Vínculo Mágico
18 Contratempo
Notas iniciais
Capítulo XVIII — Contratempo
— Você tem certeza disso? — Angel perguntou, correndo pelos corredores estreitos e acinzentados. Era o primeiro ambiente da Nihil Occultum que não fosse inteiramente branco que ela tinha estado até então.
— Claro. — Ophiuchus respondeu, acompanhando-a. Ao contrário da maga celestial, o espírito não parecia se cansar nem um pouco nessa tarefa. — A Nihil Occultum já não serve mais para os meus planos. Eu sei que existe uma ínfima possibilidade de trazer Heartfilia de volta, mas acredite em mim, é bem improvável. — O espírito explicou. — É mais fácil sairmos e encontrarmos outro mago celestial que possamos usar, ou, na melhor das hipóteses, esperamos o retorno de Heartfilia e a capturarmos em um momento mais oportuno.
Assim que começou a batalha na sala de execução, logo após Lucy cravar a adaga no próprio corpo, Ophiuchus chamou Sorano para que abandonassem a base da Nihil Occultum. Quando a maga questionou porque elas fugiriam, ao invés de ajudar a seita, o décimo terceiro espírito explicou que sem Lucy, os planos de Kotaro eram inúteis por enquanto.
Ophiuchus sabia que os demais espíritos zodiacais fariam de tudo para reverter a situação da maga celestial. Contudo, sabia também que isso dependia de muito esforço, bem como muita sorte, além de uma ligação praticamente inquebrável entre a maga celestial e os espíritos contratados. Sendo Libra e Pisces contratos recentes, dificilmente a façanha daria certo. Assim, pegando as doze chaves douradas e o livro “Segredos Zodiacais”, a irmã de Yukino traiu seus aliados, empreendendo fuga por túneis de emergência descobertos pelo espírito do serpentário.
— Kotaro ficará furioso. — A maga concluiu.
— Ficará. Mas dificilmente ele conseguirá escapar daqui. E se você não se apressar, também não conseguirá. — Alertou o espírito vestido de enfermeira.
— Ainda poderemos trazer Yukino de volta, certo? — Angel perguntou, apreensiva.
— Claro. Como eu disse anteriormente, é só conseguirmos outro mago que possamos usar na construção do portal. — Falou, tranquilizando a outra.
Espírito e Contratante continuaram correndo pelo túnel, quando repentinamente um forte estrondo interrompeu a fuga. Angel sentiu o corpo ser lançado para trás e, logo em seguida, ser arrastado pelo chão de concreto.
A maga parou ao bater dolorosamente na parede, sendo acertada por vários escombros que vinham voando em seguida.
Atordoada, abriu os olhos, buscando saber o que estava acontecendo. Assim que o fez, sentiu as órbitas arderem por serem atingidas pelo sangue que deslizava de um corte recém-aberto em suas têmporas. Tentou se mexer, mas não podia. Destroços do túnel jaziam caídos em cima de suas pernas, bloqueando seus movimentos. O livro e as chaves que trazia anteriormente, tinham voado para longe de suas mãos, impedindo-a de usar magia. Ophiuchus, aparentemente, havia se desmaterializado.
O som de passos alertou-a, fazendo com que aquietasse imediatamente. Sua visão limitada não permitia que visse o rosto das pessoas que se aproximavam, mas ela poderia dizer que não eram poucas. O grupo recém chegado parou ao perceber a presença da maga ferida.
Mesmo enxergando tudo de forma turva, Angel viu os pés de uma das pessoas avançando em sua direção. Involuntariamente, estremeceu por inteiro. Contudo, antes que pudesse descobrir a identidade de quem se aproximava, sua mente afundou em estado de inconsciência.
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— VÃO ATRÁS DELES! — Kotaro berrou para Ícaro e Randha, assim que o dragon slayer do fogo deixou a sala de execução, que prontamente obedeceram, subindo os degraus apressadamente.
— Não deixem eles irem! — Mirajane gritou, decidida a acabar com os planos do inimigo.
Meldy, tentando impedi-los, os seguiu escada acima, lançando suas lâminas sensoriais, porém acertando apenas a terceira Aprendiz, que caiu em agonia. Ícaro, que se esquivara facilmente, abriu a porta e rumou para o corredor do setor vermelho, decidido a alcançar Natsu.
Randha fez menção de se levantar, porém Meldy lançou novas lâminas, atingindo novamente a inimiga.
— SUA VADIA! — Gritou a Aprendiz — Eu juro que vou te matar!
— Pois faça! — Meldy respondeu, mostrando o pulso. — Eu acabei de ligar nossas vidas através do meu Link sensorial. — Avisou, exibindo a brilhante marca cor de rosa característica de sua magia. — Isso quer dizer que se você me matar, também morrerá. Mas não há problema, não é mesmo? Afinal, você quer reencontrar seu noivo!
Randha gargalhou, olhando a marca correspondente no próprio pulso. Levantando-se, encarou a inimiga debochadamente.
— Isso quer dizer que você também não pode me atacar sem sentir os efeitos. — Concluiu. — Você não atou apenas as minhas mãos. Atou as suas também. — Completou.
