Notas iniciais
Capítulo Único

Um exército marchava com armas a laser em punho, trajando armaduras acinzentadas com sistema de camuflagem que os faziam se confundir com o ambiente caótico a sua volta. Eles marchavam por uma cidade onde podiam se ver casas, antes flutuantes, tombadas no chão completamente destruídas e em chamas, junto de veículos e árvores.

Do lado oposto, outro exército ia de encontro aos camuflados, porém esses não faziam questão de se esconderem. Eles flutuavam rapidamente próximo ao solo, com armas em punho e trajando armaduras brancas com as juntas emborrachadas na cor preta. O visor deles brilhava em azul, onde um sistema infravermelho mostrava o inimigo. Junto desse último grupo havia alguns que iam por terra e seus corpos diferenciavam dos flutuantes, que tinham membros alongados e duas protuberâncias arredondados em suas costas.

Ao avistarem o inimigo, cada lado se pôs a atirar, uns com armas a laser, outros disparando rajadas de choque. Outros lançavam granadas, que ao colidirem com o solo explodiam em rajadas de luz, onde o exército de braços alongados aproveitava para atacar os que se cegavam com a claridade, e outros lançavam discos metálicos aos céus, que tinham luzes piscando, que iam se apagando gradativamente, e quando todas se apagaram vários compartimentos se abriram, de onde finas e afiadas lâminas foram lançadas, adentrando a armadura do inimigo.

Muitos caiam naquela guerra, onde o mais forte levaria o prêmio principal, à custa de muitas vidas e muito derramamento desnecessário de sangue, que só futuro diria quem sairia vitorioso.

No ano de 5049, a Terra estava à beira de sua extinção graças aos excessos dos humanos ao acabar com praticamente todos seus recursos necessários para se manter a vida humana, o que resultou em perdas de florestas, lagos e de boa parte da vida animal, vegetal e inclusive humana através da poluição, do desmatamento e da caça, além de mais duas grandes guerras mundiais.

Países pobres deixaram de existir pelo abuso dos mais ricos, levando povos inteiros a falência e a morte de várias pessoas através de doenças, além do aquecimento global ter atingido seu ápice, aumentando consideravelmente a temperatura do planeta, resultando no derretimento das calotas polares, o que provocou a inundação de vários países que tiveram grande prejuízos com perda de parte de seu território e no desaparecendo de inúmeras ilhas, pondo fim a várias nações e criando pobreza extrema em diversas outras.

Em um Conselho Mundial, criado para restaurar e manter a vida no planeta, onde os representantes das grandes potências ainda existentes, se reuniam para decidirem o futuro da nação planetária, uma vez que após todos os desastres que ocorreram no globo por conta do aquecimento global, como terremotos, maremotos, furacões, entre outros, o planeta teve seu número de habitantes reduzido em quase 80% e uma medida precisava ser tomada, porém, aquele mundo em que sempre viveram não era mais compatível com a vida humana, uma vez que a expectativa de vida também diminuiu graças a tudo que veio ocorrendo nos últimos tempos. Era como se o planeta estivesse se livrando daquilo que o adoecia, como o sistema imunológico que luta para combater o vírus que o mata aos poucos.

Se a humanidade quisesse sobreviver, eles teriam que ir mais além, em busca de um novo lar, onde poderiam começar do zero e dar um reinício a humanidade quase extinta em algum lugar onde poderiam ter os recursos necessários para a sobrevivência em abundância. Os terráqueos teriam de encontrar um novo lar, colonizar outros mundos e o escolhido foi o planeta mais próximo deles: Marte.

Ao contrário da Terra, Marte era um planeta próspero com uma população ainda mais desenvolvida, onde cada um sabia que deviam cuidar do planeta como se fosse o bem mais precioso que tinham, tanto que eles desconheciam guerras ou qualquer outro tipo de violência gratuita contra o meio ambiente, preservando assim seu planeta vermelho.

Os olhos foram voltados para o planeta vermelho após esse revelar vida inteligente, vida essa diferente da Terra, com seus humanoides sendo similares aos terráqueos, diferenciando em pequenas protuberâncias em suas costas que permitiam a eles levitarem, membros mais alongados e pela coloração da pele, que variava entre vermelho, amarelo e laranja.

Nem todos foram a favor daquilo, uma vez que Marte era um planeta super desenvolvido, que vinha ajudando os terráqueos nas últimas décadas desde o último tsunami que levou para o fundo dos oceanos o Oeste Europeu e isso significaria ingratidão para aquele povo nobre e generoso que mais os ajudaram sem pedirem nada em troca, porém outros apoiavam a ideia, afirmando que teriam que aderir a lei da selva, onde o mais forte sobreviveria, que a situação era extrema e eles teriam que apelar para aquilo se ainda quisessem dar continuidade a humanidade.

Uma grande discussão acerca do assunto foi formada entre os que defendiam aquela medida e os que eram contra, alegando que aqueles alienígenas eram, assim como eles, humanos e que tinham os mesmos direitos que eles e que não deviam arcar com as consequências que os terráqueos assumiram ao destruir o próprio planeta, uma vez que, ao contrário deles, os marcianos cuidavam de seu planeta, o mantinham saudável, usando com responsabilidade seus recursos naturais sem excessos para que sempre pudessem ter mais, porém aqueles mais egoístas, que pensavam mais em si mesmos, pouco se importando com gratidão ou com quem que prejudicassem, desde que fosse para seus interesses próprios, continuavam afirmando que aquela era a única medida cabível no momento, já que Marte possuía o que eles necessitavam e que deveriam sim tomar aquele planeta.

