Notas iniciais
Esse capítulo deu trabalho. Ficou um pouco grande, mas espero que gostem. Boa leitura!

Capítulo IV — Vinculados

O céu mal clareara quando a maga estelar pulou da cama, começando a aprontar-se para sair. Em meio aos seus afazeres matinais, já havia tentado acordar Natsu ao menos três vezes, todas com o mesmo resultado: ele apenas resmungava eu revirava sob a coberta, recusando-se a abrir os olhos.

No dia anterior, antes de deixar a guilda, o time dos dois magos combinou de investigar sobre a marca desconhecida que repentinamente aparecera no pescoço de Lucy. Contudo, a recente visita de Arcadios evidenciara que havia muito mais na situação a que se especular.

Embora a morte de Yukino não tivesse esclarecido nada sobre o estranho sinal, a loira mantinha a esperança de que, talvez com as novas pistas adquiridas, pudessem deduzir algo mais.

Tão logo terminou de ajeitar os cabelos com seu costumeiro penteado "maria-chiquinha", Heartfilia direcionou-se a sala e apanhou as fotografias do corpo de Yukino, dispostas sobre a mesinha de centro, colocando-as juntamente com o restante do conteúdo do envelope que recebera do membro do exército real. Ela não havia tomado ciência do restante de seu teor. Decidiu que veria apenas na Guilda, quando apresentasse o material para o restante dos membros.

Retornando ao quarto, percebeu, com um muxoxo desanimado, que Natsu permanecia deitado. Revirando os olhos, caminhou até a cama.

— Anda Natsuuuu! — Sacudia o amigo, impaciente. — Nós combinamos de sair daqui a pouco! Quero ver se consigo falar com o Mestre antes! — Explicou.

— Ahhh, Lucy! — Resmungou o rapaz, sem se mexer — O velhote nem está na Guilda ainda! — Choramingou. — Aliás ninguém vai estar. Está muito cedo!

— Levanta logo! — Ignorando os protestos, a garota insistiu.

— Me deixa dormir! — Exclamou ele.

— Não! — Respondeu ela. — Aliás, nem sei como você conseguiu dormir! — Reclamou. — Eu nem ao menos preguei os olhos, pensando em tudo que aconteceu.

— Mentira. — O dragon slayer rebateu, abrindo os olhos.

— Como é que é? — Perguntou a loira, irritada.

— Você dormiu, pelo menos um pouco. — Afirmou o mago do fogo, sentando-se. — Eu só adormeci depois de ter certeza de que você também tinha caído no sono. — Contou.

— E como pode estar tão certo de que eu realmente dormia? — Questionou ela, com as mãos na cintura, inclinando-se de modo que ficasse face a face com Dragneel.

— A respiração das pessoas muda enquanto dormem. — Esclareceu, sonolento.

— Faz sentido. — Heartfilia levantou-se, pensativa.

— Ótimo! — Exclamou o rapaz, ante de cair novamente de olhos fechados.

— EU MANDEI LEVANTAR! — Perdendo de vez a paciência, Lucy berrou, usando toda a sua força para puxar o lençol da cama, garantindo que o mago se estatelasse no chão.

— AI LUCY! — Esbravejou, esfregando a cabeça dolorida.

Mal-humorado, Natsu arrumou-se desleixadamente e tratou de seguir a maga estelar pelas ruas de Magnólia, fazendo questão de resmungar por todo o trajeto, irritando-a ainda mais. De fato, não havia uma viva alma de pé àquela hora. Apenas os dois caminhavam ruidosamente pela beira do rio.

Ao alcançarem a rua em que a guilda se localizava, a jovem já estava a ponto de estourar novamente com o companheiro de time por todas as suas reclamações, quando o percebeu estacar abruptamente. Cessando completamente suas lamúrias, o dragon slayer estendeu o braço na frente da amiga, impedindo-a de continuar.

— O que aconteceu? — Indagou ela, tensa.

— Tem alguém se aproximando. — O mago do fogo cochichou.

A loira nem teve tempo para processar a informação devidamente. Antes que percebesse, estava sendo puxada pelo rapaz para dentro de um dos becos da cidade. Juntos, esconderam-se em um vão na parede. Temerosa, Lucy enrijeceu-se ao som de passos.

— Você pode me dizer porque me chamou aqui tão cedo???— Uma voz masculina, marcada pelo sono, perguntou, entre um bocejo e outro.

Heartfilia arregalou os olhos. Ela conhecia aquela voz.

— Elfman! — Cochichou para Natsu. Ele apenas meneou a cabeça positivamente.

— Eu disse que tenho algo importante pra lhe dizer!— Outra voz conhecida, dessa vez feminina, respondeu.

— Evergreen! — Surpresa, a garota exclamou baixinho. Dragneel assentiu, impaciente. Queria ouvir a conversa.

A maga estelar respirou aliviada, ao constatar que não estavam em perigo, pois não era um estranho que se aproximava, e sim, os dois companheiros de guilda. Entretanto, apenas naquele momento, se deu conta do quão constrangedora era a condição em que se encontrava com Natsu.