— De fato, ninguém pode alvejar uma de nós duas sem fazer com que a outra sinta os mesmos efeitos. — Concordou a garota de cabelos rosas, caminhando lentamente em direção a inimiga. — Acontece que você se esqueceu de um pequeno detalhe. — Falou, fazendo uma pose um tanto arrogante, com a mão esquerda apoiada na cintura e a direita ostentando o dedo indicador a centímetros do nariz da Aprendiz.
Antes que a inimiga pudesse perguntar qual o pequeno detalhe para o qual não se atentara, Meldy surpreendeu-a com um forte — e incrivelmente rápido — chute na cabeça, nocauteando-a instantaneamente.
— Quem controla o link sensorial sou eu. — A garota revelou, vitoriosa, encarando o corpo da terceira Aprendiz desmaiado no piso da plataforma.
Milésimos de segundos antes de atingir a oponente, Meldy desativou a própria magia, fazendo com que apenas Randha recebesse o impacto do golpe.
— Você só serve para lutar contra quem não pode usar magia. — Completou, dando as costas.
Apressadamente, aproximou-se da grade de metal que protegia a plataforma, de onde tinha uma boa vista da confusão que acontecia abaixo.
Os magos e aliados da Fairy Tail tentavam resistir, mas os inimigos estavam em número muito maior. Não demorou para que os que não podiam usar magia fossem dominados.
Lily e Wendy ainda tentavam resistir, mas não aguentariam muito tempo contra tantos oponentes.
Tentando ajudá-los, Meldy foi lançando suas lâminas de cima, conseguindo abaixar o número de inimigos. A tática ajudou, contudo atraiu a atenção dos capangas também para si, que não demoraram a alcançá-la.
— Eu não vou aguentar muito tempo nessa forma! — Lily avisou para Wendy, que, carregada por Charle, tentava desviar das rajadas emitidas pelos cinco magos contra os quais estava lutando.
Elfman e Lisanna já tinham sido nocauteados. Mirajane e Levy estavam sob o domínio de dois lacaios cada. Evergreen tentava se proteger, escondendo-se atrás do que tinha sobrado das grandes lacrimas, enquanto cuidava dos amigos inconscientes. Gray e Gajeel ainda resistiam.
— Não vamos aguentar muito tempo! — Wendy choramingou. — Além disso, o Aprendiz foi atrás no Natsu-san, e ele terá dificuldade de lutar ao mesmo tempo que protege a Lucy-san.
— E você precisa trazê-la de volta. — Charle lembrou. — Precisamos de ajuda, ou não poderemos sair daqui! — Observou, em um tom que mais parecia uma súplica.
Como se tivessem atendido suas preces, uma série de estrondos foi ouvida do lado de fora do salão. Todos os presentes, inimigos e aliados, pararam, tentando entender a fonte dos fortes barulhos quando, repentinamente, uma das paredes veio abaixo, revelando um crescido, e extremamente furioso, mestre Makarov.
— Onde está o maldito que machucou minhas crianças? — Ele gritou, perscrutando o salão em busca de Kotaro.
— Mestre! — Os magos da Fairy Tail gritaram, em uníssono.
— E reforços! — Laxus falou aparecendo logo depois, juntamente com o restante do Raijinshuu, além do Lion e Chelia da Lamia Scale e Ichiya da Blue Pegasus.
Todos os magos da Fairy Tail gritaram, comemorando aliviados.
— O desgraçado desapareceu! — Gray constatou a ausência do líder da Nihil Occultum, cortando a empolgação dos colegas. — E o homem bizarro também!
Vendo ainda um grande contingente de inimigos, o mestre da Fairy Tail, olhou para o neto, perguntando:
— Acha que dá conta? Preciso encontrar Kotaro.
— Tá de brincadeira, Ji-chan? — Laxus devolveu a pergunta, prepotente como sempre. — Vá chutar a bunda daquele otário. Garanto que quando você voltar, não haverá nenhum inimigo de pé. — Afirmou, convencido.
Confiando nas palavras do neto, Macarov voltou pelo mesmo buraco que entrou, determinado a encontrar Kotaro para um acerto de contas definitivo.
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— Natsu! — Happy chamou. — Como sairemos daqui, se nem ao menos sabemos como entramos? — Perguntou, choroso.
— Vamos para o setor verde. — O mago decidiu, tentando manter o ritmo. — Libra falou que lá é o setor mais fraco. Então a gente deve ter entrado por lá. — Concluiu. — Só que eu não sei para que lado fica...
— Eu estive lá agora há pouco. — Happy lembrou. — Foi lá que achamos o cara com a marca vermelha. — Contou, lembrando-se do momento em que encontraram Ref.
— E você sabe chegar lá? — Natsu perguntou, esperançoso.
— Aye. — Happy confirmou.
Tomando a frente, o exceed guiou o dragon slayer, que tentou aumentar a velocidade, mas sentiu as pernas falharem por um momento devido aos tremores provocados pela ingestão do Seranium. Fraquejando, Natsu sentiu os joelhos arrastarem pelo piso, cuidando para que Lucy não caísse de seus braços.
— Natsu? — Happy chamou, preocupado, recuando um pouco.
