Notas iniciais
Hi guys! Desculpem pelo atraso, mas aqui está mais um. Bjs, enjoy!

Atiro em direção ao seu ombro. Jackson cambaleia, mas logo após se endireita e olha para o ferimento. O líquido negro escorre em bem menos quantidade do que sangue.

Ele apenas enfia dois dedos na abertura e retira a bala, sem mostrar qualquer resquício de dor. Sinto vertigens e o gosto de bile me vem à boca, mas faço esforço para não vomitar.

–Annabeth...

Atiro novamente, mas, com o corpo trêmulo e os olhos embaçados, não o acerto. Tento firmar a arma com as duas mãos, mas seus reflexos animalescos o fazem desviar. Grito em frustração e tento reprimir o aperto no peito, mas não consigo. Jogo o objeto no chão e caio sentada no primeiro degrau, chorando. Quando o ouço se aproximar, digo em voz baixa:

–Vamos logo com isso. Já pode me matar.

Jackson me estende o revólver:- Eu ia dizer a mesma coisa.

Sem levantar os olhos, eu dou risada e passo a mão pelos cachos louros, tentando me lembrar o por quê de os ter soltado.

–Agora quer morrer?- o encaro.- acabei de notar que quem evolui da sua espécie não morre com tiros, meu amor.

Ele treme e fecha os olhos com força ao ouvir a última palavra. Era o que eu queria. Machucá-lo.

–Você sabe o que fazer.

Jacksom diz, de forma quase inaudível. E eu me lembro. Lembro de ele ter me ensinado a matá-los. Pego o revólver e faço mira na parte rasgada da camisa, bem no entalhe na pele. Preparo.

Meu dedo trava no gatilho. Respiro fundo e tento de novo, mas não consigo. Não consigo atirar. Recoloco a trava de segurança e abaixo a arma.

–Você me dá nojo.- digo, encarando-o. -Você... Eu não consigo... Você me usou!

Cuspo as palavras com o máximo de repulsa que tenho dentro de mim.

Jackson se aproxima, pega meu braço e posiciona a arma na marca. Diz:- É só atirar. Eu... Não quero continuar assim.

Penso então em tudo. Desde o princípio. Não era para ser possível. Não era para ter acontecido. Um infectado não deveria pensar, não deveria ter consciência, não deveria ter sentimentos. Acima de tudo, nunca, em hipótese alguma, ele deveria realmente ter evoluído. O caos surgiu por essa razão.

Eu deveria matá-lo.

Mas não consigo.

–Você não merece morrer.- digo, o encarando. — Merece ser levado para meus cientistas. Melhor! Deve ser mandado para outro lugar. Para cientistas piores. Para líderes mais cruéis.

Percy se afasta, com os olhos arregalados.-Por favor, Annabeth...

–Você será mandado para o meu Comandante. Conhecerá Ivan Chekhov, Czar Supremo da Rússia Evoluída.

...

–Vice-comandante Avilla-Ramirez, quando é mesmo a videoconferência com o Líder?

Estamos na sala dos computadores. Contei tudo a ela, que agora está pasma, mal consegue levantar o queixo. Percy está preso. Seus irmãos também. Mas ninguém além de nós duas sabemos o por quê.

Depois de checar a plaqueta digital holográfica, diz: -Daqui cinco dias, comandante.

–Remarque.

–Para quando?

–Hoje. Agora.

–Annabeth, não seja louca. Ele vai mandar matar você.

Me viro para ela, séria. Voltei ao normal. Estou fria, congelada. Eu nunca deveria ter deixado ele ter vindo. É o preço que se paga por ilusões. Eu devia ter sido a boa garota que sempre fui.

Não sentir. É a obrigação de qualquer comandante.

Mas não vou me lamentar pelo que ficou para trás. Não mesmo. Não vou comer doces para me sentir melhor. Não vou ao shopping com minhas amigas. Não vou torrar meu cartão de crédito, como as garotas dos bons tempos costumavam fazer. Não... vou fazer valer a pena.

Eu vou vê-lo sofrer.

–Acha que ele não vai gostar de saber que os "animais" agora sabem falar?

Reyna se levanta: -Você sabe que ele odeia ser interrompido de suas tarefas.

–A tarefa de pisar em cima dos sobreviventes, você quer dizer?

