Notas iniciais
Oi, queridos leitores!
Queria avisar que, para entenderem a fanfic, é necessário já ter assistido ao programa 'Vai dar Namoro' do Rodrigo Faro.
Espero que gostem

Acordei com batidas na porta. Eram 07h00min da manhã e eu estava capengando de sono. Levantei-me da cama resmungando e parei ao perceber um envelope pardo embaixo da porta do quarto.

Andei até a coisa e a peguei. Eu estava esperando alguma correspondência? Nem me lembro. Mas sei lá né, pode ser de um amigo, familiar, ou uma das minhas queridas fãs, enfim... Matei minha curiosidade ao abrir o envelope.

Fiquei branco de medo na hora. CARACA, EU TAVA FUDIDO! Esfreguei os olhos, contei até dez e li de novo aquele troço. E sabe o que descobri? Que estou morto e enterrado!

-MAAX! – gritei desesperado.

*** ***

Cinco minutos depois de todas as explicações de Tyson, Max olhava a carta. Ele não sabia se ria do amigo ou lhe desejava seus sinceros pêsames.

-Isso é sério Max! O Kai vai me matar!

-Ah, Tyson, que isso! Relaxa aí... Não pode ser tão ruim assim – reconfortou Max.

Ouvimos batidas na porta.

-Tyson? Max? Está tudo bem? – perguntou Kenny.

-Podemos entrar? – disse Ray.

-Podem – respondeu Tyson escondendo a carta de baixo do travesseiro. Os dois meninos adentraram no cômodo alternando o olhar entre a bagunça do quarto, a cara de culpado de Tyson e a cara de riso de Max.

-O Tyson só acabou de receber uma notícia um pouco chocante – explicou-lhes Max.

Kenny e Ray se entreolharam.

-Vocês dois tem algum... Vocês sabem... Caso? – Ray perguntou meio constrangido arqueando uma sobrancelha.

Tyson arregalou os olhos.

-NÃO! – disseram em uníssono.

-É só que... – começou Tyson.

*** ***

Dez minutos depois, Tyson se descabelava enquanto Ray e Kenny olhavam-no embasbacados e Max ria da situação do amigo.

-E agora? – Kenny dirigiu-se a Ray.

-Vamos ter que enrolá-lo. É o único jeito – respondeu.

-Mas isso não vai ser tão fácil – avisou Max.

-Precisamos de um plano – disse Tyson, animado com a ajuda dos amigos.

-Vou ver o que a Dizzi acha – propôs Kenny.

-Não! – berrou Tyson – Nada de meter mulher nisso!

-Mas Tyson... – resmungou.

-O Tyson está certo... É melhor nos virarmos por nós mesmos – concordou Max.

Ray afirmou com a cabeça enquanto Kenny soltava um suspiro.

*** ***

No dia seguinte, Kai acordara de mau humor. Era o dia da abertura do torneio que há muito esperava. O campeonato de Beyblade do Rio de Janeiro. E ele se encontrava de mau humor porque todos estavam de bom humor, como se não se preocupassem com o torneio que aconteceria daqui a algumas horas. E isso o tirava do sério. Desejava que a equipe não levasse tanto as coisas na esportiva, como sempre levavam.

-Vocês parecem crianças – resmungou ao ver Tyson e Max disputarem o pote de geléia.

-Alguém acordou de mau humor hoje – observou Ray.

Kai apertou os olhos em resposta.

-Tá bom, sem brincadeiras – completou ao ver a cara demoníaca do capitão.

-O Kai tem razão, deveríamos nos concentrar mais no campeonato de hoje, porque é a apresentação e temos que fazer bonito – disse Kenny.

-Ouviu isso Kai? Quer dizer que hoje é dia de você tomar banho! – zombou Tyson.

Max cutucou o amigo num pedido silencioso para que ele calasse a boca enquanto Ray prendia o riso. O capitão apenas ignorou o comentário e tomou seu café da manhã. Os outros continuaram a refeição no maior alto astral.

*** ***

A abertura do campeonato começaria às sete e meia da noite. E, estranhamente, o senhor Dickenson apressou a equipe para se aprontarem antes das quatro da tarde com a desculpa de não pegar trânsito.

Kai já tinha se arrumado pela manhã, e permanecia do mesmo jeito. Estava em seu quarto, quando Ray bateu à porta.

-Entre.

-Kai? Não vai se arrumar?

-Eu estou pronto.

O moreno olhou o amigo, que vestia a calça azul marinho de sempre presa com cinto, a regata preta justa e o tênis surrado.

-Não está com cara de um capitão de equipe – argumentou.

