Vínculo Mágico
1 Estranha Missão
Notas iniciais
Capítulo I — Estranha Missão
— Olha, as meninas eu até entendo, afinal todas foram convidadas. — Lucy comentou contrariada, com as mãos na cintura enquanto meneava a cabeça. — Mas o que raios você está fazendo aqui??? — Terminou a frase exaltada, apontando o dedo para Natsu.
— Como "o quê"? — O garoto com uma estranha cor de cabelo rebateu. — Nós somos um time, lembra?
— Esse lugar é um Maid Café Natsu! — Lucy explicou – Não há lugar para você trabalhar dessa vez!
— Se o Gray pode, por que eu não posso? — Questionou Natsu, bicudo, apontando o companheiro de guilda que servia uma mesa de garotas do outro lado do recinto, vestido de Gogo Boy.
— Aquilo ali é um caso a parte... — A garota loira comentou, resignada. — Afinal essa mania estranha dele lhe rendeu alguma coisa...
— Já que eu não posso trabalhar, vou ficar aqui, comendo. — O Dragon Slayer finalizou.
— Aye! — Happy assentiu. O gato azul estava tão ocupado enchendo a boca que ainda não tinha participado da conversa.
— Que seja. — Lucy concordou derrotada. — Mas por favor, por favor Natsu, não destrua nada. Esse é um trabalho fácil que vai me garantir o aluguel deste mês.
O mago apenas assentiu com a cabeça, pois sua boca estava cheia demais para que ele pudesse conversar. Lucy olhou a cena, nojenta diga-se de passagem, dos dois amigos comendo. Sorriu de leve, deu meia volta e continuou a trabalhar.
Desde que a Fairy Tail ganhara os jogos mágicos, inúmeros pedidos de trabalhos chegavam para a Guilda, a ponto de terem que providenciar mais murais para comportá-los. Os pedidos variavam dos mais comuns, como chutar a bunda de algum mago ladrão, até os mais estranhos, como este, que Lucy estava realizando agora.
Tratava-se de um pedido para que todas as meninas da Guilda trabalhassem como Maids, por um dia, em um evento especial promovido por um Maid Café de Datra, cidade vizinha a Magnolia.
O pagamento? 90.000 Jewel por garota. No começo ninguém mostrou muito interesse, mas quando Lucy disse que aceitaria, várias outras meninas a seguiram, dizendo que poderia ser divertido.
Apesar de ter ficado satisfeita de não ter que pagar esse mico sozinha, Lucy sentiu um calafrio na mesma hora. Se ela fosse sozinha, faria o serviço, receberia o dinheiro, e voltaria tranquilamente. Mas com todas aquelas pessoas da guilda ali, ela temia que cedo ou tarde alguma confusão estourasse e o lugar acabasse destruído. Por mais de uma vez ela teve que separar Natsu e Gray, pois eles, como sempre, não paravam de brigar.
— Bem vindo de volta, Mestre! — Lucy cumprimentou, curvando-se, um senhor extremamente bizarro. Ele era bem alto, mais até que Elfman, porém magro como um varapau. Seus cabelos eram pretos, na altura dos ombros e lisos. O nariz era largo como uma batata, e os lábios eram tão grandes que pareciam mal encaixados na face. Para piorar, ele vestia-se com uma Cartola laranja fluorescente, e um paletó amarelo com listras roxas.
— Estou de volta, Lucy-Chan! — O estranho cliente respondeu. Lucy estremeceu com o asco provocado pela longa olhada que o cliente lançou para o seu corpo.
— Maldito Pervertido! - Pensou. Ignorando o incômodo, acompanhou o cliente até uma mesa, atendendo-o normalmente.
• • •
O expediente estava quase no fim, mas ao mesmo tempo parecia que nunca acabaria. Lucy estava esgotada, doida por um banho e pensando, quase em desespero, que ainda teria que enfrentar uma viagem de trem para voltar para Magnolia. Tanta coisa já tinha acontecido que era quase um milagre o Maid Café ainda estar de pé.
O dia tinha sido extremamente difícil. Os magos da Fairy Tail, definitivamente, não eram os melhores exemplos de funcionários.
Erza atendia todos os clientes sentando sobre a mesa e cruzando as pernas sensualmente. Até aí, nada anormal.
