Vínculo Mágico
12 Aprendizes
Notas iniciais
Capítulo XII — Aprendizes
A pequena e alva felina ofegava, a respiração por vezes falhando. Todos os seus pelos estavam eriçados. As pupilas, contraídas demonstravam o o quão aterrorizante era o que tinha acabado de ver. Inutilmente, tentava recuperar-se de modo que não transparecesse para seus amigos exceeds que tivera uma visão nada agradável. Inutilmente.
— O que foi Charle? — Happy perguntou, olhando-a preocupado. — Viu alguma coisa?
A verdade é que o gatinho azul estava quase em desespero. Depois que presenciara a ativação da Maledicite Vincla em Natsu e Lucy, os três, dragon slayer, maga celestial e exceed foram arrastados para fora do hotel em que estavam, e em algum momento apagaram. Ele não tinha a mínima noção de onde estava ou como havia chegado ali. Simplesmente havia acordado naquela pequena jaula, com os olhos de Charle e Lily o encarando.
Percebendo a situação, Happy começou a procurar maneiras de sair, sendo desencorajados pelos outros dois, que haviam falhado anteriormente no mesmo propósito. A jaula era feita de um metal que retinha toda e qualquer magia dentro do corpo deles. Eles não podiam ativar sua asas, e Lily não podia mudar sua forma. Charle, entretanto, continuou com seu impreciso poder de previsão funcionando.
Depois de sabe-se lá quanto tempo enclausurados, a gatinha teve a mente tomada pela visão. Diferente de todas as outras vezes que isso havia ocorrido, agora o aviso não veio em flashes ou imagens obscuras e imprecisas. Charle sabia exatamente o que havia visto. Nunca recebera um alerta tão claro. E isso a estava apavorando. Happy parecia perceber que o que ela tinha visto não era nada bom, pois a olhava suplicante, o temor claramente perceptível nos grandes olhos.
— Não. — Respondeu a pequena vidente. — Ou melhor, não sei exatamente. Foi muito rápido, muito confuso. — Mentiu.
— Ah... — Foi tudo que o exceed azul conseguiu murmurar em resposta.
— Não posso dizer a ele. — Pensou Charle. — Simplesmente não posso.
Charle sabia o quanto Happy era apegado a Lucy. Por mais que ele passasse a maior parte de seu tempo perturbando-a, e 90% de seus comentários em relação a ela fossem debochados, sabia que no fundo o exceed tinha verdadeira adoração por ela. A lembrança de como ele havia chorado ao ver Lucy do Futuro mortalmente ferida ainda lhe era viva e forte.
Sacudindo bruscamente a cabeça, tentou afastar a teimosa imagem que se recusava a deixá-la em paz. Sua lembrança era tão clara como a visão em si. Ainda conseguia ver várias pessoas de preto se afastando. Seus rostos eram conhecidos. Várias estruturas de concreto projetavam-se para cima sobre uma grama bem verde e cuidada. Estavam em um cemitério.
Diante a uma lápide de mármore nova, ainda reluzente que marcava a cova recém coberta, divisou uma silhueta muito conhecida. Mesmo que todos tivessem ido embora, Natsu permaneceu ali, de pé, fitando o túmulo, a brisa gentil do entardecer bagunçando-lhe os cabelos róseos e fazendo seu cachecol esvoaçar. As letras gravadas na lustrosa pedra lhe mostrando cruelmente o futuro que não pôde evitar:
Lucy Heartfilia
x767 — x791
Maga Celestial amada por seus espíritos.
Maga da Fairy Tail amada por seus amigos.
Charle estava convencida que não poderia contar a Happy um vislumbre do futuro de tal teor. Não podia. Não iria. Todavia, tinha que fazer algo. Recusava-se a acreditar que aquela era uma sentença inevitável. Precisava sair. Precisava avisar alguém. Precisava encontrar Lucy.
Tirando-a bruscamente de seus pensamentos e fazendo com que Happy e Lily dessem um salto assustado para trás, um dos magos mascarados da Nihil Occultum se aproximou da grade da jaula. Sob o olhar assustado dos três felinos, abriu a pequena prisão.
— O que vai fazer conosco? — Happy perguntou, quase em pânico. — Onde estão Natsu e Lucy? — Gritou.
— Shiii! — O mascarado tocou o dedo indicador no local onde deveria estar sua boca, indicando que eles deveriam se aquietar. Em seguida, afastou-se da jaula e caminhou em direção a porta, fazendo sinal para que os três exceeds o seguissem.
Os gatos se entreolharam, perguntando-se silenciosamente sobre o que deveriam fazer. Charle, tomando a frente, saltou do cárcere para a liberdade, e abrindo suas asas a meio caminho do chão seguiu o mago de branco. Talvez aquela fosse sua única chance de alertar os companheiros de guilda sobre o que estava para acontecer.
Os outros exceeds não demoraram muito para imitá-la: Happy, totalmente temeroso. Lily, completamente desconfiado. Ainda assim, voaram acompanhando o mascarado e a companheira fêmea, para onde quer que estivessem sendo conduzidos.
