Vai e Volta

2 Capítulo 2: Fazendo as pazes?


Notas iniciais
Nos vemos lá em baixo. Boa leitura :)

- Não, não, não! – Gritei – Você não vai colocar mais os pés no meu apartamento, Munhoz!

- Isa... – Suplicou ele – Por favor.

O motivo da gritaria era simples: ele queria voltar a morar comigo. Mas sem intenção nenhuma, apenas dar ‘’bom dia’’ e ‘’boa noite’’, dormir, comer e trabalhar. Depois de tudo o que ele fez comigo, você acha mesmo que eu podia aceitar?

- Vá embora.

- Eu posso te pagar se quiser, é sério! O quanto você quiser.

- Se tem tanto dinheiro porque não arruma um quartinho alugado?

- Claro que não tenho tanto dinheiro assim! – Agora era a vez dele ficar irritado – Só estou pedindo para a porra da minha ex namorada me ajudar!

Respirei fundo tentando não olhar para seu rosto.

- Não, não é isso... – tentou se desculpar – Enfim...

- Já disse que não.

- Tudo isso é por causa do passado não é? Pelo amor, Isabela. Nós já somos maiores de idade e já está na hora de deixar isso para trás.

Finalmente o encarei, só que agora incrédula pela frase que ele havia dito.

- Você acha que é tão fácil assim? Esquecer tudo o que você fez comigo? – senti meus olhos marejarem – Quem foi a idiota que se preocupava com você no meio da madrugada sendo que naquele mesmo segundo você estava com outra garota na cama? Quem foi que te perdoou todas às vezes, porque te amava e você continuou dando mancada? Com certeza não foi você. Então pode fazer o favor de tirar seu corpo imundo do meu apartamento e ir embora?

(...)

Naquela noite ele me perturbou mais algumas trocentas vezes. Eu sabia que se fosse o meu eu antigo, amoleceria na hora, mas essa era minha arma: Bloqueá-lo. É claro que esse ‘’bloqueá-lo’’ não era evitá-lo ou algo do gênero, porque afinal, nossos amigos eram totalmente em comum e praticamente o via todos os dias em que saia com eles. Não era agradável porque ele sempre estava com alguma garota com merda em vez de cérebro. Na época dessas traições acabei adquirindo bulimia, porque para mim a culpa de toda a turbulência no nosso relacionamento era meu peso. Depois que isso começou, ele nunca mais me tocou, entende? E nem nunca notou que meu corpo a cada dia ficava mais fino.

Joguei esses pensamentos dentro do baú que havia construído em meu cérebro e me concentrei em cortar a cenoura que estava ali há séculos, praticamente. O telefone tocou três vezes, mas era como se meu corpo estivesse preso naquele baú que eu tanto tentava evitar. Balancei a cabeça, sequei meus olhos cegos pelas lágrimas e forcei meu corpo a se mexer e voltar ao que era antes. Peguei o telefone quando o mesmo iria dar o último toque e rezei para não ser Pedro Lucas, se não teria uma recaída horrível e ele iria morar comigo.

— Ei, Isabela! – Era Felipe, um colega meu de trabalho.

— Oi, Felipe. – Dei graças a Deus por ser ele. Até um ET poderia me ligar àquela hora, com tanto que não fosse Pedro Lucas.

— Então... Estava combinando com os meninos de sairmos hoje. O que você acha?

Estava com a cabeça a mil e nada como um lugar totalmente cheio de música, uma mesa totalmente vazia e uma Coca gelada.

— Claro que sim. E que horas?

— Umas dez. Sei que você gosta de ficar sozinha na mesa, então é nessa hora em que a pista está cheia de gente.

— Ótimo! – Sorri – Nos vemos lá então. E não se esqueça de ligar para o Thomas, não quero ficar tão sozinha assim e é óbvio que ele irá levar a Júlia.

Combinamos a qual balada seria. Resolvi ir sozinha, sabia que minha cabeça ainda não teria melhorado até lá, então encontrar com Pedro Lucas não seria muito bom.

