VSM-02
3 Capitulo 3
Notas iniciais
Uma garotinha corria pela casa. Ela gritava um nome...
–Luke!
No jardim, um garoto se vira e esboça um grande sorriso. Ele a pega no colo e a gira no ar
–Luke! Hoje você faz treze anos!
–É isso aí, Annie! Comemorar na França! Quem poderia imaginar?
A garotinha ri enquanto o mais velho bagunça seus cachos louros.
–Luke, Annie, entrem no carro. Vamos visitar o Arco do Triunfo.
Eles entram. A imagem muda.
–Saiam do carro agora!- um homem com uma arma nas mãos grita.
Luke amarra algo no pescoço da criança.
–Enquanto estiver com isso, sei que você vai saber se proteger.
A garotinha chora.
–Luke, por favor!
Um tiro, o pai cai no chão. Outro. A mãe tomba.
–Seja forte, Annie!
O terceiro tiro sai em câmera lenta. Luke empurra a irmã para longe. No pescoço, a menina aperta algo entre os dedos... Um colar de contas.
...
Acordo no chão, ao lado da cama. Eu suo frio e tremo. Meus dedos se voltam para meu pescoço. O colar continua aqui.
O walk-talk avisa:
–Bom dia, comandante Chase. Permissão para enviar a tenente La Rue e o tenente Rodrigues para o Champs-Elysèe para procurar corpos.
–Concedida, vice-comandante. E... por favor, me mande uma caneca de café. Bem forte.
...
Estou no último andar da colônia, contando de baixo para cima.
Não me sai da mente as imagens do pesadelo. Acontecem frequentemente. É algo terrível, mas que devo aguentar. Pelos sobreviventes. Eu sou a líder. Não tenho tempo para assombrações do passado.
Parece distraída, comandante Chase.
Quase caio do gurda-corpos a minha esquerda.
–Jackson.
–É. Eu estava procurando a senhorita.
–Não deve me procurar a não ser em casos de extrema urgência.- viro-me para continuar a andar, mas ele entra na minha frente.
–Tenho certeza de que é de seu interesse o que quero dizer.
Eu o encaro.
–Tenho cinco minutos. E contando.
–É mais do que o suficiente.- sorri e me puxa para a sala ao lado.
É a sala das câmeras. Ele se senta em um computador e começa a digitar. Sem pensar, chego por trás da cadeira, puxo seus braços para as costas e o chuto na coluna. Ele grita, mas rapidamente gira o corpo, de forma que fico à sua frente. Ele torce meus braços nas minhas costas, me imobilizando. Com nossos rostos perto um do outro, posso ver a marca de um corte, que um dia foi fundo, em um lado da sua testa.
–Eu não vou hackear seus computadores, comandante Chase. Apenas lhe mostrar algo interessante.
–E eu quero que você morra.
Meu pé voa para sua canela. Ele grita e afrouxa o aperto nos meus pulsos. Jackson se abaixa e massageia o lugar dolorido. Depois, levanta os olhos...
Bem na mira da minha arma.
–Agora você vai sair dessa sala. Bem devagar.
–Certo, comandante Chase. Mas não me culpe por não querer saber aonde estão indo seus dois tenentes.
–Do que está falando, seu filho da mãe?- minha paciência está se esgotando.
–Os tenentes que você mandou hoje cedo para o Champs-Elysèe. La Rue e Rodrigues.- ele começa a se levantar.
–Como sabe dessa sala?
–Tive tempo para dar uma olhada por aí.
–E sobre La Rue e Rodrigues?
–Moro no apartamento ao seu lado. As paredes não são à prova de som.- ele não ousa se mover demais.
Sei que, se for necessário, posso atirar nele, e ele sabe de algo sobre meus soldados... Faço um sinal com a cabeça indicando um computador.
–Mostra o que você quer.
Ele se levanta devagar e senta na mesa.
–Os seus amigos estão indo para um dos ninhos dos zumbis. É simplesmente suicídio. Eles vão morrer se..
O lugar aparece na tela. Vazio.
–Quantos zumbis. É, eles não vão dar conta.- digo, com deboche na voz.
–Tem algo errado.
Ele mexe de novo no teclado e outra imagem aparece. É Clarice e Chris correndo pelas ruas em direção a colônia.
Seguidos por eles.
–Droga.- pego o walk-talk- vice-comandante Avilla-Ramirez. Leve a tropa 3 e 4 para a entrada. Agora!
–Sim comandante Chase.
Saio da sala, infelizmente, seguida por Jackson.
