Notas iniciais
Hi guys, esperamos que gostem!

Graças à Lua essa noite não tive pesadelos. Acordo me sentindo bem melhor. Até lembrar o que houve ontem.

Droga, Jackson!

Vou ao banheiro e troco de roupa. O traje de combate é, basicamente, calças camufladas em preto e camisa de manga longa e botão com a mesma estampa. Por baixo da camisa uso regata branca e coturno nos pés. As facas estão escondidas em lugares sutis, porém fáceis de alcançar.

Depois de ajeitar as armas vou em direção à porta. Não. Creio. Que. Ele. Esqueceu. Quando toco a maçaneta, ouço batidas. Abro-a.

–Bom dia, comandante Chase.- ele diz. Está com as mesmas roupas que eu, só que na versão masculina.

–Será um bom dia se eu não te matar.

Ele revira os olhos e entra no apartamento.

–Annabeth, eu...

O empurro e ele cai sentado na cadeira da mesinha. Me sento à sua frente.

–Agora me explique o que foi aquilo. -ordeno.

Ele passa a mão pelos cabelos.- Eu... Acho que sinto uma certa atração por você, comandante.

Suas bochechas queimam e tenho certeza de que estou pálida.

–Mas não é nada demais.- ele acrescenta.

–E quanto ao seu ataque de nervos?

–Não sei o que aconteceu. Eu perdi a cabeça. Sinto muito, comandante Chase.

Paro por um instante.

–Isso não vai acontecer de novo, entendeu?

Ele me encara.

–Não acontecerá.

Respiro fundo.-Certo. E agora, outra coisa que ainda não entendi. Hazel disse que não conseguiu fazer algo e você disse que era pedir demais. O que é isso?

Ele desvia os olhos.- Não posso dizer.

Empurro a cadeira para trás, me levanto e começo a gritar.

–Ainda mais segredos? Não acha que já ultrapassou sua cota?

Ele coloca as mãos no rosto. -Comandante, por favor entenda!

–Entender o quê? Que você só está aqui para me enlouquecer?

–É claro que não. Annabeth eu...- ele se levanta e se aproxima. Felizmente não tanto.- Eu não quero esconder nada de você mas...

Eu o encaro. Eu tinha tudo sob controle. Minha colônia estava bem. Eu estava bem. E então ele chega e acaba com tudo! Eu não tenho controle sobre os mistérios que ele esconde nem sobre seus atos. E... por algum motivo, não ligo na maioria das vezes quando ele me chama pelo nome. Eu... queria que ele fosse mais claro. É tudo o que eu queria dizer a ele.

E é claro que digo.

Ele parece um pouco perdido. Passa a mão pelos cabelos de novo. -Eu... Sinto muito, comandante Chase. Se lhe for conveniente, vou evitar constatá-la novamente, certo?

Percy não espera resposta e sai em direção à porta. Tenho que fazer um imenso esforço para não mandá-lo voltar.

E é claro que não funciona.

–Parado aí, soldado.-digo, antes de ele colocar o pé para fora.- Eu disse que ia treiná-lo.

Me volto para ele.- E é isso que farei.

Ele sorri.- Obrigado.

–Mas, se por acaso tentar me atacar de novo, ou me ameaçar, ou me beijar...-digo, com o dedo em riste.- vai pagar caro. E não estou falando de uma surra. Estou falando de expulsão.

–Certo. E...-ele passa os dedos pelos fios negros.

–Fala logo, Jackson!

–Ainda podemos tomar café juntos?

Ele cora e tenho vontade de rir.

–Ahn... Tá, tudo bem. Mas vai ter que me mostrar como o computador foi hackeado.

–Certo. Vamos? -ele pergunta.

–Vamos.

...

Depois de tomarmos café e de ele ter mostrado aos nossos técnicos de computadores a falha que havia no sistema, vamos de novo para a sala de treinamento. Ao chegarmos, vemos as crianças saindo da mesma.

–Seeeentido!- grita Michael Yew, um dos treinadores.

Todas as crianças fazem continência para mim.

–Descansar.- falo, e elas obedecem. -Como vai o treinamento?

Uma garota de uns doze anos se move.- Permissão para falar, comandante.

–Concedida.