Alguém propôs fazerem um acordo com os marcianos, para que pudessem fazer moradia em seu planeta, o que quebraria um antigo tratado de nenhuma das duas humanidade habitar o planeta do outro se não fosse pelo turismo, mas logo aquilo foi ignorado, já que os marcianos uma hora poderiam se incomodar com eles e querer expulsá-los a força, além do que, os terráqueos teriam que viver sob as regras deles, ficando indefesos em um lugar estranho, por isso era mais fácil tomar o lugar para eles, tirando de lá os alienígenas que poderiam ser lobos em pele de cordeiro todo esse tempo.

— Não existe ninguém tão generoso assim! – dizia um representante de um país do norte asiático – Eles podem estar fingindo todo esse tempo, nos manipulando com seu falso carisma, querendo nos passar uma imagem de bons samaritanos, o que obviamente não são!

— O senhor está equivocado! – disse um representante que era contra aquela invasão, de nome Rick – O senhor coloca nossos próprios defeitos naquele povo que mal tem registro de guerras em toda sua história. Eles são pessoas bondosas que sempre quiseram nos ajudar e não merecem passar pelo que pretendem fazer a eles.

— Então o que explica eles se esconderem todo esse tempo? – disse um representante do norte da África – Há séculos tentamos um contato com eles, sem nunca conseguir. Enviamos sondas, robôs, tudo para identificarmos vida, mas sempre chegávamos a conclusão de não haver vida naquele lugar, então basta parte de nosso planeta ser quase devastado para que eles apareçam e ofereçam uma mão amiga? Então descobrimos que eles se esconderam de nós esse tempo todo e enquanto achávamos que aquele planetinha estava desabitado, na verdade ele tinha uma população avançadíssima, que manipulava nossas sondas e espaçonaves para caírem sempre no deserto, além de usarem de ilusão de ótica para esconderem seus lagos e oceanos de água pura, fora o fato de lá ter oxigênio suficiente para um terráqueo sobreviver e climas que suportam nossa humanidade e que apenas nos desertos é extremamente frio e sem oxigênio. Fora o fato deles saberem de nossa existência todo esse tempo e barrar qualquer tipo de comunicação nossa para com eles, se escondendo e até hoje não nos revelam o porquê.

— O que mostra que eles vêm nos espionando todos esses séculos, desde os primórdios de nossa humanidade, esperando apenas o momento certo para surgirem e oferecerem a mão amiga, esperando que ficássemos submissos a eles por mera gratidão. – disse outro representante, esse oriental.

— Isso não justifica. – disse uma mulher árabe, de nome Nadirah – Se eles se esconderam todo esse tempo, devem ter um bom motivo. Como um dos senhores disse, temos um grande histórico de guerra e por eles serem um povo pacífico, se revelarem sem um motivo poderia ser perigoso para seu planeta. Sempre vivemos em meio a guerras e isso poderia ser considerado uma invasão alienígena e obviamente responderíamos com mais guerra, logo, presumo eu, eles se mantiveram ocultos todo esse tempo para evitarem um confronto desnecessários, uma vez que nossa humanidade sempre teve medo do desconhecido. Na antiguidade as pessoas atacavam todos os que lhe eram estranhos, porque haveria de ser diferente com eles? Se revelaram em um momento que só eles poderiam ajudar nosso mundo a sobreviver, já que não tínhamos como fazer isso mais e assim eles foram considerados heróis, salvadores e agora os senhores querem ataca-los, fazer o que acham que eles querem fazer com nosso povo. Logo, eu lhes pergunto: quem são os lobos em pele de cordeiro?

Um silêncio se fez após o discurso de Nadirah e Rick sorriu discretamente ao ouvir as palavras de sua colega, mas logo o líder daquela reunião, senhor Omar, que até então se mantinha calado, tomou a palavra, dizendo:

— Creio que esse caso deva ser estudado e votado. Querendo ou não, os marcianos são seres vivos inteligentes, nunca nos fez mal e nos ajudaram quando mais necessitamos. Concordo que devemos preservar a sobrevivência de nossa espécie, mas isso também significa que teremos que atentar para a vida de outra nação, que até o momento se mostrou pacífica. Me reunirei com nossos líderes ainda hoje e em sigilo absoluto colocarei essa medida em pauta, visando o que for melhor para todos. Essa reunião está suspensa até segunda ordem. Sem mais.

O caso foi encerrado ali, os representantes das nações mundiais foram dispensados e todos se retiraram daquele recinto. Alguns cochichavam uns com os outros enquanto olhavam para Rick e Nadirah, únicos ali a se pronunciarem contra aquela decisão absurda de tomarem um planeta que nunca os pertenceu. De todos que eram contra aquela medida, mas apenas os dois tiveram coragem de levantar a voz para todos os demais representantes. Eles reclamavam da atitude deles, dois jovens membros, que achavam que por serem mais novos que os demais representantes sabiam de alguma coisa da vida.

Nenhum dos dois se importavam com o que as más línguas falavam, afinal, o que valia era seus ideais e os motivos que os levaram a fazer parte daquele conselho, que era ajudar o mundo, porém para eles ia mais além. Se Marte também abrigava vida e se eles tinham a oportunidade de ajuda-los, eles iriam, uma vez que estavam ali, vivos, graças a ajuda de tais benfeitores.

— Acredita no que aqueles velhos sugeriram? Invadir um planeta pacífico para lhe tomar de seus habitantes, que por acaso nos salvaram. Como podem ser tão egoístas? – disse Nadirah a Rick.

— É um mal que o ser humano não consegue se livrar. Primeiro destroem o próprio planeta e depois acham que é só ir para um outro e toma-lo a força, sem acordo, sem nada. E para quê? Para futuramente fazer o mesmo com ele.

— É um absurdo! Reconheço que estamos em um momento difícil, que nossa própria existência corre risco, mas há outros meios! Que fechem as fábricas que ainda poluem o ar e as águas, que plantem mais árvores, que preservem os animais. Nosso planeta ainda tem salvação, Rick.

