V E N U S - Origin
15 1.14 Azzano

"Inicialmente os resquícios de energia eletromagnética surgiam de forma singela pelas palmas das mãos até a ponta dos dedos. Passados vinte dias desde que saíra do estado de coma espontaneamente os indícios de energia se prolongaram até metade dos braços. Agora, contabilizados trinta e cinco dias pós coma a energia eletromagnética pode ser transmitida através da pele de toda a extensão de ambos os braços. "
Harriet terminou de escrever na página encardida de seu livro de capa de couro e respirou fundo.
Havia exato um mês que percebera que as fagulhas em seus dedos não eram peças pregadas por sua alucinada mente. Precisou fazer uma máquina de valor exorbitante entrar em curto circuito ao seu simples toque para tomar uma atitude.
Começou a solicitar algumas horas de descanso, dado o recente acidente. Coronel Philips as fornecia de bom grado, deixando Howard satisfeito o suficiente. E assim que surgia a oportunidade, corria até o hospital mais próximo para solicitar os mais variados exames.
Contudo, apesar da abrangente variedade, os exames não podiam constatar mais que informações essenciais quais foram projetados para fornecer. Era comprovado cientificamente nenhum ponto de mudança em seu gene ou estrutura corpórea quando se era visivelmente um fato.
Certeza qual fora comprovada outro dia enquanto manuseava um aço de extremidade cortante e cortou o dedo gravemente. No entanto, quando correu até a pia mais próxima para jogar água corrente no ferimento, o sangue já havia sido coagulado.
Ela pôde acompanhar as camadas de músculos se reestruturarem vagarosamente assim como as de seu tecido. Em menos de dezessete horas após a lesão, foi feita uma tosca cicatriz.
No dia seguinte a cicatriz havia desaparecido e o dedo estava perfeitamente saudável como se o corte nunca tivesse sido feito.
Ela tomou nota: "Houve sangramento porque os vasos sanguíneos foram seccionados. Após segundos foi iniciada a coagulação do sangue na extremidade dos vasos rompidos. Começa a fase inflamatória, o que levaria entre dois e três dias após o momento da lesão. Enquanto os leucócitos saem de dentro dos capilares e inicia o processo de retirada das partículas, os capilares começam também a se proliferar, de modo que o sangue volta a circular com mais intensidade na região da lesão. Em seguida com o aumento da multiplicação das células, a região ferida se fecha e se torna impermeável. Normalmente neste estágio são necessárias 72 horas para a região lesionada começa a reunir uma quantidade de colágeno. Prosseguindo, o processo que dura em torno de pelo menos duas semanas, qual facilita a aderência se tornando ainda mais resistente graças à multiplicação das células epiteliais. Quando a cicatrização chega nesse estágio, o organismo diminui a quantidade de capilares regionais e a cor avermelhada da cicatriz começa a tornar-se esbranquiçada e forma-se a casquinha da cicatriz, que logo cai, dando lugar à pele normal. Um processo que dura em cerca de trinta dias se reduziu a apenas um dia."
Se estava assustada? Apavorada.
Contudo necessariamente mantinha sua postura perante aos demais. Toda vez que suas emoções tomavam controle de seu sistema, os resquícios de energia dos raios-vita se intensificavam e tonavam-se difíceis de controlar. O que poderia causar um acidente e, até, mortes.
Não sabia como ainda guardava tal segredo. Mas fez-se por necessário pela proteção das pessoas que amava.
Armazenava então tudo em seu livro, já com duzentas páginas de dados concretizados. Lá estavam fatores que pudessem explica-la a razão da mutação em seu corpo.
Contudo, das mais variáveis teorias, uma era a que mais tinha probabilidade de se tornar verídica: "As mudanças despontaram depois do acidente no laboratório. Portanto, a radiação dos tubos que estavam conectados com a cápsula somado aos fluídos do soro criado pelo doutor Erskine a intoxicaram. "
Porém, havia controvérsias.