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— Droga… — Erza praguejou, enquanto levantava-se. — Se eu continuar sendo lançada de um lado pro outro que nem peteca, vou ficar toda acabada antes mesmo de entrar em uma luta pra valer.
— Mas o que foi isso? — Jellal perguntou, também se levantando, tentando enxergar por entre a nuvem de poeira deixada pela formação daquela pilha de escombros que agora bloqueava o corredor. Percebeu que tinham sido lançados para o lado que os levaria a saída do setor. Entretanto, não podia ver Natsu, Lucy ou os dois espíritos celestiais.
— Eles ficaram presos do outro lado. — A ruiva falou adivinhando seus pensamentos.
— Nos separamos de novo. — Lamentou-se o mago de cabelos azuis.
— Vamos tentar encontrá-los. — A maga falou. — Mas agora temos nossos próprios problemas. — Completou, indicando o mago mascarado parado rente a barreira recém formada, que ia ficando mais visível conforme a poeira se dissipava.
Jellal não tinha deixado de notar o inimigo. Mesmo com a visão prejudicada, sentiu a presença de seu poder mágico. Na verdade, graças a esse sentido especial desenvolvido pelos magos, podia perceber que tratavam-se na verdade de dois oponentes. Outro se aproximava pela entrada do setor.
— Cercados. — Pensou, tentando enxergar o segundo inimigo. Erza sacou uma espada e colocou-se em posição de combate.
Sem esperar a deixa de um ataque, Titânia avançou para o inimigo que se encontrava próximo a barreira de escombros, sua espada preparada para retalhar o que estivesse a frente. Contudo, não atingiu o alvo, e sim o atravessou, como se ele fosse um fantasma.
— Mas o que… — Tentou perguntar, mas parou estupefata ao ver sua espada passar por entre suas mãos da mesma forma e cair no chão, o ruído metálico ecoando pelo corredor.
— Saia já daqui. — Uma voz masculina desconhecida proferiu. O mago mascarado que estava perto dos escombros apenas assentiu e saiu correndo.
Vendo o inimigo se afastar, Jellal pegou o cajado que tinha roubado e lançou uma rajada contra ele. Todavia, o raio vermelho passou pelo seu corpo sem causar efeito algum.
— É como se não tivesse matéria. — Constatou Jellal. — Mas não é dele que vem esse poder. — Avisou, indicando o fugitivo.
— Eu percebi. — A ruiva falou, tomando de volta a espada que tinha despencado. — Por alguma razão ele parecia estar com medo.
— Oh, vocês tem uma ótima percepção. — A voz desconhecida se aproximava. — Qualquer outro teria pensado que ela é que detinha essa magia, e então teria baixado a guarda, me dando a oportunidade de derrotar vocês sem delongas.
Erza e Jellal encararam o inimigo que finalmente aparecera. Era um homem que aparentava ter seus vinte cinco anos de idade. Usava uma bandana preta, ficando os cabelos castanhos escuros perceptíveis apenas porque escapavam em tufos, na nuca e na lateral do rosto. Os olhos eram do mesmo tom escuro. Tal como todos os membros da Nihil Occultum, branco era a cor que predominava em sua vestimenta, com excessão da calça e do coturno de cano longo que usava, que eram negros. No mais, uma jaqueta de couro branca com detalhes em preto fazia sobreposição com a camisa lisa, da mesma cor. Uma única coisa chamou a atenção da maga de armadura e do membro da Crime Sorcière na aparência do inimigo: A marca vermelha da Nihil Occultum gravada nas costas de sua mão esquerda.
— Um Aprendiz. — Os dois concluíram juntos, em voz alta.
— Vejo que estão bem informados sobre nós. — Falou o inimigo. — Nesse caso, permita-me me apresentar. Sou Ref Kasashen, um Aprendiz. Prazer.
— Não espera que digamos o mesmo, não é? — Jellal perguntou, zombeteiro.
— De forma alguma. — Ref respondeu. — Para vocês, me encontrar é um verdadeiro infortúnio. — Afirmou. — Entretanto, para mim é um grande prazer revê-lo, Ouji-sama¹.
— Oi? — Jellal perguntou, confuso, ante a maneira que o inimigo se dirigiu a ele. Antes porém que o inimigo tivesse chance de responder, Erza repentinamente avançou decidida, golpeando-o com sua espada. Tal como anteriormente, a lâmina cortou o vazio ao atravessar o corpo sem matéria, e em seguida despencou novamente das mãos da maga, passando através delas.
— Não tire conclusões precipitadas Titânia. — Avisou o inimigo.
— Erza, o que está acontecendo? — Jellal indagou, percebendo que a ruiva sabia de algo que ele não sabia.
— Esse homem — Falou, pegando novamente a espada caída e desembainhando mais uma. -, não é deste mundo. — Declarou, fazendo com que o semblante de Jellal se contorcesse em uma careta de dúvida.
— Pensei que ele fosse o único metido a detetive, mas o seu raciocínio lógico também é invejável. — Admitiu o inimigo. — Você percebeu apenas por uma única palavra? — Perguntou.
— Foi o suficiente. — A maga respondeu, golpeando-o novamente com as duas espadas, que os atravessaram e despencaram no chão novamente.
