Notas iniciais
Olá caros leitores, sejam vocês recentes ou antigos. Como prometido anteriormente, cá está o prólogo da segunda parte que já lhes dá uma idéia do que virá a seguir. Quero saudar a todos e dizer: "Sejam todos bem vindos" Espero que curtam a estória!

2012. Manhattan, NY 10036, EUA.

Nova York sempre fora um de seus lugares favoritos no mundo todo. Esta cidade é gigantesca até mesmo para padrões de níveis mundial. Já havia visitado muitas outras metrópoles ao redor do mundo e nenhuma se comparava à sua cidade natal. Especialmente a ilha de Manhattan.

Manhattan é o distrito mais poderoso da cidade. De três milhões de pessoas que viviam em Nova York, dois milhões delas estavam em Manhattan. Foi este o lugar onde nascera, crescera e desenvolveu parte de sua vida.

Pode-se dizer que havia feito parte da evolução daquele lugar tanto quando o lugar havia feito parte da sua própria evolução, regada de uma cultura que se construiu por conta de valores nova-iorquinos e os efeitos da cidade grande.

Portanto era de se esperar que conhecesse cada estabelecimento, cada esquina, cada semáforo, cada rua e grande parte das pessoas que frequentavam os arredores do bairro onde morava e do laboratório onde trabalhava.

No entanto agora quando caminhava por aquelas ruas, que permaneciam com os mesmos nomes de 68 anos atrás, não reconhecia mais nada. Nenhum dos estabelecimentos ou as pessoas que trabalhavam neles, nenhum dos moradores e, definitivamente, a arquitetura do lugar. Uma mistura do clássico com um modernismo exagerado.

Isso deixava-a completamente frustrada.

Ela amava a antiga Nova York.

Tudo estava tão diferente desde a última vez que esteve presente por aqueles ares.

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, qual ela não pôde presenciar, Nova York foi afetada por inúmeros problemas. Poluição do ar e da água, ataques terroristas aos seus centros financeiros, congestionamentos em ruas, vias expressas, rodovias e no sistema de transporte público, falta de casas e apartamentos de baixos preços para pessoas de baixa renda mensal e alta taxa de criminalidade.

Contudo, apesar de todos os problemas, também teve grande evolução tecnológica, cientifica, artística e financeira. O que aumentou sua procura e tornou o lugar triplamente mais populoso e repleto de pessoas medíocres que só se importavam com suas vidas particulares e ascensão financeira em suas carreiras.

Os habitantes de agora não sabiam como antes era tão mais estimada e preservada a boa convivência, educação e a gentileza. A cidade era completamente respeitada tanto por aqueles que moravam ali quanto pelos que a visitavam.

Atualmente a cidade é conhecida ao redor do mundo como “a cidade que nunca dorme” que realiza sonhos de empresários, modelos de lingerie e banqueiros.

Harriet não os culpava, afinal, muito tempo se passara desde quando tudo era ouro e as pessoas eram menos hipócritas. Mas...

Gostaria de algo que a provasse que, apesar de todas as mudanças, ela ainda poderia chamar aquela cidade de lar.

Alguns monumentos continuavam os mesmos, sendo restaurados para preservar a arquitetura clássica de época. Assim como, por exemplo, a ponte Brooklyn Bridge.

Este era um de seus lugares favoritos em Nova York. Quando jovem, a mulher costumava visita-lo e observar os barcos e balsas fazendo a travessia no rio East de Manhattan até o Brooklyn e o Queens.

Independente dos milhares de turistas que visitam a ponte diariamente ela adorava cruzá-la a pé. Lá os ventos frescos que vinham do Leste sopravam seus cabelos e a deixava tranquila, a ponto de resolver quaisquer questões frustrantes sobre seus inúmeros projetos estudantis e medicinais.

Fora o lugar onde, também, fora pedida em casamento pela primeira vez.

Ao se apoiar nos ferros da ponte e curvar-se para observar o rio atentamente, recordou-se claramente de James se ajoelhando e declarando seus sentimentos por ela na noite de seu primeiro encontro formal.

“Está louco?” Recordou dizer. “Howard nunca permitiria”.

“Falaremos com ele, então” James disse simplesmente, solucionando a questão.

