Vínculo Mágico

13 Fora de Controle


Notas iniciais
Olá! Primeiro: Perdão pelo atraso. Eu ando meio (muito) sem tempo, então não posso garantir a regularidade dos posts. Segundo: Eu já reclamei disso algumas vezes nos comentários. Eu não sei a razão, mas o editor de texto daqui as vezes come os espaços entre as palavras. Gente, sério, eu leio e releio o que eu escrevo e mesmo assim, sempre encontro esses erros na fic e nos meus comentários e respostas. Então, adiantadamente, me desculpo por isso. Terceiro: Gostaria de saber nos comentários se este capítulo correspondeu as expectativas de vocês. Quarto: A partir de agora, nas notas finais, falarei brevemente sobre os personagens criados por mim para esta fanfic, e talvez coloque algumas curiosidades. Então, é isso. Espero que vocês gostem.

Capítulo XIII — Fora de Controle

Lucy estava encostada contra a parede, abraçando os próprios seios, completamente petrificada pela situação que se encontrava. Natsu se aproximava ameaçadoramente, encarando-a como um caçador encara a presa. A loira engoliu em seco. Nunca tinha visto o dragon slayer a fitar de modo tão lascivo. Era estranho. Não parecia combinar com o Natsu bobalhão que convivia. Contudo, ainda que estranho, era completamente assustador.

Acuada, a maga celestial olhou para Pali, que agia como se estivesse assistindo um filme muito interessante. Só faltava a pipoca.

Num movimento repentino, correu em direção a inimiga, fazendo Natsu, que já avançava em sua direção, bater a testa na parede.

– Derrotá-la! Eu preciso derrotá-la para que Natsu volte ao normal. — Pensou, enquanto corria, pegando o chicote no chão.

– Eu não vou precisar lutar com você. — Disse a Aprendiz, despreocupadamente. Lucy logo entendeu o porquê. Olhando para trás pôde ver Natsu andando, calmamente, ao seu encontro.

– Não se aproxime! — Avisou a maga celestial, ativando o Fleuve d'Etoile.

– Lucy, você sabia que quando você usa o chicote, seus seios ficam descobertos? — Falou o mago, deleitando-se com a visão do seu busto.

– KYAAAAAA!!! — Gritanto, a maga abraçou os seios novamente. — HENTAI!¹

Natsu, aproveitando-se da brecha criada, puxou o chicote das mãos dela, pela segunda vez naquele dia. A loira tentou correr, mas o mago do fogo, em um movimento rápido, agarrou um de seus braços com força.

– Natsu, você disse que nunca me machucaria! — Lucy tentou, quase implorando.

– Mas eu não quero te machucar. — Respondeu ele, arrastando-a até uma das inúmeras mesas de pesquisa presentes no laboratório e a jogando sobre a superfície metálica. — Não quero te machucar. — Reforçou, colocando-se em cima dela.

– NATSU, NÃO! — A garota gritou, sentindo as mãos do dragon slayer subirem por debaixo de sua saia. — Por favor, para! — Sacudia-se, freneticamente.

– Você está me deixando louco, Lucy! — Falou o mago, imobilizando os braços da garota pelos pulsos. — Quanto mais se debate, mais eu desejo você. — Disse, tomando os lábios da maga celestial.

Lucy sentiu uma lágrima escorrer pela lateral de seu rosto. Nunca, nem em seus piores pesadelos tinha imaginado que seu primeiro beijo aconteceria daquela forma. Natsu movia a boca dele contra a sua quase com violência, forçando a entrada de sua língua. Se ela não tomasse alguma atitude, muito provavelmente sua primeira vez também seria uma lembrança desastrosa.

Sem muitas opções, a loira mordeu os lábios do Salamander, e o gosto de sangue invadiu seu paladar consequentemente. De imediato, o dragon slayer afastou-se, levando as mãos a boca ferida.

Por um instante, Lucy respirou aliviada. Apenas por um instante.

– Selvagem você, não? — Perguntou o mago, limpando o sangue que escorria pelo seu queixo, em claro tom de deboche. Aterrorizada, a garota percebeu que sua tentativa de defesa tinha falhado miseravelmente, pois ele a encarava com uma expressão ainda mais maliciosa.

Os olhos de Lucy se arregalaram com desespero percebendo a nova aproximação do dragon slayer e ela gemeu de dor ao sentir ele mordendo seu pescoço, ao mesmo tempo que apertava um de seus seios.