— Não me subestime apenas pelo que descobriu, garota. — Alertou o homem. — Ataque-me quantas vezes quiser, e garanto que em todas falhará.
— Erza, o que você descobriu? — Jellal insistiu.
— Esse homem não nasceu nesta dimensão. — Explicou. — Ele veio de Édolas.
— O quê? — Questionou o membro da Crime Sorcière. Ele sabia o que era Edolas, já tinha ouvido falar da existência desse outro mundo, até mesmo pesquisado-o. Sabia também que seu sósia, Mystogan, vinha de lá. — Como pode ter certeza? — Indagou.
— Ele te chamou de Ouji-sama. — Explicou a maga. — Mystogan é um príncipe naquele mundo. Fato que ele nunca revelou a ninguém enquanto esteve em Earthland, e descoberto por nós enquanto estivemos em Edolas. Por orientação do Mestre Makarov, também não espalhamos nada sobre esse assunto.
— Nossa! — Foi a única coisa que o mago do cabelo azul conseguiu dizer. Esse sim era um fato totalmente desconhecido para ele.
— O que me intriga. — Continuou Titânia. — É como você conseguiu chegar a este mundo. — Falou, olhando diretamente para Ref.
— Graças a Nihil Occultum, é claro. — O Aprendiz respondeu, sem rodeios. — Não foram só os habitantes de Édolas que andaram xeretando este mundo. Assim que Kotaro percebeu a presença do portal dimensional, começou a pesquisá-lo, descobrindo como abrir o Anima a partir daqui. — Explicou. — Em uma de suas visitas a nossa dimensão, presenciei a abertura do portal. Então, implorei que me trouxesse para cá.
— Engraçado. — A ruiva debochou. — Kotaro não parece muito propenso a atender pedidos.
— Verdade. — Concordou. — Eu jurei lealdade e obediência a ele enquanto eu vivesse, mas sei que não foi por isso que me trouxe. Talvez pela chance de ter uma fonte de conhecimento do outro mundo a sua disposição. Afinal, sou ex-membro do exército real e filho do homem que inventou e operava o Ânima. — Revelou. — O fato é que ele me trouxe, e apesar de viver em servidão, me considero amplamente abençoado. Hoje vivo em um mundo onde o poder mágico é inesgotável. Graças as pesquisas da Nihil Occultum, sou capaz de usar magia. E o mais importante: Hoje tenho a oportunidade de me vingar do responsável pela morte de meu pai. — Falou, correndo em direção a Jellal e tentando golpea-lo com um chute.
Com habilidade, Jellal desviou-se do inimigo, devolvendo o ataque com um soco. Porém, sua mão atravessou direto o corpo de Ref, fazendo com que o mago se desequilibrasse, oportunidade em que o outro lhe acertou um chute no estômago, o lançando longe.
— Jellal! — Erza exclamou. — O que você pensa que está fazendo? Ele não é o príncipe! Jellal pertence a este mundo. — Gritou com o Aprendiz.
— Mas até o nome deles é o mesmo, não? — Questionou o inimigo. — Como espera que eu perdoe o rosto responsável pela morte de meu pai? — Indagou — Se tiver a chance de matá-lo mil vezes, mil vezes o matarei. Se bem que minha ordem é apenas entregá-lo inteiro a Kotaro. — Ponderou. — Ainda assim, poderei assistir o seu corpo se despedaçando em prol do Projeto Heaven. — Concluiu, com um sorriso doentio.
— Eu não sei o que Mystogan fez ao seu pai, mas entenda que Jellal não tem nada a ver com isso! — A ruiva falou, tentando atacar o inimigo novamente, falhando como o esperado. — Embora eu duvide muito que Mystogan fosse capaz de ferir alguém.
— Você não pode afirmar isso. — O inimigo rebateu, irritado. — Você não sabe como Édolas ficou depois que o Anima sugou toda a nossa magia. — Falou, exasperado. — Você acha que todos aceitaram facilmente a vida simples e medíocre sem magia que o rei nos impôs? Apenas a parcela ignorante da população engoliu a história que inventaram. — Falou, referindo-se ao teatro que Natsu armou para fazer com que Mystogan parecesse um herói diante de seu povo. — Acontece que muitas pessoas conheciam o Anima e sabiam como ele funcionava. O que você acha que aconteceu com o inventor do portal responsável pela sucção de todo nosso poder mágico? — Perguntou. Uma longa e incômoda pausa se seguiu. — Eu te respondo: Foi linchado em praça pública por cidadãos inconformados.
— Matá-lo não trará seu pai de volta a vida. — Erza tentou convencê-lo.
— Trará! — O inimigo afirmou, convicto. — Com a construção do Portal dos Mundos, trarei meu pai de volta. Então ele poderá viver feliz nesse mundo, onde a magia é ilimitada.
— Não permitiremos a construção do portal. — Jellal declarou. — Pegando dois cajados em suas costas, fazendo um breve movimento circular com eles e os estacando no chão. Dois circulos mágicos apareceram: Um vermelho, aos pés do inimigo, e um azul, sobre a cabeça. — Magia do Círculo de Duas Camadas: Escuridão eterna!²— Gritou. Imediatamente, tentáculos que pareciam feitos da própria treva saíram de ambos os círculos e envolveram o oponente.