Gray, que tinha sido excepcionalmente contratado por ter atraído um grande grupo de garotas com seu estranho hábito de se despir, já tinha se envolvido em incontáveis brigas com Natsu desde que chegara ali. O Dragon Slayer não havia sido contratado devido a sua fama de destruir os locais das missões, o que o deixou um tanto irritado. Até aí tudo bem, já que Lucy e Erza sempre separavam os magos antes que a situação ameaçasse piorar.
Júvia parava de trabalhar a todo momento para bajular Gray e lançar olhares ameaçadores para todas as meninas que o rodeavam. Os problemas começaram aí.
O dono do estabelecimento começou a se irritar com a desatenção da maga da chuva, advertindo-a várias vezes de que a colocaria para trabalhar na cozinha caso não voltasse às suas funções. Juvia realmente tentou se esforçar, mas quando percebia, já estava pendurada no pescoço de Gray. Sem paciência, o dono do Maid Café mandou que ela lavasse as louças.
Como se não bastasse, Levy e Wendy, desacostumadas com o serviço de garçonete, se atrapalharam várias vezes, esquecendo e trocando os pedidos dos clientes e até mesmo derrubando alguns pratos, o que contribuiu para deixar o dono do lugar ainda mais desgostoso.
As únicas que estavam indo realmente bem eram Lucy e Lisanna, que se desdobravam para cobrir todas as mesas do local. A maga estelar, entretanto, estava começando a se atrapalhar, pois o cliente bizarro que atendera mais cedo estava ali a horas, pedindo mais e mais pratos, exigindo cada vez mais o atendimento dela — exclusivamente dela — impedindo-a a servir os demais clientes. Sem contar o fato que ele não tirava os olhos de seu corpo um minuto.
Quando a gerência estava começando a receber reclamações de demora no atendimento, Lucy se desesperou e tentou compensar os erros, enrolando-se ainda mais.
Foi quando ela reparou que em uma mesa próxima, Virgo atendia alguns clientes.
— Quem te chamou aqui? — Quase berrou com o espírito.
— Devo ser punida, princesa? — A empregada indagou, ignorando a pergunta da loira.
— Pare de falar coisas assim! — Lucy pediu — Ainda mais nesse lugar!
Não que isso fosse adiantar muito. Virgo tinha passado despercebida por causa de sua roupa de empregada — embora fosse diferente do uniforme das demais — e vinha atendendo as mesas pedindo para ser punida pelos clientes. Isso atiçou o fetiche de muitos deles, que ficaram enlouquecidos.
— Não, não! Deixe que ela continue! — O dono do estabelecimento exclamou. — Ela é ótima. Está compensando todo o estrago de mais cedo. — Completou com um olhar severo. Lucy sentiu o rosto corar.
— Me desculpe, mas apesar do uniforme de empregada, não costumo explorar meus espíritos. — A maga respondeu.
— Quem falou em explorar? — Respondeu o outro — Eu pago por ela! Pago o dobro!
— Bem, nesse caso… — Lucy começou — Consulte a própria Virgo.
— O que você acha? — O homem dirigiu-se ao espírito, com os olhos esperançosos.
— Você vai me punir por isso, princesa? — Virgo perguntou a contratante.
— JÁ DISSE PARA PARAR COM ISSO!!! — A loira gritou ao ver como os homens ao redor ficaram animados com a pergunta. — Faça como quiser, ok? Só por favor, não destrua nada.
— Entendido, princesa!
Agora, com o serviço quase concluído, Lucy respirava aliviada. Virgo havia sido de grande ajuda. Tinha colocado todo o lugar em ordem, e dava conta de tudo praticamente sozinha. A única coisa que ainda incomodava Lucy era o homem estranho, que a permanecia ali, fitando-a enquanto bebericava um chá. Lucy estremeceu involuntariamente, para em seguida sobressaltar-se, quando um barulho ecoou em algum lugar do estabelecimento. Natsu tinha finalmente acertado um soco em Gray, que voou longe, aterrissando bem em cima da mesa do cliente bizarro.
— Agora você vai ver só, palito de fósforo! — Gritou o mago do gelo, que correu e acertou um chute na Cabeça de Natsu, fazendo com que ele destruísse nada menos que três mesas. Contudo, o dragon slayer mal caiu e imediatamente levantou-se, acertando mais uma vez um soco no adversário.
Quando Gray preparou-se para revidar, Lucy o agarrou por trás, tentando impedir que mais danos fossem causados ao local. Mal sabia ela que se arrependeria imediatamente do ato. Juvia, que tinha saído da cozinha para verificar os acontecimentos, agora lançava para a maga estelar um olhar assassino.
