Vício e Sedução Se Misturam em Paixão
3 Capítulo 3
Ao chegarmos à festa me senti imediatamente mal por ter vindo, ao ver todas aquelas pessoas tentando provar que eram fodas se embebedando aos quinze/dezesseis anos e praticamente se prostituindo.
Entramos e foi inevitável não procura-lo no meio da multidão.
—Vou falar com os meninos, querem ir? — Ofereceu Carly, a mais adepta a festa de nós três, Ally se ofereceu para ir junto e eu acabei ficando.
Decidi dar uma volta pela casa e fui para a cozinha, ao entrar me deparei com uma mesa forrada de salgados e salgadinhos, não demorei para encher a boca e as mãos de comida. Enquanto me empanturrava dos deliciosos salgados postos a mesa senti meu coração acelerar e minha respiração começar a falhar quando Nate entrou pela porta.
Estava paralisada, em uma batalha interna entre me esconder ou ir falar com ele, mas antes que eu pudesse pôr fim a ela o vi caminhando em minha direção, com uma calça jeans preta, uma camiseta branca meio rasgada e uma jaqueta de couro hipnotizante, era um visual simples, mas combinava com ele.
—Que surpresa, não sabia que você viria. — Nate disse tirando os cabelos dos olhos, o estilo dele era irrevogável, eu estava realmente apaixonada, não? — Eu não canso de me surpreender com o poder das mulheres de ficarem ainda mais lindas quando querem –Falou mais para si do que para mim, mas ainda sim me fazendo perder ainda mais a força nas pernas.
—Pois é, me obrigaram a vir... –Respondi com um sorriso nervoso e desajeitado e para minha surpresa um sorriso apareceu no canto de seus lábios.
—Sei...Espero que você curta, mesmo estando aqui obrigada- Ele deu uma leve gargalhada e virou as costas para ir embora. –Ah! Antes que eu me esqueça, espero você na pista de dança.
Com uma piscadela de confirmação e particularmente sensual ele deixou o recinto e escorreguei no armário em que estava apoiada, sentando me no chão, estava arfando sem perceber. Será que eu deveria mesmo ir? Não sabia dançar, mas foi um convite, não foi?
Odiava o quanto ele baixava a minha guarda, meu cérebro se tornava um imprestável toda vez que eu entrava em contato com ele, era desesperador e ao mesmo tempo empolgante, afinal, nunca ninguém havia tido tanto controle sobre mim, funcionava como uma espécie de adrenalina
Saí em meio à multidão de corpos suados e ao cheiro forte de bebida alcoólica atrás das meninas, que estavam em um sofá no canto da sala com Mark, Stephan e os outros garotos.
-Onde você se meteu, estava quase indo te buscar — Murmurou Ally em meu ouvido.
—Encontrei com o Nate na cozinha.
—Você o que!?- Ally gritou chamando a atenção do grupinho todo, assim que percebeu voltou a falar baixinho- E o que deu?
—Ele pediu para eu ir dançar com ele mais tarde. –Respondi ainda me sentindo meio alterada pela conversa.
— E você tá esperando o que? –Disse ela com um sorriso malicioso de canto de boca me empurrando em direção ao centro da sala que estava servindo de pista de dança.
Insegura comecei a me esgueirar em meio à multidão até que o encontrei encostado em um canto bebericando de seu copo.
-Quer? –Ofereceu Nate assim que me aproximo, foi então que tomei uma péssima decisão e acabei por provar a bebida meio marrom alaranjada.
Assim que o líquido desceu rasgando minha garganta tive uma leve ânsia de vômito que causou risos no platinado.
-Você ri, mas isso é horrível, como bebe isso com tanta naturalidade? –Questionei incrédula.
-Um segredo –gritou em meu ouvido para que eu escutasse apesar do som alto –meus motivos para beber isso são mais amargos que ela, deixa as coisas mais fáceis.
Realmente, pensando por esse lado seria fácil simplesmente virar uma dúzia deles, mas não era meu objetivo.
-Então... vamos dançar? –Perguntei um pouco mais animada do que insegura, para minha surpresa começou a tocar Rude Boy da Rihanna, a música era velha, mas não perdia seu encanto.
— Só se for agora, gatinha.
Com aquele comentário clichê e encantador ele me puxou pela mão até o núcleo de pessoas loucas e suadas enquanto eu agradecia a pouca luminosidade que escondia meu rosto corado de vergonha.
Eu estava completamente tensa para dançar, mas o garoto que me acompanhava começou a fazer passos engraçados e me encorajava a imita-lo, assim aos poucos comecei a me divertir de verdade.
Chacoalhava minha cabeça e cintura no ritmo da música e estava alheia ao mundo exterior, só havia eu, Nate e a música, nos unindo com suas batidas, fazendo com que nossos corpos dançassem como um só, aquilo era simplesmente... viciante.