Na intenção de mantê-los oculto no minúsculo esconderijo, Salamander a pressionava firmemente contra a parede. Seus braços seguravam as mãos da jovem contra as pedras ásperas. Seus corpos se tocavam, quase por inteiro. Completamente constrangida, ela enrubesceu, contorcendo-se na tentativa sair daquela situação.

— Natsu, me larga! — Pediu. — São só o Elfman e a Everg...

— Shiiiiiii!!! — O mago do fogo interrompeu com um chiado, aplicando ainda mais força ao segurá-la. — Assim eles vão nos ver! — Alertou.

— E qual o problema? — Inquiriu a moça, cada vez mais incomodada com a situação.

— O problema é que eu quero ouvir a conversa. — Respondeu o Dragon Slayer com uma feição travessa. Lucy estreitou os olhos.

— Isso não é certo! — Cochichou.

— Vai dizer que não está curiosa?!- Devolveu o rapaz, abrindo um sorriso convencido. A jovem mordeu os lábios, derrotada. Realmente, estava morrendo de curiosidade.

— Ok. — Concordou por fim e ambos apuraram os ouvidos. Era uma pena que, de onde estavam, não podiam acompanhar visualmente a conversa.

Elfman jazia parado de frente para Evergreen. As costas estavam apoiadas na parede do beco e os braços cruzados, demonstrando sua impaciência. O semblante contorcia-se pelo de sono, o que provavelmente explicava toda a irritação que compunha o seu timbre grave:

— Então diga de uma vez!— Pediu, fitando a mulher a sua frente.

Enraivecida, a maga de cabelos castanhos sentiu uma veia pulsar na própria testa, antes de responder:

— Não fale comigo nesse tom!— Ordenou, com ar de superioridade. O grandalhão revirou os olhos.

— Esse é meu jeito de falar.— Respondeu. — Falar assim é coisa de homem!— Declarou, fazendo com que, dessa vez, Evergreen rolasse as íris castanhas para cima. — Eu não entendo o motivo de ter me arrastado aqui tão cedo para conversar.— Reclamou. — Não podíamos ter nos encontrado de noite, como sempre?— Questionou.

Mal sabendo o take over que sua conversa tinha expectadores, não preocupou-se em ser discreto. Assim, suas palavras ecoaram pelo beco e pela mente de um certo dragon slayer, que concluiu num estalo:

— Aqueles dois estão juntos??? — Perguntou a Lucy, em um cochicho esganiçado. A maga estelar teria batido na própria testa se suas mãos não estivessem imobilizadas. Aquilo era tão óbvio.

— Sério que nunca percebeu? — O tom usado pela maga estelar era praticamente inaudível, devido ao medo de ser descoberta. Sorte do Dragon Slayer ter a audição aguçada — É tão óbvio! — Completou.

— Claro que não! — Contestou o mago do fogo. — Eles brigam o tempo todo! — Observou.

— Isso não quer dizer nada. — Contou a loira. — Na verdade, costuma indicar justamente o interesse reprimido que duas pessoas nutrem entre si. — Explicou, didaticamente.

— Para mim, isso não faz o menor sentido. — Natsu comentou. — Jamais seria capaz de supor que eles estão juntos com base nessas atitudes. — Acrescentou.

Ainda surpreso com a recente descoberta, mas completamente curioso com o que mais poderia extrair daquela conversa, fez sinal para que eles continuassem escutando.

— Você acha que é fácil sair da Fairy Hills sem que ninguém perceba?— Evergreen perguntou, um tanto enérgica. — Está ficando cada vez mais complicado! Já nem tenho mais desculpas para inventar! — Revelou.

— Pois não invente!— Elfman respondeu. — Você é adulta e independente. Por que deveria ficar justificando onde vai ou deixa de ir?— Alfinetou.

Ante a provocação, a mulher corou de irritação.

— Falou o modelo de independência, que fica detalhando para a irmã mais velha cada passo que dá!— Chacoteou com um sorriso vitorioso, ao ver uma veia pulsar na testa do enorme mago.

— A Nee-chan fica preocupada quando eu não digo onde vou!— Retrucou, entredentes — Eu não gosto de deixá-la angustiada, é apenas isso!— Emendou, orgulhosamente.

— Ah, claro!— Ever zombou. — "Nee-chan, eu vou pra guilda!" "Nee-chan, aceitei um trabalho!" "Nee-chan, posso ir ao banheiro?”— Imitou, de forma tão cômica que Lucy e Natsu tiveram que reprimir com todas as suas forças o riso preso na garganta.— Como se você contasse onde realmente vai.

— Chega!— Elfman socou o muro, fazendo com que a mulher de óculos sobressaltasse. — Se não dá para mantermos uma conversa decente, então vou embora!— Comunicou. Afinal, não precisamos nos encontrar as escondidas para brigar. Isso podemos fazer a qualquer hora, na frente de qualquer um!— Finalizou, virando as costas e retirando-se do beco.

O mago do fogo e a maga estelar encararam-se, impressionados.