Ela coloca o dedo nos lábios.-E se alguém te ouvir?

Me inclino e sussurro: -Que se dane.- Em seguida, grito: -Todos sabemos o quanto nosso "rei" é repulsivo!

Gritos em concordância são ouvidos vindos do lado de fora e risos também. A vice ri simultaneamente.

–Vamos, Avilla-Ramirez. Ligue a telona. É hoje que Korol' Ivan Chekhov se surpreenderá.

Rápida como uma flecha, ela obedece. Mas, enquanto a contagem regressiva de 120 segundos se inicia, ela diz:

–Tem certeza de que fará isso com a única pessoa que conseguiu se aproximar de você o suficiente para fazê-la chorar?

Sorrio com escárnio. -Isso "é" o que acontece com quem me faz chorar.

Ficamos em silêncio, lado a lado, à frente da tela. 5... 4...

Respirar fundo.

3... 2...

1.

Ele aparece. Um homem forte, cabelos grisalhos na altura dos ombros, bigode e terno muito bem passado azul-marinho risca-de-giz surge na tela.

–Comandante Chase, vice-comandante Avilla-Ramirez.

–Czar Supremo Ivan Chekhov, da Rússia Evoluída.- dizemos em uníssono.

Ele está sentado numa poltrona de veludo, noto. Numa sala com adornos brilhantes e quadros dos tempos antigos. Imediatamente lembro do por quê de eu o odiar: enquanto os muros continuam a desabar nas cidades que amamos, enquanto nos sentimos felizes por termos terminado o dia sem sermos mortos ou estraçalhados, enquanto (inclusive a colônia dele, a 5) sofremos sem as vantagens que tínhamos antes, ele e sua família vivem na mais perfeita situação de luxo.

–Espero que tenha um ótimo motivo para me chamar assim, tão desesperada.- ele fala com o sotaque forte por cima do inglês.

–Posso lhe assegurar que tenho, Líder.

–É sobre os bichos?- seus dedos se cruzam em cima da mesa de mogno.

–Sim, Czar. Os cientistas estiveram pesquisando e...

–Não me diga que estão falando!

–Sim, Líder. Mas...- paro no meio da frase.

–Mas?

Reyna pisa no meu pé. Talvez... Talvez contar a Ivan não seja a melhor idéia. Quem garante o que ele fará? Não que eu me importe...

Mas, de acordo com Quíron, isso pode ser um desastre, como também pode uma cura.

Mas, antes que eu possa fazer qualquer coisa, ela fala:

–O nosso sabe realmente conversar, Czar. Ele conversa como nós.

Fecho os olhos e reabro num istante. Ivan se recosta na poltrona e faz um aceno com os dedos. Alguns milésimos de segundo depois, um copo de água lhe é entregue, o qual ele entorna rapidamente. O silêncio cai com força sobre nós. Depois de segundos quase intermináveis, respira fundo e sua voz sai baixa:

–Mande-o para cá.

Belisco Reyna no antebraço e ela acena de leve.

–Sim, Líder. Chegará em vinte e seis horas, no máximo.

Ele concorda. -Espero que seja verdade. Caso contrário, não hesitarei em dissecá-lo vivo. Até logo, Chase, Avilla-Ramirez.

A tela escurece.

Reyna se vira para mim: -O que foi aquilo? Você tem alguma coisa na cabeça, não tem?

A encaro. Existe alguns que fazem fronte à Chekhov. Alguns que eu e todos os outros sobreviventes apoiamos. Alguns que sabem se adaptar, que sabem como dar um jeito. Alguns que se importam, mas que precisaram sofrer para se erguer.

Brasileiros.

–Acho que, antes de entregar os pontos, temos que falar com a Máfia. Eu não sei, tenho quase certeza de que Chekhov faria qualquer coisa para continuar com seu cargo.

Ela assente e reprograma o computador. As letras BR aparecem na tela. Agora só temos que esperar até que o comandante de lá possa atender.

...

Desço sozinha para o primeiro andar. As crianças, não mais de sete anos, me dão passagem enquanto atravesso o pátio central, esperando que o recreio acabe e possam voltar para as salas dispostas em círculo por toda a área. As que estudam é por que trabalharão com a parte genética, tecnológica ou médica.

