Usuário Final
23 Depois de acordar 5:1
Notas iniciais
Ainda não havia luz quando os olhos de Adam se abriram. Ele permaneceu imóvel em sua cama, olhando para o teto vazio, para a lâmpada apagada e as sombras que a luz da madrugada lançava sobre os objetos do quarto. Formas bruxuleantes e disformes, irreconhecíveis se comparadas aos seus originais. Esticou o braço na direção da janela e olhou demoradamente para a própria mão, iluminada pela luz fraca que entrava no quarto. Estava intacta, não haviam ferimentos, nem hematomas, nem nada. Abaixou o braço e ficou olhando para o teto novamente, as lembranças da Rede pareciam tão distantes quanto um sonho, mas tão próximas quanto o momento em que ele recebera o pacote em sua porta. Tocou de leve os cobertores, sentindo a maciez do tecido por entre os dedos, suave, delicado, real. Mas o que era real afinal de contas? Tudo o que se pode ver ou sentir? Ele vira coisas que jamais acreditaria se alguém lhe contasse, sentiu dores que poderiam ter sido mortais para qualquer pessoa. Aquilo não foi real? Tão real quanto a maciez dos tecidos sob sua mão?
Em apenas uma noite, ele percebera que aqueles dois mundos eram separados por uma linha tênue, uma que poderia se entrelaçar ao seu conceito de “real” de uma maneira tão intrincada, que seria impossível separá-las novamente. Aquele era um pensamento perigoso que certamente poderia levá-lo à loucura. De alguma forma, sentia-se estranhamente descansado, como se tivesse tido uma boa noite de sono, e de fato, ao menos o seu corpo havia tido. Mas sua cabeça pesava, estava cansado por dentro, pois na verdade seu subconsciente, ou seja lá o que fosse, passou a noite toda perambulando por ruas desoladas e paisagens distópicas, um mundo de sombras onde ele, pela primeira vez, teve que lutar por sua vida. E provavelmente seria assim durante todas as noites, até que um dia ele também sucumbisse àquelas criaturas, como acontecera a Marcus e Vinn. A imagem do rapaz com a perna decepada, implorando por ajuda, voltou a sua mente, uma lembrança amarga da qual ele temia nunca mais esquecer. Não havia odores, mas ele teve a impressão de que cheirava a sangue.
Arrancou o dispositivo de interface da cabeça e o atirou sobre uma pilha de revistas, fazendo-a tombar para o lado. Novamente tapou o rosto com as costas da mão, fechando os olhos com força. Um nó apertado parecia se formar em sua garganta, o peito apertava tão forte que parecia ser uma dor física, mas não era. Estava muito além do que o corpo poderia sentir. Além de qualquer realidade.
O celular na mesa de cabeceira tocou suavemente, o toque imitava o vento nas folhas das árvores e o som calmo de sinos dos ventos. Pensou em ignorá-lo, mas um segundo toque o fez pegar o aparelho.
Biatricks: Bem-vindo ao mundo real ;D
A foto exibia apenas metade do rosto, focando os lábios cor de cereja, levemente repuxados por uma mordida. Como ela havia conseguido seu número de telefone? Por alguma razão estranha, ele gostava de Beatriz, fosse pelo Link ou não, mas não estava com humor o bastante para conversar com ela. E quando pensou em devolver o celular para a mesa, os dedos já digitavam uma resposta.
> Beatriz? Como você conseguiu meu número?
Biatricks: Eu sou a chefe, eu tenho o número de todo mundo.
Biatricks: E aí...? Como você se sente?
> Estranho. Sinto que eu não dormi, mesmo que não esteja me sentindo cansado.
Biatricks: Deve ser porque você realmente não dormiu. Depois de um tempo você se acostuma.
Biatricks: Você quase me matou do coração, sabia?
> A Carla quase matou você do coração, não eu.
Biatricks: Isso não vai acontecer de novo, pode ficar tranquilo.
> OK.
Biatricks: Você parece estranho... tudo bem mesmo?