-Não existe cara de capitão de equipe. Ou você é, ou não é o capitão.

-O senhor Dickenson falou para nos vestirmos bem.

-Não estou nenhum maltrapilho Ray – virou-se na cama, dando as costas ao amigo.

-Mas também não está tão arrumado assim.

Kai se virou para encarar Ray. Sentou na cama e soltou um suspiro.

-Por que está insistindo tanto que eu me arrume? – arqueou a sobrancelha direita.

-Eu só quero causar boa impressão – Ray deu de ombros, fingindo não ligar.

-E por acaso acha que eu me importo em dar boa impressão aos outros? – Kai revira os olhos – Francamente Ray... Dou esse assunto por encerrado.

-Mas...

-Nada de ‘mas’, já acabou. Agora vá lá apressar o preguiçoso do Tyson antes que ele nos atrase.

*** ***

Já no ônibus, os meninos estavam arrumadíssimos. Com exceção do líder rebelde sem causa da equipe. Aliás, foi até um pouco estranho para o capitão ver o grupo tão bem vestido para uma apresentação rápida de equipe. Mas ele não estava nem aí para isso...

Às quatro e vinte, em ponto, o ônibus partiu. Demorou bastante, por volta de duas horas e pouca, até que eles chegaram. O lugar era grande e confuso. Parecia mais um estúdio de TV. Mas não tinham dito que o Brasil era uma loucura? Então tá né... Vai que eles improvisaram um estádio num estúdio de TV?

O senhor Dickenson os conduziu. Preencheu uns formulários e depois passou as instruções para os meninos.

- Esperem aqui. O nome de cada um de vocês será chamado, aí conforme for chamando, cada um vai entrando. É só seguir até o fim desse corredor – apontou para a nossa frente, um corredor que fazia uma pequena curva.

Tyson estava roendo as unhas de nervosismo. Ele fizera besteira, e sabia muito bem disso. Mas resolvera esperar até a equipe ser apresentada.

*** ***

Dez minutos depois uma música tocou...

“RO-RO-RODRIGO FARO! É SUCESSO!”

O apresentador do torneio pensou Kai. Mas onde foi que ele já ouvira esse nome?

-Vamos agora apresentar nosso candidatos – falou o apresentador – pode vir: Kai Hiwatari, 19 anos, líder dos Bladebreakers, encalhado desde sabe-se Deus quando. Ray, 18 anos, origem chinesa, dom Juan problemático, jogador de beyblade. Max, 18 anos, origem estadunidense, típico garoto californiano, jogador de beyblade. Kenny, 19 anos, entende de computação, estrategista e é tímido. Tyson Granger, 18 anos, origem japonesa, convencido e sem sorte com as mulheres.

Os meninos entraram no palco nessa ordem. Cada um questionando alguma coisa dita pelo apresentador. Rodrigo apontou as cadeiras para que sentassem e eles assim fizeram.

Max e Tyson acenavam para a platéia. Kenny estava morrendo de vergonha, Dizzi não estava ali para ajudá-lo. Ray mantinha-se calmo, ao contrário de Kai...

-Mas que droga é essa? – sussurrou para a equipe. Tyson se encolheu.

-É que o Tyson sem querer trocou a sua inscrição com a da equipe – explicou Max – Estávamos planejando te pôr no ‘Vai dar Namoro’ para ver se com uma namorada o seu humor melhora. Só que, na hora, o Tyson enviou a inscrição da equipe no lugar da sua para o programa, e a sua ficha pessoal para o campeonato... Então, aqui estamos.

-A minha o que? – arregalou os olhos.

-Sua ficha pessoal, com seus dados e tudo mais – falou Ray.

Kai levou as mãos até as têmporas e contou até dez. Tentativa inútil, o Tyson estaria morto assim que eles saíssem do programa.

-Então, cardápio na tela – o apresentador falou, tirando o grupo daquela discussão interna – Qual número vocês escolhem?

- Quatro – pediu Tyson.

-Dois – falou Ray junto com Max.

-A número dois? Então pode entrar Jéssica!

A morena subiu no palco trajando um short jeans claro, tomara que caia verde com corações brancos e sapato de salto médio. Parou ao lado de Rodrigo Faro, acenando para os meninos.

-Então, Jéssica, faz o que da vida?

-Sou jornalista.

-Jornalista? Está no ramo há quanto tempo?

-Um ano.

-Faz pouco tempo então – o apresentador sorriu – Está sozinha há quanto tempo?

- Três meses – fez uma careta.

-Procurando o que num homem?

-Ah, um homem que goste de sair, ir para a night, seja simpático, companheiro...