As outras entrarão para o treino de combate em breve. Por mais estranho que pareça, elas estão sempre ansiosas para sair da colônia. Tanto meninos como meninas, sonham com lutas contra zumbis, tiros e voltar para casa com medalhas no peito.

Com catorze anos, já não se pensa mais assim.

Também tem aquelas que se tornarão artistas, mas é uma escala de uma em duzentas. Uma jovem simpática, Rachel Dare, se responsabiliza por toda a "cultura" que resta sobre nós. Ela alega que, mesmo em um mundo pós-apocalíptico, a arte é a penúltima que morre. Concordo plenamente, então Reyna, mesmo achando que é uma perda de tempo, não teve como objetar.

As crianças cochicham umas com as outras. Me olham assustadas, e escuto rumores como: "ela matou mais de trinta apenas com um revólver!..." "Eu ouvi que ela sempre anda cheia de facas escondidas na roupa..." "Onde será que está aquele namorado dela?..."

A última particularmente me faz querer vomitar.

Chego ao outro lado e pego o elevador. Os elevadores só levam você através de dois andares (por isso precisamos de dez). Quando a grade de ferro se fecha e as correntes rangem ao se moverem, fecho os olhos, respiro fundo e conto até dez.

Me preparo mentalmente para rever o meu mais próximo amigo.

Aquele que me apunhalou pelas costas.

...

Um baque alto me tira do momento de ansiedade e percebo ter chegado ao destino. Ao sair, empurro as correias e a cabine enferrujada vai, de forma lenta, subindo. Me viro e encaro o térreo. Pouquíssimas pessoas vem aqui. O espaço é dividido em três partes. Meu lugar favorito, em toda a Colônia 3, fica à direita: Biblioteca. É um arquivo de livros que encontramos nos lugares que fomos. Felizmente, um dia conseguimos invadir a casa de uma colecionadora e agora temos ao menos o mínimo.

Porém, entro na ala esquerda: Prisão.

Aqui, as luzes ficam mais fortes e o barulho da terceira parte é audível: Geradores. As celas são para os sobreviventes que desobedecem as regras, mas é muito raro acontecer.

Por isso, mesmo na entrada do lugar já posso enxergá-los. Hazel, Leo, Frank, Calipso.

Percy.

Cada um está em sua cela, as quais possuem apenas uma cama. Faço sinal para o guarda encarregado e ele vai até a porta, não querendo escutar a conversa.

–Certo. Um de vocês vai para a Rússia. Escolham quem ou eu escolho.

Todos me encaram, menos Jackson. Quando nossos olhares se encontram, ele abaixa a cabeça e passa a mão pelo cabelo negro.

–Rússia? Para quê isso?- Hazel pergunta. Ela coloca o rosto no espaço entre as grades.

–O Czar quer conhecer as tão famosas criaturas-monstro.

–Nos conhecer? -Calipso indaga. -Por quê? Não entendi.

–Eu entendi. -Frank diz.

Ao olhar para ele, noto como sua cabeça pende, apoiada no metal. Sim, ele entendeu. E sabe o que vai acontecer com o escolhido. Quando Hazel vê sua expressão, lágrimas começam a escorrer e sua voz sai embargada:

–Ah, não. Frank, não. Eu te proíbo.

–Desculpe, Hazy. Não estou pedindo permissão.- ele fala.

–Zhang, não. Você não vai.- Jackson intervém.

–Isso aí, montanha. Você não pode ir.- diz Leo.

A garota negra de repente me encara:

–Assassina!- ela grita numa voz quase desumana e muito alta. -Você é que é o monstro!

Me aproximo de sua cela. Minhas palavras saem baixas. -Eu não fiz as regras, okay? Só as sigo, as ordens do Líder. A culpa não é minha. Se não queriam morrer, deviam ter ficado longe.

Seus olhos estão preocupantemente vermelhos. Ela berra ainda mais e então estica os braços para me alcançar. Desvio rápido e recuo.

O instinto. O instinto está a consumindo.

Jackson olha para mim como se implorasse. De alguma forma, como se sua voz falasse em minha cabeça, eu sei o que ele quer. Quer acalmá-la.

Mas hoje não.

Com os gritos, o tenente que estava na entrada se aproxima. Eu pego minha adaga e facão.

–Abra a jaula 1! -ordeno.