— Elfman, volte já aqui!— Gritou Evergreen com os punhos cerrados, sendo solenemente ignorada.— Eu tenho algo pra te contar!— Continuou aos berros — Algo muito importante...— Completou baixinho, cabisbaixa, ao perceber que não obteria resposta, acreditando firmemente estar sozinha no local.

• • •

— Droga! — Praguejou o dragon slayer. — O que a Ever ia falar? — Perguntou, tomado pela curiosidade.

— Ora Natsu, não é da nossa conta mesmo! — A maga estelar respondeu, tentando consolar mais a si mesma que ao colega. Afinal, estava ardendo de curiosidade — Nós nem devíamos ter presenciado aquela conversa, para começar. — Lembrou.

Depois que Elfman havia deixado dramaticamente o beco, Lucy e Natsu tiveram que ficar escondidos lá por pelo menos mais dez minutos, já que Evergreen, aparentemente, tinha decidido que aquele era um ótimo dia para sentar no chão e refletir, deixando os dois magos bisbilhoteiros em uma situação complicada.

A loira já não estava mais suportando ficar naquela situação. Seus braços e pernas eram tomados por intensas fisgadas, resultantes de ficar um tempo demasiado na mesma posição. Natsu também não aparentava estar muito melhor. Ambos suavam com o esforço que faziam para que permanecessem ocultos. Contudo, eles sabiam que era necessário. Se Evergreen descobrisse que eles estavam escondidos ali e, pior, tinham escutado toda a conversa, com certeza os transformaria em pedra instantaneamente.

Quando a maga de cabelos castanhos finalmente levantou-se e deixou o beco, O dragon slayer ainda segurou Lucy no esconderijo por algum tempo, permitindo que ela saísse apenas quando os passos de Evergreen se tornassem inaudíveis para ele.

Agora, ambos caminhavam lentamente em direção a guilda, sentindo os corpos reclamarem pelo esforço, comentando curiosos sobre a estranha conversa que haviam presenciado furtivamente.

— Vai que ela descobriu algum podre do Elfman! — Supôs o mago, animado — Eu ia poder zoar ele por um tempão! — Divagou, alegremente.

— Eu duvido que seja algo do tipo — Heartfilia contestou, abismada pelo motivo idiota pelo qual o parceiro de equipe queria escutar a conversa. — Ever estava muito séria. Tenho a impressão de que precisava dizer algo realmente importante. — Contou.

Os dois magos deram mais uns passos em silêncio, cada um criando as próprias teorias do que teria motivado a maga do Raijinshuu levantar tão cedo e arrastar o mago take over para um beco.

— Elfman e Evergreen, quem diria! — O dragon slayer cortou o silêncio, ainda incrédulo.

— Eu ainda não acredito que você não tinha reparado. — A maga estelar meneou a cabeça, sem estranhar a mudança no rumo do assunto.

— Sei lá, nunca prestei muita atenção nessas coisas. — Dragneel deu de ombros.

— Vai me dizer que você também nunca percebeu que o Gajeel tem uma quedinha pela Levy?! — Brincou a loira, em tom de deboche.

— Isso é mentira, né? — Natsu fitou a amiga como se ela estivesse enlouquecido.

— Claro que não! — Negou, levemente ofendida.

Salamander piscou algumas vezes, aparvalhado.

— Nunca pensei que o homem-lata tivesse a capacidade de gostar de alguém! — Exclamou, expressando claramente o quanto achava absurda aquela ideia.

— Então você realmente não tinha percebido. — A maga estelar constatou, perplexa.

— Se você não falasse, eu nunca iria perceber. — Respondeu. — Só que a Levy nunca daria uma chance pra ele, não é? — Questionou, não tão certo de suas palavras. Afinal, nos últimos minutos de sua vida, suas convicções haviam sofrido fortes abalos.

— Natsu, ela é doidinha por ele. — Lucy revelou. — Mais do que ele por ela. Só estou te contando porque isso já não é segredo para ninguém. — Justificou-se.

— Caramba! — O mago exclamou, surpreso com tantas revelações.

Heartfilia gargalhou, ante a feição espantada que o rapaz sustentava. As reações dele assemelhavam-se as de uma criança, o que era extremamente divertido de se observar.

— Fala aí, quem mais tá de rolo lá na guilda? — Pediu, com grande expectativa.

— Erza e Jellal? — Tentou Lucy. — Embora ele não seja membro da Fairy Tail. — Lembrou. — E eles não estejam exatamente de rolo. — Arrematou.

— Ah, deles eu meio que desconfiava. — Falou Natsu, lembrando-se de como Erza tinha sofrido com a prisão de Jellal. — Mais alguém? — Insistiu.

— Gray e Juvia? — A maga perguntou entre risos, zombando do colega. Esse era tão óbvio que não tinha como ele não saber. Toda Magnolia já sabia.

— Ahhhhh, agora entendi porque ela segue o Gray o tempo inteiro! — O mago do fogo inferiu, ouvindo um forte baque em seguida.

Ao olhar para o lado, constatou, assustado, que Lucy havia caído para trás, com as pernas para cima, tamanha sua pasmaceira.

