V
1 bAck to blAck
Notas iniciais
Sentada no chão de seu quarto, a garota soltava alguns sussurros que não faziam sentido algum.
Nomes.
A única coisa que conseguia sair da boca daquela maldita suicida – além da fumaça do cigarro – era o nome de alguém. O nome do culpado de tudo isso.
Não é como se Ariel fosse completamente inocente nesta história.
É óbvio que ela não era.
Pois, como o próprio Eric costumava dizer, ela não passava de uma maldita vadia autodestrutiva. Maldita vadia autodestrutiva de lindos cabelos longos e ruivos, olhos de cores indefinidas e corpo escultural. Ela era bela. Se vivessem nos antigos tempos, oh, qualquer um poderia dizer que a garota havia roubado a beleza de Vênus.
Mas, obviamente, todo esse encanto se acabava quando ela abria a boca. Possuía belos dentes, sim – brancos, alinhados... Brilhantes. Porém o hálito de álcool barato e cigarros, ah, aquilo acabava com tudo! Poderia afastar qualquer um com velocidade absurda. Se não possuísse todo aquele charme. Todavia, apesar da beleza, do charme, e de todas as coisas boas que poderíamos citar na garota, mais um defeito poderia se sobressair quando ela resolvia abrir a boca.
Oh, Deuses! Arrogante, egocêntrica, narcisista, antipática. E essas são somente algumas de suas características. Ela não tinha amor.
Exceto por si mesma.
E, bem, pelo garoto que fez ela se tornar tudo isso.
Um monstro.
Um monstro.
Ela se tornou em um monstro.
Que continuava, cada vez mais, se tornando forte.
Ela poderia ser o médico e o monstro de nossa geração. Porém, o médico... Ele só libertava com a pessoa que a fez se tornar no monstro.
Eric.
Como o príncipe.
Um príncipe que cheirava a cigarro e whisky, e ao invés do cavalo, possuía uma Harley.
Encantado? Nem ao meio-dia, nem a meia-noite.
Sua tão prezada qualidade era a habilidade que possuía em fazer com que as pessoas fizessem o que ele queria – quando queria, e como queria.
E isso, obviamente, incluiu Ariel.
Ariel, que se viu, de uma hora pra outra, em um conto de fadas. Mas, amigos – ela não era uma princesa, e esta não é a Disney.
O que era um conto de fadas, se tornou um conto de fodas.
Uma boate, muita vodka, muita fumaça, e Ariel se viu presa em um mundo ao qual ela não pertencia – sentia-se em uma espécie de transe, e começou a achar que estava vendo coisas.
Ao virar-se para o lado, encontrou seu tão amado príncipe virando sapo, ao beijar uma vadia.
Vadia.
Vagabunda
Vaca.
E esses eram apenas os Vs.
Ariel poderia até ser uma maldita vadia autodestrutiva – mas era a maldita vadia autodestrutiva, que amava Eric.
Amava.
No passado.
Mal conseguia enxergar dois palmos a sua frente, tampouco pensar. Sua única opção foi sair dali correndo como uma louca, obviamente. E, foi assim, que a garota acabou no chão de seu quarto, com bafo de cigarro e bebida.
E os pulsos cortados.
E com remédios em sua garganta.
Ela amava Eric – no passado, mesmo. Ela amava-o quanto estava viva.
Pois Eric havia retirado-a do inferno, somente para coloca-lá novamente.
Fale com o autor