Ele obedece. A grade vai abrindo aos poucos. A zumbi vai se debatendo. Algo me diz para parar. Mas eu preciso. Preciso fazer isso.

Matar ao menos um deles.

–Você vai morrer! -Jackson grita.

–Preocupado com a irmã, Ryank?- intrigo.

–Eu estava falando com você!

É aí que eu percebo. Ela não é uma zumbi qualquer. Ela evoluiu. Tem força, agilidade, inteligência, reflexos, instintos.

Encaro seus olhos insanos. Logo, as lâminas não parecem fazer grande diferença. Quase ouço a voz de Luke na minha mente. Como nos pesadelos. E eu sei que daqui alguns instantes poderei reencontrá-lo.

A distância vai diminuindo a cada segundo. Vinte metros, quinze, dez...

Porém, antes que a garota ataque, braços envolvem sua cintura e a jogam para o lado. De modo simultâneo, meus cotovelos são puxados para trás e sou arrastada.

Meu coração pulsa, minha visão turva. Quando ela volta a se focar, vejo que o vidro de segurança foi baixado, separando os Ryanks de mim.

Ao meu lado, Reyna segura meus ombros para me dar apoio. Ela briga com o guarda por "tanta irresponsabilidade".

–Mas a Comandante Chase ordenou!

–Não é por isso que você deve deixá-la cometer suicídio, soldado!

Ela faz uma rápida inspeção com o olhar sobre mim e assente, sabendo que está tudo certo. Eu não consigo fazer mais do que sussurrar:

–Obrigada. Eu podia jurar que iria morrer ali sozinha.

Mal me contenho, abraço a vice-comandante, que se surpreende, porém corresponde ao ato. Às vezes Reyna é como uma irmã.

–Disponha, Annabeth. Mas não fui apenas eu.

Me afasto e franzo as sobrancelhas. Vejo-a apontar para trás. Avanço na direção do vidro e olho também, meu queixo quase desaba: as barras da cela 4 e 5 estão tortas. Frank e...

Jackson.

Ele está no chão, ao lado de Hazel. Ela treme e chora. Ele a abraça, mas tem o olhar fixo em mim. Seus lábios perguntam: "você está bem?". Assinto, até lembrar que ele não se importa, não é?

Não é?

Me concentro na situação. Onde está Zhang? Entortar metal fundido? Eles são tão fortes assim? Como? Isso é... O Czar... Ah droga.

–Quem você vai mandar para Chekhov? -Reyna pergunta.

–Eu -uma voz atrás de nós fala.

A vice se prepara para atirar, mas eu a mando não fazer isso.

–Zhang? Como veio parar aqui? -pergunto.

–Além de fortes também somos rápidos, comandante Chase. Aliás, pode guardar essa adaga, certo? Você mesma sabe que não tem chance contra um de nós.

–Ah tenho, Frank. Vocês podem ser "tudo isso", mas o ponto fraco é bem óbvio né? -digo, apontando para onde ficam as marcas.

Seus olhos se arregalam: -Como você... Ah... Percy, não é? Babaca apaixonado.

–Finge muito bem, também.- complemento.

–Não, comandante. Ele não estava fingindo.

Eu rio.- Claro, claro... Então você vai ir?

Frank respira pesadamente.- Sim. Não posso deixar nenhum deles fazer isso. Só... Se puder me conceder um último favor...

Reviro os olhos e faço um movimento com a mão, mandando-o falar.

–Garanta a Leo e Hazel um futuro. Eles não passam de crianças.

De súbito, minha língua se contorce e não sei o que dizer. Falo a primeira coisa que consigo:

–Eu não sei se posso fazer isso. Afinal, eles são Ryanks.

Ele assente e vira de costas, enquanto Reyna posiciona a arma em suas costelas.

–Mas você tem a minha palavra de que farei o possível para ajudá-los. — digo. Frank sorri e revela:

–Sabe aquelas algemas de ferro, Chase? Aquelas que vocês só usam em ocasiões especiais, não as de metal?- assinto.- Não conseguimos nos libertar delas. É muito forte.

–Ferro.- repito.- Vou me lembrar disso.

Quando eles saem, passo a mão por meus cachos e olho em volta. Hazel, aparentemente mais calma, volta para sua jaula. O guarda não perde tempo e abaixa as grades através do computador de sua cabine.