— Vocês não tem poder algum de decisão aqui. — Ref respondeu, os tentáculos passando por ele sem afetá-lo. Jellal cerrou os punhos, irritado. Tinha a esperança de que aqueles tentáculos negros anulassem a magia do inimigo. — Não seja idiota. Se eles não podem tocar meu corpo, não poderão cancelar minha magia. — Zombou, demonstrando que conhecia os feitiços de Mystogan.
— Jellal, os habitantes de Édolas não possuem magia no próprio corpo! — Erza lembrou. — Temos que descobrir como ele faz para usar magia e impedi-lo.
Lançando para a maga um olhar divertido, Ref caminhou até ela tranquilamente. Recuando um pouco, Erza tentou sacar outra espada, mas o inimigo a agarrou pelo pescoço e a suspendeu.
— Você acha que vai conseguir me vencer com essa lógica infantil? — Perguntou, apertando a garganta dela. Mesmo sufocando, Erza conseguiu pegar uma das espadas em suas costas. Entretanto, novamente foi desarmada quando Ref usou sua magia no objeto, tornando-o atravessável.
— Erza! — Jellal gritou, correndo em direção a eles, com outro cajado em suas mãos. O Aprendiz, atento a situação, girou o corpo da maga, e o chocou contra a parede do corredor, soltando-a em seguida. A ruiva sentiu as costas deslizando pelo concreto e acertou o chão com violência.
— Sabe um fato que acho cômico? — Ref perguntou, enquanto um ataque lançado pelo cajado de Jellal atravessou seu corpo, acertando a parede dos fundos. — As semelhanças entre as pessoas de Earthland e de Édolas. — Respondeu a própria pergunta. — Mesmo que as personalidades sejam divergentes, é impressionante como os laços sociais são praticamente os mesmos.
Jellal aproximou-se furioso, retirando três cajados de suas costas. Porém Ref os atingiu com sua magia, fazendo também com que atravessassem as mãos do mago e despencassem. Aproveitando-se da surpresa do mago de cabelos azuis, acertou-lhe um soco no maxilar, fazendo com que ele cambaleasse aturdido e caísse para trás, um filete de sangue escorrendo da boca.
— Por exemplo — O Aprendiz falou, voltando-se para a maga que ainda estava caída. — Nos últimos anos que passei em Édolas, percebi o quanto Erza Knightwalker e o então Rei Jellal se tornaram próximos. — Contou. — Mesmo com todos os crimes que Knightwalker cometeu, Edo-Jellal determinou que ela ajudasse na reconstrução da cidade real como punição. Acabou que eles foram ficando cada vez mais próximos, e a relação que mantinham já não era segredo para o povo. — Disse, chutando o estômago da ruiva com violência, fazendo-a cuspir sangue. As pupilas de Jellal contraíram, tamanho o ódio que estava sentindo.
— ERZA! — Gritou, levantando-se.
— Percebo pelo seu olhar que o sentimento do Rei por Knightwalker é semelhante ao seu por esta mulher. — Finalizou, erguendo a maga novamente.
— TIRE AS MÃOS DELA! — Gritou o membro da Crime Sorcière, enfurecido. Jellal sentia que estava ficando sem opções. Não podia acertar o corpo de Ref, pois ou ele tornava-se inatingível, ou fazia com que suas armas e as de Erza ficassem intocáveis. Além disso, um combate corpo a corpo nessas condições seria impossível. Sua melhor opção seria tentar usar as magias que Mystogan invocava pelo posicionamento das mãos. Todavia, além de não ter praticado muito, não podia arriscar acertar a ruiva.
— Você que manda. — Ref respondeu, acertando a maga na parede oposta, lançando-a para trás em seguida. Erza deslizou ao menos seis metros pelo chão.
— É a minha chance. — O ex-membro do Conselho pensou, enquanto unia as mãos, todos os dedos dobrados, com exceção dos indicadores, que se tocaram e em seguida apontaram para o inimigo. Um círculo mágico de cor arroxeada³ apareceu em sua frente.
Algo que se assemelhava a inúmeras garras luminosas de cor violeta brotou do chão em volta do inimigo, envolvendo-o por completo.
— Você ainda não percebeu o quanto seus ataques são inúteis? — Ref perguntou, parado exatamente no mesmo lugar que estava antes da última magia ser invocada, sem nenhum dano aparente.
— Você já ouviu falar em blefe? — Jellal Perguntou. Só então Ref percebeu que cinco dos cajados do mago estavam fincados no chão, uma aura violeta e sombria preenchendo o ambiente.
— Matenroou. — Falou, e imediatamente feixes de luzes violetas começaram a girar em torno do inimigo, fazendo com que a terra tremesse sob seus pés, lançando-o para cima em seguida.
Ref atravessou o teto da base da Nihil Occultum e continuou subindo ao ar livre. Atônito, observou o sede ser consumida pela magia abaixo de si. Um estranho redemoinho o envolveu, levando-o cada vez mais para o alto. A impressão que tinha é que havia alcançado o espaço, quando surpreendentemente um demônio rasgou o céu e o envolveu com tentáculos negros.
