Vai e Volta
3 Capítulo 3: Esclarecimentos
Notas iniciais
— Para onde você vai?
Olhei para Pedro Lucas de cenho franzido. Desde quando ele queria saber a onde eu iria? Sabia que meu vestido chamaria atenção. Antes de responder, peguei minha bolsa colocando tudo o que devia dentro da mesma.
— Sair com uns amigos. Por?
— É que você está tão... Arrumada. Pensei que fosse um encontro.
— Não é um encontro. Apesar de que o amigo que me convidou é meio afim de mim, mas enfim...
— Vou com você então. – Levantou-se do sofá colocando a garrafa de cerveja na mesinha ao lado.
— Ir comigo? Por quê?
— Ué, vai que esse cara inventa de te agarrar!
Escondi um sorriso por saber que ele estava se importando comigo.
— Ele não vai me agarrar, Pedro Lucas. – Dei um risinho.
— Vou com você.
— Hã... Tudo bem então. Vá se arrumar.
Apenas pegou a camisa que estava no sofá e passou meu braço pelo dele. Dei um sorriso enquanto íamos a tal balada.
(...)
— Ei, Isabela... – Parou e pude ver o sorriso de Felipe se desfazer – Quem é esse?
— É meu... – Iria falar amigo, mas Pedro Lucas me interrompeu.
— Sou o ex-namorado dela.
Felipe deu uma risada irônica.
— O idiota que fez a chorar por três anos? Ótima companhia, Isabela.
Não tinha resposta para a frase dele porque sabia que era verdade. Respirei fundo e Pedro Lucas pode notar. Puxou-me para um lugar na mesa longe de Felipe, mas antes sussurrou:
— Mas quem ela ama sou eu, otário.
Fingi que não ouvi, mas achei até meio cômico os ciúmes que ele estava apresentando. E essa frase foi o que fez Felipe ficar carrancudo a festa inteira.
— Ah meu Deus! Vai chover dinheiro! – um Thomas risonho disse enquanto sentava-se ao lado de Pedro Lucas.
Eu e Pedro sorrimos.
— Então, Isa, Pedro me contou tudo. Achei legal o que você fez. Não iria deixar essa coisa morar no meu apartamento nunca.
— E nem queria mesmo. Ouvir você e Júlia quebrar os móveis da casa? Prefiro ficar na minha mesmo.
Não consegui segurar a risada da cara de Thomas.
— Cadê minha melhor amiga? – Perguntei logo após o ataque de risos.
— Pegando umas bebidas para nós.
(...)
— Vocês vão dormir juntos. – Disse Júlia assim que entramos no banheiro.
— O que? – Franzi o cenho.
— Isabela, falando sério, você acha mesmo que não vai se render para esse ‘’novo Pedro Lucas’’?– fez aspas com os dedos – Todo fofinho e ciumento?
— Não rolou nem um beijo quando fizemos as pazes. Deixa de exagero.
Júlia colocou as mãos na cintura.
— Não duvide do que estou falando. Acho bom vocês estarem se falando de novo, mas tenho medo que ele te machuque mais uma vez.
— Ah pelo amor! Nós não vamos transar!
Fiz questão de falar a última frase pausadamente. Júlia apenas riu.
— Claro que vão! Vocês sozinhos num apartamento e apenas um quarto para dormir. O que acha que vai rolar?
— Ele disse que o foco dele não era esse.
— Mas também disse que se houvesse uma segunda chance, deixaria ir em frente. E eu te conheço bem.
Suspirei.
— Mas se rolar? O que tem?
— Você vai ter esperanças de volta, de um amor que sabe que não existe e nem nunca existiu.
— Ele disse que me ama!
— Se ele te ama tanto então porque te traiu por dois anos? Já estava cansada de vê-lo com olhar de cachorrinho abandonado e você perdoá-lo como se nada tivesse acontecido. Não quero que ele te magoe novamente, só isso. Ninguém muda da noite para o dia, Isabela.
(...)
— Porque voltou para casa? Te procurei em tudo quanto é lugar. Poderia ter me avisado.
— Se você me ama então porque me traiu todo esse tempo? – Perguntei assim, de supetão.
Pedro Lucas apenas suspirou.
— Quer que eu seja sincero com você?
Fiz que sim com a cabeça.
— Você sempre foi o tipo de garota muito quebradiça, tinha medo de te magoar com qualquer palavra que eu dissesse ou qualquer ação que eu fizesse. Tinha medo de que se eu ‘’avançasse o sinal’’, você recuaria e me chamaria de tarado ou algo assim. Já as outras garotas não, elas não queriam sentimentos e eu não teria de me preocupar a onde colocar a mão. Eu era novo, idiota e fui guiado mais por meus hormônios do que pelo meu cérebro. Então nós fizemos amor, foi a melhor noite da minha vida, mas tinha alguma coisa que dizia que ainda não era o que eu queria, então continuei a te trair sabendo que você me perdoaria e eu não precisaria ligar para as conseqüências. Até que você finalmente cansou e terminamos. Eu não queria, porque mesmo com a cabeça fora do lugar, eu ainda amava você.
O encarei.
— Você me traia... Porque não queria me magoar?
Ele suspirou novamente, sentou-se no sofá a meu lado e segurou minhas mãos.
— Exatamente.
Não tive mais controle de meus movimentos. Apenas podia sentir o meu corpo pulando sobre o dele não ligando para mais nada. Toda a raiva, as lágrimas, o passado... Tudo foi embora em um instante. No instante em que senti os lábios dele nos meus.
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