— Eu estou bem. — Mentiu Salamander, retomando a correria.
Os dois seguiram pelos corredores que, surpreendentemente, estavam vazios. O estranho fato não passou despercebido pelo mago do fogo, por mais desesperado que estivesse para resgatar a companheira de time.
— Ei, Happy! — Natsu chamou, sem diminuir o ritmo.
— Hm? — o gato atendeu, olhando para trás.
— Está tudo muito quieto. Onde estão as pessoas que trabalham aqui? — Perguntou, desconfiado.
— Não sei, Natsu. — O felino azul respondeu, apreensivo. — Quando procuramos por vocês mais cedo, Meldy nos escondeu no uniforme dela, porque eventualmente encontrávamos um dos membros da Nihil Occultum pelos corredores. — Lembrou. — Isso até encontrarmos o cara da marca vermelha. Depois disso, Lily o carregou, e eu e Charle carregamos Meldy, para chegarmos mais rápido.
— Vocês encontraram alguns membros pelo caminho? — Perguntou o dragon slayer.
— Pelo menos três. — Lembrou o exceed. — Meldy acabou com eles.
— Tem alguma coisa estranha acontecendo. — Natsu concluiu. Não era normal a base do inimigo estar praticamente deserta.
Mesmo preocupado, o dragon slayer afastou esses pensamentos e focou no que mais importava naquele momento: O resgate de Lucy.
A única garantia que tinha de que Lucy poderia retornar eram as palavras de Loki, pois Natsu já não era capaz de sentir seu pulso, ou mesmo ouvir sua respiração. O sangue que escorrera do corte manchava os braços do mago do fogo e, desesperado, ele podia garantir que estava sentindo o corpo da loira esfriar. Ainda assim, estava determinado a tirá-la dali muito antes das vinte e quatro horas oferecidas. Afinal, apenas algumas semanasantes, ainda em Crocus, ele havia prometido proteger o futuro dela.
E ele estava mais do que determinado a cumprir a promessa que fez.
— Natsu, é por aqui!!! — Happy avisou, tirando o amigo de seu devaneio. Animado, o gatinho indicou o corredor que levava ao setor verde. Sem perder tempo, mago e exceed atravessaram diversos outros corredores e desbravaram o setor, chegando a uma imensa porta de aço, que eles deduziram ser a saída.
— Abra Happy! — Natsu pediu, quase em desespero.
— Aye sir!!! — Gritou o gatinho, colocando Pali no chão e levantando-a em seguida, apenas pela mão, de modo que pudesse passá-la sobre a lacrima de identificação.
Tão logo o fez, a enorme porta cinzenta destrancou com um estalo metálico, abrindo-se ao meio e deslizando para os lados. Natsu e Happy a atravessaram, afobados, contudo, apenas quando a porta atrás de si tornou a fechar, Natsu se deu conta de uma pessoa parada bem no meio do que parecia ser um estacionamento coberto. Antes que pudesse retornar, ou fazer qualquer outra coisa, os dois sentiram uma intensa claridade invadir o ambiente, e então fecharam os olhos instintivamente.
Desprovido do sentido da visão, o mago do fogo tropeçou, e sentiu a maga celestial voar para longe de seus braços.
— LUCY!!! — Ele gritou desesperado. Sem entender ao certo o que estava acontecendo, tentou abrir os olhos, gritando em agonia em seguida.
A luz que preenchia o ambiente era semelhante àquela que Loki emitiu mais cedo, ao aparecer. Ambas afetam a visão, impedindo que quem as contemplasse mantivesse os olhos abertos. Mas essa de agora, ia além disso. Quando Natsu tentou abrir os olhos, os sentiu queimar e arder instantaneamente. Logo ele que era usuário do fogo.
Para completar seu desespero, ele tinha certeza de quem tinha visto tão logo atravessou a porta de aço, e logo antes da cegueira o atingir: Parado bem no meio do estacionamento, com seu típico sorriso doentio, estava Ícaro.
— LUCY!!! — Natsu tornou a gritar, mesmo sabendo que não teria resposta, tateanto o chão em torno de si em busca do corpo da maga celestial.
— Natsu!!! — Happy, com sua vozinha fina e chorosa chamou pelo mago. Tal como Salamander, ser cegado o desorientou, de forma que ele acabou caindo e soltando a pequena Aprendiz. Agora o pobre exceed voava a esmo, em busca de qualquer sinal do amigo.
— Happy! — Natsu chamou, virando-se na direção em que ouvira o exceed pela última vez, pois o farfalhar de suas asas podia ser escutado a cada momento em um canto diferente.
Mesmo perturbado, o mago dos cabelos rosas sabia dizer a direção em que estava Pali, pois podia ouvir seus tímidos sinais vitais. Sobre Happy, podia jurar que ele estava em todo lugar, pois não parava de ouvir suas asas batendo aqui e ali. Também pela respiração rápida e os batimentos cardíacos empolgados, sabia o rumo que o inimigo se localizava.