"Não havia somente ela na sala e sim mais de quinze cientistas, fora os médicos e enfermeiras. Se a explosão aconteceu, fato que ela não consegue se recordar, os sintomas de intoxicação não estariam despontando apenas nela. "
Ou.
"Se ela estava mais próxima do tubo que o restante das pessoas e ouve uma explosão, ela teria todo o corpo carbonizado ao invés de ser simplesmente jogada contra a parede. E isto era impossível. Não por conta do tempo de cicatrização, visto que a sua estava aceleradíssima, e sim porque ninguém havia notado tal fato impossível de ser ignorado. Segundo seus cálculos, uma cicatrização de tamanho grau de queimadura não poderia ter desaparecido em minutos e sim em alguns, poucos, dias. "
Então ela se perguntava, "Quanto ao prontuário do caso no hospital? ".
Lá se tem todas as informações de situação na chegada ao hospital e todos os procedimentos de socorros e cuidados até sua saída. Explicaria tudo.
Portanto retornou aos EUA e se dirigiu ao Lower Manhattan Hospital, em Nova York, onde fora hospitalizada. Ninguém da administração ou mesmo o médico que cuidara de seu caso soube responder como fora arquivado seu prontuário. Fora simplesmente dado como desaparecido.
Assim, todos os dias, ela fazia os mais diversos cálculos que pudessem somar todas as informações que tinha para explica-la o porquê diabos aquilo estava acontecendo com seu corpo.
Fora mesmo decorrida da explosão?
Ou seria sensitiva desde quando nascera e se intensificou por conta da explosão?
Estava definitivamente perdida.
E já não sabia mais onde procurar informações.
—x-
— Harriet, pode analisar a espessura deste projétil que deixei em sua mesa, fazendo favor? – Solicitou Howard assim que a jovem adentrou o recinto, sem ao menos desviar os olhos do revolver em suas mãos.
— Claro. – Respondeu retirando o casaco grosso e jogando-o na cadeira atrás de sua mesa.
Peggy Carter adentra a sala em passos apressados e lendo freneticamente as informações postas nos papéis em suas mãos. Howard nota sua agitação e indaga: — Tudo bem, Peggy?
A mulher olha de Howard a Harriet que, concentrada o suficiente no objeto em sua mesa, prestava atenção mínima aos dois. Ela engole em seco e pousa uma das folhas no colo do amigo.
Este mal lê o enunciado e de forma discreta pede para a agente acompanha-lo até o lado de fora da sala. Harriet ao menos nota a saída dos dois.
— O que diabos é isto? – Ele indaga aos murmúrios.
— Exatamente o que está escrito. – Disse com pesar. – Schmidt mandou uma unidade para Azzano, 200 homens o confrontaram. Voltaram menos de 50.
— E a unidade...
— James estava lá.
Howard respirou fundo, passando a mão pelo rosto quente.
— Não podemos esconder este tipo de informação dela. – A agente adiantou-se. – Logo trarão os sobreviventes até aqui para cuidados e ela quem vai cuidar deles.
— Me dê um momento para pensar.
— Não há o que pensar Howard. – Determinou. – Temos que contar a ela ainda hoje.
Dado o horário de almoço, Harriet permitiu-se respirar um ar com frescor das montanhas. Saiu da sala de projeção de armas e caminhou até o lado de fora da base Americana.
Ao longo do caminho notou a agitação de diversos homens incluindo o Coronel Philips que sempre se mostrava tão sereno. Estranhou mas limitou-se em continuar sua caminhada sem interferir em assuntos alheios.
Quando chegou ao lado de fora notou soldados de rostos diferentes aos que estava acostumada, todos com expressões abatidas e sujos da cabeça aos pés.
Antes que se direcionasse a algum representante, Howard se aproximou enunciando: — Recrutas compartilhados. As divisões os mandam aos poucos para se recuperarem de recentes ataques.