— Não pode ser! — Gritou, incrédulo. — Ele está me tocando! — Berrou, enquanto enormes olhos vermelhos o encaravam. Em desespero, viu a enorme e verde mão da criatura estendendo-se em sua direção.
— PRO INFERNO COM ISSO! — Gritou, fechando os olhos e concentrando-se. Logo, tudo desapareceu como se nunca tivesse existido. Ref constatou que a sede da seita não só estava inteira, como não sofrera dano algum. — Porcaria, como pude cair num truque tão barato? — Perguntou revoltado por ter sido enganado pela ilusão que Jellal criara.
Enquanto isso, Jellal e Erza apressavam-se pelos corredores na direção que eles acreditavam ficar o setor vermelho.
— Aquilo foi impressionante! — Erza referiu-se a Mantenroou, enquanto corria com dificuldade. O chute em seu estômago não só lhe tirara todo o ar minutos atrás, como tinha deixado de lembrança dolorosas fisgadas em seu abdomem. — No entanto, você poderia ter sido um pouco mais rápido. — Alfinetou.
— Desculpa. — Respondeu o mago, sentindo-se culpado. — Eu precisava distrai-lo, ou não poderia tocar nos cajados. — Explicou.
Quando Ref golpeou Erza pela segunda vez, Jellal aproveitou para lançar um feitiço que conjurava magia externa apenas com o posicionamento das mãos. Ele sabia que com a magia que o Aprendiz possuia, não iria atingi-lo, mas serviu como uma boa distração. Enquanto o inimigo era engolido pela luz violeta, o ex-membro do conselho aproveitou para fincar os cinco cajados necessários para realizar a Matenroou no chão, pegando-o inimigo desprevenido.
Por se tratar de uma magia psicológica, o mago deduziu que Ref seria atingido, independente de ter um corpo inabalável, acertando no palpite em cheio. O Aprendiz ficou tão horrorizado com a possibilidade de ser acertado, que demorou para perceber que se tratava de uma ilusão. Assim, abriu uma brecha mais que suficiente para Jellal sair correndo puxando Erza pelo braço, com tempo ainda de sair catando as espadas e os cajados caídos pelo caminho.
— Afinal, como você aprendeu a magia de Mystogan? — A ruiva perguntou, curiosa. — Pelo que eu saiba, vocês não chegaram a ter contato um com o outro.
— Não tivemos mesmo. — Jellal confirmou, tentando manter o ritmo. — Mas já que eu me passei por ele durante os Grandes Jogos Mágicos, precisava ser convincente. — Relatou. — Apenas Makarov, Laxus e Porlyusica conheciam as magias que ele usava. Os dois primeiros contaram-me tudo que sabiam. — Lembrou. Erza arqueou uma sobrancelha surpresa. — Quanto a Porlyusica, ela apenas me deu uma lista das magias que sabia que ele usava, e depois dispensou-me gentilmente. — Ironizou o mago.
— Sei. Ela é bem difícil de lidar. — Titânia falou, em um tom compreensível.
— Para os Grandes Jogos Mágicos, dei conta de aprender algumas. — Contou. — Embora eu tenha feito um papel ridículo no fim das contas. — Lembrou depressivo de sua derrota ao lutar contra Jura Nekis, graças a intervenção de Ultear e Meldy. — As outras eu pesquisei e aperfeiçoei por conta própria. Nunca pensei que seriam tão úteis.
— Mystogan era um mago excepcional. — Observou Titânia. — É incrível como ele conseguiu chegar tão longe sem ter magia no próprio corpo. Como membro da Fairy Tail ele disputava o posto de mais forte com o Laxus. — Contou. Jellal sentiu uma pontada de ciúmes, ficando surpreso consigo mesmo por isso.
— Sim, eu ouvi falar. — Disse, fechando o semblante. — Qual era a relação que vocês dois tinham? — Perguntou, tentando parecer casual. Erza até diminuiu o ritmo da corrida, surpresa com a pergunta.
— Relação? — Perguntou, incrédula. — Não sei se as poucas palavras que trocamos pode ser chamada de relação.
— Hmm. — Jellal apenas murmurou, estranhamente aliviado.
— De qualquer forma, isso não é hora pra esse tipo de conversa. — Ralhou Titânia. — O que faremos agora? — Perguntou.
— Ref já se recuperou, e está vindo em nosso encalço. — Jellal falou, percebendo a aproximação. — Nós não temos a menor noção de como é a estrutura do prédio, então não sabemos como chegar a saída. Também não temos muita chance de vencer Ref, se considerarmos os poderes dele, que são um pé no saco. — Desabafou.
— Em contrapartida, se continuarmos seguindo em direção ao setor vermelho, a chance de nos depararmos com outro Aprendiz é grande. — Ponderou a maga. — Que pode ter habilidades ainda mais preocupantes.
— Talvez, com sorte possamos encontrar Sorano, e tentar convencê-la a nos ajudar. — Sugeriu Jellal.
— De onde você tirou essa possibilidade? — Erza perguntou.
