Users: O Portal do Limbo
1 Usuária do Demônio
Notas iniciais

Savana POV on
Estava levantando dos entulhos que antes era um prédio, o sangue escorria de meu braço e minhas roupas rasgada e estropiada estava suja e tinha vários cortes e hematomas. Olhava o céu e via os brilhos rosa e vermelho, raios violetas e outras luzes violentamente rasgando os céus, eram meus colegas que estavam nessa batalha sem fim.
Me lembro quando eu deixei de ser humana, quando fui condenada um próprio demônio... Tenho de ir... Estão me esperando.
Um Anos Atrais
Eu estava fugindo, uma garota de 13 anos fugindo de algo não humano, mas eu também não posso ser considerada humana para falar a verdade... Nem sei direito o que eu sou.
Nosso mundo é dividido, entre seres humanos normais, seres com o toque dos anjos, e seres com toque dos demônios. Esses seres especiais lutam contra os divididos, criaturas que não pertencem nem os céus quanto o próprio inferno.
Virei à segunda rua e acabei num beco sem saída, viro ainda segurando a marca de mordida profunda em meu braço esquerdo que jorrava muito sangue.
Aquelas coisas se aproximavam, o que antes eram cachorros, agora eram seres horríveis. A cabeça animalesca estava dividida no meio com dentes pontudos em desordem e afiados, seu corpo parece ter sido queimado inteiramente por acido, pois estava em carne viva e gosmento.
– “Você realmente pretende morrer?” – Fala uma voz na minha cabeça, ou melhor, “ele” fala na minha cabeça.
– Você sabe que eu quero negar isso! – Berro para mim mesma – Eu não desejo isso!
– “Então você quer morrer?” – Fala calmo ainda – “E a sua irmã?”.
Arregalo os olhos demonstrando completa surpresa, era verdade, eu não podia deixa-la sozinha... Eu... Eu não podia morrer. Botei minhas mãos nas sombras e tiro da mesma uma adaga com um nome “Watchers: Savana”.
O primeiro cachorro pula arreganhando a boca e me agacho rolando para o lado e dando um impulso com as pernas me jogando nele caindo ambos no chão, me levanto devagar com a adaga ensanguentada e o cachorro com a marca de uma facada no que deveria ser sua cabeça/boca.
O outro avança e pulo para o lado, ele corre até mim e eu pulo dando um mortal no ar e me impulsionando para baixo acertando suas costas, ele rosna de dor e tenta me tirar de cima dele, fico com a faca fincada em suas costas e me jogo para o lado o rasgando. Sem forças caio de joelhos, fico olhando as duas criaturas ensanguentadas virando poeira e sumindo e um “Muito bem” é murmurado por ele, fico parada no chão com o olhar vazio olhando a adaga ensanguentada e percebo um sussurro sair da minha boca sem minha vontade – Começou.
Uma semana depois
Acordei cedo, ainda devia ser umas 5:00 da manhã, mas ultimamente não havia conseguido dormir direito, ando sempre tendo pesadelos, me levantei ligando a luz do quarto e me fitando no espelho, observando meu cabelos, uma cachoeira de fios negros que caem até a minha cintura, meu olhos cor de metal que até eu mesma tenho medo de fita-los, estava com meu pijama amarelo que se compões de uma blusinha sem manga amarela com um morango rosa e um shortinho que não ia nem até a metade da cocha com vários morangos rosas. Eu pessoalmente não sou muito bonita, sou bem magra, não a ponto de ser magricela, mas quase, sou baixa na media 1,62 de altura.
Vejo no espelho ele me olhando no canto do quarto – Walter poderia não ficar me fitando assim, por favor? Fico envergonhada – Falei levemente corada – Não poderia ficar sei lá, assistindo TV? – Fiquei mais vermelha ouvindo a risada do mesmo, aquela risada de um adolescente, mas também carregada de poder que fez meus pelos do meu braço se arrepiarem.
– Você sabe que não preciso dormir, e como seu parceiro de contrato eu tenho de ficar com você, e não quis te acordar, você estava tendo um bom sonho.
– Bons sonhos? Eu estava tendo um pesadelo horrível!!! – Berro
– Como eu disse bom sonho – Bufei, não podia esperar mais dele – Não se esqueça de que hoje é noite de caçar – Fala fazendo pouco caso.
Fiquei olhando o espelho com o olhar vazio, caçar, só de pensar eu tenho medo – Sim, afinal eu aceitei o contrato ao matar aquelas coisas... – Falei olhando para a tatuagem no meu braço, era negra e era um circulo com diversos braços distorcidos segurando uma pedra.
– Bem essa marca em seu braço é a confirmação de nosso contrato, mas você não poderia fugir disso, afinal, estou com você desde que você nasceu – Falou ligando a TV.
Queria poder negar, mas era verdade, desde que eu era uma criancinha o Walter esta comigo, a única diferença é que no passado ele era um ser da minha cabeça, agora ele tem forma física, e essa marca só me lembra daquilo. Eu sou um ser tocado pelos demônios, eu já nasci com habilidades incríveis, era algo que eu não conseguiria controlar embora eu quisesse muito, eu fui diferente desde que nasci, tive vários problemas de adaptação e pessoas tinham medo de mim, e ele vivia sussurrando na minha cabeça, mas ao matar aqueles monstros... Ele tomou forma.