— Isto é horrível. – Declarou. – Por um tempo realmente pensei que estaríamos criando a chave para o fim de todo esse massacre. Parece que, além de falharmos, colocamos os soldados de primeira linha direto na mira de Schimdt.
Howard odiava ter que mentir para Harriet. Mas se fosse para poupá-la de qualquer tipo de sofrimento, fazia-o sem medir consequências.
No dia seguinte mais homens chegaram a base e Harriet supervisionou os cuidados de todos. Não admitia nada menos que o melhor para aqueles homens.
Philips sem demora divulgou que Brandt agendou uma apresentação do famoso Capitão América para animar um pouco os homens tão esgotados. Harriet quase engasgou ao perceber que o ator tão comentado do momento era, na verdade, seu amigo que até pouco tempo fazia parte do mesmo projeto que ela trabalhara.
Depois de uma produção desastrosa, Harriet procurou pelo amigo nos bastidores. Sentia saudades dos tempos juntos.
— Olá, Steve. – Cumprimentou, pegando-o de surpresa.
— Oi. – Ele pareceu surpreso em vê-la. – O que está fazendo aqui?
— Oficialmente eu não estou aqui. – Respondeu sentando-se em um dos degraus que dava acesso ao palco de madeira improvisado. – A apresentação foi boa.
— Sim, — concordou sarcasticamente. – Claro que tive que improvisar um pouco. Estou acostumado com um público de 12 anos.
Harriet teria rido se ele não parecesse tão decepcionado.
— É a nova "Esperança da América".
— As vendas de títulos estão subindo em 10%. – Revelou.
— Parece até o Brandt falando.
Steve molhou os lábios antes de alfinetar: — Ao menos ele me arranjou isto. Philips me deixaria no laboratório.
— E tudo o que você tem são essas duas opções? – Retrucou. E indicando o desenho marcado em um caderno que ele fizera antes de ser pego em surpresa, continuou: – Cobaia de laboratório ou macaco dançarino? Tem muito mais a fazer.
Steve olhou o horizonte, pensativo. Harriet conhecia aquela expressão. Significava que algo injusto acontecia de baixo de seu nariz e ele não podia fazer nada para mudar isto. Ao menos, era o que ele supunha.
— O que foi? – Incentivou-o.
— Sabe, por muito tempo sonhei em ir para o estrangeiro e ficar nas frentes de batalha servindo meu país. Finalmente consegui o que queria. E agora uso malha.
A atenção de ambos fora interrompida pela chegada brusca de uma ambulância à base. Socorristas agitados retiraram um homem mutilado de dentro do automóvel.
Harriet podia estar enganada, mas pensava conhecer aquele pobre homem.
— Parece que vieram do inferno. – Steve comentou.
— Steve... – ela soprou. – Me dá licença, por um instante.
— Claro.
A jovem se levantou e caminhou lentamente até o ponto de pronto atendimento, para onde o recém-chegado fora levado. Por todo o caminho repetia contínuas vezes a mesma frase: "Por favor que não seja ele. "
"Por favor não que seja ele. "
Quando chegou perto o suficiente para visualizar o rosto do homem interino, quase desmaiou.
O homem estava consciente e urrava de dor.
Não demorou muito para perceber a presença de Harriet em torno de sua maca.
— Doutora Stark, por favor. – Suplicou. – Por favor, não me deixe morrer.
Lágrimas se empoçaram sobre as linhas inferiores dos olhos da jovem.
— Senhor Hampks, o que fizeram com você? – Indagou engasgada.
Ali estava o homem que há menos de um ano estava completamente saudável e flertava descaradamente com ela durante o período da coleta de fluído cerebral.
Quanta coisa havia acontecido desde então.
— Foi uma emboscada. – Ele explicou aos gritos, enquanto socorristas prestavam os primeiros socorros. – Schimdt armou para nós. A divisão toda foi corrompida.
Dito isso o coração de Harriet parou. E tudo o que vinha em sua cabeça era a imagem de um homem.
James.
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