— Ela era o mago mascarado que estava perto da pilha de escombros. — Explicou o membro a Crime Sorcière. — Acredito foi ela quem causou os danos ao corredor, provavelmente invocando Caelum.
— E como você sabe disso? — A maga perguntou, completamente desconfiada, enquanto eles dobravam para outro corredor.
— Mesmo que por um instante, consegui ver uma argola presa no cinto do mago que escapou, com dois objetos reluzentes, um dourado e um prateado. — Explicou Jellal. — O tilintar característico dos objetos enquanto ele corria reforçou minha tese de que se tratava das chaves um mago celestial.
— Que incrível poder de dedução. — Erza pensou, maravilhada.
— Logo depois, Ref usou o pronome ela quando se referiu ao mago que escapou, revelando que se tratava de uma mulher. Considerando que Yukino era uma maga celestial, acredito que seja grande a probabilidade de sua irmã também o ser. Até porque, o livro “Segredos Zodiacais” não foi encontrado no quanto da ex-Sabertooth, mas na estante do quarto ao lado. — Concluiu. Erza estava boquiaberta.
— E o que te faz pensar que Sorano nos ajudaria? — A maga da Fairy Tail questionou, tentando disfarçar sua admiração.
— Yukino pediu que a Fairy Tail ajudassem sua irmã. Talvez tenhamos alguma chance em um jogo psicológico.
— Você as vezes me assusta. — Confessou a ruiva. Jellal sentiu uma pontada de tristeza.
— A Crime Sorcière tenta não utilizar métodos errados. — Disse, encarando o corredor vazio a sua frente, inexpressivo. — Mas usamos quando se fazem extremamente necessários. Tudo depende da situação e do que precisamos proteger. — Comentou.
— Hm. — Erza limitou-se a murmurar, levemente chateada.
— E esta situação envolveu alguém que quero proteger mais que tudo no mundo. — Jellal completou mentalmente, olhando para a maga de soslaio.
Erza e Jellal pararam ao perceber que estavam no fim do setor laranja e na entrada para o setor vermelho. Fitaram-se por um instante e fizeram um sinal positivo balançando a cabeça, adentrando o novo local.
— Segundo Libra, seus amigos estão confinados na sala sete desse setor. — Jellal lembrou.
— Sim. — Erza concordou. Ambos seguiram o corredor, dessa vez andando lentamente, acompanhando a numeração das portas.
Ao chegarem diante da porta número sete, perceberam com um frio no estômago que ela estava entreaberta. O inimigo estava claramente os convidando.
Erza já havia estendido uma das mãos para abri-la por completo, preparando-se para entrar, quando Jellal a surpreendeu puxando-a pela cintura e unindo seus lábios, dando-lhe um selinho rápido. Antes que pudesse correnponder, o mago a soltou e tomou a frente, entrando na sala. Erza foi logo atras, sentindo-se um pouco zonza.
Dentro da sala, vários leitos hospitalares estavam dispostos em fileiras. Ambos os magos perceberam que as camas estavam bagunçadas, como se tivessem sido usadas recentemente. No meio do corredor formado por elas, uma única pessoa estava de pé, esperando por eles. Era Randha.
— Olá. — Falou uma jovem mulher, de doces olhos alaranjados. Ela usava um vestido rodado que ia até a altura dos joelhos, e se assemelhava ao uniforme de uma enfermeira. Um colete vermelho sobrepunha-se ao traje, sendo fixado por um espartilho branco que evidenciava sua cintura fina. Os cabelos castanhos claros estavam presos em um rabo de cavalo. As mãos, cruzadas a frente do corpo, ostentavam a marca vermelha da mão esquelética segurando o infinito.
— Outra Aprendiz. — Erza falou, séria.
— Sim. — A mulher respondeu. — Sou aquela responsável por escoltá-los até o seu destino final. — Revelou, em tom educado. — Assim como fiz com seus amigos.
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Natsu e Lucy encararam a estranha inimiga em cima do balcão. Mesmo que aparentasse ser apenas uma adolescente, o instinto de ambos praticamente berravam “PERIGO!” ao ver o brilho azulado que a sua mão desocupada emanava. Na outra mão em que a garota segurava a revista imprópria para menores, era visível a marca vermelha da Nihil Occultum.
— Seus pais deixam você ler coisas assim? — Perguntou Lucy, reconhecendo o teor da revista na mão da garota.
— Meus pais se arrependeram amargamente de tentar me controlar. — A garota respondeu, entediada.
— Você se voltou contra seus pais só porque eles não te deixaram ler revistas de sacanagem? — Natsu perguntou, confuso. Tanto Lucy quanto a garota o olharam como se ele tivesse algum problema mental.
— Isso definitivamente não vem ao caso Natsu. — Lucy comentou.
— Não mesmo. — A garota falou, pondo-se de pé, em cima da mesa — Vocês interromperam meu momento particular. Mas tudo bem, já estava mesmo entediada.
— Não se importe com a gente. — A maga celestial falou, suando frio. — Nós vamos embora, aí você pode fazer o que quiser. — Completou, puxando o dragon slayer em direção a porta.
— De jeito nenhum deixarei que vocês saiam antes que me divirtam. — Falou a adolescente, em um tom estranhamente macabro.