— Você só pode estar brincando comigo. — Resmungou a maga, com um olhar vago.

— Também é por isso que ela fica te chamando o tempo inteiro de "rival no amor"? — Indagou, ignorando a fala da parceira de equipe.

— Você é o pior! — Exclamou a loira, enquanto se levantava com certa dificuldade. — Tenho pena da garota que se apaixonar por você. — Declarou.

— Ué, por quê? — Questionou o mago, levemente corado por se tornar o alvo de uma conversa tão estranha.

— Porque você nunca conseguiria perceber os sentimentos da coitada. — Afirmou. — Nem que ela andasse com uma placa luminosa pendurada no pescoço dizendo "Natsu, eu te amo!". — Falou, recomeçando a caminhar.

— Que tipo de pessoa faria isso? — Perguntou descrente, acompanhando a amiga.

— Ninguém faria isso! — Respondeu ela — Por isso é importante você prestar mais atenção a sua volta. — Arrematou, pensando em Lisanna, com uma pontinha de pena da garota.

Novamente, a dupla deu poucos passos sem trocar palavra alguma, até que o dragon slayer tornasse a quebrar o silêncio.

— Eu ainda acho muito estranho pensar nos nossos amigos tendo esse tipo de relação. — Confidenciou, um tanto incomodado.

Lucy deu uma risadinha, antes de responder:

— Isso é natural Natsu. — Explicou. — Uma hora ou outra os amigos começam a namorar. — Comentou sonhadora.

— Até você? — Perguntou, incisivo. A jovem corou.

— Mas é claro que em algum momento, isso vai acontecer! — Respondeu ela, constrangida. — Um dia pode ser que você invada meu apartamento e me encontre acompanhada. — Brincou.

Natsu piscou, contrafeito. Era estranho imaginar que talvez, algum dia, entrasse pela janela e encontrasse outro cara dentro do Apartamento da Lucy. Um cara que entraria pela porta.

— Não consigo imaginar esse tipo de coisa. — Falou. A loira estalou a língua.

— Você é tão inocente! — Exclamou, afinando a voz de forma infantil. — Que chega a ser fofo. — Completou mentalmente.

Quando os dois finalmente avistaram a Guilda, pararam surpresos. Elfman e Evergreen estavam em frente ao portão, brigando aos berros.

— Eles não são exatamente um exemplo de discrição. — A maga estelar comentou, com uma gota na cabeça. Ambos observaram ao longe a discussão por alguns minutos.

— O Elfman não perde tempo mesmo. — Disse Natsu, abrindo um sorriso malicioso.

— Como assim? — A maga perguntou, curiosa com a mudança do rumo da conversa. O rapaz ponderou por um momento sobre que palavras deveria usar em seguida:

— Ah, ele traçou a Ever. — Respondeu, casualmente, fazendo com que Heartfilia ficasse vermelha dos pés a cabeça.

— Natsu, não tem como você afirmar isso! — Retalhou, constrangida.

— Claro que tem! — Rebateu, como se fosse lógico. — Ela disse que sai escondido do dormitório para encontrar com ele. — Lembrou. — O que você acha que eles ficam fazendo? Tricô? — Zombou.

— Como você... — Gaguejou a maga, desejando encontrar um buraco para enfiar a cara. — Como você sabe dessas coisas? — Inquiriu e se arrependeu logo em seguida. Tinha sido uma pergunta extremamente idiota, mesmo que o mago parecesse inocente e completamente ignorante quanto a questões amorosas.

— Lucy, todo homem sabe dessas coisas. — Falou ele, olhando para a amiga como se ela fosse de outro planeta. Então, começou a rir. — Quem é o inocente agora? — Troçou. A garota corou ainda mais, sentindo-se a mais idiota das pessoas.

A loira ainda estava sentindo vontade de sumir da face da terra, quando um grito agudo tomou a sua atenção. Assim que olhou para ver do que se tratava, percebeu que Evergreen estava caída no chão e Elfman tantava ajudá-la a levantar. Juntamente com Natsu, correu até os companheiros de guilda para ver o que tinha ocorrido.

— Ever, você está bem? — Questionou Elfman, abaixado ao lado dela.

— Cadê aquele fedelho maldito? — Ela respondeu com outra pergunta, aceitando a ajuda. — Será que a mãe dele não lhe deu educação? — Esbravejou.

— Ever, o seu pescoço! — O grandalhão albino praticamente gritou.

— O quê? — Esganiçou. — O que tem o meu pescoço? — Indagou, passando as mão pelo local de forma preocupada.

— Vocês estão bem? — Natsu e Lucy, que se aproximavam correndo, inquiriram, em uníssono.

— O que vocês estão fazendo aqui? — Evergreen, finalmente de pé, perguntou aos recém-chegados.

— Evergreen, seu pescoço! — Lucy exclamou, com uma voz aguda, ignorando o questionamento.

— O que raios tem o meu pescoço? — A maga perguntou, desesperada.

— O do Elfman também! — Natsu apontou.

— O quê? — O mago take over berrou.

— A marca! Vocês também estão com a marca! — A maga estelar explicou.