–O treinador Yew tem nos dito que estamos avançados mais que o comum no treino. E que logo começaremos a usar armas de maior porte.- sua voz é doce. Ela usa a mesma roupa de combate que todas as outras. É loura e sardenta.

Não merecia estar aqui. Nenhuma dessas crianças merecia.

–Ah. É bom ver que estou diante de prodígios. Muito bom. Dispensadas.

Todas as crianças correm porta à fora. Me dirijo ao treinador.

–Como vai, Yew?- digo.

–Ahn, bem, comandante Chase. Bem.- ele respira fundo. -Só odeio que essas crianças sofram tanto.

–É. Eu também.

Ele assente e olha para Percy.

–É o novato?

–Percy, Michael. Michael, Percy.- apresento.

–Fala aí.-diz Michael.

–Beleza?-Percy responde.

–Bem, vou deixar vocês treinarem. Com licença, comandante. Até mais, calouro.

–Tchau.-dizemos juntos e entramos no ringue.

Começamos treinando reflexos. Por sorte os de Jackson são muito bons. Tenho que admitir, melhores que os meus! Lutamos quase como se fosse para valer. E, particularmente, eu queria que fosse. Queria ter raiva o suficiente para bater nele para valer.

–Então, quando vai me falar sobre o assunto de hoje de manhã?- pergunto depois de duas horas, quando estamos indo para nossos apartamentos. Eu e ele estamos cansados e suados. Ainda assim, ele passa a mão pelos cabelos.

–Certo. Espere só eu tomar banho que vou para sua casa.-ele responde.

–Certo.

–Certo.

Quando abro a porta, encontro uma garota negra sentada numa cadeira. Tento disfarçar ao máximo o susto que levo.

–Hazel.

–Comandante Chase.

–Oque faz aqui? — pergunto, tentando respirar novamente.

–Parece que eu e meu irmão conseguimos deixar você sem ar, não é? Só que de jeitos diferentes.-ela fala, se levantando.

Fuzilo-a com o olhar.- Não foi nada disso. E você sabe que não.

Ela ri com malícia.

–É claro que não. Mas estou aqui por outro motivo.

–Fala, pirralha.- digo, entrando no banheiro, fechando a porta e tirando a roupa.

Ouço Hazel se encostando na parede do lado de fora.-Bem, eu escutei, não que eu estivesse espionando, que você quer saber o que eu devia ter feito e não fiz.

Ligo o chuveiro.- Tá. E daí?

–E daí que eu posso falar oque é.

Fecho os olhos enquanto lavo o cabelo.

–E qual é a chantagem?- ouço o riso.

–Se, por alguma falta de sorte, meus outros irmãos aparecerem por essas redondezas, você não fará mal algum à eles.

–Certo. Conta aí.

Ela respira fundo.-É um caderno. Um caderno com anotações sobre os Ryanks. Que nós conseguimos... lutando e observando eles.

Fecho o chuveiro depois de seis minutos (o máximo liberado aqui na colônia) e me enxugo. Depois pego a camiseta, a bermuda e as roupas de baixo que estão penduradas no gancho da parede e me troco.

–Certo. E o que você tem à ver com isso?-pergunto.

–Eu deveria jogar o caderno no rio Sena. Por que não queríamos que os zumbis descobrissem.

–Mas eles só pensam em comida.

–E os 0,000001%?

Abro a porta.- e você não conseguiu?

–Isso. Como eu disse, não sei lutar tanto quanto gostaria. Agora, se eu estiver certa, meu irmão vai entrar aqui daqui a alguns minutos. Então, com licença comandante.

Ela se vira e sai pela porta. Penteio o cabelo (a maior batalha do dia) e, de fato ouço batidas.

Abro a porta.- Sua irmã esteve aqui. Ela...

–Já te contou. Ela me disse.

Franzo as sobrancelhas. Essa menina é rápida. E estranha. Percy adentra o apartamento. Sem permissão.

–Sim. Você pode entrar.-sussurro, fechando a porta.

–Mas você ainda não está satisfeita, não é?- ele se senta na cadeira onde a irmã esteve.

–Não. Ainda não sei o que Hazel te disse.- digo e me sento à sua frente.

Ele me encara.- Você não ficaria muito feliz em saber.

–Fala. Logo.

Vejo seu peito subir e descer.