Se ela soubesse naquele tempo o que aconteceria com ambos, não teria hesitado tanto em aceitar o pedido do rapaz e declarar seu amor por ele.

Arrependia-se tanto por isso.

Agora toda aquela hesitação e medo parecia tão bobo e supérfluo.

Arrependia-se de não ter se declarado todas as vezes que teve a oportunidade a todos aqueles os quais amava, e falado o quanto eram importantes para ela.

No entanto, tudo isso estava agora no passado.

Ela não tinha como reverter aquela situação.

E tudo o que lhe restava eram as lembranças.

E o aprendizado.

Para que não cometesse erros os quais cometeu no passado com aqueles presentes no hoje.

Quase deu um salto pelo susto que levou quando o objeto no seu bolso traseiro apitou, em uma sintonia rítmica que fazia-a revirar os olhos. Não suportava aquela musiquinha.

Quando tirou o objeto denominado “celular” do bolso vislumbrou a foto de seu sobrinho na tela, piscando como se não tivesse chamado a atenção o suficiente. Deslizou o dedo sobre a tela para acabar logo com aquele toque incessante.

— Oi Tony.

— Onde diabos você se meteu? – A voz encorpada e grave de seu sobrinho grunhiu pelo aparelho. – Achei que ia dar um auxílio na estrutura elétrica da torre Stark.

— Eu já vou, só sai para respirar um ar fresco. – Explicou com um sorriso fraco no rosto.

Ah, é. – suspirou desconcertado. – Nova York traz lembranças, certo?

— Muitas. – Soprou.

Antes que a voz do rapaz voltasse a falar, o toque irritante qual indicava uma chamada soou novamente. Ela tirou o aparelho do ouvido para verificar e na tela indicava que recebia outra ligação de um número “desconhecido”.

— Tony, tenho que desligar. Daqui a pouco eu apareço por aí.

— Na volta traz para mim um shawarma[1]. Tem uma lanchonete na Wall Street...

— Sim, sim, eu levo. – E desligou sua chamada rapidamente para acabar com aquele toque estridente. – Alô?

— Estou falando com a Senhorita Stark? – Uma voz masculina indagou do outro lado da linha.

Harriet franziu o cenho em confusão. Não haviam muitas pessoas que tinham seu número de telefone além de Tony, Pepper, Happy e, claro, J.A.R.V.I.S.

Ainda assim, decidiu responder: — Sim, é ela. Quem é?

— Aqui é Nick Fury, — a voz se apresentou, fazendo-a reconhece-lo automaticamente. O órgão em seu peito acelerou consideravelmente. – Precisamos da sua ajuda.

— Não. – Respondeu de imediato, logo se arrependendo da precipitação. – Desculpe Nick, não posso te ajudar. Agradeço a ajuda que você me deu me trazendo até o Tony assim que eu voltei. – Ela mordeu os lábios inferiores ao responder – A vaga de projetista de armas que me ofereceu há um ano é interessante, mas eu passo. Obrigada. – Disse sorrindo entre dentes para o além.

— É a respeito de um outro assunto. Um que tenho conhecimento que lhe interessa.

— Fury, — respirou fundo. – Eu realmente agradeço de coração por tudo o que você fez. Pelos arquivos de Howee sobre o novo elemento que salvou a vida de Tony, entre outros, sou eternamente grata. Mas eu não tenho interesse em fazer parte da sua organização de agentes secretos. Portanto, passar bem. – E apertou a tela, desligando a ligação com pesar.

Nick Fury é o diretor da S.H.I.E.L.D., uma empresa com objetivo de realizar a contraespionagem e manutenção da lei. Foi fundada por Howard e alguns parceiros depois do fim da Segunda Guerra Mundial, conscientizada pela ONU e financiada pelas potências da OTAN. É destinada a proteger todo o planeta de ameaças de grande porte.

A companhia tem grande influência internacional e têm a confiança dos líderes de diversos países, ao arquivar os mais diversos tipos de segredos nacionais. É constituída por mais de mil agentes secretos quais trabalham arduamente pela proteção de civis.

Fury fora a primeira pessoa que a encontrou quando retornou e estava completamente desorientada. Ele sabia quem ela era e a deu o apoio necessário, afinal, ele é o principal responsável por manter a paz que hoje reinava ao redor do mundo.