Contudo, para sua intensa frustração, o dragon slayer não era capaz de dizer onde estava Lucy. A maga já não respirava para que Natsu pudesse senti-la, seu coração já não batia para que ele pudesse ouvi-lo e, seu cheiro, antes doce e agradável, tinha se evaporado graças ao contato com o Seranium, deixando em leu lugar o odor acre do elemento inflamável, que parecia se espalhar pelo ambiente.
— LUCY!!! — Ele gritou, sentindo os olhos transbordarem, virando-se em direção ao primeiro Aprendiz. Na mente de Natsu, eles se encaravam naquele momento. De fato, estava parcialmente certo. Muito embora o mago do fogo não pudesse abrir os olhos, Ícaro o fitava com intensa zombaria. — Devolva a Lucy! — Rosnou para o inimigo.
— Ora, que surpreendente! — Exclamou o psicopata. — Como sabe que estou com ela? — Perguntou. — Como sabe que nesse exato momento, eu seguro em meus braços este corpo frágil, que está totalmente a minha mercê? — Provocou.
Natsu correu em direção ao inimigo incendiando os próprios punhos, acertando nada mais que o vazio.
— Como você é imprudente!!! — Repreendeu Ícaro. — Sabe, se você me acertasse, poderia ter ferido sua amada amiguinha. — Lembrou. — Se bem que ela já está morta. E seria extremamente divertido ver a sua reação quando percebesse o que fez.
— Cala a boca!!! — Natsu gritou, correndo na direção em que Ícaro estava, porém sem usar magia. O Aprendiz, novamente, desviou.
— Natsu!!! — Happy continuava chamando, tentando encontrar o amigo, que mudava constantemente de lugar.
— Sabe, mesmo que Kotaro-sama tenha ordenado que eu recupere Heartfilia, eu ainda quero picá-la em pedaços. — Provocou o psicopata. — Como eu posso dizer...? Isso parece mais emocionante do que ter minha namorada de volta. Já perdi o interesse pelo projeto Heaven.
— EU DISSE PRA CALAR A DROGA DA SUA BOCA!!! — Natsu gritou, novamente avançando para o nada.
— Natsu!!! — Aos prantos, o exceed continuava sua procura às cegas.
— Só que não vai ter graça desmembrá-la se você não puder presenciar. — O Aprendiz decidiu. — Por isso lutaremos agora. Para que eu possa acabar com você, apenas o suficiente para invalidá-lo… Quero que você veja toda minha diversão, até que a única vontade que domine o seu ser seja a de abandonar este mundo. — Falou, em tom casual. — E então, Dragneel? Será que você está suficientemente determinado a alcançar seu objetivo, mesmo que não possa vê-lo? — Ironizou.
Natsu trincou os dentes. Mesmo antes que Ícaro lhe contasse, já tinha previsto que teria que lutar com ele as cegas mesmo. Mas se isso fosse necessário para resgatar Lucy, ele faria.
A derrota não era uma possibilidade agora.
Vencer era sua única opção. Era a única chance de sobrevivência que Lucy possuía.
— Se você encostar num único fio de cabelo dela — O mago do fogo começou, tremendo de ódio -, eu juro que o transformarei em uma pilha de cinzas! — Ameaçou, tendo a área ao redor dos olhos preenchida por escamas, assim como os braços e outras partes do corpo. As unhas, cresceram transformando-se em garras afiadas. Caso pudesse abrir os olhos, o inimigo veria que no lugar do ônix habitual, um verde-amarelado dominava suas íris.
A dragon force tinha se ativado.
— Uma novidade para você Natsu Dragneel. — Ícaro provocou, entre risos, indiferente a nova forma do oponente. -: Eu já encostei. — Falou, colocando o corpo de Lucy no chão, propositalmente encostado ao de Pali. — E garanto que farei muito mais que isso.
Pocesso, Natsu correu em direção ao inimigo, não acertando um chute por um triz.
Segundos antes, ele teve a certeza de ter ouvido alguma coisa, que supôs ser o corpo de Lucy, ser colocada no chão. Percebendo que estava próximo a quarta Aprendiz, Natsu se abaixou, e localizou com êxito seu corpo. Tateando mais um pouco, encostou as mãos no que parecia ser um longo cabelo úmido, concluindo pertencer a Lucy, confirmando sua hipótese, ao constatar o pulso inexistente.
Mais aliviado, Dragneel direcionou-se para onde sabia que Ícaro se localizava.
— Kairuu no Houkou!!! — Gritou, rugindo em direção ao inimigo, que desviou.
— Brilhante! — Ícaro elogiou. — Eu já entendi suas intenções! — Aplaudiu, maravilhado. — Você está usando Pali para localizar Heartfilia, assim saberá em que direção não pode atacar. — Concluiu. — Eu poderia afastar o corpo delas e destruir sua estratégia, mas eu realmente não quero que a maga celestial seja ferida antes que você esteja imobilizado e apto a presenciar tudo.
— Você fala como se não tivesse colocado-a ao lado da anã pervertida justamente com esse propósito. — Disse Natsu, destruindo o teatro do inimigo.
— Ora, você não é tão idiota quanto eu pensei. — Comentou Ícaro.
— Farei com que você repense muitas coisas. — O dragon slayer decretou, avançando em velocidade absurda. — A primeira delas é a não ameaçar meus amigos! — Completou aos berros, finalmente atingindo o estômago do Aprendiz com um chute.