> São quase 5 da manhã, eu não sinto que acabei de acordar, vi pessoas morrerem de formas horríveis e sua amiga tentou me matar. O que acha?
Biatricks: Hahahahahaha! É faz sentido.> Isso não tem a menor graça.
Biatricks: Você é divertido mesmo que a situação não seja.
> Claro.
Biatricks: Adam, a gente encara essas merdas toda noite, sério... o que você esperava encontrar lá? Achei que você soubesse que a Rede era perigosa.
> Eu não sei Beatriz, não faço ideia! Talvez eu esperasse que os devoradores tentassem me matar, não um dos meus colegas de equipe! Que tal isso?
Biatricks: Esse é definitivamente um bom ponto de vista. Ela passou dos limites, como disse, isso não vai acontecer de novo, estou me desculpando em nome dela, pois sei que ela não fez isso.
> Você não me deve desculpas em nome de ninguém.
Biatricks: OK, ok. Mas Adam, o fato é que gostando ou não, e sei que você não vai gostar, isso vai se repetir hoje e depois e depois.
> Você precisa mesmo ficar me lembanrdo disso?
>*lembrando
> Ah e claro, é bom saber que toda noite um de vocês vai tentar me matar!
Biatricks: Sim, eu preciso. Porque você tem que estar pronto para quando as coisas ficarem realmente difíceis. E se você andar na linha, ninguém vai tentar te matar.
> O engraçado é que eu andei na linha e mesmo assim tentaram!
Biatricks: Hahahahahaha!
> E o que eu passei ontem, não foi difícil o bastante?
Biatricks: Não, foi apenas sua primeira noite. É claro que eu deveria ter passado a noite com você (não pense besteira), afinal, somos parceiros nessa, né? Então, em partes a culpa é minha. Sinto muito.
> É mas você não passou. Em compensação me deixou com uma maluca homicida, que eu ATÉ poderia demonstrar algum tipo de simpatia se ela não tivesse tentado me matar. Já disse, você não me deve desculpas.
Biatricks: Certo, não vamos mais tocar nesse assunto, já vi que vou ter que conviver com o fato de que foi uma péssima ideia deixar vocês dois juntos.
> Que seja
Biatricks: De qualquer forma, só queria que soubesse que você se saiu muito bem ontem, melhor do que muita gente. E que eu estou realmente feliz que você tenha voltado inteiro de lá. De verdade.
> Hum... obrigado. Só estou tentando assimilar tudo, entende? Não quero parecer grosseiro, mas é tudo muito novo, tudo muito estranho, minha cabeça está uma bagunça.
Biatricks: Não, Adam, fica de boa! Tá tudo tranquilo, leva um tempo até você se acostumar.
> Tenho aula hoje... preciso ir Beatriz.
Biatricks: Heh, gosto quando você me chama de Beatriz... acho que você é a única pessoa que ainda faz isso. A outra... bom, adivinha quem é?
> O Link?
Biatricks: É... o Link... você ainda quer saber a respeito?
> Eu quase morri por causa dele, é obvio que quero.
Biatricks: Blz, conversamos sobre isso mais tarde, tudo bem? Eu te ligo.
> Sim.
Biatricks: Bom vou te passar uns truques para você se sentir melhor, vê se segue à risca, tá?
> Truques? Por que será que não confio em você? Vai lá, fala.
> *escreve
Biatricks: Hahahahaha!!! ;P
Biatricks: Use uma toalha branca para se secar após o banho, sorria para o seu reflexo no espelho e diga a si mesmo que você é foda, depois tome um café bem gostoso, porque café é legal, que tal?
> Parece um bom truque.
Biatricks: Não parece, É.
Biatricks: Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta!
Biatricks: Até mais tarde, Adam! ;P
> Até :/
Largou o celular sobre a mesa e voltou a olhar para cima. Por que ela tinha que ser daquele jeito? Porque todos eles precisavam ser assim? Por melhor que ela tivesse sido na noite anterior, agora, depois de tudo o que ele passara na Rede, ela parecia insensível e a pior parte é que ele não a culpava por ser daquele jeito. Era a naturalidade da coisa que o assustava e pensar que um dia se acostumaria com aquilo, assim como ela, o assustava ainda mais.
