Vai dar tudo certo.

1 Vai dar tudo certo...


Notas iniciais
Espero que esse texto atinja vocês da maneira que eu espero, e que façam enxergar que depressão não é uma brincadeira.

“Não há adeus mais difícil, do que aquele que sabemos que é para sempre”

Eu me lembro claramente, de a um mês atrás ter dito a ela a seguinte frase:

— “Hoje eu vou te levar, pro melhor lugar, perto das estrelas e de frente pro mar”.

A reação dela foi aquele lindo sorriso, aquele sorriso que me encanta todas as manhãs, e que me fazem seguir o dia feliz, como se eu estivesse no local que descrevi, ou pelo menos, era assim...

Mas a culpa não é dela, não é de ninguém, é apenas minha, ou será que não? Eu não sei, tudo ficou tão confuso que nem ao mesmo mais sei o que sinto, hoje eu olho para aquela frase e penso, o que tem de tão demais nesse lugar, afinal, o jeito que seus olhos brilharam ao ouvir aquilo, foi tão incrível quanto o nosso primeiro beijo, mas já é não mais tão importante assim, me sinto ao pensar isso, mas no final sempre penso, Eu sei, vai dar tudo certo.

Ela reclama comigo, diz que eu não faço mais nada direito, que não saio de casa, e diz algo sobre terminar, normalmente eu me desesperaria e choraria igual uma criança, mas eu apenas escuto calado e digo que vai ficar tudo bem, eu olho nos olhos dela e vejo suas lágrimas em seus olhos... Já os meus, estão mais vazios do que um abismo, mas eu sempre penso... Eu sei, vai dar tudo certo.

Minha mãe briga comigo todos os dias, diz que não saio do quarto, que não ajudo a limpar a casa, e que só sei dormir, mas do que importa limpar a casa, ninguém visita a gente mesmo. Meu pai me chama de vagabundo, diz que preciso arrumar um emprego, que preciso cuidar da aparência, que preciso ser alguém na vida, é ai que eu penso... Eu sei, vai dar tudo certo...

Meu irmão me chama pra jogar, eu não tenho vontade, sempre digo não, ele diz que fiquei chato, não jogo mais bola com ele, não jogo os jogos online que ele tem me chamado, não rio mais das piadas idiotas dele, diz que parece que eu me fechei, o que é estranho, pois me sinto tão aberto e exposto, como se tivesse acabado de nascer... E isso me assusta, mas tudo bem, afinal, Eu sei, vai dar tudo certo.

Minha namorada, como dito antes, ela reclama, mas quando está comigo tudo parece estar bem, pelo menos para ela, ela diz que sou o remédio dela, eu fico feliz por isso, até sorrio, quer dizer, eu acho que isso é felicidade, mas no meio disso, eu me pergunto... Mas e o meu remédio? Mas tudo bem, afinal, eu sei, vai dar tudo certo.

Eu sai com ela ontem, antes de estar pensando nisso tudo, ela me disse que não dava mais, que ela não merecia isso, disse que era como se eu estivesse morto, eu não entendi, tudo estava tão certo a um mês atrás, eu não soube como lidar, eu não chorei, não fiquei triste, apenas fiquei com o meu grande e imenso vazio que eu sentia, apesar da confusão, eu prestei atenção numa certa frase dela, “Como se eu estivesse morto”, isso me ecoou na cabeça por um bom tempo, mas tudo bem, afinal, vai dar tudo certo.

Eu voltei pra casa depois, minha mãe disse que foi na minha reunião, eu havia repetido por excesso de faltas, ela começou a me xingar de diversos nomes e dizer que eu não prestava, disse até mesmo algo sobre aborto, mas eu não prestei atenção, já estava cansado disso, queria que as coisas começassem a dar certo logo.

Depois foi a briga do meu pai, ele me bateu, disse que cansou de eu ser vagabundo, que desistiu de mim, e que eu faço o que eu quero da minha vida agora, ele sempre quis que eu fosse policial igual ele, mas nunca gostei de violência, alias... Eu não senti dor, eu não chorei, não reclamei, era como se os golpes dele fossem dados ao vento, mas foi uma situação chata... As coisas não parecem estar dando certo.

Meu irmão disse que olhava pra mim com desgosto, que eu não era o mesmo, que não sentia mais vontade de falar comigo, de jogar comigo ou de fazer qualquer coisa comigo. Eu acho que eu queria chorar, mas não consegui, era estranho, não parecia que eu estava no meu corpo, era como se eu fosse apenas um telespectador de mim mesmo, sem emoções ou reações, apenas assistindo a um filme, aonde aparentemente, as coisas não estavam dando certo.

Meus pais viajaram no dia seguinte, disseram que precisavam de um tempo, eles me convidaram, acho que foi por educação, mas eu recusei, não sei se eles ficaram felizes ou irritados com isso, mas eu não queria incomoda-los, já fiz muito isso ultimamente, na verdade, acho que não vou incomoda-los mais, afinal, eu não faço nada certo.

Eu estava entediado, entrei no quarto do meu pai para ver se o notbook dele estava lá, queria ver um filme, abri a gaveta dele e encontrei seu revólver.

Eu achei que daria certo.

Notas finais
Apesar do final do texto, espero que entendam que se lutarem, no final sempre da certo! Basta correr atrás de saber o que você tem, e lutar contra isso! A depressão é uma doença, mas diferente de muitas, ela tem uma cura!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!