Ícaro desorientou-se por um par de segundos, sentindo o fôlego ir para qualquer lugar que não fosse o próprio corpo e, quando conseguiu se estabilizar em em pé novamente, percebeu a nova investida do oponente.
— Kairuu no Kouen!!! — Natsu berrou, unindo as chamas que tomavam conta de ambas as mãos e enviando uma esfera flamejante na direção que supunha estar o inimigo, que atirou-se no chão, desviando por muito pouco, não atingindo o exceed, que ainda voava desorientado, também por centímetros.
— KYAAAAAA, NATSU!!! — Happy gritou, voando na direção em que as chamas vieram. — Desse jeito eu vou acabar morrendo! — Reclamou, chocando-se contra o peito do amigo.
— Desculpa. — O rosado pediu, segurando o exceed. — Você pode enxergar? — Indagou, esperançoso.
— Gomen ne, Natsu. — Pediu o gatinho. — Meus olhos parecem em chamas, de tanto que estão ardendo.
— Entendo. — O mago respondeu, complacente. Afinal, o mesmo ocorria com ele. — Nesse caso, teremos que lutar as cegas mesmo. — Decidiu, levantando Happy e o colocando em suas costas.
— Aye sir!!! — O exceed concordou, imediatamente agarrando as patinhas nas costas da blusa do dragon slayer e o suspendendo.
Enquanto isso, Ícaro levantava-se com dificuldade, finalmente voltando a respirar normalmente, encarando Salamander com o mais puro ódio. Ele sabia perfeitamente que Natsu não era o tipo de inimigo que podia ser subestimado. ainda assim, pensou que debilitado como estava, não seria grande desafio.
Os dois últimos golpes que levara provou o contrário. Era visível que o dragon slayer, mesmo tendo atingido a dragon force, ainda tremia. O Seranium, provavelmente, estava lhe causando um considerável estrago interno. Ainda assim, ele forçava o corpo a manter-se firme, os olhos cerrados para não serem feridos com a intensa claridade, mas uma expressão ferina tomando cada milímetro de sua expressão.
Já de pé, o Aprendiz permitiu que um novo sorriso de escárnio lhe tomasse a face. Convertendo as mãos em duas lâminas incandescentes, avançou saltando em direção ao mago e ao exceed.
Pra cima Happy!!! — Natsu orientou assim que escutou os passos do Aprendiz, sendo de pronto atendido pelo pequeno amigo, porém não a tempo de evitar que as mãos de Ícaro atravessassem sua panturrilha. Aparentemente, nenhum ferimento foi provocado, porém, uma dor infernal atingiu o local, fazendo o mago grunhir.
— Natsu!!! — Happy gritou preocupado, sem saber o que estava acontecendo.
— Está tudo be... — Salamander tentou dizer, antes de sentir uma forte pancada na cabeça, que fez com que seu pescoço dobrasse num estalo, deixando-o completamente dolorido. No segundo seguinte, mago e exceed estavam caídos no chão.
— Parece que vocês não se atentaram para o teto do estacionamento. — O Aprendiz caçoou.
— Como eu vou atentar para uma coisa que não posso ver??? — O rosado devolveu, revoltado.
— Gomen Natsu. — Happy pediu, agarrando-se novamente as costas de suas vestes.
— Happy, agora! — O dragon slayer gritou, ouvindo uma nova aproximação do oponente. Novamente, o movimento do felino não foi o suficiente para evitar um novo ferimento interno, dessa vez no ombro esquerdo. Natsu gritou.
— Acho que vou cortar todos os seus tendões. — Ponderou Ícaro, andando calmamente.
— E eu estou pensando seriamente em arrancar essa sua língua fora. — O mago rebateu, falando com dificuldade devido a dor.
— Pois venha. — Intimou o Aprendiz, liberando outro de seus sorrisos doentios.
— Happy. — Natsu falou com dificuldade. — Vou precisar da sua ajuda.
— Mas eu não consigo ver nada.
— Eu confio em você. Nós temos que vencer. — Lembrou. — Pela Lucy.
O exceed não tinha a mínima ideia do que poderia fazer. Mas assim como o mago do fogo, tinha plena convicção de que protegeria a maga celestial. Sem saber de onde surgiu a confiança que brotou em seu interior, o pequeno encheu a boca para responder:
— Aye. — Gritou, movimentando-se para a direita. — Pela Lucy!
— Acho que vou depenar um exceed mais tarde. — Ícaro decidiu, com descaso.
— Max Speed! — Dragon slayer e felino gritaram em uníssono.
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— Depressa Jiro!!! — Kotaro gritou, saindo correndo do elevador e passando a marca negra no lacrima de identificação, liberando o acesso para o próprio gabinete.
— Estou indo, Onii-san! — O irmão mais novo respondeu, correndo atrás do gorducho.
Assim que percebeu a aproximação de vários magos de considerável poder mágico, sendo um, em especial, de nível elevadíssimo — que Kotaro concluiu se tratar de Makarov -, tratou de puxar seu irmão do meio da confusão para que eles deixassem a base da Nihil Occultum em segurança.