– NÃO NATSU, NÃO! PARA, POR FAVOR! — Gritou, quando o mago novamente deslizou as mãos sob o sua saia, alcançando sua roupa íntima. — FAZ ELE PARAR COM ISSO, POR FAVOR!!! — Implorou, chorando abertamente, enquanto encarava Pali de modo suplicante. A Aprendiz caminhava tranquilamente em direção a saída.

– De jeito nenhum. — A inimiga sorriu, maleficamente. — Imagina como ele vai se sentir quando acordar e descobrir que violentou a melhor amiga! — Falou, saboreando cada palavra. Lucy sentiu o coração afundar no peito. Por um segundo o semblante de um Natsu completamente arrasado tomou sua mente. — Preciso ver a expressão que ele fará. — Continuou Pali. — Porém, darei aos dois um pouco mais de privacidade até lá. — Concluiu, virando-se de costas e começando a caminhar.

A maga celestial gritou quando Natsu terminou de despi-la. Em pânico, tentava afastar o mago, que beijava e perpassava as mãos por todo seu corpo sem pudor algum. Enquanto empurrava o amigo, Lucy sentiu, na lateral do cinto dele, um metal gelado. Imediatamente constatou ser a adaga amaldiçoada e a puxou. Era seu único meio de defesa.

A garota sabia que se acertasse Natsu, ele dificilmente teria chances de sobrevivência. Na verdade, ela nem mesmo entendia como algo assim lhe ocorreu, num momento daqueles, onde a sua prioridade era a própria defesa. Mas ainda assim, pensou no amigo.

"Machucar Lucy nunca foi minha intenção. Isso nunca me passou pela cabeça."

A lembrança do Salamander sorrindo vitorioso enquanto proferia essas palavras voltou a mente da maga celestial, fazendo com que sua mão congelasse, apertando o cabo da faca.

Natsu estava sendo manipulado. Lucy sabia que ele nunca cometeria qualquer ato de violência contra ela estando em sã consciência. Entretanto, seu único meio de salvação custaria a vida do dragon slayer. E se não agisse logo, em momentos uma tragédia aconteceria inevitavelmente.

Quando o mago começou a tirar a própria roupa, uma possibilidade completamente improvável surgiu na mente da maga. Arriscando tudo que tinha, ela aproveitou-se que o domínio de Natsu sobre si tinha diminuído em consequência do ato de se despir. Reunindo todas a suas forças, impulsionou o corpo para cima, desequilibrando o rapaz que despencou da mesa e caiu de lado no chão. Com o próprio equilíbrio comprometido na ação, Lucy também descontrolou-se e caiu por cima dele.

Natsu ficou levemente atordoado com a queda, momento em que a Loira forçou-se a ficar de pé e deu um passo a frente. Segurando a faca pela lâmina, Lucy a arremessou em direção a Pali, que atravessava a porta. Porém, sem dar-lhe a chance de saber se a arma acertou seu alvo, o dragon slayer se recuperou e a puxou pelo calcanhar.

Mesmo tentando fugir, a maga celestial sentiu a barriga arrastar no chão frio. O mago do fogo, dominando-a novamente, virou-a para cima. Segurando com força em suas coxas, afastou suas pernas sem cerimônia, posicionando-se entre elas. Agarrando-se ao último fio de esperança, a garota inclinou a cabeça para trás, na tentativa de saber o que tinha acontecido com a adaga. Aliviada, constatou que tinha acertado a Aprendiz.

Um simples arranhão. Mesmo tendo provocado apenas uma lesão totalmente superficial no braço da garota, foi o suficiente para que a maldição começasse a se alastrar pelo seu corpo. Pali caiu, tomada pela dor, e começou a se debater, cancelando a magia que controlava o dragon slayer.

Quando voltou a si, Natsu não podia estar mais espantado com a situação em que se encontrava. O garoto estava entre as pernas da maga celestial, com o cinto desafivelado e a calça desabotoada, enquanto ela, a não ser pelas botas e meias rasgadas, jazia nua como veio ao mundo.

Lucy o encarava chorando, completamente vermelha e ofegante.