Não podia negar, estava orgulhosa da vida que Howard teve e tudo o que construiu depois que ela foi embora. Mas era demais para ela estar em um ambiente qual as lembranças dele eram tão vívidas. Já bastava as Indústrias Stark.

Porque doía.

Deus, como doía.

Doía saber que ele já não estava presente como muitos outros que fizeram parte de sua vida passada.

Exceto por Peggy, quem ela descobriu estar viva assim que retornou à Nova York e mantêm contato frequente. Apesar da amiga estar bem mais velha e menos disposta desde 1944, seus conselhos ainda eram muito válidos.

Assim, ela guardou o telefone de volta no bolso e voltou a observar os barcos no rio.

Menos de um minuto depois, o ranger de um pneu sendo gasto no asfalto soou muito próximo a ela. Fazendo-a virar-se para a rua, espantada.

Parado atrás dela estava um carro preto blindado e de lá saiu a figura incomum que era Nicolas Fury.

— É uma situação urgente. Precisamos de você. – Ele disse ao se aproximar da jovem.

— Não precisava vir até aqui, minha palavra continua a mesma que a das quinze vezes que você tentou me contatar.

Nick Fury respirou fundo e indicou o carro com a cabeça: — Uma conversa particular, por favor?

As pessoas ao redor deles olhavam-os intrigadas. Como se fossem um tipo de atração turística da ponte. Afinal, um homem com um tapa olho e inteiramente trajado com vestes pretas não se via todo dia.

Mas aquilo não a intimidava: — A resposta continuará a mesma.

Nick Fury olhou ao seu redor vagarosamente antes de suspirar e murmurar em sua direção: — Uma equipe de uma empresa de petróleo estava fazendo uma exploração no Ártico. Curiosamente onde eles queriam montar a nova sede estava estagnada uma nave não identificada. Há dezoito horas a S.H.I.E.L.D foi ao local e identificou a nave... como uma das Valquírias[2].

Harriet sentiu seu coração petrificar imediatamente. Engoliu em seco.

— O encontraram.

O soar das palavras que saíram da boca do diretor fizeram com que Harriet ficasse ofegante imediatamente.

— Precisamos que você venha conosco e faça...

— Acha mesmo que eu conseguiria? – Soprou com os olhos já marejados, cortando Nick. – Fazer reconhecimento do corpo dele?

Harriet voltou à sua realidade havia dois anos e desde então têm tentado se acostumar com todas as perdas que teve e Steve Rogers era uma delas. Um amigo que se tornou próximo em pouco tempo e mostrava-se tão leal que se sacrificou pelo bem de toda uma nação.

Há anos os profissionais tentam encontrar a nave qual ele estava e se perdeu no mar. Mesmo Howard enquanto vivo tentou encontra-lo. Até alguns dias, seu status era de desaparecido e agora, finalmente o encontraram.

Mas Harriet não conseguiria vê-lo desfalecido.

— Nick... eu não sei se consigo vê-lo dessa forma. – Suplicou com a voz vacilante.

— Preciso informar que a nave fora encontrada com o seu tripulante ainda em vida.

Aquelas palavras silenciaram todos os ruídos do ambiente ao seu redor.

Tudo ficara em completo silêncio.

Harriet sentiu o mundo parar naquele instante.

Ela enxugou o resquício de lágrimas e mirou Nick Fury.

— O que foi que disse?

— Ele está vivo.

—x-

As pálpebras se abrem vagarosamente revelando os belos olhos azuis.

Estes foram despertados pelos ruídos de palavras distantes.

Bola curva, alta e fora.

O rapaz piscou os cílios louros algumas vezes consecutivas e sua visão fora aos poucos adaptando-se com a claridade do ambiente.

A voz masculina que parecia estar longe no começo, gradualmente foi se aproximando e tornando-se cada vez mais clara.

O Dodges empatou, 4 a 4.

Steve tentou se orientar quando sua visão finalmente se tornou nítida e evidenciou que estava em um quarto de paredes amareladas do que deduziu ser de um hospital.

Identificou que seu corpo estava deitado sob uma maca, coberto com lençóis macios e brancos. Ao seu lado encontrou algumas aparelhagens médicas como recipientes com medicamentos, agulhas, algodões e alguns fios ligados a máquinas que monitoravam seus batimentos cardíacos.

