Valerion - a Busca por Yggdrasil
20 O Exilado
O salão tremeu quando o cavaleiro se levantou.
Sua armadura era como um casulo de trevas, e cada movimento fazia as sombras se estenderem pelo chão, como se o próprio lugar respirasse junto dele.
Seus passos ecoaram como trovões, cada um mais pesado que o anterior.
— Então são vocês… — a voz dele reverberou, grave e arrastada, como se viesse de dentro de um túmulo. — Os vermes que ousaram derrotar Selindra e Drael.
Kaelvor cerrou os punhos, o fogo começando a arder em seus braços.
— E você é quem? Outro cão dos deuses?
O cavaleiro parou diante deles, erguendo o elmo ligeiramente, revelando olhos ardendo em vermelho.
— Eu sou Ephiron. O Exilado.
Ele apertou a mão contra o peito da armadura, onde cicatrizes negras pulsavam.
— Condenado pelos próprios deuses por crimes que nem vocês poderiam compreender.
Soraja empalideceu, a chave gigante em suas costas tremendo junto com seu corpo.
— Não… não pode ser… Eu já ouvi histórias. Diziam que ele foi expulso até da graça de Phýton, condenado a vagar na escuridão. Um monstro que não deveria existir.
Ephiron sorriu de forma cruel.
— Monstro? Talvez. Mas ainda assim… mais forte do que qualquer um de vocês.
Ele avançou de súbito.
O primeiro golpe foi contra Kaelvor, que mal teve tempo de erguer os braços. O impacto o lançou contra uma coluna de pedra, que ruiu sobre ele.
Nymira gritou.
Soraja reagiu, erguendo a chave e girando-a como uma maça.
Ela acertou o ombro de Ephiron com toda a força, o chão estalando sob o impacto.
Mas a armadura nem arranhou. Ephiron apenas a olhou, entediado, e empurrou-a com um soco que a fez voar contra a parede.
Tiberan tentou então, invocando vinhas espinhosas que brotaram do solo. Elas se enrolaram nas pernas do cavaleiro, flores de veneno se abrindo sobre os espinhos.
Por um instante, parecia que o haviam prendido.
Mas as sombras de Ephiron se contorceram e rasgaram as vinhas, consumindo-as como se fossem feitas de papel.
Ele ergueu a mão, e tentáculos de escuridão se lançaram contra Tiberan, chicoteando-o até o chão.
Ignara correu, saltando com as caudas em chamas. Ela atingiu o elmo de Ephiron com fogo direto.
O cavaleiro apenas virou o rosto, a chama refletindo em seus olhos vermelhos.
Com um movimento brusco, agarrou a raposa pelo pescoço e a lançou contra uma pilha de escombros.
— Patéticos. Vocês não compreendem a diferença de poder.
Nymira tropeçou para trás, frágil e indefesa.
Ephiron girou a lâmina negra em sua direção.
— A começar por você.
O golpe desceu — mas Kaelvor, ainda sangrando, se ergueu da pilha de pedras e se atirou na frente dela.
O impacto da espada negra ricocheteou contra seu braço em chamas.
Ele rangeu os dentes, resistindo com toda a força.
— Eu não vou deixar você tocar nela!
Ephiron o encarou com um brilho frio nos olhos.
— A heresia vive em você, garoto. Mas heresias são apagadas.
Com um chute, o lançou longe.
Soraja, desesperada, começou a criar portas ao redor. Uma, duas, três… cada uma surgindo em pontos diferentes do salão.
Ela gritou, lágrimas nos olhos:
— Rápido! Entrem! Não podemos vencê-lo! Fujam!
As portas brilhavam, pulsando como janelas para outros destinos.
Tiberan, sangrando, foi o primeiro a se arrastar até uma delas.
Ignara, mancando, correu para outra com Nymira nas costas.
Kaelvor hesitou.
Ele não queria fugir. O fogo em seus olhos pedia para continuar lutando.
Mas antes que pudesse reagir, Ephiron o empurrou com violência para dentro de uma das portas.
E, num gesto inesperado, o próprio cavaleiro atravessou junto.
Soraja, caída no chão, ergueu os olhos e viu cada porta se fechando em sequência.
Ela mesma foi sugada pela última, sem conseguir escolher o destino.
No salão, apenas o silêncio permaneceu.
O grupo havia sido separado.
E Kaelvor agora estava sozinho, preso em um destino incerto… lado a lado com Ephiron, o Exilado.
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