Enquanto procurava uma roupa, minha campainha tocou. Estranhei de imediato, não havia convidado ninguém, e sempre alguém vinha, ligava antes. Andei até a porta um pouco hesitante, com medo de ser quem eu não queria ver... E acertei. Pedro Lucas entrou por minha porta fechando-a em seguida e me encostou na parede me impedindo de raciocinar direito.

— Sei por que você não me quer aqui. – Senti seus olhos castanhos invadirem minha alma – Você tem medo, Isabela.

Continuei quieta, minha garganta estava travada. Aliás, tudo em mim estava travado.

— Medo de acabar se rendendo. Medo de quebrar essa falsa armadura que você finge que é instável, mas você sabe que não é. Medo de quando meus lábios encostarem-se aos seus, toda sua sanidade ir embora, de toda essa fachada de ‘’menina forte’’ desabar. Mas não é isso que eu quero, Isa. Não quero voltar com você, só quero um lugar para ficar já que Pedro Gabriel me expulsou do apartamento dele, ninguém me aceita e a única que sobrou foi você. Sei que vai aceitar... Porque você me ama.

Tudo o que ele havia falado era verdade. Tudo, tudo, tudo, tudo.

— E se você realmente acha que podemos ter uma segunda chance... Não vejo problema nenhum nisso. Mas não é esse o meu foco, só quero um lugar para ficar. Então por favor... Me deixe ficar. Você é tudo o que tenho.

Segurei um soluço que queria sair, os olhos dele estavam marejados assim como os meus. Senti suas mãos dominarem minha cintura e o corpo dele junto ao meu, um abraço que eu sabia que estragaria tudo.

— Desculpe. Por tudo. Você não merecia e nem nunca mereceu. – afastou-me um pouco para me dar o privilégio de encará-lo e notar a sinceridade em suas palavras – Eu era um garoto idiota que só pensava em bundas.

Deu um sorriso e não pude deixar de sorrir também.

— Mas todas as vezes que eu disse que te amava nunca foi mentira. Todas as vezes que dizia que eu era seu... Também foi verdade e sempre será. Eu só era um garoto, Isabela, não sabia amar alguém. Mas só dei valor depois que perdi.

Abaixei a cabeça um pouco feliz por saber que ele me amava. Ou seria apenas uma estratégia? Eu era fraca e ele sabia disso.

— Você não me perdeu, Pedro. Nem nunca vai perder. – Foi a minha vez de falar tudo o que estava engasgado em minha garganta – Sempre serei sua, só sua. E mesmo depois de todas suas mancadas, eu ainda amo você e sempre vou amar. Só não quero que você diga que me ama para conseguir o que quer, e que minta que sou tudo o que você tem.

Ele abaixou a cabeça e logo após a levantou, notei a sinceridade rondando seus olhos mais uma vez.

— Sabe muito bem que a única pessoa que me ama nesse mundo é você. E também sabe que meus pais morreram há anos atrás, posso ter amigos, mas são só isso. Só você que cuidou de mim mesmo quando eu te traia. Só você me perdoou quando fiz mancada, não posso perder a única pessoa que me ama de verdade.

Eu sabia que a conversa estava indo longe demais, sabia que me renderia, sabia que sofreria se o visse trazendo outra garota para dentro do agora ‘’nosso’’ apartamento, mas lembra-se que eu disse que era fraca? Exato.

— Prometo ser uma pessoa melhor. – Segurou minhas mãos – Porque você me dá motivos para isso.

Notas finais
Ei pessoal! Geeente, não acredito que tem 3 comentários na minha fic, awn HSDUAHSAHA obrigada! Então... Esse capítulo foi meio fofinho, right? Mas Pedro ainda não disse o porquê de ter traído a Isabela (ou Isa ou qualquer apelido que vocês quiserem dar a ela HUDSAHDSAUH. Gostaram do capítulo? Comentem! É isso que dá combustível pra continuar a fanfic com o maior gás do mundo. E mais uma vez: Obrigada pelos comentários :) Qualquer coisa ou pergunta sobre a fanfic podem mandar um comentário mesmo, MP ou uma mention para @pokeis que respondo vocês com o maior prazer ok? lonely :)