–Ela disse para eu não confiar em você.

Primeiro tenho um rápido ataque de riso e depois respiro fundo.

–Percy. Você acredita nela?

Silêncio.

–Jackson, fala sério. Você acredita nela? Eu te trouxe para a colônia, te dei água, comida e um teto. Aí chega uma pirralha, fala que você não pode confiar em mim? -levanto da mesa irritada e reviro os olhos. -Espero que você me mantenha longe da sua irmãzinha, tenente.

–Você é bipolar.

–Eu sou o quê?

–Bipolar. Percebo como você está por como me chama. Percy é quando você está o máximo que você chega de feliz. Jackson é quando está irritada. E tenente é quando está impossível.- Sorrio um pouco e estou prestes a fazer uma piada quando o Walk-Talk toca.

–Comandante?- pisco para Jackson e ele quase enfarta. Me seguro para não cair na gargalhada.

–Sim, Reyna?

–Está havendo uma pequena invasão na ala 9 senhora.- Tudo oque eu tinha de humor se foi naquela hora.

–E por que não soaram os alarmes, Vice-comandante?

–Eles querem conversar comandante.- Olho para Jackson, que está mais pálido que o normal, ao escutar.- Eles querem falar com você e com o soldado Jackson, senhora.

–Querem falar com o Percy?- olho para ele ameaçadoramente. -Já vou. -desligo o aparelho e o encaro.- Muito bem. Quer se explicar agora ou quando eu estiver com uma arma no seu pescoço?

–Acho que meus irmãos estão aí, Annabe...- ele se engasga- Comandante.

–Meu Deus, tenente. Tem mais alguém da sua família que eu deva conhecer?

–Não, comandante.

–Acho bom. Mais uma coisa: A ala 9 é a dos computadores. Não quero nenhum estrago lá.

...

Perseu! -Quando chegamos aqui, um dos meninos começou a atirar. E danificou metade das máquinas. Estou a ponto de matar Jackson. -controle seus irmãos agora!

–Tá bem, tá bem. -ele responde e pisca para mim. Desaforado.

Frank! Eu tô bem, cara!– Os tiros cessam por um momento e ele levanta. -Velho, pelo amor de Deus. Annabeth vai me matar quando ver isso.-

É hora de bater. Olho em volta e vejo pelo menos 60% do meu sistema danificado.

Lanço um olhar "vou te matar" a Jackson e encaro os irmãos dele. Um é bem alto e musculoso. E está com uma arma na mão. O outro é magricelo e usa um óculos maior que a minha adaga.

–Você não sabe o significado da palavra conversar, tenente? -falo ao primeiro.

–Então você é a namoradinha do Percy? Ah! Ele falou muito sobre você.

Olho furiosa para o Jackson. –Anda se comunicando, soldado?

–E-ela não é minha namorada, Frank. -ele erra. -E eu, Annie, eu não...

Cale a boca, Jackson! Antes que eu te dê uma surra. -grito.

Escuto uma risada sarcástica e meu sangue ferve de raiva. –Você? Bater no Perseuzinho?

–Frank, não...

Cala a boca, Jackson. Oque foi, soldado? Acha melhor eu bater em você?

–Cai dentro.

–Comandante....

–Já mandei você calar a boca, Jackson.

Espero-o vir pra cima. Ele sempre dá um alarme falso antes de vir pra cima. É assim que, quando vem me dar um soco na barriga, desfiro um direto no seu nariz e ele cai no chão. Se levanta rápido e parte para o ataque, tentando me atingir, sem sucesso. Em um momento, Frank passa direto e aproveito para montar em suas costas. Ele anda para trás e ma bate na parede. Arfo, depois, por ser a primeira coisa que vem à mente, mordo sua orelha até sentir o gosto do sangue e ver que parte dela está quase completamente rasgada. Ouço-o gritar. Salto e atinjo seu olho. Frank cai no chão.

–Panaca. -reviro os olhos. E outro irmão de Jackson, que me encara apavorado. -Você deve ser o gênio não é? -esse menino não tem mais que 16 anos. -Vem cá para gente conversar sobre uma coisinha. Eu fiquei sabendo que...-

Annabeth cuidado!

Sinto uma pancada na cabeça e apago.

Notas finais
E aí? Comentem por favor! Bjs!