— "Rival no Amor" está agarrando Gray-sama! — Exclamou entredentes. — Juvia vai matar a "Rival no Amor"! — Gritou correndo em direção a ela.
— Juvia, para! — Lucy gritava. Mas a maga da chuva Já tinha se jogado em cima dela.
Erza, percebendo a situação, correu e segurou Juvia, que imediatamente se desfez em água para se refazer novamente em cima de Lucy. Porém, esta já tinha invocado Horologium, e agora encontrava-se encolhida e apavorada dentro dele.
— "Para, Juvia! Eu só estava tentando separar Gray e Natsu!" Disse ela. — Horologium repetiu.
— Rival no Amor! — Juvia Gritava.
— Pare já com isso, Júvia! — Erza mandava.
Enquanto isso, Natsu e Gray continuavam a trocar golpes, espantando os clientes do local e reduzindo tudo a pó, com as demais magas da Fairy Tail tentando separá-los. Não demorou muito e Lissana e Levy foram nocauteadas com golpes perdidos.
— MAS QUE ZONA É ESSA NO MEU PRECIOSO ESTABELECIMENTO??? — Berrou o dono do local, que tinha acabado de entrar. Só então todos pararam e olharam para ele.
— Você deveria dizer seu antigo estabelecimento. — Uma voz gritou do fundo. Todos viraram, se deparando com o cliente bizarro sentado no chão enquanto ria, batia palmas e se deliciava com a situação.
—"O que esse cara ainda está fazendo aqui?" — Disse ela. — Horologium repetiu pouco antes de sumir.
— BA-KA-KA-KA-KA-KA! — A risada do cliente era tão bizarra quanto ele. — Os boatos são todos verídicos! A Fairy Tail é realmente a melhor. — Todos se encararam perplexos. Ninguém sabia exatamente porque aquele ser estranho tinha entrado nesse assunto.
— Senhor, me desculpe, me desculpe! — O dono do lugar pedia, curvando-se para o cliente. — Me desculpe pela confusão.
— Não se preocupe, eu realmente me diverti hoje. — O cliente pediu. — Tome, aqui está o dinheiro da conta. — Disse entregando o dinheiro ao dono.
— De jeito nenhum! — O dono respondeu. — O senhor passou por todo esse transtorno. Não posso receber.
— É melhor aceitar. — O cliente insistiu. — O senhor vai precisar de um bom dinheiro para dar um jeito nisso aqui. — Apontou o local destruído. O dono pegou, resignado. — E aqui está uma generosa gorjeta para essa linda maid loira aqui. — Entregou o dinheiro a Lucy, beijando sua mão em seguida. Mesmo com o gesto bondoso, Lucy tremeu com nojo.
O cliente ia se retirando do recinto, quando parou na frente de Natsu.
— Boa briga garoto! — Falou dando um tapinha no ombro do dragon slayer, que olhou meio sem entender. Em seguida, o homem bizarro sumiu porta afora. Todos se encararam perplexos quando uma voz irritante cortou o silêncio.
— A LUCY TEM UM NAMORADO! — Happy gritou.
— O QUÊÊÊÊÊÊÊÊ??????? — A loira berrou em resposta.
— ELA GOXTA DELE! — Happy continuou.
— Gosto nada, gato maldito! — Lucy rebateu.
— Pensando bem, ele não tirou os olhos de você, Lucy. — Erza comentou.
— É. Ele ficou o tempo inteiro olhando os peitos dela. — Gray finalizou. A essa altura, Lucy já estava com uma enorme nuvem negra sobre sua cabeça.
— Ah! — Exclamou Natsu — Então é por isso que você vive me expulsando do seu apartamento! — Concluiu.
— Não é por isso! — Rebateu — É porque você é um idiota inconveniente que não me dá um pingo de privacidade! — Respirou pesadamente — E como você conseguiu chegar a esse tipo de conclusão?
— Poxa Lucy, porque você nunca me disse que tinha um namorado? — Indagou Natsu magoado, totalmente ignorando a pergunta da companheira de guilda. — Pensei que fôssemos amigos.
— PORQUE EU NÃO TENHO! — A maga estelar gritou.
— Mas o Happy diz que tem. — Natsu retrucou.
— EU LÁ TENHO CARA DE QUE NAMORARIA UMA ESTRUPÍCIO DAQUELES? — Gritou.
— Se Lucy tem um namorado, Juvia não precisa mais se preocupar com ela e Gray-sama. — Falou a maga da chuva, agarrando o braço de Gray.