A multidão sabe que um movimento do taco dele é capaz de mudar o jogo todo.

Sua cabeça latejava e a temperatura de seu corpo parecia abaixo do considerado saudável. Sua boca estava levemente dormente e amarga.

Está um dia maravilhoso aqui em Ebbets Field.

Respirou fundo ao constatar que algo realmente estava errado naquele conjunto de informações recentes quando de repente lembranças de seus últimos momentos consciente invadiram sua cabeça, deixando-o levemente caótico.

O Phillies conseguiu empatar em 4 a 4.

Ele ergueu a cabeça e olhou o ambiente em volta com mais atenção. Notou estar sozinho.

Mas os Dodgers tem 3 homens nas bases.

Aos poucos o homem foi tomando consciência de todas as partes do seu corpo, movimentando-as levemente e causando formigamento em seus membros principais dada a falta de movimentação prolongada.

Ergueu-se devagar e desconectou os fios ligados ao seu corpo num puxão só.

O Pearson golpeou o Reiser no mês passado.

Já sentado, ele notou as roupas que estava trajado. A camisa branca com um símbolo do exército militar dos Estados Unidos e calça camurça, pouco mais larga que seu corpo. Não se lembrava de tê-las vestido.

Será que o rapaz vai querer retribuir o favor?

Pete se inclina para atirar a bola.

Rebateu. Uma bola rasteira. Passa direto pelo Rizzo.

Ao se a tentar às as informações que a voz do rádio posto sob o móvel ao seu lado pronunciava, sentiu-se pouco confuso.

Sons de buzinas de carros ao lado de fora do prédio chamaram-lhe a atenção. Através da janela, contatou estar em uma cidade repleta de prédios altos e movimentação constante.

A multidão grita no rádio, desviando sua atenção.

Serão mais 3 pontos.

Raiser vai para a 3ª base. Durocher acena para que corra.

Passada de bola, mas não vão tirá-lo.

A porta do quarto se abre e por ela passa uma mulher de cabelos vermelhos, rosto jovial e pele pálida, trajada com o uniforme militar.

Ela sorri gentilmente ao constatar que ele estava acordado.

— Bom dia – Ela diz ao fechar a porta. E, ao conferir o relógio no pulso, se corrige: – Ou devo dizer “boa tarde”?

— Onde estou? – Ele indagou sem rodeios.

— Num quarto de hospital em Nova York.

Os Dodgers lideram, 8 a 4.

Oh, Dodgers!

Todos estão comemorando.

Steve franze o cenho, refletindo sobre os recentes acontecimentos e tentando concluir alguma explicação plausível.

Que jogo tivemos hoje, pessoal!

— Onde estou de verdade? – Ele questiona à mulher, que sorri antes de responder:

— Acho que não entendi.

— A partida. – Ele cita, indicando o rádio com a cabeça – É de maio de 1941. Eu sei porque eu estava lá.

A ruiva fica aturdida e o sorriso acolhedor desaparece de seu rosto em instantes.

Steve se levanta da maca vagarosamente.

— Vou perguntar de novo. — Diz se aproximando da outra, seus nervos tensionados levemente doloridos – Onde estou?

— Capitão Rogers...

— Quem é você? – Ele esbraveja, a interrompendo.

No mesmo instante dois homens armados adentram o quarto e Steve automaticamente se coloca em alerta. Eles ameaçam ir para cima do rapaz que joga os dois homens recém-chegados contra a parede. Ela se quebra, revelando que atrás dela, ao invés de corredores de um real hospital, estava, na realidade, um grande estúdio.

Steve fica ainda mais confuso.

— Capitão Rogers, espere! – A ruiva esbraveja, mas ele não dá atenção. Sai correndo atravessando todas as portas que poderia leva-lo a uma saída.

A um certo ponto, ele entra em um hall repleto de pessoas. Umas caminhando, outras conversando distraidamente. Todas trajadas de ternos e gravatas de aparência exorbitantes e carregando maletas. Quando notam sua presença, se assustam.

Pelo alto falante uma voz anuncia: Repetindo. Todos os agentes, código 13!