— Concordo com você, mas isso iria custar muito caro aos empresários e a todos os demais da elite. Iam perder muito dinheiro e os poderosos gostam de se manter assim. Para eles é mais fácil tomar um planeta já pronto com tudo que eles precisam do que tentar salvar um já condenado, como eles enxergam.

— Acha que irão aprovar essa ideia absurda?

— Não sei. O líder de nosso conselho, o senhor Harris, tem a mente fechada e antiga como de todos aqueles velhos que apoiaram a ideia de tomar Marte. Ele não gosta de manifestar seus ideais por ter que ouvir ambas as partes, mas suspeito que ele irá incentivar tal ideia aos líderes de cada país. O conselho sozinho não pode decidir algo assim sem a aprovação dos governantes das nações ainda de pé nesse mundo, mas para isso uma votação entre nós deve ser feita. Irei hoje mesmo conversar com o presidente dos Estados Unidos, a quem represento, para abdicar tal ideia caso ela seja aprovada e lhe aconselho a fazer o mesmo.

— E farei, assim como também o pedirei que use sua influência para aconselhar os demais governantes com quem ele mantem relações a fazerem o mesmo. Só espero que o presidente me ouça. Voltarei hoje mesmo para Dubai.

— É. Pedirei o mesmo, ainda vendo hoje que fomos minoria em ir contra tal ideia. Se aprovada, somente os governantes poderão interceder ao nosso favor.

— E vendo o silêncio daqueles que eram contra tal medida, creio que logo muitos deles irão mudar de ideia, isso se já não mudaram. Bem, Rick, preciso ir. Te vejo em breve e espero que com boas notícias.

— Digo o mesmo, Nadirah. Até breve!

Dias depois, todo o conselho foi chamado para uma nova reunião, onde decidiriam o futuro da Terra. O líder do conselho optou pela votação e ela ocorreu rapidamente, com uma maioria avassaladora aderindo a ideia de tomar Marte. Rick se revoltou contra aquilo, dizendo aos berros que aquilo era injusto, mas ninguém deu ideia para ele, que quase foi expulso da sala de reuniões. Nadirah tentou acalmá-lo, dizendo que tudo ainda dependeria dos governantes de cada país, afinal, eles teriam que ceder seus exércitos para uma invasão como aquela e Rick não se animou nem um pouco, dizendo que seu presidente havia achado a ideia genial e que tomar um planeta vizinho como nova morada era o mais viável, uma vez que, para ele, a Terra não tinha mais esperanças e assim poderiam começar do zero. Rick ainda disse que o questionou sobre os marcianos, que eram donos daquele planeta e que era injusto o que fariam e o presidente disse que também desconfiava de tanta benevolência e que não existia pessoas boas na Terra, o que dirá em outros mundos, ainda mais um que se manteve escondido por tanto tempo e só se revelou quando mais os interessou.

No final de tudo, a invasão foi autorizada e o exército de cada país foi acionado para a futura invasão, com naves super velozes já sendo preparadas, assim como todas as armas possíveis, uma vez que os marcianos eram conhecidos por sua tecnologia avançada, o que se presumia que eles teriam uma defesa maior do que a da Terra, que, mesmo já sendo bem avançada tecnologicamente, ainda estava bem atrás do planeta vizinho.

Rick ficou revoltado e no mesmo dia se dissolveu daquele conselho, não sendo mais o representante de seu país e tomando ódio de todos aqueles que aderiram a aquela abominável invasão.

— Droga! Droga! Droga! O que essas pessoas têm na cabeça? Como eles querem acabar com a vida de uma população inteira como se fossem nada? Isso não pode ficar assim! Alguém tem que intervir!

— Calma, Rick! O que podemos fazer? O jeito é deixar os marcianos se defenderem, nada mais podemos fazer.

— Não! Algo tem que ser feito. Os marcianos têm tecnologia mais avançada, porém eles nada entendem de guerra. O mais perto que já chegaram disso foi nos primórdios de sua humanidade, há milênios atrás! Hoje eles mal têm policiamento, já que menos 0,5% da população comete algum crime. Tenho que pensar em algo.

— Mas pensar no quê? É você contra o exército de todos os países!

— Não se eu preparar um exército de outro mundo.

— O quê? Como assim? Ei, Rick! Espere!

Rick deixou aquela conversa com Nadirah, que tentou acompanha-lo, mas ele havia saindo do prédio do conselho rapidamente e tomado seu carro e saiu voando com ele sem um destino certo. Ela, sem saber o que fazer, tomou seu carro e sai voando com ele para o hotel onde estava hospedada.

Rick chegou no hotel onde estava hospedado e adentrou o hall, entrou no que parecia ser um elevador, apertou um botão com número 28 e todo aquele compartimento ficou iluminado e Rick foi desmaterializado em luz branca, se materializando novamente em seu quarto onde estava hospedado.

Ele correu e pegou algo metálico, alongado, fino e cilíndrico, acionou um botão vermelho, e logo uma tela holográfica se projetou a frente de seu rosto saída do objeto que o produzia. Com alguns comandos e voz, Rick pediu para o aparelho realizar alguns comandos e logo óculos de realidade virtual foram projetados em seu rosto, juntamente com fones. A tela desaparece, mas Rick continua movimentando seus dedos no ar como se ela ainda estivesse ali, e logo passou a fazer novos movimentos como se tivesse digitando em algo invisível, que só com a ajuda de seus óculos ele poderia enxergar.

Momentos depois, uma nova tela surge a frente de suas lentes e um som é emitido dela, onde aparecia escrito “Hayek, Nadirah”, com a foto na moça sorrindo. Rick para de digitar e os óculos junto dos fones desaparecem de seu rosto. Ele, então clica sobre a imagem a moça e logo uma transmissão de vídeo se inicia, como ela lhe dizendo:

— Senhor Rick Grimm! Espero que tenha um bom motivo para ter me deixado plantada naquele lugar sem se quer me dar um motivo para sua repentina e rápida saída!