O plano era usar a passagem secreta, construída para momentos como aquele, e explodir a base da Nihil Occultum assim que estivessem em um local seguro, apagando todas as evidências do Projeto Heaven.
Precavido como era, Kotaro tinha preparado e escondido as cópias da pesquisa de sua mãe em outro continente. Assim que a poeira abaixasse, ele iria atrás das chaves de ouro, que ele já sabia que estavam sob a posse de Sorano, e começaria tudo de novo, se necessário.
Os irmãos atravessaram o escritório praticamente correndo, e direcionaram-se para uma estante repleta de livros, de onde Kotaro puxou um exemplar antigo e abriu, revelando o interior oco que abrigava uma pequena lacrima. Passando a insígnia negra pelo cristal, a estante se movimentou, revelando a saída de emergência especialmente construída pelos irmãos.
Os gêmeos se prepararam para adentrar a longa passagem, sendo surpreendidos quando perceberam que uma pessoa vinha caminhando, calmamente, por ela.
— Macarov! — Kotaro exclamou, fitando o pequeno homem que os encarava de forma nada amigável.
— Tenho que agradecer ao Jura por ter descoberto essa passagem, enquanto colocava abaixo as paredes da sua base. — Provocou o mestre. — Ele estava completamente certo ao concluir que um rato como você abandonaria o navio por aqui.
Tão logo foi comunicado por Gray da situação em Zamuria, Makarov formou um grupo de resgate com os membros da Fairy Tail. Sabendo que não chegaria a tempo por meios convencionais, pediu ajuda a Blue Pegasus, que imediatamente disponibilizou a bombardeira mágica Christina III para que eles viajassem, além de ter voluntariado alguns de seus membros. Da mesma forma, Lamia Scale, sendo comunicada da situação, solicitou que o flutuante passasse em Margareth e pegasse alguns magos dispostos a ajudar.
Assim que chegaram a fazenda da família Nomura, propriedade usada como fachada para esconder a base da Nihil Occultum em seu subterrâneo, o grupo se dividiu, sendo um responsável por resgatar os magos da Fairy Tail, e outro responsável por libertar as possíveis cobaias.
Jura, juntamente com Canna, Macao, Romeo, Wakaba, Laki, Ren, Hibiki, Eve, Yuka e Sherry ficou responsável pelo segundo grupo, situação em que descobriu a passagem secreta e acabou capturando Angel, que tentava escapar por ela.
Antes de seguir procurando as cobaias, Jura pediu a Hibiki que comunicasse a situação ao magos do outro grupo, cientificando Makarov sobre a existência de uma rota de fuga e a possibilidade do líder da Nihil Occultum tentar escapar por ela.
— Saia do meu caminho. — Kotaro exigiu, sustentando o olhar do pequeno homem.
— Você realmente acha — Makarov começou, a voz dura e gélida — que eu vou deixar o homem que feriu as minhas crianças escapar?
— Se você realmente preza pela vida de suas crianças, é melhor sair da minha frente. — Ameaçou o Líder. — Ou garanto que todas elas ficaram enterradas junto com essa base.
— Se eu sair da frente, apenas farei com que isso aconteça mais cedo. — Devolveu o mestre da Fairy Tail. — Por favor Kotaro, um homem com o seu nível de inteligência não sabe blefar? — Debochou. — Ou será que o seu nível de perturbação por ver um plano supostamente tão impecável ruir diante dos seus olhos afetou a sua mente?
Em resposta, Kotaro apenas gargalhou, olhando o mago santo de cima a baixo como se fosse apenas mais uma pedra que tivesse que chutar. Mas Makarov sabia que aquela reação não passava de fingimento. Na verdade, o mestre tinha tocado no ponto fraco do líder da seita. Ciente da situação, continuou provocando:
— Oh, claro eu tinha me esquecido. — Falou, teatralmente. — Ver tudo desandar diante de seus olhos, sem poder usar a sua magia para consertar deve ser realmente frustrante. — Supôs. — Caso o fizesse, seu raciocínio cairia drasticamente, não é mesmo? — Perguntou, fazendo o gorducho arregalar os olhos.
— Onii-san, do que ele está falando? — Jiro, que permanecera quieto até então, se manifestou.
— Não é nada. — O gêmeo mais velho respondeu, entredentes.
— Oh, ele não sabe? — Indagou Makarov. — Não sabe que a genialidade do irmão mais velho não passa de uma farsa? Não sabe que 60% de sua inteligência decorre da magia que usa? — Revelou.
— Cale-se! — Kotaro ordenou.
— É por isso que ainda não me atacou, certo? Ao consumir sua magia, seu desempenho mental fica extremamente comprometido.
— Onii-san, acabe logo com ele! — Jiro pediu.
— Seus capachos foram cuidadosamente escolhidos. Quatro Aprendizes; um que pode transpor qualquer barreira, uma manipuladora, uma médica competente e perigosa e um assassino silencioso. A equipe perfeita para que você nunca tenha que usar seu poder mágico.
— O Onii-san pode usar magia sim! — Exaltou-se Jiro. — Ele sempre treinou comigo!