No final das contas, Beatriz estava sendo como sempre fora, uma incógnita. O pior é que nas mensagens, sem ouvir seu tom de voz, era impossível identificar qualquer coisa, mesmo assim ela ainda tinha aquele jeito estranho de fazer com que ele se sentisse confortável, como se ele a conhecesse tão bem que acreditasse em cada palavra dela. O fato é que ela não parecia ser nada confiável.
Adam não estava com a menor vontade de se levantar ou mesmo ir para a escola, quanto mais ter que trabalhar, mas as responsabilidades continuariam lá, ele querendo ou não. Levantou-se de uma vez e uma quantidade considerável de sangue escorreu de sua orelha, a mão foi rápida em tentar estancar o sangramento e ele tentou correr para o banheiro, mas as pernas estavam amolecidas e ele quase caiu. Apoiou-se na parede e se dirigiu com calma até o cômodo. Pegou uma toalha e tingiu-a de vermelho ao encostá-la na orelha, a cabeça começou a latejar novamente, uma dor aguda e constante. Olhou-se no espelho e se assustou com o que viu. Parecia um vampiro de tão pálido que estava, os olhos estavam repletos de veias em vermelho vivo, como rachaduras sobre o branco, um branco de verdade. O corte em seu rosto parecia ter aberto novamente, talvez tivesse sangrado a noite toda, deixando sulcos ressecados de sangue, assim como as narinas, por onde o sangue deixara um rastro vermelho escuro. Abaixou a cabeça, apoiando as mãos na pia e respirou fundo, a dor foi amenizando lentamente e alguns minutos depois, sentiu-se melhor, ou ao menos as pernas pareciam funcionar adequadamente. Uma espiada rápida no quarto revelou que seu travesseiro estava empoçado de sangue. Voltou para o banheiro agradecendo que o prédio em que moravam possuía uma lavanderia, mas amargou o fato de que teria de levar as roupas até lá, voluntariando-se no lugar de Eriza. A frase de um livro de ficção científica adolescente veio em mente, obrigando-o a sorrir. Sabia exatamente o que estava acontecendo.
Tomou um banho demorado, deixando o calor da água morna lavar os temores e pesares de sua mente. Quando saiu do banheiro, pegou uma toalha branca para se secar, não havia pensado que depois de ver tanto preto e cinza, a cor pareceria irreal, quase como se fizesse parte de algum tipo de sonho distante. A prova de que ele estava acordado. Antes de sair do banheiro, a visão periférica chamou sua atenção e ele voltou, encarando o espelho. Seu reflexo estava lá, o mesmo Adam de sempre, visivelmente abatido, mas ainda estava lá, diferente da Rede onde seu reflexo não existia. Mas agora ele estava no mundo real, não numa farsa que imitava o lugar que ele conhecia tão bem, ali ele era o Adam de sempre e nada que acontecesse nas ruas escuras da Cidade Silenciosa, mudaria quem ele era naquele mundo. Sorriu para o próprio reflexo, se sentindo um tanto idiota por aquilo, mais uma prova de que ele ainda estava acordado.
— Você não é foda — disse para o outro ele — Mas eu gosto de quem você é.
E mesmo sabendo que gostaria do café, não parou de pensar no quanto ela tinha razão.
Adam saiu do quarto já vestido para a escola com o habitual casaco com capuz e os jeans escuros, largou a mochila num dos sofás e foi em direção à cozinha. Eriza estava com fones de ouvido, cantarolando silenciosamente alguma música enquanto mexia o corpo de um lado para o outro, no mesmo ritmo, a panela com o pão era remexida. Ela vestia uma camiseta grande demais para seu tamanho e Adam percebeu que era dele, uma camiseta de um filme sobre uma guerra espacial, desaparecida há uns bons meses. O aroma do café se misturava com o do pão sendo torrado, um calor gostoso e agradável que lembrava manhãs cinzentas.