— Desculpe, Nadirah, mas é que eu arranjei uma forma de ajudar os marcianos e precisava fazer tudo isso o mais rápido possível.

— Arrumou um jeito? E que jeito é esse?

— Não posso te falar agora o que exatamente é. Não por telefone. Nossa conversa pode estar sendo gravada e eu não quero correr riscos disso dar errado.

— O que você está querendo dizer com isso?

— Apenas confie em mim. Tenho um plano que dará certo e teremos tempo para executá-lo. As naves que usamos para chegar a Marte são de certa forma lentas, então o Conselho Mundial terá que preparar outras, caso queiram fazer uma invasão rápida e repentina. As nossas, atualmente levam cerca de três horas para deslocar de um planeta a outro, algo relativamente lento e que daria tempo de um contra-ataque, portanto, creio que o exército americano, que está à frente dessa invasão, irá preparara naves mais rápidas e mais potentes, além de prepararem uma defesa melhor, já que por não conhecerem totalmente a tecnologia marciana, eles terão que se precaver como puderem. Eles nunca batalharam com alienígenas antes.

— Ainda não entendo onde quer chegar.

— Com nada que tenha que se preocupar agora. Aproveitando sua ligação, quero saber de você. Somos amigos há muito tempo, fizemos faculdade juntos e entramos nesse maldito conselho juntos. Passamos por toda essa situação juntos e temos a mesma opinião quando a essa invasão, então, quero saber se me ajudará no que for preciso para impedir esse massacre.

— Claro que sim! eu participei longos anos da minha vida na causa dos direitos humanos e para mim os marcianos estão tendo seus direitos violados nesse momento.

— Ótimo! Então prepare suas malas, que você irá fazer uma viagem comigo.

— Uma viagem? Com você? – disse ela, com o rosto rubro de vergonha.

— Sim, mas não será nem para Dubai ou para Washington D.C. Iremos mais além, iremos fazer um tour em Marte!

Mais tarde, naquele mesmo dia, Rick olhava para seu pulso, onde uma luz se materializou de uma pulseira emborrachada criando no ar números referentes ao horário atual. Ele abaixou o braço e o holograma se desfez. Ele puxava uma mala de tecido que flutuava a poucos centímetros do chão enquanto uma esteira o levava para uma grande construção que parecia ser um grande cone, de onde pessoas entravam e saiam pela parede, como se fossem fantasmas, de onde grandes naves similares a ônibus estavam estacionadas para embarque e desembarque.

Próximo a esse cone estava Nadirah, com uma mala semelhante a dele, o esperando afim de lhe fazer diversas perguntas. Rick, então, saiu da esteira e foi até ela, que começou a lhe fazer diversas perguntas, mas ele não lhe respondeu e tão pouco lhe deu tempo de perguntar mais alguma coisa, pois ele a abraçou e lhe deu um suave e demorado beijo em seus lábios, o que a fez se calar instantaneamente. Nadirah só interrompeu o beijo quando viu suas malas rodopiarem no ar por conta do sistema de levitação, ela, então, junto de Rick tratou logo de apanhá-las no ar antes que fossem, para mais alto e ela logo o questionou em seguida:

— Rick! Porque fez isso? Quase perdemos nossas malas.

— Desculpe, Nadirah, mas não resisti. Somos amigos a tanto tempo e hoje você foi a única ficar do meu lado, a querer entrar nessa missão comigo e... senti vontade de beijá-la, de expor meus sentimentos.

Nadirah nada respondeu, apenas se ruborizou, sentindo seu coração se descompassar diante aquele ato. Ela gostava de Rick já há algum tempo, mas não sabia se o antigo representante dos Estados Unidos da América nutria o mesmo por ela, até agora.

— Rick, eu...

— Depois conversamos sobre o que fiz, agora precisamos ir, pois temos uma viagem a fazer em três minutos, caso contrário perdemos a nave e só sairá outra amanhã.

Sem mais delongas, Rick a puxa pelo braço e adentram o local pela parede, a atravessando como todos faziam e logo se viram dentro de uma confortável nave, onde um holograma era reproduzido acima de seu teto com os dizeres “Destino Marte, cidade de To’matena”, que era a capital do planeta. Eles se sentaram em bancos suspensos e acionaram um botão no mesmo, onde cintos em forma de “X” se materializaram em seus corpos. Nadirah tomou coragem e levou sua mão até a de Rick, que percebeu o gesto e apertou a mão dela, lhe dando um sorriso. Eles seguiram viagem por três horas até chegarem ao planeta vermelho, junto de outras naves. Eles aterrissaram em uma construção similar a da Terra, que também tinha o formato de um cone.

Após desembarcarem, e saírem daquela estrutura de desembarque, Rick e Nadirah tomaram a direção uma extensa fila que andava rapidamente, onde as pessoas entravam em uma espécie de caixa metálica e desapareciam sem fazer qualquer esforço ou sem falar qualquer palavra. O casal adentrou aquele lugar e Rick pediu para Nadirah segurar sua mão e não a soltar por nada, ao que ela atendeu prontamente. Nadirah nunca tinha ido a Marte antes e tudo que conhecia era através de vídeos de realidade virtual e fotos holográficas, mas ela percebeu que Rick conhecia bem o lugar. Assim que entraram naquela caixa “mágica”, Nadirah ia perguntar Rick o que iam fazer, mas ele apenas fez um “shihh” com o dedo na boca enquanto sorria para ela e logo eles desapareceram como todos os outros que ali entravam.