Ao se darem conta da situação, algumas das pessoas correm de encontro a Steve, que foge para fora daquele lugar antes que pudessem o alcança-lo.

Alguns deles tentam faze-lo parar, mas ele derruba todos sem dificuldade alguma antes que possam segurá-lo.

Já na rua, ele olha a sua volta e seu peito congela.

Prédios em formatos estranhos e carros de cores e modelos quais ele nunca havia visto por toda a sua volta. As pessoas quais caminhavam nas calçadas, usando roupas curtas e de modelos diversificados quais ele não estava familiarizado assustaram-no ainda mais.

Assim, continuou correndo no meio da rua por entre aqueles carros anormais.

Ele tinha que sair daquele lugar estranho.

Ao virar em uma rua específica ele nota o compilado de prédios ao seu redor.

Mas aquela era... ele pensou. Não é possível!

A confluência mais conhecida de Nova York e cruzamento de duas grandes avenidas mais famosas do mundo estava completamente reconfigurada. Com diversos letreiros coloridos e vibrantes de imagens que se moviam espalhados pelas faixadas dos prédios e centenas de metros quadrados superlotado de pessoas andando para todos os lados apressadamente. Não era daquela maneira que ele se lembrava da Times Square.

Ele mirou ao seu redor.

Tudo estava mudado!

Em questão de instantes, dois carros pretos pararam bruscamente na frente de Steve e de lá saiu um homem alto, de pele morena, roupas pretas e que usava um tapa-olho no olho esquerdo.

Ele esbravejou: — Descansar soldado!

Outros homens armados o acompanharam e cercaram Steve, que ainda se encontrava completamente desnorteado.

O homem do tapa-olho se aproximou.

— Me desculpe pelo showzinho lá dentro, mas achamos melhor ir contando aos poucos. – Disse o homem.

— Contar o que? – Indagou o loiro ofegante.

O homem indicou com a cabeça um lugar atrás de Steve como resposta. E ao se virar, ele quase engasga ao constatar que ali estava Harriet. Aparentemente tão chocada quanto ele.

Ela vestia calças jeans rasgadas nos joelhos, uma regata da cor preta e um casaco igualmente jeans. Nada parecido com as roupas quais costumava usar. Notou também seus cabelos castanhos escuros estarem compridos, soltos e desarrumados, sem nenhum tipo de grampo os moldando.

Parecia a Harriet que ele conhecera e ao mesmo tempo uma pessoa completamente diferente.

— Steve. – Ela soprou estupefata.

— Harrie? – Indagou com a boca seca.

A mulher se aproximou lentamente e tocou-lhe o rosto. Steve se retraiu minimamente ao contato de suas peles e aos poucos foi se acalmando. Seus batimentos se regularizaram e a cabeça não latejava mais.

— O que está acontecendo? – Ele murmurou.

Harriet umedeceu os lábios antes de recolher sua mão e sorrir para o amigo.

— Você andou dormindo, Steve.

— Dormindo? – Repetiu com o cenho franzido.

— Por quase 70 anos.

O rapaz fora atingido com a notícia em cheio, respirando fundo para poder assimilar aquelas novas informações.

O gelo.

Recordou-se de mirar o mar congelante do Ártico antes de apagar completamente.

— Você está bem? – Indagou o homem do tapa-olho, notando sua falta de palavras.

Steve assentiu e mirou Harriet novamente, juntando suas mãos às dela e suplicando com os olhos em um pedido silencioso.

Harriet sentiu seu coração doer. Ela sabia exatamente pelo o que ele estava passando. Conhecia aquela sensação como ninguém. Sentir como se estivesse preso em um pesadelo, o qual não conseguia acordar. Sozinho, em um lugar desconhecido, fora de si.

Aquela sensação a aterrorizou por muitos anos.

Ainda a amedrontava, aliás.

— Não se preocupe, — apertou suas mãos contra as dele – eu não vou te abandonar!

Já afastados das ruas, em um lugar mais privado e confortável cedido pela S.H.I.E.L.D., estavam Harriet e Steve frente a frente debatendo sobre alguns assuntos importantes.