— E que marca é essa? — O Strauss perguntou, fitando os símbolos desenhados no pescoço de Evergreen.

— Espera! — A mulher de óculos estacou. — As meninas chegaram na Fairy Hills ontem comentando que uma marca estranha apareceu no seu pescoço, Lucy. — Comentou. — É da mesma marca que estamos falando?

Lucy, que tinha envolvido o pescoço com um lenço, objetivando esconder a marca, retirou a dita peça, permitindo que os amigos visualizassem os sinais. Natsu apenas puxou o cachecol para baixo, de modo que parte dos símbolos ficassem visíveis.

— Mas o que raios é isso? — Perguntou Elfman — Não parece coisa de homem! — Exclamou.

— Não que isso tenha alguma importância. — Alfinetou Evergreen.

— Mas é claro que tem importância! — O albino rebateu. — Ser homem é importante!

— Você está mudando o rumo da conversa. — A mulher alertou.

— Não estou nada! — Retrucou o mago Take-over. Logo, os dois estavam aos berros novamente, esquecendo até mesmo da presença de Natsu e Lucy.

E com uma nova confusão armada, os quatro magos deixaram de reparar na presença de mais uma pessoa:

— Ora, ora. — Mirajane, que tinha acabado de chegar para abrir a guilda, exclamou com um sorriso angelical. — Parece que o dia começou realmente animado! — Observou.

— Infelizmente, não temos boas notícias, Mira-san. — Lucy anunciou, preocupada.

• • •

— Eu estou me sentindo uma cobaia de laboratório! — Evergreen reclamou, incomodada pela maneira que Makarov e Mirajane a encaravam.

— Como exatamente isso aconteceu? — Perguntou o mestre, alisando o bigode grisalho.

O pequeno velho jazia sentado sobre o balcão do bar, os olhos cerrados, de modo pensativo. Mirajane e os envolvidos no incidente o cercavam, fitando-o com expectativa. Sedento por esclarecimentos, o grandalhão albino adiantou-se para responder ao questionamento:

— Ever e eu estávamos conversando aqui na frente, quando um garoto passou correndo e nos empurrou. — Narrou.

— Vocês estavam é berrando um com o outro, isso sim. — O mago do fogo interrompeu, com toda a sua inconveniência.

— Isso não vem ao caso, Natsu. — Atalhou o mestre, cuidando para que o foco não se perdesse. — Digam-me como era esse garoto. — Ordenou.

— Na verdade, nem sabemos ao certo se realmente era um garoto. — Esclareceu Evergreen. — Deduzimos isso por causa de seu tamanho, já que ele era bem pequeno e bem gordinho também. — Descreveu.

— Realmente, nem sempre os adultos são grandes. — Novamente, o dragon slayer meteu-se na conversa. — É só olhar o velhote. — Argumentou inocentemente, encarando Makarov de forma nada educada.

— Natsu! — Censurou Lucy, constrangida.

— Ora, seu...! — O mestre ralhou, sentindo sua paciência devanecer aos poucos. — Se não tem nada de útil a acrescentar, permaneça calado! — Esbravejou, vendo que a reprimenda mal fizera efeito no rapaz, que permanecia indiferente. — Mais alguma coisa, Evergreen? — Inquiriu, retomando o assunto.

— Desculpe não fornecer uma descrição mais detalhada, porém não o vi tempo suficiente para que isso fosse possível. — Justificou-se. — Mas posso dizer, com certeza, que ele corre em uma velocidade extraordinária para o tamanho e peso que tem. — Contou. — E como eu sou uma mulher muito delicada, fui lançada longe. Já esse brutamontes aí mal se moveu. — Concluiu o relato.

— Quem você está chamando de brutamontes? — Gritou Elfman. — Repita se você for homem! — Desafiou.

— Acontece que eu não sou! — Zombou Evergreen, abrindo seu leque espalhafatosamente e abanando-se de forma provocante.

— Ora, ora! — Mirajane exclamou, tentando acalmar a discussão, que teria continuado por horas, se o pequeno homem sobre o balcão não tivesse pigarreado, chamando a atenção para si:

— Então vocês estão me dizendo que um homem desconhecido os tocou, e logo após a marca apareceu? — Perguntou. Os dois confirmaram, meneando a cabeça positivamente. — Lucy, você acha que pode ser a mesma pessoa que a tocou? — Questionou, voltando-se para a maga estelar.

— Só se ele puder mudar sua aparência física. — Ponderou a loira. — O homem que beijou a minha mão era mais alto que o Elfman, e extremamente magro. Muito diferente da descrição elaborada pela Ever. — Comparou.

O mestre permaneceu calado por alguns instantes, como se estivesse digerindo as últimas informações obtidas. Sua pequena plateia o encarava de forma aflita e ansiosa. Surpreendendo os magos, quando o velho tornou a manifestar-se, foi para pedir uma informação que, aparentemente, nada tinha a ver com o problema:

— Por que todos vocês saíram tão cedo? — Indagou, realmente curioso.