Poucas pessoas nascem com o toque de um anjo ou demônio hoje em dia, dizem até que estão extintos, nascemos com habilidades, físicas, mentais, até mesmo poderes. É assim que somos reconhecidos, e todos possuem um demônio ou anjo com ele – Cujo meu caso é o Walter – Tenho habilidades físicas e Walter me empresta seus poderes e me ajuda na luta.
Só de me lembra disso sinto vontade de chorar, eu queria tanto ser normal... Eu nunca vi alguém tocado por um anjo, e mesmo se eu visse tenho certeza de que não nos daríamos bem. Anjos e demônios são inimigos naturais, nós usuários não somos muito diferentes.
Entrei no banheiro e deixo a água cair em meu corpo me relaxando, não me importo por meu chuveiro estar quebrado e a água estar fria, é tão bom tomar banho. Depois de um tempo me seco e boto meu uniforme, uma saia preta e uma blusa de botões branca com um colete preto e uma faixa na manga escrito 8° ano.
Entro no quarto e vejo Walter esparramado no sofá assistindo TV.
– Walter, temos de ir.
– Droga, odeio a escola, por que você tem de ir?
– Porque eu quero ser ao menos um pouco normal, podemos? – Falei revirando os olhos
– Ok, você venceu – Ele se levantou e ficou de frente para mim, Walter era muito mais alto que eu, por volta de 1,79 a 1,81. Tinha olhos pretos e amedrontadores, tinha cabelos bagunçados pretos e usava uma blusa branca, com uma jaqueta preta e uma calça jeans preta com correntes e um sapato de couro – Vamos logo
Desci até a sala, minha casa não era muito grande, mas era muito confortável, é uma casa de dois andares, tinha a garagem, a sala pintada de branco com três sofás e uma TV de tela plana, dois quartos de hospedes e o banheiro comunitário, depois do corredor estava a cozinha onde avisto meus pais conversando com a minha irmã mais nova sobre a sua apresentação de balé hoje a noite, até que me fitam e esboçam um sorriso.
– Bom dia meu anjo! Dormiu bem?- Pergunta meu pai, quando meus pais são carinhosos eu sinto vontade de chorar, faz me lembrar de quando eu era criança e eu chorava por não ser uma filha digna deles, por ser uma usuária de demônio.
– Bom dia papai, nem tanto, tive pesadelos horríveis.
– Bem aqui como você gosta – Fala minha mãe sorrindo – Suco de laranja, com ovos e bacon – Fala sorrindo cintilante, eles são muito fofos assim todos os dias, mas hoje é especial, pois eu irei fazer um teste para uma peça de teatro sobre a Roma antiga e tentarei vaga para qualquer papel, e será a apresentação de balé da minha irmãzinha que terá o papel principal.
– Irmãzona, você ira me ver hoje à noite né? Serei a princesa cisne e queria muito você lá.
Senti como se eu tivesse levado um soco violento na barriga – Não... Desculpe-me Alessa, mas... Terei de caçar hoje – Falei segurando o garfo com tanta força que meus dedos ficam embranquecidos.
– Ah, tudo bem – Eu sei que não está tudo bem, mas ela forçava um sorriso.
Depois de um café da manhã que de novo tinha ficado desconfortável por minha causa, fui para a escola.
– Ei trouxe algo para mim? – Perguntou Walter enquanto andávamos para a escola.
– Aqui – Jogo um bacon para ele, sei que ele ama carne. Ele pega murmurando um “Valeu” e continuamos o nosso caminho, no começo fiquei desesperada, mas já me acostumei com as pessoas não poderem vê-lo, depois de 6 aulas, que como sempre prestei muita atenção e um intervalo que de novo passei sozinha no terraço da escola, e um teste que tenho certeza que não me dei nada bem, fui para casa e olhei o sol tingido o céu e as ruas alaranjados e com poucos tons violetas, eu fiquei um pouco triste, meus pais estavam se arrumando e minha irmã já estava com a roupinha de balé, depois de tirar umas fotos meus pais fizeram o que eu sempre odiei, mas eu não tenho coragem de falar que odeio: Me abraçaram como se fosse a ultima vez que me vicem.
Suspirei e subi para o meu quarto e fitei a janela, o sol estava se pondo e logo logo iria escurecer.
– Esta na hora – Falou Walter
– Eu sei... – Disse me levantando e fui ao meu guarda roupa ajeitei a cortina para ele não me ver, tirei meu uniforme escolar, e botei uma saia xadrez preta com vermelha, e uma blusa com decote “v” e luvas, botas pretas longas e prendi meus cabelos em marias-chiquinhas.
Não diriam que esse é um visual para lutar até a morte, mas nunca vi problema nisso, saio das cortinas e Walter me lançou um joinha, não me preocupo com armas, como sempre acontece, apareceu uma bolsinha que ficava presa na minha perna direita onde estava minha adaga.