Andou cautelosamente e encostou a cabeça no ombro de Eriza, abraçando-a pelas costas, largando o peso da cabeça em seu ombro. Ela estremeceu de leve com o susto, retirando os fones logo em seguida.
— Você me assustou! Podia ter queimado você!
— Desculpe... precisava abraçar alguém.
— O que foi? Teve uma noite ruim? — perguntou em tom preocupado, virando-se para olha-lo — Cheguei para ver você mas a porta estava trancada...
— Sério? — indagou se afastando e pegando duas xícaras grandes sobre o balcão — Eu cheguei bem cansado, dias chuvosos são terríveis lá no Wikimart, devia ter imaginado que a porta do quarto era a porta de entrada. E minha noite foi estranha. — Uma versão dele mesmo riu por dentro ao ouvir aquilo.
— Estranha, é? Você parece péssimo! Você está usando drogas?
— Só aquelas porcarias que eles vendem na cantina da escola.
— Eles ainda vendem o misto-surpresa? — perguntou, depositando os pães torrados sobre um prato floral, em seguida pegou geleia e requeijão e começou a recobri-los.
— Vendem, lamentavelmente.
— Achei que a vigilância sanitária tinha proibido a venda daquele negócio depois dos incidentes do natal.
— Aquele com os policiais? Aquilo virou lenda! Eles supostamente mudaram os ingredientes, ou pelo menos é o que dizem — Adam serviu o café nas duas xícaras e se sentou à mesa, segurou o controle remoto da TV e se perguntou por um momento se deveria ligá-la ou não.
— Aquele colégio é o melhor!
— Isso é você quem diz. E como foi no Jens ontem?
— Cansativo também. Dessa vez não teve briga, o que foi uma pena. — Eriza colocou o prato na mesa e andando por trás de Adam, o abraçou pelo pescoço, encostando o rosto ao lado do dele. O cheiro floral do shampoo de cabelo que ela usava era adocicado demais e a cena da garota o abraçando da mesma forma na rua desolada, lhe veio à mente, uma lembrança forte como uma pancada, o deixando extremamente desconfortável com o momento. Ele se agitou de leve e Eriza percebeu, o soltando e sentando-se na frente dele.
— Achei que você queria um abraço.
— Eu só tive um calafrio — respondeu com um sorriso torto — Talvez esteja doente.
— Você está com uma carinha péssima... — disse Eriza, num tom de voz gentil — porque você não fica em casa hoje?
— Não dá, o Jean cortou a mão ontem e provavelmente não vai trabalhar hoje, não quero deixar o pessoal sozinho.
— Ah que irmão responsável! Que orgulho!
— Eriza... menos, por favor.
— Tá certo, tá certo. — resmungou enfiando o pão na boca, dando uma mordida grande demais — Já que você não vai ligar, me dá isso aqui! — E pegou o controle remoto da mão de Adam, ligando a TV logo em seguida.
O controle remoto nas mãos de Eriza era como uma metralhadora, os canais passavam tão rapidamente que era quase impossível saber como ela escolhia alguma coisa. Parou rapidamente no noticiário matinal, onde novamente a matéria em questão era a Síndrome de Aurora. Um repórter falava e gesticulava em frente a um prédio espelhado, onde mais de dez pessoas haviam sucumbido ao mesmo tempo, vítimas da doença misteriosa.
— Cara, que tenso! — falou Eriza, esfregando os braços como se estivesse com frio — Alguém tem que achar a cura disso aí, logo de uma vez! Ou pelo menos descobrir a causa...
— Verdade — respondeu Adam, o pão estava gostoso, mas ao ver a matéria na TV ele pareceu descer rasgando pela garganta. Tomou um grande gole de café, o aroma adocicado preencheu suas narinas com o cheiro da manhã e ele pediu para Eriza mudar de canal, algo que ela fez prontamente, Desenhos, do que seriam as manhãs sem eles?