Enquanto a maga estelar e o dragon slayer reagiram normalmente a pergunta, Evergreen e Elfman pareceram ficar extremamente desconcertados, fazendo com que a Strauss mais velha os fitasse com desconfiança. Vendo o desespero da dupla, Heartfilia abafou uma risadinha.

— Eu queria fazer uma missão solo, por isso cheguei mais cedo, na esperança de encontrar um bom trabalho. — Mentiu a mulher de cabelos castanhos.

— Eu também! — O mago take over a acompanhou.

— Aí nos encontramos coincidentemente na frente da guilda. — Continuou Ever.

— Isso mesmo. — Reforçou Elfman.

— Sei... — Mirajane comentou, descrente.

— E vocês dois? — Makarov continuou, dessa vez olhando para Natsu e Lucy.

— Como o senhor pode ver, Natsu também foi marcado, de alguma forma. — A loira começou, indicando o amigo, que já estava sem o cachecol a algum tempo, mas o mantinha seguro nas mãos.

— Então provavelmente a mesma pessoa que marcou você também o marcou. — A garçonete concluiu.

— É, ele me deu uns tapinhas no ombro antes de sair. — Comentou o Dragon Slayer. — Mas não é só isso que temos para contar. — Continuou. -Digamos que ontem, Lucy recebeu uma visita bem desagradável. — Revelou.

A partir de então, o dragon slayer e a maga estelar, alternadamente, passaram a narrar todo o episódio da noite anterior, desde a invasão do apartamento por Arcadios, passando pela morte de Yukino e chegando a descoberta da marca no pescoço do dragon slayer.

Logo em seguida, Lucy entregou o envelope que recebera de Arcadios ao mestre, que retirou todo o conteúdo e analisou, cuidadosamente. Além das fotos de Yukino, o envelope também continha o endereço do local onde ela fora encontrada, um desenho detalhado da marca gravada no pescoço dela e cópias de laudos médicos e documentos confidenciais.

— Zamúria… — O mestre falou preocupado. — Foi na cidade de Zamúria que Yukino foi encontrada. Mas não é a mesma cidade que o Maid Café se localiza. — Lembrou.

— Não. O Maid Café fica em Datra, uma cidade mais próxima daqui. — Heartfilia comentou.

— Isso pode significar que esses magos que os marcaram estão seguindo suas vítimas. — Makarov concluiu. — Talvez estejam seguindo mais membros da Fairy Tail. — ponderou, preocupado.

— A suposição do mestre está correta. — Gray, que tinha acabado de adentrar a sede da Guilda, afirmou, apontando para o próprio pescoço.

Todos os presentes o arregalaram os olhos, encarando-o estupefatos.

— A marca! — Lucy exclamou, percebendo os mesmo símbolos negros na pele do moreno. — E AS SUAS ROUPAS! — Gritou, apontando para ele, que trajava apenas a roupa íntima.

— E eu não fui o único a ser atacado. — Gray comentou, ignorando sua quase-nudez.

Tão logo fechou a boca, outros membros da Fairy Tail começaram a adentrar o salão, todos exibindo o mesmo sinal em seus pescoços: Juvia, Levy, Gajeel, Lisanna e Mirajane.

— MIRA-SAN! — Lucy gritou, incrédula.

— Nee-chan! — Exclamou Elfman.

— Mas você estava aqui até dois minutos atrás! — Evergreen comentou, sem compreender. Mirajane sorriu sem graça.

— Eu saí para pegar as correspondências, quando vi o pessoal chegando. — Começou a narrar. — Fui encontrá-los para contar sobre a morte de Yukino, mas uma pessoa passou por todos nós e nos derrubou. — Explicou.

— Isso já está beirando ao ridículo. — A loira comentou, com uma gota na cabeça, imaginando uma espécie de jogo de boliche bizarra, onde seus companheiros de guilda eram os pinos, e o garoto baixinho e gorducho descrito por Evergreen era a bola.

— Aham. — A maga de óculos concordou.

— Aliás, Lucy, isso chegou para você. — Mirajane interrompeu os devaneios da moça, entregando-lhe uma pequena caixinha.

— Pra mim? Por que enviaram para a guilda? — Questionou a loira — Não tem remetente. — Observou, temerosa, fitando o pacote.

— Abra Lucy. Está tudo bem. — Afirmou Makarov, transmitindo confiança para a maga.

O velho mago não sentiu nada de anormal com relação ao pacote, razão pela qual permitiu sua abertura. Mesmo assim, praticamente todos os presentes afastaram-se, desconfiados, com exceção de Natsu, que aproximou-se, curioso.

— Hei, é feio ver a correspondência dos outros! — Ralhou a maga estelar.

— Que seja, só abra de uma vez! — Incentivou o dragon slayer, impaciente.

Lucy desembrulhou a caixinha, que tinha mais ou menos o tamanho de sua mão, com cuidado. Assim que terminou de retirar o papel, sem mais delongas, abriu o pacote. Dentro dele havia apenas duas coisas: Uma carta e uma segunda caixinha.

— Não parece uma daquelas pegadinhas, onde você vai abrindo a caixa e mais caixas vão surgindo? — Comparou Gajeel.