– OLHA AÍ, OLHA AÍ!!! — Exclamou o mago do fogo, arregalando os olhos e sacudindo os braços de forma cômica enquanto apontava o corpo desnudo da amiga. — DEPOIS VOCÊ FICA BRAVA QUANDO EU DIGO QUE VOCÊ NÃO PARA DE APARECER NUA NA MINHA FRENTE! — Esganiçou, levantando-se atabalhoadamente a afastando-se assustado. — Tudo por culpa dessa sua mania estranha de perder as roupas durante as batalhas. — Emendou, completamente alheio a situação. Lucy imediatamente se enfureceu, acertando um soco na cara do parceiro.

– NÃO AJA COMO SE NÃO LEMBRASSE DE NADA! — Gritou ela, com uma estranha vontade homicida.

– Como poderia me lembrar? Eu estava sendo controlado! — Defendeu-se Natsu, fechando a calça. — E você pode me explicar por que raios tentou tirar a minha roupa também? — Falou, afivelando o cinto. Inesperadamente, Lucy gargalhou. Gargalhou com vontade.

– Por quê? A mocinha ficou envergonhada? — Debochou a maga, fora de si. Natsu, adquirindo um tom de vermelho intenso, a encarou perplexo. — Vamos cair fora daqui, antes que outro desses malucos apareça. — Disse, levantando-se com dificuldade.

– E você vai assim? — Apontou novamente para a nudez de Lucy.

– VOCÊ ESPERA QUE EU VÁ COMO SE DESTRUIU MINHAS ROUPAS? — Berrou, a beira de espancar o amigo novamente.

– Eu o quê? — Salamander perguntou, achando a afirmação da parceira de time completamente absurda.

– Isso mesmo que você ouviu! — Respondeu. — Graças a você, não tenho nada para vestir.

O rubor na face de Natsu se intensificou. Mesmo que fosse extremamente inocente, o garoto sabia que despir alguém era uma situação completamente constrangedora. Todavia, tal como o esperado, a possibilidade de ter abusado da loira nem lhe passou pela cabeça.

O mais perto que ele chegou foi acreditar que Pali tinha se aproveitado do sentimento brincalhão que ele teve no dia que escondeu, juntamente com Happy, as roupas da maga celestial pouco antes de saírem do maid café em Datra², e o tinha intensificado a ponto de fazer com que ele arrancasse as vestes atuais dela na marra, destruindo-as no processo. Mesmo assim, um aperto de culpa tomou o seu interior, quando percebeu os olhos vermelhos e o rosto marcado de lágrimas dela, e apenas piorou quando descendo os olhos pelo seu corpo constatou a presença de vergões e hematomas. Estando fora de controle, era bem provável que tivesse exagerado na força enquanto tirava as roupas da amiga, que certamente havia resistido de todas as maneiras.

Lucy, percebendo que o mago a mirava, se agachou e encolheu, abraçando as próprias pernas, tentando cobrir o máximo que podia.

– Me perdoa! — O mago falou, abaixando-se diante de Lucy e se curvando, fazendo-a arregalar os olhos surpresa. — Lucy, eu não sei o que eu te fiz, mas por favor me perdoa! — Pediu, ainda inclinado. A maga sentiu novas lágrimas rolarem por sua face. — Eu disse que nunca te machucaria, e ainda assim...

– Tudo bem. — A garota interrompeu, todavia sem coragem de se aproximar. — Tudo bem, Natsu. Já passou. — Falou, esforçando-se ao máximo para esboçar um sorriso. Era Natsu afinal. O garoto que não acreditaria no que tinha feito, mesmo que lhe contasse. O mago do fogo ergueu o tronco, só então se dando conta da ausência da Aprendiz.

– O que aconteceu com ela? — Perguntou, localizando a oponente caída a alguns metros de distância.

– Eu... — Lucy falou, correndo em direção a Pali e se abaixando ao lado dela. — Eu não tive escolha. — Choramingou, o rosto ficando cada vez mais molhado. — A adaga era minha única defesa e você estava me atacando, ou eu acertava ela ou eu acertava você, eu não tive muito tempo para pensar, aí eu arremessei a faca, e agora ela está morrendo por minha culpa...

– Lucy, se acalma! — Natsu pediu se aproximando, ao ver que a maga desatou a falar e chorar ao mesmo tempo. — Você não teve culpa! Ela era a inimiga e estava te atacando. — Falou ao ver o pequeno corpo da Aprendiz tremendo fracamente.

– Eu não tenho a mínima ideia de como quebrar essa maldição! — Engrolou, a voz embargada pelo choro. — E se o que o livro diz for verdade, ela deve estar sofrendo muito agora. Já que ela só se arranhou, terá uma morte lenta e dolorosa se não fizermos nada!