— Que não é muito esperto, não é mesmo? — Alfinetou Makarov. — A inteligência de seu irmão não fazia falta ao lutar contra você. Quanto aos Aprendizes, suponho que ele tenha usado métodos alternativos... — Ponderou. — Sim Kotaro, eu não passei os últimos anos atoa. — Declarou, ante o olhar espantado do homem. — Eu pesquisei cada passo seu, procurando uma brecha, um deslize que fosse para finalmente te derrubar. E seu erro foi justamente meter-se com meus filhos pela segunda vez. — Acusou.
— Vou garantir que você permaneça enterrado com todos eles! — Gritou Kotaro.
— Está jogando a toalha? — Espantou-se o pequeno mestre. — Já?
— Prefiro morrer a ver o sonho de minha mãe se perder. — Declarou.
— Pois bem. Se você não se entregar pacificamente, garantirei que seu desejo se realize. — Makarov ameaçou, posicionando as mãos. — Como é a tradição da Fairy Tail, contarei até três para aplicar sua punição. — Avisou — Implore por misericórdia!
— Fairy Law? — Kotaro perguntou, risonho. — Tão previsível assim?
— UM! — Gritou o mestre.
— Para quem fala tanto, eu esperava mais criatividade. — Zombou o líder da Nihil Occultum, fazendo uma série de movimentos com as mãos.
— DOIS! — Continuou Makarov, trazendo ambas as mãos para sua fronte e fazendo surgir uma esfera luminosa entre elas.
— Você e suas fadas vão apodrecer em um novo buraco! Desta vez, eternamente! — Kotaro declarou, começando a formar um círculo mágico arroxeado.
— TRÊS! — Concluiu o pequeno mestre, unindo as mãos e expandindo a luz dourada. — O tempo acabou.
Um forte clarão tomou conta do ambiente, ao mesmo tempo que os reflexos violeta da magia de Kotaro competiam com ela, fazendo com que se dissipasse em pouco tempo.
— Não subestime tanto assim a minha inteligência, Makarov! — Kotaro declarou, exultante por ter bloqueado o feitiço.
— Você é que não devia ter subestimado a minha. — O pequeno homem respondeu, um sorriso vencedor tomando-lhe a face. — Quando você me ouviu completar a magia? — Perguntou.
— O quê? — O líder perguntou, arregalando os olhos aterrorizado em seguida.
— FAIRY LAW: ATIVAR! — Makarov gritou, batendo novamente as mãos, fazendo com que um enorme círculo mágico dourado surgisse sobre a fazenda da família Nomura, espalhando a verdadeira e intensa luz do julgamento por toda a sede da seita, brotando em torno dos inimigos e nocauteando-os imediatamente.
Kotaro e Jiro gritaram, sentindo suas energias serem sugadas impiedosamente pela poderosa magia.
Quando o feitiço cessou, nada mais que dois velhos capengas estavam no lugar que antes os irmãos de meia-idade ocupavam, mostrando a terrível sentença do julgamento das fadas.
O mestre da Fairy Tail observou os gêmeos caírem e se tornarem inertes, com um sentimento que beirava o nojo.
Ele realmente pensava que teria mais trabalho para derrotar Kotaro. Não imaginou que o gorducho tinha se tornado tão dependente de magia para raciocinar a ponto de um simples blefe seguido de um bloqueio mágico o derrubarem. Mas derrubaram.
Certo de que os irmãos não causariam mais problemas, Makarov voltou pela mesma passagem que veio, preocupado com os demais magos, sendo acompanhado pelo pressentimento insistente de que algo muito ruim aconteceria se não deixassem aquela cidade o quanto antes.
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Ícaro encarou a dupla de oponentes que tinham se tornado particularmente irritantes nos últimos minutos.
Happy e Natsu voavam a uma velocidade impressionante, embora de forma completamente desengonçada.
A vantagem era praticamente toda do Aprendiz, que tinha acertado alguns golpes no dragon slayer, e até mesmo no excced. Mesmo assim, Natsu, em sua Dragon Force, era consideravelmente resistente, e também tinha pontuado acertando alguns golpes no inimigo.
A batalha estava longe de estar equilibrada, mas também parecia bem longe de acabar.
Assim, a peleja foi seguindo, com labaredas acertando as paredes do estacionamento a esmo, a não ser pela área em que estavam caídas a maga celestial e a pequena Aprendiz, quando surpreendendo Ícaro e Natsu, uma forte energia mágica pode ser sentida no ambiente.
— Mas o quê? — Ícaro perguntou, vendo a intensa claridade de sua magia ser dissipada por uma luz, aparentemente mais branda.
— Fairy Law? — Indagou Natsu, reconhecendo o encanto acolhedor.
— O mestre está aqui! — Happy exclamou, exultante.
— Droga! — Praguejou o inimigo, movimentando as mãos quase que desesperado.
Sem poder ver o que acontecia, Natsu apenas esperou a agradável sensação mágica se esvanecer, se perguntando se o psicopata teria sofrido o efeito da magia de Macarov. Receoso, abriu os olhos, ainda ardidos, constatando aliviado que finalmente conseguia enxergar o ambiente em torno de si, pois a claridade leitosa de Ícaro havia cessado.