–Fique aqui!- grito.
–Eu sei atirar e lutar. E você vai precisar de toda ajuda que puder.
Hesito, mas ele tem razão. –Que arma você usa?
–Me dou bem com metralhadoras.
–Certo. Venha.- digo.
No caminho, entramos no arsenal e ele pega a arma e munição. Antes de sair, porém, coloco o cano da minha em sua nuca.
–É para os zumbis, entendeu?
Ele ri e diz:
–Eu não ousaria matar ninguém.
Reviro os olhos.- Vamos.
Saímos correndo. Quando chegamos, as tropas estão posicionadas e Reyna está dando ordens.
–Reyna? -chamo e ela se vira.
–Comandante? Por que chamou os soldados? Cadê tenente La Rue e tenente Rodrigues?
Com algumas palavras, explico o que aconteceu e a expressão aflita em seu rosto se torna preocupada. Por um instante, ela parece anos mais velha do que eu.
–O que quer que façamos?
–Não quero um ataque direto, ainda não sei onde estão os dois. Não posso arriscar um ataque frontal.
–Então?
–Um ataque pela esquerda, poucos pela direita, para chamar a atenção. -Jackson intervém. — Seus homens se escondem ali naqueles depósitos e atacam pelos lados. Eles são lentos no raciocínio e...
–Como você sabe? -indago, ignorando a feição estupefata de Reyna, por alguém ter ousado tomar minha palavra.
Ele enrola algumas coisas, mas entendo. É quando eu vou para cima dele que Reyna pede permissão para falar.
–Concedida. -ainda encaro o desafiante.
–Sinto muito Comandante, mas ele tem razão. São zumbis! Não sabem oque fazem. Esperam um ataque costumeiro. Não um como esse.
Penso por um instante e olho para Jackson, que parece um pouco ofendido.
–Muito bem. Reyna, avise as tropas sobre a estratégia. E também sobre Clarisse e Chris.
–Claro, comandante.
–E quanto a você...- meu walk-talk toca.
–Chase na escuta.
–Annabeth? É você?
–Clarisse? -faço um gesto para a vice chegar mais perto. — Sim, sou eu. Onde vocês estão?
–Presta atenção, era uma emboscada! Eles podem pensar. Não faça um ataque comum. Eles têm armas. Estão chegando! E não confie no...- estática. Um grito.
–Clarisse? Clarisse?
Nada.
–Comandante? -Reyna me traz de volta, impaciente.
–Corra aos homens.- digo, encarando o portão. -Sobre oque nos espera. E, diga também...
Jackson têm os olhos cerrados para a rua. Continuo. -Se, depois de duas arrancadas não encontrarmos La Rue e Chris... Fechem os portões.
Ela assente, pesarosa, e se retira.
–E você, novato...
–Já sei, já sei. — diz ele, mais pálido do o normal para qualquer pele, os olhos verdes escurecidos.- se eu te cortar de novo você vai...
–Não.- carrego a arma. -Tome cuidado.
...
–Di Ângelo?
–Estamos vendo eles, comandante! Estão se aproximando.
–Sinal dos perdidos?
–Nenhum, comandante.
Respiro fundo.
–Continuem observando.
Jackson me chama. Aceno com a mão, para fazer silêncio. Ele insiste.
–Diga logo! -sussurro.
–Tem certeza que vai me dar apenas uma arma?
Encaro-o, incrédula.
–Você não tem mais? Porque não falou...
É quando escuto o som de pessoas gritando. Jackson sorri maliciosamente. Reyna aperta o cabo de sua arma.
Espero só mais um pouco. Só mais um pouco...
–Primeira tropa! –grito.
As iscas saem pela direita. Os seres infectados partem para cima. Na distância certa, mando a segunda tropa atacar pela esquerda.
Saio correndo, atirando nos do fundo.
Demora um pouco para cair a ficha deles. Quando se tocam, nós já estamos em vantagem. Atiro nos 10 primeiros em minha frente. Esses estão sem arma alguma.
Mas logo alguns com metralhadoras chegam.
Inteligentes? Não. Mas se aperfeiçoaram o suficiente para ter uma mira boa o bastante para atirar em um soldado ao meu lado.
E eu sou obrigada a me proteger atrás de um barril enquanto eles atacam. Troco a carga e miro. Acerto três. O resto vêm atrás de mim.
Se eu for para o canto, vou ficar encurralada, então tenho de ir para o meio da confusão.
Estamos perdendo.