– Vamos sair daqui. — O dragon slayer decidiu, se levantando. — Pelo que a Libra nos falou na sala de armas, talvez alguém aqui saiba como quebrar essa maldição. Afinal, a adaga estava protegida no nível laranja. — Lembrou.

– Ok. — Lucy falou, sem no entanto se mexer. Ela percebeu que Natsu tinha se afastado, e pelo som de seus passos soube que ele caminhava pela sala. Entretanto, não conseguia tirar os olhos da face marcada pela agonia da pequena Aprendiz. Alguns segundos depois, ouviu o mago do fogo se aproximar, e tremeu involuntariamente quando ele cobriu seus ombros com um tecido.

– Foi o melhor que pude encontrar. — Falou o mago do fogo, se afastando. Com os sentidos aguçados que possuía, percebeu com facilidade o temor acometer a maga celestial pelo simples contato indireto ao lhe envolver com um jaleco que tinha encontrado em um dos armários do laboratório.

A loira vestiu a peça branca e se levantou.

– Vai ter que servir. — Falou, mais para si mesma, abotoando o jaleco até a metade das coxas. — Natsu, nós precisamos dela! — Lucy lembrou-se, apontando para a Aprendiz no chão.

– Hã? — O dragon slayer olhou confuso.

– Ela tem a marca vermelha. — Explicou, pegando a mão da Aprendiz que sustentava a insígnia da Nihil Occultum. — Com essa marca talvez possamos libertar nossos amigos e sair daqui.

– Então vou ter que carregá-la. — Concluiu o mago. — Se encontrarmos mais inimigos pelo caminho, teremos mais dificuldades.

– Ainda assim, é a nossa melhor chance. — A loira insistiu. — Já tivemos dificuldades ao lutar com ela, não podemos nem prever o nível dos demais Aprendizes.

– Certo. — Natsu falou, pegando a pequena Aprendiz com cuidado e jogando sobre seu ombro esquerdo.

– Quentinho. — A menina engrolou, com uma voz quase inexistente, ao entrar em contato com o corpo do rapaz.

– Foi mal. — Desculpou-se o mago. — Mas na situação em que estamos, esse é o jeito mais seguro de te carregar. — Justificou. — Vamos Lucy! — Chamou.

– Só um minuto. — Pediu a maga celestial, que retirava os pedaços que tinha sobrado de sua saia do seu cinto, colocando-o envolta dos próprios quadris em seguida.

Lucy caminhou pelo laboratório juntando o que ainda poderia aproveitar. Pegou o Fleuve d'Etoile, de volta em sua simples forma de um chicote de couro, e o enrolou, prendendo ao cinto. Com os retalhos que haviam sobrado de sua vestimenta original, enrolou a Adaga com cuidado, com o fim de impedir que se ferisse com sua lâmina acidentalmente, e a prendeu em uma tira de tecido que tinha amarrado em volta da coxa direita.

– Pronto. — Falou, caminhando até onde Natsu estava. — Vamos. — Tomou a frente, atravessando a porta que havia ficado entreaberta desde o momento que Pali tentou sair da sala.

– Vamos procurar o Happy. — Natsu decidiu, seguindo a parceira de time. — Libra disse que ele está neste setor.

– Sim. Sala treze se não me engano — Lucy concordou. — Se Lily puder lutar, teremos um grande reforço.

Os dois amigos seguiram pelo corredor, conforme a numeração das salas crescia. Mesmo confuso, Natsu não contestou a atitude da parceira de manter uma distância considerável dele enquanto caminhava. Quando localizaram a sala treze, destrancaram a porta usando o marca de Pali e entraram.

– Happy! — Natsu gritou, procurando dentro das inúmeras jaulas da sala.

Lucy observou o ambiente, horrorizada. Ela já tinha imaginado que poderiam se deparar com criaturas estranhas, mas ainda assim, ver tantas bestas juntas, se debatendo desesperadas em busca da liberdade não era muito agradável.

– Então esses são os frutos das pesquisas da Nihil Occultum. — Falou para si mesma, observando uma criatura humanoide, que tinha mãos e pés semelhantes aos humanos, porém armados com garras de pelo menos 15 centímetros. O corpo era completamente coberto por pelos avermelhados, e os olhos, de um verde fluorescente, projetavam-se para fora dos globos oculares tal como o de um anfíbio. As presas do experimento erguiam-se em sua boca arreganhada, que volta e meia mordia as grades de metal que o continham, numa tentativa inútil de se libertar.