Não haviam lhe falado abertamente, mas ele sabia a causa daquilo. Usuários que tiveram o login devorado ou sabe-se lá o que. Se perguntou o que poderia ter acontecido àquelas pobres pessoas, se eram Usuários Finais que caíram em combate, ou mesmo dormentes, pegos no fogo cruzado de uma batalha da qual eles não faziam a menor ideia. O mundo que se escondia por trás do mundo era um lugar assustador, terrível e ele, juntamente com os outros Usuários Finais eram a única salvação daquelas pessoas, a única ajuda que eles tinham.
Olhou para a garota em sua frente, se parecendo com uma criança, os olhos grandes e bonitos vidrados na TV, rindo das mesmas piadas, dos mesmos desenhos infantis, enquanto enchia a boca de pão e geleia. Toda vez que ela dormia, viajava para aquela realidade distorcida e perigosa, sem fazer a menor ideia do que estava acontecendo. Ela poderia estar entre aquelas pessoas. Ela poderia ser a próxima. Adam a olhou demoradamente, a xícara de café parada a caminho da boca.
— Ei! O que você está olhando? — ela perguntou, passando a mão ao redor da boca como se houvesse alguma sujeira. Em seguida sorriu largamente — Você tem que olhar assim para uma garota, não para mim.
— Você é uma garota.
— Eu sou sua irmã, olha o respeito! — E atirou uma casca de pão com geleia em Adam, o pedaço grudou em sua bochecha e ele retirou-o mecanicamente.
— Oh, já que estamos falando em garota, você nunca pensou em encontrá-la de novo?
— Encontrar quem?
— A garota da biblioteca, quem mais poderia ser?
Quem mais poderia ser. Às vezes ele acabava esquecendo dela, ou do que aconteceu entre os dois, mesmo que não tivesse sido nada. Dos olhos dela entre os livros, da sensação que teve quando ela tocou sua mão, e pensar que ele nunca soube seu nome. Um estalo veio em sua cabeça. Não poderia ser, poderia?
— Esse assunto de novo? Você sabe que eu não pretendo encontrá-la de novo — respondeu, quase inconscientemente, a cabeça a mil parecia estar em qualquer lugar menos ali.
— Por que? Cara, aquilo foi tipo, muito romântico, foi perfeito! Como você não quer encontrá-la?
— O momento passou, só isso. Não era para ser, sabe? — não poderia ser ela. De todas as pessoas no mundo, ele realmente desejava que não fosse ela — Gosto de guardar aquele momento perfeito comigo, se eu encontrasse ela de novo, falaríamos sobre nossos problemas, conheceríamos os defeitos um do outro, isso estragaria tudo.
— O Problema é que você nem sabe o nome dela... você chegou a checar os registros da biblioteca?
— Eriza, as coisas são como tem que ser. Mesmo que elas durem um minuto, é o suficiente para que elas sejam perfeitas. É melhor ter uma boa lembrança pequena, do que destruir uma vida inteira de possibilidades. Eu me contento com pouco.
— Você fala umas coisas tão fofas. Cara, quem te ensinou a ser assim? Porque não foi eu! — E caiu na gargalhada.
Assim que os dois terminaram o café da manhã, Adam saiu para a escola enquanto Eriza ficou em casa. Pegaria o turno da noite novamente, ou o da tarde, ele não sabia ao certo. Nenhum dos trabalhos que ela tinha eram fixos, então era difícil se acostumar com todos os horários. Enquanto caminhava para a escola, ele não parava de pensar na garota misteriosa que vira na Rede e na estranha conexão que os dois tinham. Tentava a todo custo afastar da cabeça a ideia de que ela e a garota que ele conhecera na biblioteca, eram a mesma pessoa. O destino seria muito, muito cruel para colocá-la em sua vida novamente dessa forma, ela não merecia ir para a Rede. Apertou a blusa para se proteger do vento frio e botou os fones de ouvido, aumentando o volume na intenção de afastar os pensamentos. Mas a cada passo a ideia ficava mais forte, ganhava mais raízes, as provas estavam lá, esperando que ele as reconhecesse. Era apenas uma questão de tempo.
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