Entretanto, ao contrário do que acreditou por um instante, não encontrou o oponente derrotado pela Fairy Law. Para seu total desespero, Ícaro continuava em pé, protegido por vários círculos mágicos arroxeados, o sorriso doentio ainda presente.
No braço direito, o Primeiro Aprendiz sustentava pelo busto o corpo inerte de Lucy, e com a mão esquerda convertida em sua característica lâmina incandescente, tocava o pescoço da maga.
— Não se atreva desgraçado! — Natsu praticamente rosnou para o inimigo, os olhos verdes, agora perfeitamente visíveis, o encarando de forma homicida.
— Eu realmente queria continuar com a brincadeira, mas aparentemente vocês receberam reforços. — Explicou o psicopata, de forma casual. — Então vou terminar com isso enquanto tenho chance.
— DEVOLVA A LUCY!!! Natsu ordenou, sendo guiado para mais perto do inimigo pelo exceed.
— Claro! Inteira ou aos pedaços? — Zombou Ícaro. Vendo a aproximação do dragon slayer, tratou de advertir: — Eu não me aproximaria mais se fosse você.
— EU JURO QUE ACABO COM VOCÊ MALDITO! — Ameaçou.
— Durante ou depois o esquartejamento da sua amiguinha? — Continuou provocando. — Aliás, por que você se importa tanto? Acredita mesmo que poderá trazê-la de Volta? Perguntou, com sincera curiosidade. — Pois a única coisa que vejo é um corpo gélido totalmente sem vida. — Comentou. — Indubitavelmente morto.
Uma pessoa normal provavelmente teria sentido seu interior ferver ante tais palavras, mas como o dragon slayer não se encaixava nessa categoria, sentiu como se suas entranhas explodissem. Ele não sabia o que exatamente o movia, mas nos últimos minutos uma certeza impregnava sua mente, fazendo-o agir de forma irracional: Viver sem Lucy estava fora de cogitação.
Cego de ódio, instintivamente o mago do fogo movimentou as mãos para frente do corpo, sentindo um grande volume de poder mágico se concentrar nelas.
— Oh! você esqueceu que estou com a lourinha nos braços? — Ícaro, exclamou, surpreso, ante o ataque iminente.
— Eu prometi que protegeria o futuro da Lucy. — Natsu contou, sentindo sua magia fluir mais intensamente. — Também disse que nunca a machucaria. — Continuou, lembrando do momento em que Pali tentou manipulá-lo. — E eu garanto para você que vou cumprir cada palavra! — Bradou, fazendo o inimigo arregalar os olhos.
— Você não ousaria... — Ícaro tentou.
Metsu Ryuu Ogi: Bentatsu!¹ — Natsu gritou, ignorando a fala do inimigo. Ele não sabia exatamente o porque, mas tinha absoluta certeza de que aquele ataque não afetaria o corpo de Lucy, nem machucaria Pali. Mas esperava que o Aprendiz se ferisse. Muito.
Imediatamente, inúmeras rajadas flamejantes abandonaram suas mãos para rodear e acertar o inimigo onde quer que estivesse, não importando o quanto se esquivasse. Desesperado, Ícaro largou o corpo de Lucy, que caiu novamente ao lado de Pali, e começou a ser lambido pelas chamas, que o envolveram por inteiro, impregnando-se de tal forma que não se dissipavam por nada que ele tentasse.
Happy, ainda grudado as costas de Natsu, observava tudo boquiaberto. Ele nunca tinha visto o amigo tirar a vida de ninguém, mas achava inacreditável que o Aprendiz saísse vivo daquele ataque.
Contrariando as expectativas do felino, as chamas se desvaneceram, deixando ao chão o corpo debilitado por inúmeras — e horrendas — queimaduras do membro da Nihil Occultum, porém ainda vivo.
— Natsu... — Murmurou o exceed, com um misto de temor e espanto. Arriando um pouco as asas, o gatinho começou a descer o dragon slayer, quando a voz falha e sofrida do primeiro Aprendiz cortou o ambiente.
— Você não vai levá-la! — Ícaro pronunciou com dificuldade, sentindo a dor excruciante de todas as queimaduras que adquirira com o último golpe do Salamander. — Eu disse que iria despedaçá-la. E eu o farei, ainda que todos nós terminemos em pedaços. — Concluiu, enfiando as mãos tremulas no jaleco e retirando um pequeno dispositivo negro. Natsu e Happy, ainda suspensos no ar, encararam o inimigo por um instante, sem saber exatamente o que ele estava tramando. — VÁ COMER AS CHAMAS DO INFERNO! — Gritou Ícaro, pressionando um pequeno botão.
Natsu percebeu tarde demais a intenção de Ícaro. O dragon slayer apenas conseguiu encarar o corpo de Lucy por um milésimo de segundo aterrador antes que tudo clareasse novamente, seguido de um forte estrondo.
Seu corpo foi jogado para trás.
Sua garganta ardeu.
Sem conseguir evitar, Natsu mergulhou na escuridão.
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¹ Arte secreta inventada pela autora. Perdoem a falta de criatividade.
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