— Sinto muito anã pervertida, a gente tem mais o que fazer. — Natsu falou, virando de costas e caminhando até a porta. Porém, antes de chegar nela, despencou no chão ao ser atingido com um chute nas costas.
— Filha da pu… LUCY! — Natsu gritou, surpreso ao constatar que tinha sido atingido não pela inimiga, mas pela companheira de time.
— PARE DE INVADIR O MEU APARTAMENTO!!! — Gritou a maga celestial, desferindo-lhe outro chute, dessa vez na cabeça.
— VOCÊ ENLOUQUECEU? — Perguntou o dragon slayer, esfregando a face — AGORA NÃO É HORA DE DISCUTIR ISSO! — Berrou, furioso encarando a amiga.
— Você fica invadindo minha casa toda hora! — Falou a loira, pocessa — As pessoas estão tendo idéias erradas sobre nós! — Concluiu, socando o amigo.
— Lucy, se você não parar de me acertar, eu vou me defender. — Falou o garoto, irritado.
— Além disso, você vive destruindo as minhas coisas! — A loira continuou, como se não tivesse ouvindo o amigo.
— Lucy, eu mandei parar! — Natsu disse ao desviar de outro golpe da loira. Porém, num movimento rápido ela pegou o chicote e enlaçou as pernas do garoto, derrubando-o e o acertando com um chute no estômago.
— AGORA CHEGA! — Natsu gritou quando recuperou o fôlego, puxando o chicote que ainda estava atando seus pés com extrema força. Lucy, que ainda segurava o objeto, caiu em cima dele.
— Ora, seu atrevido! — Ralhou, acertando uma cabeçada no Salamander.
— Eu disse que iria me defender! — Gritou o mago, jogando a amiga longe. Lucy gritou ao receber o golpe.
— Natsu… — Falou a garota, levantando-se com dificuldade. — POR QUE RAIOS VOCÊ FEZ ISSO? — Perguntou olhando-o assustada.
— Como por quê? Você me atacou! — Respondeu irritado.
— Eu o quê? — Perguntou a garota, confusa.
— Você começou a me chutar, mandando eu parar de invadir seu apartamento! — Explicou.
— COMO SE EU FOSSE ME PREOCUPAR COM ISSO NUMA HORA DESSAS, SEU BRUTO! — Gritou Lucy, incrédula.
Natsu encarou a amiga perplexo, com a consciência pesada. Lucy agia como se não tivesse feito nada. No entanto, ele tinha realmente o atacado. Desenrolando o chicote dos próprios pés, levantou-se e caminhou até a amiga, oferecendo a mão para que ela se levantasse.
Por um instante, Lucy o olhou magoada. Porém, seu olhar logo se converteu em um olhar maligno.
— Idiota! — Gritou a loira, antes se passar uma rasteira no mago e sentando em cima dele, o acertou com um soco no nariz.
Natsu, sem perder tempo, impulsionou o próprio corpo, derrubando Lucy, que caiu ao seu lado. A garota tentou escapar engatinhando, porém Natsu puxou-a pelo pé e sentou-se sobre ela, imobilizando seus braços para trás.
Lucy sacudia-se freneticamente, exigindo que o mago a soltasse. O mago segurou seus braços com mais força.
— Natsu o que você está fazendo? — o garoto ouviu a maga perguntar, embaixo de si, no mesmo tom confuso de momentos atrás.
— Você não vai me enganar de novo! — Respondeu, furioso. — Você se fingiu de desentendida aquela hora e quando fui te ajudar, me atacou novamente!
— Natsu, eu não sei do que você está falando. — Insistiu a maga celestial, quase chorando. — Você está me machucando! — Falou, tentando se soltar, inutilmente. Uma risada debochada cortou o ambiente. Natsu e Lucy olharam na direção do som, deparando-se com a estranha Aprendiz, novamente sentada em cima do balcão. Tinham se esquecido completamente dela.
— É você, sua desgraçada! — Disse Natsu, libertando a amiga e se levantando. — Você tá controlando a Lucy! — Completou, apontando para a menina.
— Pode-se dizer que sim. — Respondeu a inimiga, balançando as pernas, divertindo-se. — Mas só pude fazer isso por causa dos sentimentos que a sua amiguinha já trazia dentro dela.
— O que você quer dizer? — Lucy perguntou, levantando e esfregando os pulsos doloridos.
— Quero dizer que uso magia de intensificação. — Respondeu a garota. — Minha magia não é capaz de criar vontades. Mas ela as intensifica e distorce de tal forma que ficam insuportáveis, fazendo com que reflitam em suas ações.
— Entendi! — Exclamou o mago do fogo. — A anã pervertida pegou a vontade de me bater que você sente quando entro no seu apartamento e aumentou, fazendo com que você me atacasse!
— Olha só, anã pervertida é a vovozinha! — Falou a garota, com uma veia pulsando na testa. — Meu nome é Pali! PA-LI! — Apresentou-se.
— Tanto faz. — Falou Salamander. — Nós vamos te derrubar tão depressa que nem teremos tempo de decorar seu nome.