Mesmo que saibamos: não vai mais adiantar.

Jackson se dirige a outra cela. O guarda o prende também. É hilário, mas não rio. Seus olhos verdes-mar, que por tanto tempo me fizeram querê-lo, me olham mais uma vez. Os lábios se movem novamente: "precisamos conversar."

Antes de responder, o walkie-talkie em minha cintura vibra:

"Comandante Chase?"

"Grace? É você?"

"Sim, senhora. Vim checar os emails. Pode voltar para a sala dos computadores? Tipo, agora?"

"Claro. O que foi?"

Estática.

"O Comandante Silva e a vice-comandante Oliveira, do Brasil, estam online."

Sorrio. "Estou subindo."

...

–Comandante Chase, olha só. A quanto tempo, criança. -escuto novamente o sotaque forte sobre o inglês.- Como vai essa força?

–Vai bem, comandante Silva. E a sua?

–Você ficou mais forte. Andou carregando muitos corpos?

–Alguns.

Jonas Silva, comandante da colônia do Brasil. A segunda maior e mais eficiente. Vice-comandante Alexa Oliveira. Casados, eles já tem mais de 45 anos, cada um, e ainda lutam (muito) bem. Ele é negro, a barba rala grisalha. Tem uma grande cicatriz na testa, que vai até o nariz. Se alguém sabe o que fazer com os Ryanks, esse alguém é ele.

–Certo. Por que me chamou? Eu estava treinando uma nova frota de adolescentes para a Máfia. Cá entre nós, alguns muito bons.- ele diz, coçando o queixo.

–Chamei porque tenho uma ninhada de zumbis evoluídos aqui na 3. Falam, conversam, pensam não apenas em estratégias para conseguir comida, alguns até tem sentimentos...

Ou ao menos eu achava terem.

–Ah! Ouvi falar. Um dos meus espiões lá na "Rússia Evoluída" me alertou sobre os boatos. Ou um mau presságio, ou um passo para a cura...

–Você tem espiões na R.E.? -pergunto, incrédula.

–Você não? -ele ri. -Enfim. Desde que você não mande nenhum para lá...

Fecho os olhos com força. Cerro os punhos. Droga. Droga, droga, droga!

–Você não fez isso, Annabeth Chase.

–Eu...

–Faça aquele avião voltar! Annabeth, eu não sei como ajudar com os Ryanks, mas, se eles forem a cura, estamos perdendo. O Czar vai matar aquela criatura! — ele fala alto.

–Qual o problema?

–Pelo amor de Deus, eu não te ensinei nada sobre o mundo dos comandantes? Chekhov, o Chefe, Czar, Líder, ou qualquer outro nome, é o líder global. Ele faria de tudo para continuar assim! Até acabar com a cura para esses monstros.

–E se a cura existir mesmo...

–O Império Russo Evoluído cai. Os países, aos poucos, podem se reorganizar. O mundo melhoraria, tudo mais. Por todos os sobreviventes, Annabeth, pare aquele avião!

Coloco as mãos na cabeça e encaro o chão, olhos arregalados, sussurro.-Não posso. O avião já está programado, não posso desfazer a rota. O único jeito...

–Faça alguma coisa!

–Tenho que desligar...

–O que vai fazer?- ele pergunta.

Encaro seus olhos escuros.-Derrubá-lo.

Desligo a tela. Corro até o aparelho de rádio via satélite mais próximo. Um medo e ansiedade maníaca me consomem. Sou um monstro. Isso, um monstro. Como Hazel disse.

Depois de vários minutos, consigo sinal.

"Comandante Chase, para a aeronave 325, câmbio."

"Aeronave 325, câmbio."

Explico a situação rapidamente. Peço ao copiloto para chamar o prisioneiro. Logo, a voz grossa de Frank soa.

"Chase."

"Zhang."

"Faço o que você quiser. Até derrubo essa droga de pássaro metálico. Mas tente. Ao menos tente ajudá-los."

Por algum motivo, lágrimas surgem em meus olhos. "Eu já disse que vou tentar."

"Obrigado. Câmbio, desligo."

Estática.

Matei-o. Não só ele. Mais duas pessoas. Um monstro.

Eu é quem deveria morrer.

Notas finais
Coments, please. Byyye.