– Não consegui encontrar o Happy, Lucy! — Natsu avisou, preocupado.

– Tem muitos bichos aqui. — Respondeu, começando a duvidar que aquelas criaturas originalmente fossem apenas animais. — Vamos procurar melhor.

– Os exceeds não estão aqui. — Natsu afirmou. — Mas estiveram. Eu achei uma jaula vazia e pelo cheiro tenho certeza que estavam nela.

– Onde podem estar agora? — Indagou a loira. — Será que Jellal e Erza conseguiram libertá-los?

– Acredito que não. — Duvidou Salamander. — Se fosse o caso, provavelmente eu sentiria o cheiro deles.

– Não poderia mesmo ter sido eles. — Concordou a maga celestial. — Eles ficaram presos do outro lado da barreira, afinal.

– Só que eu estou sentindo também outro cheiro familiar. — Falou o mago, farejando. — Mas não consigo lembrar de quem é. — Completou.

– Você não pode pegar o rastro dos Exceeds? — Sugeriu a garota.

– O cheiro deles está se confundindo com o desses bichos. — Explicou. — Não consigo pegar o rastro.

– Nesse caso, o jeito é voltar e tentar passar pela barreira. — Lucy lamentou. — Como enfrentaremos Caelum nessa situação?

Naquele momento, ambos os magos sobressaltaram ao ouvir o barulho da porta da sala em que se encontravam se abrir. Alertas, olharam em direção a ela. Lucy até mesmo tinha pegado o Fleuve d'Etoile, quando viu o mago de feições comuns e cabelos negros que Gemini havia copiado entrar. Ambos piscaram confusos, sem saber de quem realmente se tratava o recém chegado.

– Até que enfim achei vocês! — Exclamou o homem de cabelos pretos. — Mesmo que Libra me dissesse mais ou menos onde teria que aparecer, é muito difícil te localizar quando não está com a minha chave. — Falou.

– Gemini! Ainda bem que é você! — Lucy exclamou, aliviada. — Como se recuperou tão rápido? — Perguntou.

– Caelum acertou apenas minha mão. — Lembrou. — Alguns segundos no mundo espiritual foram o suficiente para que ela melhorasse. — Explicou. — Libra me mandou de volta, dizendo que você estava em perigo.

– Você chegou um pouco atrasado. — A loira alfinetou, lembrando o terror que tinha vivido com Natsu no outro laboratório.

– Perdão. — Pediu o Espírito. — Mas com a diferença temporal dos dois mundos, segundos lá são minutos aqui. — Lembrou. — E também, não pude te localizar precisamente sem a minha chave, por isso demorei.

– Ok, ok. — A contratante assentiu, meneando a cabeça. — Está tudo bem agora.

– Qual o problema da garota? — Gemini perguntou, apontando Pali que ainda estava jogada sobre o ombro do Dragon Slayer.

– Foi ferida com aquela faca esquisita que a Lucy encontrou. — Natsu respondeu.

– Você pode copiar Pali, Gemini? — Lucy perguntou. Instantaneamente o espírito assumiu a forma da pequena Aprendiz.

– A magia dela é bem útil. — O espírito comentou. — Mas o nível de poder mágico não é grande coisa. É apenas um pouco inferior ao seu. — Falou apontando a mestra.

– Está insinuando que meu poder mágico também não é grande coisa? — Perguntou a loira, sob uma núvem depressiva.

– De jeito nenhum! — Gemini tentou consertar a situação, extremamente sem graça.

– Sei… — Respondeu ela, ainda incomodada.

– De qualquer forma, o que faremos com ela agora que temos Gemini? — Natsu perguntou, referindo-se a Aprendiz. — Carregá-la conosco diminui as nossas chances de defesa. — Alertou.

– Se a deixarmos, a menos que alguém que saiba quebrar a maldição a encontre, inevitavelmente ela morrerá. — A loira falou com pesar.

– Vocês querem livrar a inimiga da maldição? — Gemini perguntou, admirado.

– Apenas não queremos que ela morra. — Lucy respondeu.

– Bem, se esse é o caso, posso quebrá-la. — O espírito anunciou. Natsu e Lucy o encararam incrédulos.

– E onde você aprendeu a quebrar a maldição? — O Dragon Slayer perguntou.