Eles logo reaparecem em uma outra caixa como aquela com várias outras ao seu redor e Nadirah ia falar, quando algo que viu a fez arregalar os olhos e abrir a boca, sem conseguir pronunciar qualquer palavra. A sua frente estava uma enorme construção que parecia ser toda de cristal, com mais ou menos 50 metros de altura, possuindo vários andares. Aquela construção planava a poucos centímetros do chão e dela saiam duas enormes esteiras que se moviam em direções contrárias, para a saída e entrada de pessoas naquele local.

— Uau! – exclamou a moça.

— Bonito, não? Esse é o palácio governamental onde o líder planetário atua ajudando a manter a ordem e a prosperidade em todo o mundo.

— É mesmo. Aqui não possuem presidentes como na Terra. o planeta inteiro é regido por um único líder que comanda até que não possa mais. Um líder escolhido pelo povo pelo seu caráter e por sua honestidade. Alguém com a moral bem elevada.

— E de grandíssima bondade para com seu povo. Nosso planeta poderia aprender muito com os marcianos. Venha! Temos que encontrar alguém.

Nadirah estava tão admirada com tudo que via que até se esqueceu de perguntar o que exatamente foram fazer ali. Eram meios de transportes flutuantes que se adequavam a quantidade de gente que transportavam mudando seu tamanho, nunca deixando nenhum passageiro de pé, crianças marcianas que interagiam com crianças humanas a passeio, como se fossem da mesma raça, pessoas indo e vindo sempre bem humoradas, cumprimentando a todos que viam com sinceros sorrisos no rosto, carros flutuantes de diversas cores que passavam pelas vias aéreas sem incomodar os pedestres abaixo e sem tumultuar o céu, além do ar e limpo que se respirava, um pouco mais rarefeito do que da Terra, mas ainda sim agradável de se sentir. Árvores frondosas cheias de frutos de formas variadas com suas folhagens azul turquesa que enfeitavam os passeios, todas bem cuidadas e bem tratadas.

Nadirah se sentia em uma espécie de paraíso, onde desejava viver ali para frente. Em parte, ela agora entendia o porquê dos terráqueos cobiçarem tal planeta, mas também sentia mais que nunca que devia ajudar Rick a protege-lo, como ela não sabia, já que ele ainda nada falara a ela.

Com poucos segundos de caminhada, o casal caminhou até próximo as esteiras do palácio, onde um homem marciano os olhava. Ao vê-los, o homem de pele amarela sorriu e estendeu sua longa mão para Rick, que devolveu o sorriso e lhe apertou a mão, dizendo:

— Olá, Chiller! Como vai?

— Muito bem, senhor Grimm, e o senhor?

— Vou bem, mas não precisa me chamar de senhor, pode ser só Rick. Afinal somos amigos. Essa aqui é a senhorita Nadirah Hayek.

— Encantado, senhorita Hayek. Sou Chiller O’ranger, ao seu dispor.

— Muito prazer, senhor O’ranger.

— Então? Vamos a aquele assunto delicado que tratamos por telefone horas antes, meu amigo?

Chiller conduziu os dois para dentro do palácio, onde entraram em um tele portador similar ao que usaram momentos atrás e logo eles se viram em uma grande sala com diversos objetos sofisticados e de bom gosto. Chiller lhes ofereceu duas cadeiras flutuantes para se sentarem e assim que o fizeram, Nadirah não se conteve e começou a falar:

— Como entramos naquela caixa e aparecemos aqui de repente? Os tele portadores da Terra são diferentes e precisam de comando de voz ou manual. E o que viemos fazer exatamente aqui, Rick, pois a passeio que não é, caso contrário teríamos ido para um hotel, não para o palácio governamental! E que beijo foi aquele, senhor Grimm?

— Calma, Nadirah! Todas suas perguntas serão respondidas no seu devido tempo. Os tele portadores daqui são diferentes sim, eles funcionam com comandos mentais e não precisamos de recursos iguais os da terra para nos desmaterializar. Viajamos na velocidade da luz. Quanto ao que viemos iremos esclarecer agora com o Chiller. E o beijo resolvemos depois, ok?

— Tudo bem. Vou confiar em você.

Nadirah se calou e Chiller, que os observava curiosamente, sorriu e tomou a palavra:

— Senhor Grimm, digo, Rick! Achei que viria com mais gente.

— Também achei, mas apenas Nadirah me acompanhou. Os demais que apoiam minha causa estão com medo do Conselho Mundial e preferiram não se arriscarem, mas prometeram ajudar os inocentes na Terra. Espero contar com quem estiver a passeio aqui.

— Sabe que causar uma grande revolta, não é?

— É o que um revoltado faz. Não posso ver pessoas simplesmente achando que podem decidir o destino de um planeta inteiro e ficar de braços cruzados enquanto uma guerra se inicia. A Terra já passou por quatro grandes guerras e precisou do planeta revidar para a humanidade se unir. E para que? Para acharem uma solução de salvar o mundo destruído por eles mesmos? Afinal, aquele conselho foi criado para isso, não? Mas ao invés disso, preferem tomar o que não é deles, como sempre fizeram. Isso eu não vou permitir! Tenho muito apreço pela ajuda que seu povo deu ao nosso planeta no passado, nos ajudando até mesmo a dar avanços científicos para que facilitasse a nós meios de encontrar uma forma de ajudar nosso planeta, nos dando alimento, água e deixando que nossa humanidade interagisse com a sua com essas viagens até aqui em forma de passeio para que esquecêssemos um pouco nosso próprio drama. Em nosso planeta sempre existiram ficções de alienígenas invadindo e tomando nosso planeta e no final nós é que acabamos nos tornando os invasores.

