Notas iniciais
Bom dia gente!
Segue mais um post.
Estarei postando amanhã um novo ou ainda hoje.
Depende de vocês
Portanto, se passou pela fic, deixe um recado.
Beijoss e até a proxima.

O começo de uma garoa gelada e as plantas desalinhadas passando pela minha cabeça, não estavam ajudando em nada, minha coordenação motora. Comecei a empurrar sem cessar as plantas, não conseguindo evitar pequenos cortes pelas minhas palmas e braços.

–Hey – Gritei já com a estaca em mãos, para o agressor. Ele estava a muitos passos na minha frente, mas eu ainda conseguia vê-lo, embora nitidamente alcança-lo, estava fora de cogitação. – Pare agora!

Ele então diminuiu alguns passos e eu pude ver um vestígio de cabelos compridos e levemente enrolados, por debaixo do manto negro, o que contrastava com sua postura. Ele tinha ombros largos demais para uma mulher, mas seus cabelos eram tão compridos, quanto os meus.

Ouvi uma risada abafada e então um frio na espinha, me fez tremer no lugar. Determinada a aborda-lo, me forcei a caminhar em sua direção, ignorando o receio que estava tendo. O homem então parou, me fazendo suspeitar sobre um possível ataque. Posicionei-me quase que instantaneamente, esperando sua reação. Ele então se virou devagar, mostrando partes de sua roupa escura, por debaixo do manto. Sua cabeça ainda abaixada, não me permitindo reconhece-lo de imediato.

Tudo aconteceu muito rápido a partir dali. Ouvi meu nome sendo chamado, me fazendo virar instantaneamente na direção do som. Percebendo meu erro, me voltei para o agressor e não consegui disfarçar meu pânico, quando uma sensação de djavu passou por mim, conforme eu via o vislumbre de seus olhos. Vermelho.

–Strigoi – Tão fácil quanto minha voz saiu abafada, o homem sumiu de minha visão, disparando pela floresta.

–Rose? Rose? – Me dispersei do transe em que estava, quando ouvi a voz aflita de Dimitri.

–Aqui! – Gritei me forçando a mudar meus olhos de direção.

Dimitri logo me alcançou e junto dele, estavam Alice e Ian. Ambos alerta, olhando para todos os lados, em busca de perigo. Há alguns passos dali, eu também reconheci outros três guardiões. Notavelmente, isso não era uma situação bastante comum.

–O que aconteceu? Você está bem? – Dimitri me segurou pelos braços, esperando ansiosamente, por alguma resposta. Eu só conseguia observa-lo, enquanto buscava por palavras coerentes a se dizer. Eu havia realmente visto um Strigoi?

–Eu....Estou bem – Disse quando retomei minha voz do choque. Eu não fazia nem ideia de como começar a explicar a ele, o que havia visto. Dimitri apenas me observou em silêncio, segundos antes de voltar a falar.

–Se espalhem! Se ele ou ela ainda estiver por aqui, vamos encontra-lo. – Dimitri deu suas últimas ordens, antes de começar a me puxar na direção oposta, de onde o homem havia ido. – Vem, vamos.

Caminhei ao seu lado, perdida em meus próprios pensamentos. Eu havia realmente visto um Strigoi ou isso minha imaginação, havia me pregado uma árdua peça? Dimitri ainda permanecia em silêncio enquanto nos guiava no meio dos arbustos, mas eu sabia que ele estava prestes a começar a falar, a qualquer momento. Pior do que isso, ele estava me esperando falar alguma coisa. Fechei minha boca, opinando por tentar colocar minha cabeça em ordem, antes de começar com alarmes absurdos, como um Strigoi andando a luz do sol.

Assim que alcançamos o lugar onde a competição teve inicio, me deparei com um verdadeiro caos. Grande parte das pessoas já não estava mais ali, mas as que estavam, pareciam histéricas diante do ocorrido a pouco.

Isso é o que chamam de segurança? – Um dos Moroi gritava a um dos guardiões.

Estamos sendo atacados! – Outra Moroi de cabelos grisalhos, começou uma confusão.

–Está tudo sob controle aqui! – A voz de Hans, se sobrepôs no meio da multidão. Ele agora estava em um tipo de palco de madeira improvisado, cercado de guardiões, tentando manter a ordem. –Estamos averiguando os fatos, para saber o que realmente aconteceu, com a Srta. Mercês.

–Como ela está? – Perguntei a Dimitri, antes que déssemos mais alguns passos a frente. Não precisei citar nomes, para ele saber do que se tratava.