– A própria Pali sabe. — Gemini respondeu. — Logo assimilei a informação quando a copiei. — Contou.

– Então faça de uma vez! — Lucy pediu, sentindo-se mais aliviada.

– Mas vocês têm certeza disso? — O espírito perguntou. — Vocês irão mesmo curar uma inimiga praticamente derrotada, dando a ela a chance de se voltar novamente contra vocês? — Insistiu.

– Sinto muito Natsu, Gemini. — A maga celestial desculpou-se. — Mas não posso carregar o peso da morte dela.

– Nesse caso — Natsu começou -, você pode manipulá-la, não? — Perguntou ao espírito. — Ela manipulou a mim e a Lucy com base em nossos sentimentos. Você pode vasculhar os sentimentos dela em busca de algo que a impeça de lutar? — Sugeriu. A maga celestial encarou o amigo admirada com sua estratégia.

– Isso pode funcionar! — Exclamou, animada.

– Talvez seja possível. — O espírito respondeu.

– Então vamos logo com isso. — Natsu falou, estendendo o corpo da menina no chão.

– Ok. — Gemini assentiu. — Me entregue a adaga, por favor. — Pediu aos magos. Lucy, prontamente, sacou o objeto da tira amarrada em sua coxa e o entregou ao espírito.

– O que você vai fazer? — O mago do fogo perguntou, curioso.

– Essa maldição tem duas regras interessantes. — Disse Gemini, enquanto desenrolava a faca das tiras em que estava envolta. — A primeira é que ela não pode ser quebrada pelo próprio amaldiçoado. — Contou. — E a segunda é que ela exige que a própria adaga seja usada no ritual de reversão. — Falou, enquanto exibia o objeto, finalmente livre.

– Como assim? — A maga celestial perguntou, observando preocupada o espírito rasgar a manga do sobretudo que Pali usava, deixando a ferida em seu braço completamente visível e logo depois aproximar a lâmina do pequeno ferimento provocado.

– Se o corte dela fosse um pouco mais grave, eu não precisaria fazer isso. — Gemini avisou e logo em seguida aprofundou o ferimento no braço da garota, fazendo o sangue escorrer por ele ao mesmo tempo que ela gemia de dor. — Só é possível expulsar a maldição do corpo pela ferida pela qual ela entrou, usando o sangue proveniente dela. — Explicou.

Natsu e Lucy observaram atentos o espírito molhar a ponta da faca no sangue da garota e começar a escrever com ela símbolos estranhos em volta do machucado.

– A Nihil Occultum possui registros sobre este ritual. — Explicou Gemini. — Ele pode ser usado para quebrar várias maldições similares a esta. — Falou, e logo depois recitou as estranhas palavras que havia escrito.

Imediatamente, uma aura negra começou a emanar do corte, como se estivesse sendo expulsa do corpo. Pali, contorcia-se ainda mais, tomada pela dor.

– Pronto. Está feito. — Concluiu Gemini, improvisando um curativo com a manga que rasgara anteriormente. Levantando-se, devolveu a adaga a maga celestial, que a enrolou e prendeu novamente na lateral de sua coxa.

– Incrível! — Lucy exclamou, logo após observar todo o processo.

Surpreendendo o espírito e a contratante, Natsu pegou novamente a Aprendiz, agora desmaiada, no colo.

– O que você vai fazer? — A loira perguntou, acompanhando o amigo que agora caminhava por entre as jaulas.

– Tentar impedir que ela venha atrás de nós. — Falou, andando até uma jaula vazia que viu quando inspecionara a sala atrás dos exceeds. — Você! — Exclamou, apontando para Gemini com a cabeça. — Sabe como abrir estas jaulas? Não parece ser com a marca da seita. — Observou.

– São jaulas convencionais. — Gemini falou. — Pali não trabalhava nesse setor, mas tem uma vaga noção de como funciona. — Contou. — Acho que em algum lugar da sala existe uma lacrima de controle. — Supôs, se afastando para procurar.

Natsu e Lucy aguardaram enquanto o Espírito verificava, e levaram um pequeno susto quando a jaula se abriu.

– Achei!!! — Gritou o espírito com a voz da Aprendiz, de algum ponto do ambiente.

Natsu, colocou o corpo inerte da garota dentro das grades, e gritou para que Gemini as trancasse em seguida.