— É lamentável que tenhamos chegado a tal ponto. Nosso governante sempre mostrou grande interesse em ajuda-los, mas na situação que me contou, com essa invasão eminente, teremos que tomar providencias e proteger nosso planeta e preparar nossas defesas. Porém, nosso exército é despreparo para tal ameaça. Lidamos apenas com alguns baderneiros que vez ou outra aparece.

— E é por isso que estou aqui. Atuei no exército por bastante tempo como capitão antes de ser representante de meu país no Conselho Mundial e antes de ser embaixador dos Estados Unidos em Marte e sei liderar uma tropa e irei preparar seus homens e mulheres para o que vem e vencer essa guerra, custe o que custar!

— Então você quer iniciar uma guerra? – perguntou Nadirah, admirada.

— Não é bem isso que irei fazer. O exército será para caso o primeiro passo não dê certo. Contatei alguns amigos meus que estão aqui de férias para me ajudar no que planejei. E foi por isso que você está aqui, Nadirah.

Nadirah não entendeu o que ele quis dizer logo de imediato e Rick pediu a Chiller que os levasse até onde tinham combinado por telefonema, em uma estação de rádio que ficava na capital. No caminho, Rick disse a Nadirah que ele tinha conversado com todo mundo que conhecia que poderia ajudá-lo trocando mensagens de seu computador horas antes no hotel da Terra e que teve que usar óculos de visão especial para tornar seu visor e seu teclado holográfico invisíveis a olho nu para evitar ser espionado.

Chegando na estação de rádio, Chiller conseguiu que passarem a transmissão que ocorria naquele momento com uma ordem direta do governante para que Rick pudesse falar e ele logo deu seu comunicado, chamando tanto os terráqueos quanto os marcianos que o ouvissem. Ele contou os planos confidenciais do Conselho Mundial sobre a futura invasão, sabendo que aquele povo avançado intelectualmente não iria se alarmar tanto ao ponto de criar caos no mundo, mas sim de pensarem em uma saída e Rick lhes propôs que protestassem contra aquela atitude para, quem sabe, ajudar a impedir aquele ataque, uma vez que teriam ali terráqueos e marcianos junto em uma única causa.

Rick conseguiu o que queria, juntou todos que podia para aquela revolta em frente ao palácio, algo pacífico com vários protestos de ambas as raças, mas logo aquilo vazou e os governantes da Terra logo souberam do que Rick fez e quiseram adiantar aquela guerra eminente, não dando ouvidos para o que aqueles protestantes diziam e tão pouco mudando a ideia de tomar o planeta para eles.

Os terráqueos responderam enviando suas naves e dando ordem de ataque a Marte, informando aos marcianos que logo se iniciaria uma guerra e que o planeta logo seriam deles. Rick tratou logo de reunir os melhores soldados do planeta e treiná-los o mais rápido que podia, uma vez que havia recebido um comunicado da Terra de um de seus amigos que as naves de guerra estavam sendo preparadas rapidamente. Vários terráqueos quiseram se juntar ao exército marciano e se preparam junto deles para a guerra.

As comunicações entre ambos os planetas haviam sido cortadas dias depois e as viagens interrompidas, com terráqueos tendo apenas uma única chance de voltar ao seu planeta, o que muitos aproveitaram. Logo o exército marciano estava pronto e as naves terráqueas estavam a duas horas do planeta vermelho, porém, elas estavam com um sistema de camuflagem que as deixavam invisíveis, além de um sistema que impedia que satélites as detectassem, impedindo que Marte os notasse chegando.

Rick havia finalmente tido tempo de falar para Nadirah o que sentiam e deitados sob um belo jardim de folhagem roseadas, eles admiravam as duas pequenas luas do planeta vermelho, até que Rick notou algo em uma das luas que a deixou com um borrão desfocado, como se algo tivesse passado por ela rapidamente e ele logo se sobressaltou, dizendo:

— Droga! Eles chegaram mais cedo do que eu pensava!

— O que foi Rick?

— Nadirah, o exército terráqueo já chegou aqui antes do previsto, provavelmente para nos pegar de guarda baixa. Preciso avisar Chiller.

Os tele portadores de todo o globo começou a funcionar repentinamente e deles, milhares de soldados terráqueos trajando amaduras acinzentadas com sistema de camuflagem semelhante ao das naves saíam por eles, assustando quem passava pelas ruas e logo o exército começou a desferir tiros e jogar bombas contra casa e pessoas, começando uma verdadeira matança. Alguns desses soldados jogavam discos brilhantes no chão que emitiam uma grande luz para cima, onde mais soldados se materializavam, logo se unindo com seus companheiros para matar os marcianos.

Logo alarmes soavam pelas cidades do planeta, e em T’omatena não foi diferente e Rick já havia avisado Chiller e ambos já tinham seus soldados prontos para a batalha. Chiller disse enquanto marchavam para aquele campo de batalha:

— Ainda bem que você notou uma nave camuflada passando pela lua. Um pouco menos e teríamos sidos pegos de surpresa. Eles também rackearam nosso sistema de tele portes e o está usando para iniciar essa invasão.

— Fora que eles estão usando sistemas que não nos permitem rastrear suas naves. Sorte eu ter visto aquele borrão na lua, ou seríamos atacados pelas costas!

— Irei pedir que desativem a energia de todos os tele portadores e que evacuem todos para as áreas de segurança no interior do planeta.

Logo os dois se juntam ao exército marciano e com visores especiais podiam ver através da camuflagem dos terráqueos e começou a atacá-los. Nadirah se juntou ao pessoal da inteligência, dando aos soldados comandos do que fazer e para onde ir, devido à falta de experiência com guerras. Junto delas haviam diversos humanos e marcianos, assim como nos exércitos de todo aquele mundo.