-Jéssica, fale algumas palavras bonitas para convencer o coração dos meninos.

*efeito sonoro :começa a tocar uma música romântica de fundo *

-baboseira – murmurou Kai, revirando os olhos e fazendo os meninos rirem.

- Então, meninos... Se eu fosse um quebra-cabeça, daria a peça do meu coração para um de vocês.

-Olha, temos uma poetisa aqui – dancinha tosca do apresentador.

*Efeito sonoro: ‘que papelão ein?’*

A dança tosca para. O apresentador faz uma careta tipo ‘ninguém merece’.

-Certo, agora é com o cupido! Cupido, ela escolhe ou eles escolhem?

*efeito sonoro da roleta do cupido rodando*

-Eles escolhem! Muito bem meninos, vamos começar pelo Tyson, Tyson, aceita conversar com a Jéssica?

-Olha lá o que responde moleque – Kai reclama ignorando o microfone ligando em suas mãos.

-Epa, temos um interessado!

-Eu vou deixar para o meu amigo de TPM aí – responde Tyson com um sorriso maroto nos lábios.

- O que?! Quem está de TPM! – fala um Kai assassino.

-Kenny, vai ou não vai? – Rodrigo interrompe a briga.

-E-eu... e-eu... – Kenny desmaia.

-MEU DEUS DO CÉU, ELE DESMAIOU. Chamem os bombeiros.

*aparece o Paulão vestido de bombeiro. Ele se aproxima de Kenny e finge fazer respiração boca a boca. *

- Eu não precisava ver isso – murmura Kai.

-Acorda aí Kenny – cutucou Max.

Kenny recobrou a consciência, mas desmaiou de novo ao ver um cara vestido de bombeiro sexy dançando um tanto... Sexy e obsceno na sua frente...

-Ele é meio tímido – interveio Ray, ajudando Max a carregar Kenny até a ‘área do toco’ onde o deitaram.

-OK, o programa tem que seguir... Ray, aceita conversar com Jéssica?

-RAY, SE VOCÊ FIZER ISSO EU TE CASTRO! – gritou uma Mariah possessa que estava na platéia. Ray arregalou os olhos, amedrontado. O apresentador faz o mesmo.

*efeito sonoro: OK, OK*

-É melhor não Rodrigo... – respondeu.

-‘É melhor não... ’ – imita o apresentador – Também acho. Ok. Então Kai, quer conversar com Jéssica?

-Não – falou ríspido.

* efeito sonoro: ‘cavalo’ *

-Nossa... Esse foi direito. Ele fechou e – Rodrigo fecha a mão e dá um soco no ar.

*efeito sonoro: soco*

-Max – o apresentador sorri – Então Max, você vai conversar com a Jéssica, ou ela vai para o toco se juntar aos nossos bombeiros e ao seu amigo desmaiado?

-Eu... – Max parou para pensar, olhou para os amigos. Tyson ria, Ray estava encolhido de medo e Kai demonstrava tédio – Eu vou.

-Vai? Que maravilha, nós já temos um casal formado.

Jéssica se aproxima e pega Max pela mão. Os dois passam pelo apresentador, que fala:

-Mas nada de beijo antes da hora, se não eu jogo água em vocês!

Os dois riem tímidos e seguem até duas cadeiras. Começaram uma conversa tranqüila.

*** ***

Duas garotas depois, uma foi mandada para o toco e outra o Tyson tirou para conversar. Kai continuava macabramente irritado e Ray não tirava os olhos de Mariah. Esta parecia que a qualquer momento iria pular no pescoço de Ray. Kenny recobrou a consciência, mas resolveu fingir que ainda estava desmaiado para não voltar para o palco. E também para poder conversar com a garota que estava no toco sem que ninguém percebesse.

*efeito sonoro do cupido eletrônico*

-Epa, parece um chamado do cupido. Cupido eletrônico, o que vai ser?

*cupido indicando beijo duplo*

-Beijo duplo! Um momento da Vult cosméticos aqui no ‘Vai dar Namoro’! Muito bem rapazes, quem vai participar.

Ray se encolhe ao receber mais um olhar mortal de Mariah. O apresentador também ficara assustado com ela, mas o que seria pior? A garota estranha e assustadora da platéia ficar com ciúmes, ou chamar o Kai para participar? Pensou. Olhou a cara assassina da garota pelos últimos segundos e decidiu.

-Muito bem Kai, você foi escolhido! – Rodrigo puxa o capitão para o centro do palco onde as dançarinas e ajudantes de palco ajudam a por a venda nele.

-Eu não disse que queria ir! – argumentou.