— Mas eu não tenho! — Chorou Lucy.
— Já chega dessa discussão sem sentido! — O dono do Maid Café cortou a discussão. — Vocês me deram um enorme prejuízo hoje. Vamos acertar as contas.
• • •
— Meu aluguel! — Lucy chorava enquanto caminhava para a estação.
— Foi mal Lucy. — Natsu e Gray falaram juntos esfregando a cabeça em gestos idênticos.
— Um serviço fácil… Um serviço tão fácil! Como vocês conseguem transformar tudo em um campo de batalhas?
— Isso sempre foi assim. — Levy comentou. — Sinto muito por seu aluguel Lu-chan.
— Obrigada Levy-chan. — A loira sorriu.
— Princesa! — Virgo chamou.
— Você ainda está aí? — Perguntou. — O que foi?
— O dono do Maid Café me pagou pelo serviço. — Todos estacaram e olharam para o Espírito.
— Por que só você? — Lisanna perguntou.
— Acho que ele se encantou pela Virgo-san. — Sugeriu Wendy.
— A princesa pode ficar com o dinheiro e pagar o aluguel. — A epregada ofereceu.
— De jeito nenhum! — Lucy exclamou. — Você trabalhou e ganhou esse dinheiro. Eu não poso aceitar.
— Dinheiro não tem utilidade no mundo espiritual. — Explicou a empregada — Além disso, minha função é te ajudar e te proteger, independente do modo que isso aconteça.
— Nesse caso, eu fico grata. — Lucy respondeu, quase chorando.
— Eu fiz você chorar? Devo ser punida agora? — Virgo falou.
— SOME DAQUI! — Lucy gritou. Então o portão de virgem se fechou. — Agora que eu resolvi esse problema, será que vocês podem me dizer POR QUE RAIOS SUMIRAM COM AS MINHAS ROUPAS??? — Olhou para Natsu e Happy, que caíram na gargalhada.
Ao contrário de todos, que já vestiam seus trajes costumeiros, Lucy ainda vestia o uniforme de empregada, que era um tanto sensual. A saia era extremamente curta e o decote bem cavado. Além disso, fazia parte do uniforme do evento uma meia-calça arrastão.
— Combina tanto com você Lucy! — Natsu comentou, rindo.
— Aye! — Happy também ria.
— Ora, seus… — Lucy rangia os dentes. — Como vocês tem coragem de me deixar sair na rua assim?
— Mas parece que a Lucy gosta dessas roupas! — Happy comentou. — Afinal, você poderia ter tirado o arco, o avental e as meias, mas mesmo assim continua com o uniforme inpecável. — Emendou, provocando risadas em todos.
Lucy ficou totalmente vermelha com o comentário. Isso nem mesmo lhe ocorrera. Com Raiva, ela começou a arrancar as peças do uniforme ali mesmo.
— SOCORRO! — O exceed gritou — Tem uma empregada louca fazendo um strip no meio da rua! — Completou, fazendo Lucy ficar ainda mais vermelha, pois todos os transeuntes olharam para ela.
— GATO MALDITO! — Gritou.
— Lucy-san! — Wendy chamou.
— O que foi Wendy?
— O que é essa marca estranha no neu pescoço? — A pequena maga apontou.
— Marca? — Lucy respondeu enquanto pegava um espelho na bolsa que trazia. — Mas que marc… QUE PORCARIA É ESSA? — Berrou pela milésima vez naquele dia. Tratava-se de um tipo se escrita, em preto, que rodeava o pescoço da Maga, que até um pouco antes estava parcialmente escondido por uma fita de cetim.
— Legal! A Lucy fez uma tatuagem! — Happy exclamou.
— Tatuagem nada! — Ela respondeu. — Eu não faço a mínima ideia de como isso apareceu aqui!
— Parece algum tipo de escrita… — Erza se aproximou. — Levy, você reconhece?
— Eu nunca vi esses símbolos antes! — Respondeu Levy. — Mas posso pesquisar assim que chegar.
— Lucy, você tem noção de como isso pode ter acontecido? — Lisanna perguntou.
— Não mesmo! — Respondeu a loira. — Com exceção da Virgo e de Horologium, eu nem mesmo usei magia hoje.
— Lucy… — Erza começou — Isso pode ser algum tipo de maldição. — A maga estelar arregalou os olhos. — Vamos procurar o mestre assim que chegarmos. — Determinou a Ruiva. Lucy engoliu a seco.
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