Quando o espírito voltou, Natsu e Lucy descobriram que os poderes de Pali permitiam que ela manipulasse as pessoas mesmo inconscientes, ao verem Gemini aumentar o medo que ela sentiu quando juntou-se a Nihil Occultum para tentar impedir que ela os atrapalhassem novamente.

– Como ela nunca passou pela experiência de ser manipulada com os próprios poderes, não sei quanto o controle irá durar, ou mesmo se ela própria pode quebrá-lo. — O espírito alertou. Os magos assentiram.

– Apenas vamos sair daqui. — A loira pediu. — Temos que aproveitar o acesso que uma marca vermelha nos dá para escapar o quanto antes.

– Certo. — Natsu respondeu, e os três se dirigiram a saída.

Tendo a porta desbloqueada pelo espírito, o pequeno grupo seguiu correndo pelo corredor no sentido da barreira de escombros, com o Dragon Slayer tomando a dianteira impacientemente.

– Eu sei o que aconteceu no outro laboratório. — A falsa Aprendiz falou de supetão a contratante, que levou um tropeção devido ao susto da revelação, quase caindo de cara no chão.

– O quê? — Perguntou Lucy, lutando para manter o equilíbrio e adquirindo a coloração de uma beterraba. — Não aconteceu nada! — Tratou de emendar, diminuindo radicalmente a altura de sua voz.

– Como Pali presenciou tudo, é como seu eu tivesse presenciado também. — O espírito cochichou. — Você ainda consegue confiar nele, mesmo após tudo o que aconteceu? — Perguntou aproveitando-se da distância que o Dragon Slayer havia tomado.

– Os sentimentos dele estavam distorcidos naquela hora. — A proprietária justificou.

– Você está falando isso para mim ou para si mesma? — Questionou o espírito. Lucy, sem interromper a corrida, encarou o chão.

– Não é como se eu fosse esquecer do que aconteceu. — Respondeu. — Acho que eu tenho o direito de me chatear, mesmo sabendo que se não fosse manipulado, Natsu nunca me faria mal. — Admitiu. — No entanto, ele salvou minha vida tantas vezes, e se esforça tanto para me proteger, que estou me obrigando a relevar. — Concluiu.

– Entendo. — Gemini concordou, complacente. Tendo copiado a dona tantas vezes, já possuía uma vaga noção dos sentimentos que ela vinha nutrindo pelo companheiro de equipe, mesmo que ela própria não se desse conta. — Pelas informações que consegui copiando Pali, é possível que futuramente vocês se lembrem dos momentos em que foram manipulados por ela. Acredito que então você terá que convencer Natsu que realmente relevou o acontecido. — Lucy arrepiou-se com a informação.

– Até lá, terei superado. — A maga celestial declarou, convicta, encerrando o assunto. Sem saber exatamente o porque, a possibilidade de ver o semblante do amigo magoado não lhe agradava nenhum pouco.

Todavia, no momento daquela conversa, ela tinha ignorando totalmente a audição aguçada do dragon slayer, que mesmo com a considerável distância que os separava, se perguntava até onde suas ações tinham afetado a maga celestial, a ponto de provocar aquela mágoa que pode perceber tão claramente em seu tom de voz.

– Lucy...– Pensou ele, diminuindo um pouco o ritmo em que corria. — O que foi que eu fiz?– Perguntou-se mentalmente, tentando deduzir de quais atos decorria o peso que se instalava em sua consciência.

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Notas:

¹ Até agora não tinha usado muitas palavras japonesas na fanfic. Mas não consigo imaginar Lucy reagindo de outra maneira nessa parte.

² Fatos ocorridos no primeiro capítulo desta fanfic.

Notas finais
E aí? O que acharam? Como eu disse lá em cima, falarei um pouquinho dos novos personagens. No caso, hoje apresentarei melhor um dos Aprendizes. Ref Kasashen: Sendo originalmente um militar do império de Édolas, Ref foi o segundo Aprendiz de confiança a ser treinado por Kotaro. Se juntou a Nihil Occultum prontificando-se a servir o líder da seita na esperança de ter seu pai ressuscitado pelo Projeto Heaven. As habilidades que ele adquiriu permitem basicamente que ele torne qualquer objeto, animado ou não "atravessável", incluindo o próprio corpo, sem mencionar sua impressionante habilidade em combate. Curiosidade: Ref Kasashen significa estrangeiro. Espero que vocês tenham gostado do capítulo. Vejo vocês nos comentários e no próximo post. =D