— Deixe que ela leia a carta, sim? — Levy pediu.

— Como se eu a estivesse impedindo… — Retrucou o dragon slayer de ferro.

Heartfilia leu rapidamente o conteúdo da carta. Ao ver que todos a encaravam, curiosos, sentiu-se pressionada. Pigarreou, passando a ler em voz alta as linhas manuscritas da folha parcialmente amassada:

“Olá!

Sei que parece estranho, mas senti a necessidade de escrever. Mesmo que sejam algumas poucas linhas.

Amiga Lucy (Já me sinto no direito de chamá-la assim), após o término dos Grande Jogos Mágicos, me senti meio sem rumo, sem saber para onde ir. Já não era mais um membro do exército real, e várias propostas de guildas me deixaram confusa. Sem saber exatamente qual o melhor caminho, resolvi partir em uma jornada para procurar minha irmã, Sorano.

Enorme foi minha surpresa ao ser encontrada por ela. Isso mesmo: Não fui eu que a encontrei, ela veio até mim. Então, mais uma vez, protelei a minha decisão de me unir a uma guilda, para que pudéssemos passar algum tempo juntas. Sabe, por algum motivo, minha irmã tem um certo receio com relação a guildas. Sem querer me afastar, passei a viver com ela.

A convivência com Sorano foi calorosa e divertida, até eu perceber que minha irmã estava com problemas. E é por tais infortúnios que envio esta carta.

Sei que parece estranho enviá-la para a guilda, mas acredito que assim o risco dela ser interceptada seja menor. Também temo que, como estão atrás de nós agora, um dia cheguem até você. Eu não sei como estarei, ou como minha irmã estará quando esta carta chegar em suas mãos. Sei também que é muito egoísmo envolver uma guilda que já teve tantos problemas em outro confusão, mas isso mostra o quanto estou desesperada. Mas mesmo que algo me aconteça, imploro: Por favor, salvem minha irmã!

Sinto não poder passar mais informações, pois receio que esta carta caia em mãos erradas, situação que colocará em risco nossas vidas.

Esperando que todos estejam bem, me despeço na esperança de que atendam nosso pedido de socorro. Mande lembranças a todos e um abraço a Natsu-sama, Mirajane-sama, Wendy-sama, Happy-sama, Charle-sama e Lily-sama.

Yukino Aguria

Zamúria, 30.7.X791.

P.s.: Entregue o pacotinho ao Natsu. Talvez ele seja útil em um momento de desespero. Diga a ele que é meu agradecimento por ter invadido o hotel onde os magos da Sabertooth estavam instalados, para me defender.”

Lucy leu toda a carta com a voz embargada pelo choro. Quando terminou, todos se olharam pesarosos. Yukino previra que algo realmente ruim poderia lhe acontecer, como de fato havia acontecido. Agora, todos eles, mesmo que indiretamente, estavam metidos naquela mesma situação. Situação que nem sabiam dizer exatamente qual era.

Todavia, a ex-sabertooth fizera um um último e desesperado pedido: Que salvassem sua irmã. E mesmo sem pista alguma de como poderia fazer isso, e sem a informação se Sorano estava viva ou morta, Lucy estava decidida a fazer a vontade da amiga.

— Você vai para Zamúria, não é? — O mestre perguntou, percebendo as intenções da maga estelar.

— Sim. — Respondeu somente.

— Lucy, aparentemente eles estão atrás de magos celestiais. — Levy ponderou.

— Eles já me encontraram, não? — Respondeu a loira. — Não só me encontraram, como envolveram meus amigos nisso. — Falou, passando para Levy a mesma fotografia que Arcadios lhe mostrara na noite anterior.

Levy abriu a boca chocada, passando a foto para Gajeel. Logo, a gravura já havia rodado de mão em mão, causando uma onda de pasmaceira nos presentes.

— Entregue o pacote ao Natsu. — Makarov pediu, lembrando-se das palavras de Yukino. Lucy havia esquecido.

O dragon slayer do fogo não tinha dito uma palavra sequer desde que a carta de Yukino fora lida. Quando a loira colocou a pequena caixa na palma de sua mão, ele ficou encarando o objeto com um semblante indecifrável, por alguns momentos antes de abrir.

Talvez ele seja útil em um momento de desespero.

Essa frase ecoou em sua mente, causando-lhe um arrepio na nuca. Parecia que a Yukino estava fazendo outra previsão.

— Abra logo, Natsu! — Lisanna pediu, expressando o desejo e a curiosidade de todos. O garoto olhou por um breve instante nos olhos de Lucy, antes de rasgar o pacote.

— Um isqueiro? — Mirajane olhou curiosa para o objeto retirado da caixinha. — Natsu, você fuma?

— Você sabe que não! — Respondeu o mago do fogo, impaciente.

— Então por que ela te daria um? — Insistiu a albina mais velha.

— Isso não é óbvio? — Gajeel zombou — Ele é um dragon slayer do fogo. — Explicou.

— Mas isso é pouco para me alimentar! — Natsu comentou, mexendo com o pequeno objeto prateado entre os dedos.