Chego atirando e sinto uma pontada em minha costela. Não dou muita atenção. Minha munição acabou. Do outro lado da rua, vejo que a de Jackson e a de Reyna também. Olho ao redor à procura de armas.
Encontro pás de construção.
Por que não?
Jogo para eles. Mas Reyna deixa a sua cair. Cubro-a. Está olhando para cima do depósito.
Lá estão...
Clarisse e Chris. Fugindo. Cercados, perto da beirada.
Eu estou muito longe, a queda é de 13 metros, na melhor das hipóteses.
Não dá tempo de pensar. Eles caem.
O ar escapa de meus pulmões. Ouço Jackson gritar "Chase" e ignoro o aperto no peito. Reyna está sendo atacada.
–Reyna, ao seu lado!- grito.
Com os olhos cheios de lágrimas, ela pega a pá e levanta.
Pego meu Walk-Talk e digo para Di Ângelo fechar os portões. Mas ainda têm muitos lá fora. A vice se sai bem. Jackson também.
Mas ele não é atacado. Zumbis desviam dele como um rio por uma rocha.
Ele corre para me ajudar. Desfiro um golpe na garganta do primeiro , que cai no chão e agoniza, sem ar. O segundo é mais rápido e tenta dar uma meia-lua na minha cabeça, mas eu bloqueio com o braço e viro a pá em sua traqueia. Jackson está mais rápido do que eu. Por alguma razão, não estou conseguindo aplicar os golpes corretamente e um dos seres, com um mortal, tira a pá da minha mão.
Penso em uma luta corpo a corpo, mas esse é forte. Sigo desviando, ele age como louco. Olho para Reyna; Ocupada salvando a si mesma.
Vou ter que me virar. Tento dar um jab de esquerda. Ele pega minha mão em punho e me joga no chão. Busco uma arma, mas não encontro.
E não vou implorar ajuda de ninguém
Por mais que esse seja um dos últimos ainda vivos. Fecho meus olhos esperando pelo metal frio da pá em minha testa. Mas ele não vem.
Abro os olhos e vejo o zumbi ao meu lado, com o crânio afundado e o rosto desfigurado. Jackson, que esta em pé á frente, tenta sorrir.
–Parece que me deve uma, Comandante. -estende a mão para me ajudar a levantar.
Mas uma dor latejante se dá em uma de minhas costelas, abaixo do meu peito, e o instinto me faz colocar a mão no lugar.
–Está ferida? Meu Deus, Annabeth.
–É comandante. — digo, tentando olhar para os corpos dos tenentes.- Comandante Chase. E você precisa ajudar Clarisse.
Tento me levantar mas a dor volta. Pior. Meus olhos turvam. Não consigo enxergar mais nada.
E eu apago.
...
Acordo sentindo a maciez de um travesseiro abaixo da minha cabeça, abro os olhos lentamente para que se acostumem com a claridade do local. Após alguns segundos, percebo que me encontro na enfermaria da colônia, e que, sentado ao meu lado está o novato, olhando a movimentação. Tento me sentar na maca e o ruido atrai a atenção do rapaz para mim.
–Nem pense em se mover!- ele me força a me deitar novamente.
–Ficar deitada aqui é um luxo que eu não me permito ter, Jackson.
–Ficar deitada aqui é um luxo que você merece, comandante.
Alguns minutos de silêncio se seguem. Observo as outras macas, agradeço mentalmente por não terem muitas pessoas em estado grave.
Então lembro dos perdidos.
–Jackson, onde estão Clarisse e Chris? Oque aconteceu? — minha voz sai mais desesperada do que esperava, mas não me importo.
Eu preciso saber oque aconteceu.
Perseu abaixa a cabeça e contorce as mãos em frente ao corpo, um sinal claro de nervosismo, respira fundo e me responde:
–Os dois caíram do prédio quando estavam fugindo. — diz mansamente, faz uma pausa e levanta a cabeça, agora me olhando nos olhos. -Chris conseguiu se segurar em algo, não sei exatamente o que. Ele segurou a Clarisse e os dois ficaram pendurados há uns 6 metros por um tempo, mas... Mas a mão dele escorregou, foi o que me disseram. Clarisse não foi tão mal, embaixo do prédio haviam sacos de cal e ela caiu sobre eles, o impacto foi menor para ela, bateu com a cabeça e... -Jackson pára para tomar fôlego. -está com amnésia. -outra pausa.
–O Chris não teve tanta sorte, bateu diretamente no chão. Está em coma, sinto muito, comandante.
Fale com o autor