–Está sendo medicada – Dimitri respondeu simplesmente, sem sequer me olhar. Seus olhos eram afiados e preocupados, assim como sua voz. Ele me guiou até um par de bancos de madeira, para que eu sentasse. Sem argumentar, pois provavelmente iria perder, resolvi obedece-lo.

–Eu realmente acho que eles devem estar preocupados – Acabei falando em voz alta, enquanto observava a tentativa frustrada de Hans, em acalmar as pessoas.

–O que você viu? O que aconteceu? – Dimitri então sentou na minha frente no banco, esperando por respostas. Seu rosto estava calmo, mas ele não conseguia disfarçar a tensão de mim. Eu o encarei, sem saber ao certo o que dizer ou como começar. Convenhamos que meu histórico mental não estivesse o dos melhores esses dias. Um deslize a mais ali, e eu poderia ser tachada como louca. Tecnicamente, Strigoi não poderiam andar a luz do sol.

Strigoi não andam a luz do dia – Repeti para mim mesma mentalmente, antes de abrir a boca e começar a falar.

–Rose! — Alguém gritou se aproximando, interrompendo minha tentativa de soar menos absurda.

–Abe? – O vi se aproximar as pressas, fazendo com que seu cachecol de cashmere vermelho, tampasse parte do seu rosto.

–Você se machucou? – Ele sentou ao meu lado, enquanto seus olhos atentos passavam pelas minhas mãos cortadas.

–Estou bem – Respondi fechando meus olhos com força, pela preocupação desnecessária. – Quem tomou uma flechada não fui eu. – Meus olhos cruzaram com os de Dimitri, que falava no telefone. Abe virou os olhos.

–Sr Mazur, se me da licença, poderia fazer o favor de levar Rose para a enfermaria? – Dimitri nos interrompeu, diante do silêncio entre nós. – Eu iria, mas preciso averiguar algo. – Novamente seus olhos passaram por mim. — Converso com você mais tarde.

–Não preciso de enfermaria – Retruquei instantaneamente. Dimitri me lançou um olhar zangado e eu bufei. – Está bem, estou indo Okay? – Ergui minhas duas mãos em sinal de rendição. O que eu menos precisava agora era de um namorado rabugento. Já me bastava eu.

Durante todo o caminho até a enfermaria, eu não consegui deixar de notar, o olhar preocupado de Abe. Eu não sabia necessariamente se isso se referia somente a mim, ou se parte disso, era graças ao ferimento notável em Isadora.

–Ela está bem não está? – Perguntei, enquanto passávamos pelo último grupo de guardiões espalhados pelo campus. Embora fosse meio de dia e obviamente bastante claro, os Moroi haviam se recolhido graças ao ocorrido. Ainda nos topávamos com pequenos grupos de duas ou três pessoas, que se achavam no direito de nos dizer, o quão irresponsável havíamos sido.

–Eu acredito que sim – Abe respondeu sem pensar muito. Resolvi mudar de assunto.

–As coisas vão ficar feias por aqui – comentei, não dando espaço para discussão. Ele apenas sinalizou com a cabeça em concordância. Se havia alguma coisa que não podíamos deixar passar, era a segurança dos Moroi. Isso era inadmissível.

–Vamos sobreviver ao caos – Abe então soltou um riso esganado, me fazendo virar para encara-lo.

–Você acha graça? – Ergui uma sobrancelha desconfiada para ele, limpando minhas palmas na jeans imunda.

–Não é questão se achar graça filha. –A palavra filha, me fez sentir um arrepio involuntário. Ele novamente estava tocando no assunto delicado.

–Abe se não se importa... – Comecei, mas ele me interrompeu.

–Sinto muito desaponta-la Rose, mas você é minha filha e terá que lidar com isso. – Ele comentou um pouco divertido. Não consegui evitar virar os olhos. –De qualquer forma, respeito sua postura de tentar adiar nossa conversa. Está em choque e magoado conosco. Era de se esperar.

–Exatamente – Respondi com voz engasgada.

–Só não esqueça que isso é uma coisa, a qual você terá que lidar mais cedo ou mais tarde. Não podemos fugir do nosso destino.

–Algum dia... – Parei abruptamente, tentando fazer minha cabeça funcionar, sem que eu surtasse. Respirei fundo e abri e fechei os olhos algumas vezes. Abe esperou pacientemente. – Algum dia, falaremos sobre isso. – Tentei soar mais clara do que o habitual. Abe me olhou durante um longo tempo. Seus olhos pensativos e ao mesmo tempo, indecifráveis.

–Está bem. Vou aguardar mais um pouco – Por fim, ele resolveu começar a andar, me fazendo soltar o ar preso em meus pulmões.

Notas finais
E ai, o que acharam?