— Agora você me irritou, seu grosso mal-educado! — Pali falou, com os punhos cerrados. — Eu poderia acabar logo com isso, mas vou adorar ver vocês sofrendo um pouco mais.
Natsu imediatamente colocou-se em posição de defesa, imaginando que a Aprendiz fosse manipular Lucy novamente. Porém, nada aconteceu.
— Não se preocupe. — Falou a inimiga, divertindo-se. — Agora é a sua vez de ser manipulado. — Arrematou.
Os dois magos da Fairy Tail viram a maga pular no chão, e sua mão ser envolta novamente no brilho azulado.
— Vamos lá. Nocauteie a sua amiguinha. — Falou.
Lucy, temerosa, afastou-se imediatamente do amigo. Ela sabia o quão perigoso ele era quando se irritava e ela, como defesa, só tinha o Fleuve d'Etoile.
Por terríveis segundos esperou que Natsu a atacasse. Mas ele nem se moveu.
— Mas o que aconteceu? — Pali perguntou, incrédula, olhando as própria mãos. — Minha magia nunca falhou antes.
— Ela não falhou. — O dragon slayer falou, sério. Pali olhou irritada.
— Você está querendo dizer que nunca teve vontade de bater na Heartfilia? — Perguntou, zombeteira.
— Exatamente. — Natsu sorriu, vitorioso.
— Não me faça rir! — A garota debochou. — Você acabou de agredi-la, momentos atrás.
— Eu estava me defendendo. — Explicou Natsu. — Não tive escolha. Portanto, machucar Lucy nunca foi minha intenção. Isso nunca me passou pela cabeça. — A Aprendiz piscou, incrédula. Lucy enrusbeceu.
A pequena maga pareceu ponderar por um momento o que faria a seguir. Não demorou muito e um sorriso vitorioso apareceu em sua face.
— Eu poderia manipular a sua amiguinha até que ela ficasse esgotada fisicamente de tanto lhe bater, e você inevitavelmente tivesse que derrotá-la. — Falou, presunçosa. — Mas eu prefiro lhe ensinar que existem outras formas de se machucar uma pessoa. — Concluiu, envolvendo mais uma vez suas mãos com o brilho azul.
Foi como se a mente de Natsu tivesse dado um apagão. Agora ele entendia porque Lucy parecia tão confusa. Num momento ele estava de pé, encarando Pali, e quando deu por si, estava em cima de Lucy, imobilizando-a com as pernas, e o pior: Com ambas as mãos em seus seios.
— TIRA AS PATAS DAÍ! — Lucy gritou, extremamente corada, batendo no amigo.
— Lucy, eu não… — Natsu tentou se justificar, completamente confuso, saindo de cima dela. Mais uma vez, uma risada debochada cortou o ambiente. Natsu e Lucy encararam Pali, irritados.
— Que desgrama de poder é esse? — Lucy questionou, levantando-se.
— Eu posso intensificar qualquer sentimento. Só preciso que em determinado momento ele tenha existido na vida da pessoa. — Explicou, divertindo-se.
— O QUE QUER DIZER QUE VOCÊ JÁ QUIS PEGAR NOS MEUS SEIOS!!! — Berrou Lucy, indignada.
— EU E TODOS OS MEMBROS MASCULINOS DA FAIRY TAIL! — Natsu rebateu, irritado. — Eles são do tamanho de Fiore, impossível não querer pegar! — Completou. — E seu decote não ajuda em nada, tá?
— Vai reclamar das minhas roupas agora? — Falou a loira, desafiando o amigo com os olhos. Natsu devolveu o olhar desafiador que ela lhe lançava. Todavia, algo mudou na expressão do Salamander. Lucy, percebendo, recuou imediatamente.
— Reclamar por quê? — Disse o dragon slayer se aproximando, os olhos transbordando malícia — Suas roupas são ótimas. — Falou — Mas eu acho que você fica muito melhor sem elas.
— Natsu, o que deu em você? — Lucy perguntou, andando para trás, parando ao chocar-se com a parede. — Natsu, acorda, ela está te controlando! — Disse, desesperada.
Repentinamente, o mago do fogo enfiou os dedos no decote de Lucy, agarrando de uma só vez seu sutiã e sua blusa, puxando-os bruscamente. Os seios da garota saltaram quando ambas as peças de roupa foram destruídas.
— KYAAA! — Gritou — Natsu, pare já com isso! — A maga celestial exigiu, em desespero, abraçando os próprios seios para cobri-los.
— Parar? — O mago perguntou, rindo. — Estamos apenas começando Lucy. — Falou, jogando o que tinha sobrado do sutiã e da blusa da moça em um canto qualquer.
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Notas:
¹Ouji-sama: Pronome utilizado para se dirigir a príncipes de maneira formal e respeitosa.
² Magia do Círculo de Duas Camadas: Escuridão eterna: Infelizmente, os poderes de Mystogan foram pouco explorados no anime. Por isso, volta e meia terei que inventar algum feitiço. Os que forem de minha criação, serão referenciados nas notas.
³ Magia usada por Mystogan contra Laxus, durante a batalha na Catedral de Kardia (Episódio 41 do anime).
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