Notas iniciais
Rachel p.d.v

- Então você tem um rolo com um demônio?

Eu arrumava a cama de Sam enquanto ele colocava as roupas no armário.

- Não tenho um rolo com a Ruby.

- Claro.

- Rachel... porque está perguntando isso? A gente já não superou?

Eu ri sem humor.

- Claro, superamos.

Joguei o travesseiro na cama sem terminar de arrumar e sai logo do quarto antes que eu fizesse mais outras perguntas estranhas. “Pau mandado da Rachel” essa garotinha é realmente uma graça, agora ele era pau mandado de um demônio, e acreditava que gente como eles ajudam alguém. Estava passando pelo quarto da garota quando ouvi meu nome ser citado no meio da conversa:

- Está com ciúmes? Da Rachel?

- Eu? Ciúmes? Não! Só acho meio estranho ela...

- Porque toda garota nunca pode assumir que está com ciúmes?

- Haha tenha dó Jacob.

- Porque então está tirando satisfações do porque eu emprestei o meu casaco para Rachel?

- Você não veio aqui hoje, porque estava concertando o carro pra ela!

- Sim, eu estava. Mas eu vim aqui não vim? Estou aqui... ah para com isso Nessie, por favor.

De repente eles pararam de conversar e eu desci correndo as escadas com medo de que ela me pegasse ali ouvindo a conversa deles. Na pressa nem percebi que Taylor estava na minha frente.

- Ei.

- Oi Taylor.

- Bem, então você não é Megan?

- Vamos começar de novo ok? Eu sou Rachel, prazer.

Ele riu e depois apertou minha mão que estava esticada.

- Prazer. Sou Taylor.

Nós rimos e seguimos em silêncio para a parte de fora da casa, eu não sabia por que exatamente estávamos indo para lá ou porque ele estava fazendo com que eu fosse até lá.

- Então, está na hora deu contar minha história não é?

- É, está.

Taylor respirou fundo e demorou algum tempo como se tentasse encontrar as palavras certas. Eu sabia um pouco da história deles, havia me informado o necessário para que os matasse quando os encontrasse.

- Nós temos o dever de proteger nossa aldeia da ameaça dos frios, os sanguessugas que são os nossos únicos inimigos. Com a presença deles na cidade, nós retomamos a ativa, trazendo de volta os genes que pensavam ter sido perdidos com Ephraim Black, descendente do Jacob, por isso ele pode ter uma única matilha.

Eu esperei com que ele terminasse de falar, ele engoliu em seco e respirou fundo mais uma vez e ficou um tempo pensando.

- E como se não bastassem essas lendas que são realidades ainda tem o imprinting que é difícil descrever. Não é como o amor à primeira vista, é mais como... Uma atração gravitacional. Quando a vê, de repente não é mais a Terra que mantém você aqui, é ela. E nada importa... você se torna o que ela precisa que seja, um protetor, amante, amigo ou irmão. E eu acho que você deveria saber disso.

- Por quê? O que isso tem a ver comigo?

- Rachel... eu...

- O que tem você Taylor?

- Espera. Eu vou dizer.

Ele virou para trás, respirou fundo, e ao virar-se para mim ficou um tempo sem olhar em meus olhos. Passou a fitar o chão e suas mãos estavam fechadas como se estivesse nervoso, de modo a concentrar todo o nervosismo naquele gesto.

- Eu tive um imprinting com você!

COMO? EU OUVI DIREITO? Toda a lenda do imprinting é verdade, ok. Que isso acontece com os lobos, ok. Mas o Taylor teve um imprinting comigo? Eu tentei dizer qualquer coisa que fosse mas a voz ficou presa na minha garganta e eu odiava isso. Queria dizer algo, mas eu não tinha nada para dizer, tudo ficava mudo e eu fiquei sem reação.

- Não sei se deveria ter contado isso a você. Eu só quero que saiba que você não tem motivo algum pra ficar comigo do jeito que está pensando... Você tem outras escolhas claro.

- Mas e você?

- Eu o que?

- E se você tivesse o direito de escolha?

- Eu não quero ter Rachel.

Eu queria pensar, mas minha mente era um vazio, eu não tinha nada pra refletir, nenhum pensamento confuso. Era um silêncio completo, daqueles que chega a ser insuportável e frustrante.

- Rachel.

Olhei para trás e vi Sam me chamando, ele olhou para Taylor e o fitou e este o encarou de volta.

- É você tem que ir.

Ele disse virando as costas.

- Taylor!

- Sim?

- Você vai voltar?

- Claro Rachel, não posso ficar sem você.

Seus lábios quentes tocaram minha testa e minha boca se abriu em um sorriso involuntário e então ele sumiu na floresta. Segui Sam até o quarto em silêncio com a minha mente naquele vazio novamente, eu sabia que o turbilhão de pensamentos confusos viria à noite, quando minha cabeça refletisse tudo que aconteceu ali e colocasse pra funcionar.

- Rachel...

Sam segurou meu braço e me puxou para perto dele. Ok, ele bebeu, só pode. Ele não faz isso, é certinho demais para ter atitudes assim. Suas mãos soltaram levemente meu braço, mas seus olhos não saíram dos meus.

- Desculpe.

- O que foi?

- Não posso te enganar. Eu não superei.

Sua mão foi até minha cintura e me puxou até que nossos lábios estivessem muito próximos um do outro, e então houve um barulho na porta e Liza e Dean entraram.

- Uow! Foi mal a gente pode voltar depois.

Eles começaram a rir e eu me soltei de Sam e comecei a olhar a noite escura que fazia lá fora.

- Haha eu disse que só eu e você que estamos perdendo tempo Liza.

- Cala a boca Dean.

Eles continuaram rindo e eu não precisei olhar para Sam pra saber que ele estava muito constrangido, como eu, é claro.

- Vamos né? Temos muita coisa pra decidir.