O exército marciano era menor e estavam tendo grandes baixas, então tiveram que apelar por armamentos mais sofisticados, única coisa que levavam vantagem sobre os humanos. Muitos leves flutuavam pelo ar lançando tiros a laser, tiros elétricos e até mesmos lança-chamas e raios de gelo, coisa que os humanos sequer pensaram em fazer, mas aquele ataque com armas diferenciadas era apenas uma distração para o que realmente estava por vir.

Do chão várias aberturas se fizeram e os terráqueos ficavam a postos, prontos para atirar, enquanto os marcianos acionavam algo em seus trajes. Tudo levou questão de segundos, enquanto grandes máquinas saiam dessas aberturas e os terráqueos começavam a atirar contra elas, que parecia ter uma camada invisível que bloqueava os tiros, então elas começam a brilhar intensamente e uma onda de energia é lançada delas em direção a todos os lugares, vaporizando todos os humanos a um raio de um quilometro, o que surpreendeu Rick, que não foi afetado por aquela perigosa arma.

— Caramba! Não sabia que tinham isso escondido aqui!

— Isso foi ideia do nosso governante. Essas armas são usadas para combater pragas subterrâneas. Por isso te falei para ativar o escudo refletor, feito para ser usado quando essa máquina é ativada.

— Tudo isso para insetos? Bem, pelo menos veio a calhar para proteger nosso povo.

— Nosso povo?

— É, bem... Os terráqueos estão fazendo algo sujo. Já não me considero mais um deles. Agora chega de conversa e vamos para a luta.

A guerra deu prosseguimento e com aquela nova arma os marcianos começaram a ter a vantagem, com vários terráqueos se rendendo para não serem mortos e eles logo eram levados presos por outros soldados encarregados apenas daquilo, junto de feridos dos dois lados.

Tudo parecia levar a vitória marciana, até que um enorme raio laser corta os céus, atingindo o planeta em cheio, dizimando exércitos inteiros. Os soldados olham para cima e veem uma enorme espaçonave surgir atrás das luas marcianas, se preparando para outro ataque. Rick, ao ver aquilo, pede para todos correrem e outro ataque é lançado, disparando tanto contra marcianos quanto terráqueos, o que deixou muitos confusos. Rick pediu para Chiller comandar o exército que ele precisava fazer algo e saiu correndo dali, deixando seu amigo na dúvida do que ele faria.

Rick correu para uma base e no caminho teve que atirar contra alguns soldados que queriam lhe abater, mas finalmente adentrou a base que era protegida por um campo de força, onde o pessoal da Inteligência atuava. Nadirah foi pega de surpresa quando viu Rick lá dentro e o questionou:

— Rick! O que faz aqui?

— Aquela arma que os terráqueos está nos atacando, ela foi projetada para vaporizar meteoros e eu trabalhei nela, portanto, sei como fazer para impedi-la, porém é arriscado. Preciso de um pulso magnético, tem algo do tipo no planeta?

— Temos, porém não a usamos desde que nós nos revelamos a vocês. – disse um marciano de pele vermelha – Esses aparelhos eram usados para impedir que lessem nossas ondas de rádio, satélites e nos descobrissem. Eram usados também para desviar suas naves e sondas para nosso deserto quando caíam aqui. Estão desativadas a muitos anos.

— Acham que são capazes de mandar aquela coisa para longe daqui?

— Creio que sim, mas teremos que ver como está o funcionamento delas.

— Apenas a acione e as ativem ao meu comando. Nadirah, eu irei lhe falar o momento certo de usar o pulso magnético, enquanto isso, preparem tudo!

Rick saiu de lá e voltou para onde Chiller estava, vendo que mais uma rajada laser estava pronta para ser lançada, ao que Chiller disse a ele:

— Se isso continuar, nosso planeta realmente vai ser um deserto vermelho em pouco tempo!

— Não se eu puder impedir! Ajudei a construir aquela coisa e sei seu ponto fraco. Iremos nos livrar delas e todas as naves que nos atacam de uma só vez. Enquanto isso, preciso que me protejam, preciso observar aquela coisa!

Enquanto todos protegiam Rick, ele observava o gigantesco atirador de laser, que possuía uma abertura que se abria como uma lente fotográfica, preparando mais uma rajada de laser. Foi no momento que ele avisou Nadirah:

— Acionem os pulsos magnéticos do planeta inteiro contra aquela arma!!!

E assim foi feito. Equipe de inteligência de todo o mundo conseguiram acionar aquelas máquinas e uma gigantesca onda magnética foi lançada de diversas antenas espalhadas por todo o globo contra a gigantesca arma no momento que ela se preparava para atirar. Várias naves tiveram seus sistemas de camuflagens danificados e suas armas avariadas e aquilo também afetou os trajes metálicos que os terráqueos usavam em marte, não os permitindo mais usar a tecnologia oferecida por ela, diferente dos trajes marcianos, que eram feitos com fibras de carbono e fibras óticas, assim como suas armas, o que fez com que todos os terráqueos fossem rendidos, evitando mais mortes desnecessárias.

A grande arma a laser foi empurrada para trás girando e ia disparar um potente raio laser, mas as ondas magnéticas fizeram com que o laser não fosse liberado, explodindo aquela grande estrutura. A explosão pode ser vista por grande parte do globo vermelho como se fosse um grande espetáculo de luzes e fogos, mostrando a vitória do povo marciano em cima daqueles invasores alienígenas que queriam lhes tomar o planeta. Chiller comemorou com Rick:

— Você conseguiu, Rick! Salvou nosso povo!

— Fiz o que pude e não teria conseguido sem causar uma revolta primeiramente.

Os marcianos começaram a comemorar, mas então um berro chamou a atenção de todos ali presente. Acima do palácio governamental, um marciano alto e forte, de meia idade e de pele amarela, estava sendo feito refém por um terráqueo com uma faca em seu pescoço. Aquele homem tinha uma armadura diferente, com algumas medalhas estampadas em seu peitoral e com símbolos mostrando um posto maior em seu exército, ele retira seu capacete e se mostra ser alguém já conhecido por Rick.