— Você foi congelado, seu corpo foi conservado por conta do soro. Você sobreviveu todos esses anos porque o soro revitalizou todas as suas células por todo esse tempo. – A mulher explicou. – O que é realmente impressionante, porque não sabíamos da potência dessa regeneração com a quantia de raios vita que você recebeu.

— Isso é loucura. – Steve comentou rindo anasalado.

A tensão já havia se dissipado uma vez que eram apenas os dois velhos e bons amigos. Steve se sentira mais confortável, fora somente preciso 5 minutos de conversa para constatar que aquela realmente era a sua amiga.

— Nem me fale. — Harriet riu, analisando os exames que os médicos da S.H.I.E.L.D haviam feito no rapaz. – Põe loucura nisso.

Steve deu um gole na água do copo em suas mãos antes de indagar:

— Quanto ao Howard?

Harriet sorriu tristonha e seus olhos se encheram de água automaticamente.

— Morreu já tem alguns anos. – Ela soprou com a voz engasgada. – Acidente de carro. Ele e a mulher não sobreviveram.

— Eu sinto muito, Harrie. – Disse verdadeiramente, pousando a mão sob o ombro da amiga.

— Fiquei sabendo do James também. – Ela fungou, segurando-se para não chorar novamente pelo mesmo motivo. – Morreu na missão para me resgatar.

— Harriet, — ele se levantou e se aproximou para abraça-la. – Não foi sua culpa.

— Foi sim. – Soltou engasgada. – Você sabe que foi.

— Ele não aceitaria ficar em casa sabendo que você corria perigo. – Steve explicou, afastando-se e limpando as lágrimas que escorreram pelo rosto da mulher. – Nenhum de nós aceitaríamos ficar parados enquanto você estava lá. Não há nada que poderia ser feito para impedir isso.

Harriet respirou fundo, controlando o nó em sua garganta.

Parecia ainda mais intenso agora que Steve estava ali, sofrendo as perdas com ela.

Procurando mudar de assunto, o louro indagou: — Quanto a você, o que aconteceu?

— Desde que voltei tenho trabalhado com Tony, — ela sorriu ao recordar do homem. – Ficaria impressionado com a semelhança. Ele é a cópia do Howard.

— Howard teve filhos? – Questionou surpreso.

— Teve. Um. – Revelou sorrindo. – E ele é maravilhoso, Steve. Vai adorar conhece-lo.

— Aposto que vou.

— Ele é um pouco excêntrico, e por vezes vai querer estrangular ele.

— Então ele realmente é filho do Howard. – Ambos riram.

— Mas é uma boa pessoa e tem um bom coração. – Ela disse com um sorriso terno nos lábios.

— Creio que sim. – Concordou.

— Nossa, — Ela soprou, refletindo sobre os últimos anos. – Tenho tanto o que te contar.

— Que tal começar explicando o que aconteceu depois que nos desencontramos na base de Schmidt? – Sugeriu. – Você não envelheceu nada desde então. Isso foi efeito da explosão?

— Sim e não ao mesmo tempo. – Ela sorriu para a careca confusa que o amigo fez. – Bom, tudo começou quando...

GLOSSÁRIO

[1] Shawarma é um prato originalmente do oriente médio, composto de fatias finas de carne de carneiro ou frango, assada em um espeto vertical e servidas no pão árabe com legumes, homus (pasta de grão de bico), labneh (espécie de coalhada parecida com iogurte grego) e outros acompanhamentos.

[2] As Valquírias foram aviões de bombardeiro avançado usadas pela HYDRA durante a Segunda Guerra Mundial. Foram nomeados desta forma em homenagem as Valquírias da mitologia nórdica, quais serviam Odin.

Notas finais
Quero novamente agradecer por ter clicado em Vênus e ter lido até aqui!! Isso significa muito para mim! A primeira parte da história foi contada e espero do fundo do meu coração que estejam curtindo. A história está a alguns capítulos para ser finalizada, admito que a segunda parte não será tão extensa quando a primeira, mas já aviso de antemão que não pretendo parar por aqui e que verão sim Harriet Stark em algumas outras edições. Espero que daqui até o final vocês se divirtam muito e compreendam todas as referências que eu coloquei. Beijos de luz, vejo vocês depois. Se você gostou deste capítulo, considere deixar seu voto e/ou comentário. Adoro saber a opinião de vocês.