— Aparentemente, Yukino o considera importante. — Makarov ponderou. — Então, mantenha-o seguro com você, não importa o que aconteça. — Orientou. — Principalmente se você acompanhar Lucy até Zamúria. Concluiu, vendo Natsu assentir.

— Mas é claro que vou acompanhá-la. — Declarou. Lucy sorriu agradecida.

— Eu também vou. Somos um time afinal. — Gray manifestou-se. — Temos que avisar a Erza que a viagem para Datra foi cancelada. Tenho certeza que ela também irá com a gente. — Lembrou.

— Se Gray-sama vai, Juvia também vai. — Falou a maga da chuva. — Também fui marcada, por algum motivo.

— Isso me faz pensar — O mestre começou — que essa magia foi lançada de uma forma estranha. — Analisou.

— Como assim, mestre? — Lisanna perguntou.

— Primeiro apenas Natsu e Lucy foram atingidos. — Começou a explicar. — Depois, Evergreen e Elfman. E, finalmente, o resto.

— O resto — Gajeel, Levy, Mirajane, Lisanna, Juvia e Gray repetiram mentalmente o adjetivo, extremamente depressivos.

— Onde o mestre está querendo chegar? — A maga estelar perguntou.

— A ordem dos eventos me faz pensar que vocês foram atingidos em duplas. — Revelou Makarov.

— HÃÃÃÃÃÃ??? — Todos reagiram, em uníssono.

— Mesmo que os últimos tenham sido atingidos ao mesmo tempo, estavam em um número par. Isso me faz acreditar que vocês foram escolhidos por afinidade. — Supôs.

— Espera aí! — Evergreen interrompeu. — Quem disse que eu tenho intimidade com esse grandalhão? — perguntou. Todos a olharam, sentindo um misto de constrangimento com incredulidade.

— Talvez a pessoa que empurrou vocês apenas tenha pensado isso, quando os viu brigando aqui na frente. — Respondeu o velho.

— Eu teria pensado isso. — Natsu argumentou.

— Definitivamente não teria. — Lucy cochichou para o mago do fogo, que corou sem graça na mesma hora.

— Mestre, seja claro, por favor. — Mirajane pediu.

— Creio que vocês estejam magicamente vinculados.

— Todos nós? — Natsu perguntou, em meio aos burburinhos preocupados.

— Você ao menos ouviu alguma palavra do que eu disse? — Perguntou o mestre abaixando e meneando a cabeça. — Se eu estiver certo, vocês foram vinculados por intimidade: Você e Lucy, Elfman e Evergreen, Gray e Juvia, Gajeel e Levy e Mirajane e Lisanna.

— E como eles poderiam saber disso? — Elfman questionou.

— Estamos sendo seguidos, lembra? — Evergreen respondeu.

— De qualquer forma, recomendo que não deixem de investigar na cidade de Datra. — Orientou o mestre. — Afinal foi lá que o primeiro ataque ocorreu. E também oriento que não se separem de suas duplas. Se eu estiver certo sobre o vinculo, se vocês estavam juntos quando a magia foi lançada, provavelmente também terão que estar para quebrá-la. — Concluiu.

— Certo! — Exclamou Natsu. — Vamos então! — Chamou, empolgado.

— Mais uma coisa, Natsu. — Makarov pediu. — Eu conheço alguém que talvez possa ajudar vocês. Por isso, peço que aguardem até amanhã para partirem, para que eu tenha tempo de fazer contato.

— Não acho que a gente possa perder tempo. — Respondeu o dragon slayer, impaciente.

— Natsu — Chamou Lucy -, se o mestre pensa assim, então é o melhor a fazer. — Opinou.

— Humph! — O mago do fogo soltou uma interjeição de revolta e cruzou os braços, resignado.

— Vocês tem até amanhã para se organizarem. — Ditou o mestre. — Dividam-se em duas equipes e, por favor, sejam prudentes. — Todos assentiram.

O pequeno homem encarou os magos um por um, até que parou o olhar sobre o mago do gelo.

— Gray, por favor, procure a Erza. — Pediu. — Tenho algo para conversar com vocês dois. — O moreno assentiu, antes de deixar a guilda para cumprir a ordem.

Logo, os magos presentes se dispersaram, cada um cuidando de seus afazeres, objetivando organizar tudo até a viagem. Lucy, sentou-se em uma das mesas da guilda, afastadando-se de todos. Leu e releu a carta de Yukino dezenas de vezes. Sem saber exatamente o porque, tinha o pressentimento de que ainda não havia encontrado tudo o que a amiga queria lhe dizer. Sentia que algo estava escondido ali.

Do outro lado do salão, observou Natsu sentado, assim como ela, sozinho em uma das mesas. Ele ainda mexia com o isqueiro que tinha ganhado, como se procurasse por algum significado oculto no presente. No fim, ele estava tendo a mesma linha de raciocínio que ela, que sentiu uma nova dúvida infiltrar-se em sua mente.

— Vinculados, Natsu e eu? - Perguntou-se, mentalmente. — Será?

Notas finais
Revisado dia 28.07.2016.