-Mas eu ouvi você não dizer que disse que queria ir.

-O que??!

-Em fim, pode entrar as meninas do beijo duplo!

Entram duas meninas. A mais alta era loira, usava um vestido tubinho vermelho e salto alto e a mais baixa tinha traços orientais, vestia uma saia preta, uma bata rosa e calçava uma sapatilha branca. A japinha piscou para Ray, o que quase fez Mariah surtar de vez.

As moças passaram o batom da Vult cosméticos e beijaram o Kai conforme o jogo.

-Ah, suas loucas! Lambuzaram o meu rosto de batom! Tão perdendo a noção do perigo! – reclamava tentando limpar o rosto, mas o apresentador impediu.

*efeito sonoro: tô passada!*

Rodrigo ria da cena enquanto tirava a venda dos olhos de Kai. Uma ajudante de palco trouxe um espelho e segurava perto do irritadinho para ele poder ver as marcas de batom.

-Então Kai, você quer conversar com a garota que te beijou neste lado – aponta a bochecha direita – ou deste lado – aponta o lado esquerdo.

-Tire esse espelho daqui! Que negócio é esse! Eu não quero conversar.

*coro da platéia: Só veio arrumar o cabelo! Só veio arrumar o cabelo!*

Ray caiu na gargalhada enquanto o capitão da equipe mandava, inutilmente, a platéia calar a boca.

-Já que você não quer, só resta uma escolha... – propôs Rodrigo.

-O que? – indagou Kai, na esperança de ouvir o apresentador mandá-lo embora dali.

-É DANÇAR!

*efeito sonoro ‘Dança gatinho, dança’ seguido de efeito de luzes e do funk ‘você quer, você quer’.*

O apresentador começa a rebolar perto de Kai. E a platéia indo à loucura. Ray se levantou e foi dançar também aproveitando para se requebrar perto das ajudantes de palco. Mas, como ele esquecera, Mariah tinha uma ótima visão noturna.

-SEU DOM JUAN DE QUINTA!! – disse uma namorada possessa entrando no palco.

E desenrolou o maior bafafá por uns três minutos até as assistentes conseguirem expulsar o casal do palco.

-Caramba! Isso é que é a lei da selva. – zoa Rodrigo Faro – Muito bem, está na hora da nossa dança!

-De novo não! – reclamou Kai.

*efeito sonoro: pare*

-Epa! Mas o que temos aqui?

Todos olham para Tyson e Viviane (a garota que ele escolheu). Estavam se beijando loucamente. Rodrigo pegou o extintor de incêndio e ‘apagou’ o momento dos dois. Kai bateu com a mão na própria testa e sussurrou: ‘eu não acredito’.

*** ***

Depois de o apresentador atender a mais um ‘Dança Gatinho, Dança’ imitando a Beyoncé no clipe ‘Crazy in Love’ e depois do baile romântico de casais...

-Muito bem, pode vir o primeiro casal... Tyson e Viviane.

Os dois se aproximam do apresentador. Rodrigo separa o casal empurrando Tyson um pouco para trás de modo que ele ficasse perto de uma ajudante de palco que segurava uma caixa.

-Vamos lá Tyson, meche na caixinha!

*efeito sonoro: mexe o balaio, mexe o balaio *

Tyson tira uma plaquinha da caixa. Estava escrito: ‘um cheiro e um beijo, pode ser?’

-Um cheiro e um beijo. Pode ser? – falo Rodrigo – Pode ir Tyson!

Tyson se aproxima e tasca um beijo na garota deixando todos de queixo caído.

-Mas será possível? Eu vou ter que dançar de novo?! – reclama o apresentador.

- E eu vou ter que assistir? – resmunga Kai.

*** ***

O programa terminou uma hora depois. Tyson e Max estavam felizes, conseguiram o telefone das garotas. Os dois se dirigiram aos camarins, onde o Senhor Dickenson os esperavam. Ray e Mariah também estavam lá, de bem um com o outro.

-Meninos! Como foi o programa? – perguntou o senhor Dickenson.

-Muito bom. – respondeu Max dando um lindo sorriso.

-Foi ótimo! – completou Tyson começando a tagarelar logo depois.

-Gente... Cadê o Kai? – Ray comentou interrompendo Tyson.

-É mesmo... E o Kenny? – observou Max.

Um ar de curiosidade se instalou entre eles.

*** ***

E nos bastidores, mais especificamente, em um dos corredores escurinhos dos bastidores, Kai pedia o telefone da japinha. Enquanto Kenny e a loira conversavam no corredor ao lado sobre computadores e outros aparelhos tecnológicos.

Notas finais
Reviews ?
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