Notas iniciais
Sonho...Ou realidade?Ele finalmente retornou...?Ou Itália está apenas delirando?

–Ugh...Minhas costas doem...Porque...Porque eu estou no chão? — Itália olhou em volta e , realmente, estava no chão. Sentado, mais precisamente.

Piscou algumas vezes, tentando se acostumar com a escuridão quase total. Bom, havia um ponto de luz distante. Olhou em volta, tentando entender onde estava ou como havia ido parar ali, já que sua última lembrança era ter deitado na cama de Alemanha e dito boa noite.

O chão era de pedra escura e antiga, desgastada pelo tempo e molhada, parecia que havia chovido havia pouco tempo...Era uma viela, e, nos muros, haviam cartazes que anunciavam um baile de máscaras. Levantou-se, limpou as mãos nas calças e se aproximou, afim de examinar melhor.

Cartazes...Coloridos até, contrastando com o ambiente fúnebre e triste que estava. As máscaras que estampavam os mesmos eram aquelas de teatro mas...Somente as máscaras tristes. Olhou para os dois lados da rua tentando enxergar um pouco mais além e, refletido numa poça d’água, iluminada pela luz da lua viu seu rosto.

Estava usando uma máscara branca com detalhes dourados, que faziam pequenos movimentos conforme a água se mexia com o vento que passava e enfeites pretos com uma pluma branca.

Sentiu frio, então apertou o casaco que estava usando, este que combinava com a máscara, de veludo preto e delicadas flores e folhas douradas nos punhos das mangas e na lapela. Calçou as luvas brancas, encontradas no bolso interno do casaco que examinara em busca de alguma pista.

Como não havia encontrado nada, lentamente começou a caminhar na direção do ponto de luz. Seus passos ecoavam na noite silenciosa e faziam pequenos barulhinhos quando pisava nas poças, sendo acompanhado pelo vento que, curiosamente, não fazia barulho e pela lua solitária, sem a companhia de suas estrelas.

Reparou nas casas. Não eram casas comuns...Não eram “lares”. As portas estavam lacradas e as janelas, quebradas. Suas paredes não estavam melhores; descascadas, com musgo crescendo, a pouca tinta que sobrava era de cor escura, preto ou cinza, como as pedras do calçamento...

Ia se aproximando cada vez mais do ponto de luz e notou que era um poste. Chegou perto da estrutura enferrujada e meio torta, e a luz começou a piscar, como se sua presença a enfraquecesse. De um amarelo brilhante, foi decaindo e escurecendo até chegar a um laranja apagado, meio doente.

Ficou distraído observando aquilo, quando notou algo se mexer não muito longe dali. Um vulto. Era grande, e usava uma capa longa e negra, que só se destacava pelas portas douradas, assim como pelas bordas douradas do chapéu meio redondo. Um homem, pela estatura alta e usava uma máscara negra.

A figura voltou-se e o encarou nos olhos.

Mesmo com a parca luz do poste, pode perceber o brilho nos olhos dele. Olhos... Olhos azuis. E...Um cabelo loiro, penteado para trás.

Seu coração começou a acelerar. Pensando bem...Aquela roupa...Aqueles olhos...O cabelo...Não, não podia ser ... Tinha algo de errado...

Começou a caminhar na direção da figura, as batidas do coração aumentando cada vez mais, sendo o único som que conseguia ouvir, além do de suas botas nas pedras da rua.

Quando havia chegado bem perto, o homem fugiu.

Suas pernas não precisaram de nenhum estímulo cerebral para começarem a correr atrás dele, sua respiração acelerada, o som dos passos nas possas d’água, o barulho de seu casaco batendo contra o corpo, seus batimentos cardíacos, o vento; se parasse para prestar atenção, sabia que conseguiria ouvir até o sangue correndo por suas veias.

Mas não queria, não podia! Tinha que chegar até ele...Depois de tanto tempo...Não podia ser ...

Perseguiu o homem por uma avenida nem muito comprida, mas que lhe pareceu longa demais, até dobrarem uma esquina e darem de cara com um imenso teatro, ou salão de baile. Havia um grande letreiro luminoso, em amarelo, anunciando o baile e a grande máscara triste do teatro, olhando para ele, como se fosse engoli-lo.

Era o mesmo salão no qual os cartazes anunciavam o baile...Se bem que...Vasculhou a memória e não lembrava de ter visto nenhum endereço. Olhou em volta, aproveitando que o homem havia parado, e parou também, tomando fôlego e procurou por um sinal, uma placa de onde estavam e não encontrou.

Virou-se para fazer uma pergunta ao seu perseguido e só teve tempo de ver a pontinha da capa desaparecendo por entre as portas duplas do teatro. Suas pernas tremeram um pouco antes de caminhar até a porta; seu corpo não aguentava mais correr. Folhetos e cartazes estavam espalhados na entrada, se desfazendo na água.

Abriu as portas e entrou. Tomou um choque de claridade pelo ambiente cheio de luz, pessoas, música e barulho. Usou o braço para proteger a vista e parou um pouco para pensar. Conseguia ouvir o final de uma música...Gozado, do lado de fora do teatro não se ouvia nada...E ...Pessoas? Como, porque tinha tanta gente ali dentro? O que estavam fazendo ali? Em uma festa, obviamente, já que conversavam e riam, mas o pobre italiano não conseguia entender em que língua estavam falando...

Deixou o braço cair ao longo do corpo, quando sua visão estava melhor, e examinou o ambiente.

As pessoas estavam vestidas quase no mesmo estilo que ele, somente em diferentes cores e máscaras. Alguns cruzaram seu olhar e abriram sorrisos. Tentou retribuir, mas quando reparou nas cavidades das máscaras onde deveria ter o brilho de um olhar, encontrou apenas um buraco vazio.

De repente...Uma nova música havia começado a tocar.

Notas finais
Esperam que tenham gostado!
Reviews e comentários,opiniões são mais do que bem vindos~
Esta idéia me veio a mente no penúltimo dia de aula,um dia quente,em que meus pensamentos voaram e minha imaginação acordou ao som da música A Valsa do Inferno,do Capital Inicial.
Ps: Sinceros agradecimentos a Gin-Chan ,que me ajudou com a sinopse~