o outro Strigoi, mas não mais que Dimitri, que parecia estar levando a pior. Temendo por deixar o velho sozinho e sem ajuda, gritei com toda a força de meus pulmões para Adrian.
–Ajude eles aqui! – Adrian piscou algumas vezes, antes de realmente se colocar em movimento. Quando ele finalmente me alcançou, fui em direção a Dimitri e Lucian, mas uma luz forte, quase que me cegou por completo no meio do caminho. Adrian estava usando sua magia.
–Meu Deus não! – Virei quase ao mesmo tempo em que com um golpe seco, Lucian jogou o corpo de Dimitri longe e ele seguia em direção a Adrian. Minha atenção se dividiu entre Dimitri e Adrian, mas eu sabia o que deveria fazer.
Contra qualquer julgamento que eu achasse certo ou errado, entrei na frente de Adrian e com um gesto bastante desesperado, finquei minha estaca no rosto do monstro, para tomar distancia entre o corpo dele e de Adrian, segurando François no chão e foi ai que algo estranho aconteceu.
O rosto de Lucian começou a queimar através de pontos claros e seus olhos se abriram em pratos, enquanto ele olhava para mim. Era como se nunca houvera me visto antes. Senti que minhas mãos queimavam como fogo por cima da estaca, e eu percebi o que estava acontecendo. Ele sabia sobre mim e sabia sobre a magia. Seus olhos relampejaram do vermelho para o amarelo e logo em seguida, passaram para o corpo do velho atrás de mim. Sem saber ao certo como me portar aquilo, tentei investir contra ele, mas ele logo se esquivou e como uma sombra na noite, pareceu voar pela floresta.
Quando me voltei para Adrian, percebi que ele embora intacto, estava bastante chateado. Seus olhos agora estavam no velho com o corpo quase inerte. Ajeitando-me melhor na frente deles, peguei a mão de François.
–Os guardiões já estão chegando. Vamos ter ajuda. Aguente firme – A promessa de minha voz, não conseguiu sair mais do que um sussurro, o que era reflexo do que eu realmente sentia. Eu temia pelo homem frágil a minha frente e pior, não fazia ideia de como ajuda-lo.
–Eu não tenho mais salvação menina, mas você tem. – Em meio a engasgos, possivelmente de seu coração frágil, o homem insistiu em retomar a fala. –Você precisa ir embora daqui. Ir embora antes que ele encontre você. – Seu recado era claro, sobre quem o velho homem se referia, mas mesmo assim, eu não conseguia me acostumar com aquela situação. Eu não conseguia me acostumar com aquela falta de respostas ainda não ditas. Eu precisava saber mais de sua experiência que eu não tive. E como se seu recado por fim tivesse sido dado, ouvi ao lado de Adrian, seu último suspiro.
Não sei por quanto tempo fiquei apenas o observando partir, com meus olhos nublados de injustiça, mas foi o suficiente para eu sentir a presença de Dimitri atrás de mim. Ele estava chacoalhando meus ombros. Foi então que me virei.
–Você está bem? Está tudo bem? – O rosto de Dimitri estava quase que coberto completamente por cortes e ferimentos. Alguns parcialmente mais profundos que outros, mas somente a visão de sua vida na minha frente, superaria qualquer coisa. Dimitri estava vivo.
Com um abraço forte o puxei para meu peito, não conseguindo mais conter minhas lágrimas de puro desespero. Aos poucos, ele me retirou do chão sujo, enquanto outros guardiões agora acudiam Natasha, que chorava desesperadamente, enquanto velava o corpo do pai coberto por uma manta negra. Próximo de nós, Ian conversava arduamente com alguém no telefone e também, haviam outros guardiões ali, procurando algum vestígio no chão. Dois corpos de Strigoi estavam empalados há alguns passos de nós na clareira, onde alguns passavam com nítido enrugar de nariz, enquanto outros, simplesmente não acreditavam no que seus olhos viam.
A única coisa em que eu conseguia pensar no momento era que Lucian sabia sobre mim, François deixou bem claro que eu deveria ir embora. Mas como eu poderia ir e deixar meus amigos ao relento? Como eu poderia ir embora e abandonar Dimitri? E como se ele estivesse pensando na mesma coisa que eu, Dimitri disse:
–Eu estarei ao seu lado, se você tiver que ir embora eu irei aonde você for.
E foi com essa promessa que eu tive a ciência de qual seria o próximo passo.
Notas finais
Mal vimos e o segundo livro da nossa série de VA, já terminou.
Bom, obrigada a todas pela participação e principalmente paciência, quando nossas meras mentes criativas, acabaram falhando algumas vezes.
Esperamos que tenham gostado do final e aguardamos todas vocês nos comentários e recomendações.
Beijos ♥
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