As mãos de Nate que descansavam em meu quadril deram um leve aperto que fez com que uma onda de energia corresse por todo o meu corpo, me incendiando.
Agarrei suas mãos ainda em meu quadril e comecei a descer elas vagarosamente, sua boca estava a alguns centímetros de meu pescoço, conseguia sentir sua respiração, enquanto suas mãos se aventuravam em meu corpo, quando de repente ele parou de dançar e me encarou logo depois apalpando desesperadamente seus bolsos à procura de algo.
Parei de dançar também e o olhava confusa, quando me dei conta dos últimos minutos e novamente senti meu rosto corar violentamente, quando Nate achou seu celular segurou minha mão e me olhou profundamente dando um aperto na mesma, ele virou as costas para mim e correu em direção à porta da frente, me deixando sozinha e perdida no meio daquela multidão.
Corri em sua direção sem entender absolutamente nada, ao chegar na calçada o vento cortante me atingiu e olhei ao meu redor para os poucos adolescentes do lado de fora da casa que bebiam, se drogavam e se pegavam, não o achei.
-Nate! –Gritei, mas como esperado, nada. Voltei para dentro e não o vi pelo resto da noite, acabei por me juntar ao grupo de Mark e os outros e fui embora marcada pelo toque dele como quem havia sido marcado a fogo.
Ele era tão inebriante e misterioso que me assustava, mas ao mesmo tempo me puxava em sua direção com mais intensidade do que seria possível.
~**~
Era terça-feira e eu não havia tido notícias de Nate desde a festa, não conseguia dizer se isso era algo positivo ou negativo, afinal, com que cara vou olhar pra ele depois de como agi com ele na maldita pista de dança?
Assim como um presidiário eu me encontrava em uma das poucas partes do pátio que batia luz do sol, sozinha, estava quase dormindo e ao mesmo tempo quase surtando com a nuvem de pensamentos e paranoias sobre ele que me rodeavam. Até que meu celular tocou, a tela indicava um número desconhecido, minha curiosidade acabou por ser mais forte e atendi.
—Oi—Disse uma voz cheia de timidez misturada com vergonha, uma voz com que eu estava começando a me familiarizar. Ao ouvi-la meu coração saltou de surpresa.
—Oi, tá tudo bem com você? –Respondo meio sem saber o que ele queria ou como reagir à essa ligação espontânea que havia me alegrado em tantos sentidos.
— Olha, me desculpe por sábado, não devia ter feito aquilo.— Um silêncio constrangedor paira no ar por alguns instantes- Posso me redimir? —O que ele quis dizer com aquilo eu não fazia ideia, só sei que era impossível negar qualquer coisa para aquela voz tão doce e levemente triste.
—Claro, por mim não tem problema. –Tinha de controlar a empolgação em minha voz para que não ficasse tão obvio quanto era para qualquer um que pudesse me ver ali nesse momento.
—Ótimo, te encontro depois da escola naquela praça de antes?— Concordo e ele desliga o telefone. Meu coração estava acelerado, mas não era nada comparado ao turbilhão de pensamentos que rondavam aquela figura tão aconchegante e mística.
Nate era uma incógnita que havia burlado minhas fórmulas, um imigrante ilegal que se alojara em meu peito, fazendo com que eu sentisse todas aquelas sensações quando ele está por perto. Era quase como um analgésico que me mergulhava em adrenalina, me fazendo esquecer de meus problemas, uma espécie de morfina na qual eu me viciava aos poucos, mas nunca me arrependia.
Enquanto eu me perdia em meus pensamentos o sinal para voltar para a sala já havia tocado e eu me encontrava quase sozinha no pátio. Saí correndo em direção a sala quando me deparo com a senhora Mirian, a diretora, parada no meio do corredor falando com um professor.
Porra, só o que me faltava! Essa mulher consegue ser mais chata que qualquer um que eu conheça, ouvir seus saltos estalando no corredor causava arrepios em qualquer um. Me escondo atrás das escadas e espero algum tempo, mas ela não para de falar, pobre professor André.
Começo a me dar por vencida e volto para a cantina, sentando em uma mesa próxima ao corredor para poder voltar para a sala quando o mesmo estivesse vazio, bem, pelo menos era o que eu planejava antes de ouvir os passos da velha vindo em minha direção. Eu estava encurralada, não havia pra onde ir, a não ser...
Em um movimento de desespero pulo por cima da bancada da cantina e me agacho para não ser vista, vejo a tia se assustando pelo ato inesperado, antes que ela pudesse falar alguma coisa a senhora Mirian lhe chama a atenção e começa uma série de perguntas.
Meu coração está na minha mão, essa foi por pouco, olho as horas em meu celular e vejo que o jeito vai ser cabular essa aula e torcer para a dona da cantina não me matar até a próxima aula começar. Que azar ou que sorte?
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