— Senhor... senhor Harris?

— Nem mais um passo, senhor Grimm, ou eu vou decapitar o líder dessa nação desprezível!

Harris, o líder do Conselho Mundial, estava a frente do exército terráqueo atuando como general e havia ido pessoalmente até o palácio governamental para render o governante de Marte como uma última chance de terminar o que havia decidido na Terra meses atrás.

— Rick! Se aquele homem matar nosso líder, não teremos escolha. Nosso povo o ama muito e seriam capazes de entregar o planeta para vê-lo bem.

Rick não sabia o que fazer diante daquilo. Não queria entregar o planeta, mas também não queria ver o líder daquele planeta, de nome M’orang, ser morto por alguém tão desprezível como Harris.

— Rick, você foi o causador disso tudo! – dizia Harris – Você criou essa guerra. Era para ser apenas uma simples invasão e aniquilação desses aliens. Mas você tinha que se revoltar contra seu mundo, criar uma revolta que atingiu até mesmo nosso povo, que, em sua maioria, foi contra nossa decisão. Sabe o trabalho que nos deu? Assim que matar esse alienígena nojento, irei te matar pessoalmente!

— Você não vai encostar um dedo no meu Rick!

Harris não reconheceu aquela voz vinda por trás dele e resolveu se virar para ver quem o afrontava e recebeu um forte murro no rosto, que o fez desequilibrar e soltar M’orang, fazendo um corte superficial no pescoço do líder marciano, que foi pego por Nadirah, autora daquele soco. Harris acabou caindo de cima do grandioso palácio, batendo a cabeça em uma das esteiras e finalmente caindo morto no chão. Aquilo havia chocado a todos, principalmente os terráqueos ali presentes como prisioneiros de guerra. Rick olhava para Nadirah feliz e surpreendido por ela ter salvo não só M’orang, mas também Marte inteira, no final das contas.

— Minha nossa! Acho que o soquei forte demais!

Após esses acontecimentos, os terráqueos prisioneiros foram mandados de volta para a Terra escoltados por marcianos. Rick havia ido junto e viu que a revolta causada na Terra tinha resultado em um confronto mortal, mas que gerou resultados positivos, com vários governantes tendo seus mandatos caçados e sendo substituídos gradativamente por outros que simpatizavam com os marcianos.

Chiller se tornou embaixador da de Marte na Terra quando precisasse resolver alguma questão burocrática no planeta, uma vez que M’orang decidiu que iria ajudar o planeta azul a se reerguer e a voltar a ser o planeta que foi antes, agora que a maioria dos governantes interessados apenas em ganhos próprios estavam afastados.

Em Marte, M’orang condecorou com o título de Protetores Honorários de Marte os humanos que ajudaram na defesa de Marte e Rick, o cabeça daquilo tudo, foi o primeiro humano a ser convidado a morar no planeta, o que ele aceitou de bom grado, uma vez que não tinha mais vontade de voltar para Terra, então ele pediu para que Nadirah ficasse com ele, o que foi aceito, já que ela salvou o governante daquele planeta, o que também lhe rendeu alguns títulos. O planeta inteiro lamentou todas as perdas que tiveram e entraram em um luto simbólico e até construíram ao lado do palácio governamental um aparelho que emitia um holograma em homenagem às vítimas da guerra, com o nome de cada um junto de uma foto, que os eternizaria para sempre no planeta vermelho.

— Conversei com o senhor M’orang e ele disse que Marte corre sério risco de extinção então sugeri a ele que permitisse que alguns humanos morassem aqui, pelo menos os que nos ajudaram na guerra e todos os demais que vierem depois terão que passar por um rigoroso processo de seleção.

— Mas isso não ajudará a aumentar a natalidade, uma vez que marcianos tem dois cromossomos a mais que nós. No que pensa?

— Iremos nos casar em breve, meu amor, então, quero encher esse solo vermelho de marcianos filhos de terráqueos! Não temos nem 40 anos, então somos jovens e podemos ter uma penca de filhos ainda.

— Ai, meu Deus! Tá, mas onde você quer chegar com isso de humanos viverem aqui?

— Marte precisa ser se reerguer e diferente da Terra, eles têm recursos para isso, mas precisa de mão de obra, então, quero juntar o útil ao agradável, já que tem muitas pessoas, como eu, que sempre quiseram viver aqui, então... Vamos colonizar Marte?

Nadirah olhou para ele com um sorriso e beijou levemente seus lábios. Eles estavam no mesmo jardim em que viram o borrão na lua antes da guerra e onde dias atrás Rick havia lhe dado um anel de noivado.

Eles ficaram abraçados por um tempo, até que Rick se lembrou de algo e perguntou a Nadirah:

— Agora me lembro de algo! Como você conseguiu chegar no topo do palácio e salvar o senhor M’orang tão rapidamente?

— Antes de trabalhar para o setor de inteligência árabe, fui espiã deles, então aprendi a lutar e socar muito bem. Por sorte, Harris era um velho convencido e distraído. Acho que é até por isso que os terráqueos perderam a guerra tão fácil.

— Fácil? É porque você não estava lá no meio daquele caos!

Rick e Nadirah tiveram uma próspera vida naquele planeta, criando uma família naquele lugar, onde fizeram muitas amizades e onde progrediram atuando juntos do governo local como conselheiros em nome da Terra. O planeta logo se reergueu e as marcas da Guerra foram quase todas apagadas, com a população logo aumentando novamente e agora com novos habitantes, os terráqueos que buscavam nada mais que a paz que aquele lugar trazia com seus irmãos de outro mundo.

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