Abri a janela e liberei o ar que nem percebi que estava segurando, com um salto parei no terraço da casa a frente da minha, e lá estava eu, correndo e pulando de terraço a terraço até o local combinado, nunca conheci nenhum outro usuário de demônio, então junto às informações sozinha, e tenho certeza de que terá um encontro de Devoradores em uma mansão que recentemente foi “Comprada”. Os Devoradores podem possuir pessoas, alguns mais fortes podem tomar a forma de pessoas, e terão um encontro.
– Lembre-se, você ira entrar escondida... – Começou Walter, ele pode ser meio “estou nem ai para a vida”, mas na verdade quando se trata de caçar ele é bem organizado.
– Não ser percebida, me misturar com as sombras e assassinar qualquer inimigo, devo encontrar a sala do aquecedor da casa e mandar tudo pelos ares e quando eles tiverem fracos engoli-los com o meu poder – O interrompo para não ouvir o bla bla bla
Depois de alguns minutos chego perto da casa. Uma mansão de aparência velha e caindo aos pedaços, era feita de madeira pra lá de velha. Esgueiro-me pelo telhado até encontrar a janela do terceiro andar. Não era um lugar muito convidativo, tinha vários moveis velhos e caindo aos pedaços e não havia luz no cômodo sem ser as da janela, o piso rangia e parecia uma madeira ainda podre. Saco minha adaga e corto o vidro numa passagem para entrar, vislumbro a lamina, completamente negra feita de aço das trevas demoníaco, com 45cm de comprimento. Ouço passos e me escondo em uma cadeira velha.
– Ouviu isso – Fala um dos três seguranças brutamontes que dava para sentir que estavam possuídos, me esgueirei entre a cadeira e um sofá velho, mas acabei tropeçando e caindo.
– Ali! Atrais do sofá – Eles me cercam – Uma usuária de demônio – Fala o segundo guarda – Bem a tempo para o jantar – Diz com a voz mudando para um tom demoníaco e seus olhos ficando amarelos e desumanos e a pele ficando escamosa.
– Peguem-na – Fala o terceiro investindo em mim com garras que ainda não avia percebido, me apoio no sofá e com o salto me apoio nos ombros dele e dou um chute na nuca, que uso como apoio para saltar até o meio do cômodo, ele cai em uma mesa que eu puxo e jogo contra os outros dois guardas, que saltam pela mesma, o que tinha caído se joga em mim e acerto um chute no rosto dele, não percebo os outros dois e um deles me dá um soco no rosto me fazendo voar a um armário o quebrando, outro me segura pelas pernas e me levanta no ar, quando todos formam um circulo para me usar como saco de pancadas o Walter sai das sombras e acerta o guarda que me segurava, caindo eu me apoio com as mãos e me jogo por cima do guarda na minha frente o fazendo cair e dando uma apunhalada no olho, o outro guarda estava se preparando para me atacar e conseguia ver Walter mantendo o outro ocupado, segurei minha adaga firmemente e aguardei seu movimento, quando ele se aproximava com suas garras, as defendi com a adaga e vi as faíscas do contato com a superfície de aço da adaga nas garras do Devorador, ele continuo a avançar e eu desviava e defendia o ataque indo mais para trais, até ele ter chegado aonde queria, eu saltei para trais e chutei uma cadeira que foi até o rosto dele e enquanto ele se recuperava, dei três apunhaladas no peito dele, fazendo-o virar fumaça, fui até a luta de Walter com o outro guarda e enquanto ele esta distraído eu chego por trais e dou um corte na garganta dele, fazendo-o ter o mesmo fim dos outros 2.
– Quando eu falo entrar despercebida, eu não mencionei lutar contra três Devoradores – Brigou.
– Desculpe erro e calculo – falo descendo a escada, o caminho até o aquecedor não foi difícil, só as paradas para me esconder dos guardas que foi, ao chegar à sala, começo a mexer nos canos e prendo o aquecedor.
– Temos uns 15 minutos – Falei já saindo do lugar, ao sair e indo pelo mesmo do corredor e acabo vendo uma mulher, usando um vestido de baile, tento disfarçar e começo a andar com calma para ela não sentir minha presença como usuária, mas ao passar por ela eu sinto uma coisa diferente, muito diferente de um devorador, viro surpresa e vendo-a se afastar, ela para e me olha de relance e vejo seu rosto que deveria ser o mesmo de uma rainha, face jovem e delicada com bochechas levemente rosadas, pele bronzeada, cabelos pretos até as costas e levemente encaracolados, olhos azuis cristalinos, ela usava um vestido branca chamativo e uma braçadeira negra de uma cobra, que eu acho ter visto brilhar verde, mas deve ter sido impressão, depois de 1 segundo nós encarando ela virou e saiu.
Apresso-me e saio da casa e depois de 15 minutos a casa vai aos ares, sem sinal nenhum de vida, vejo nos escombros gosmas vermelhas se juntando e se reformando, seguro minha adaga contra o peito – Watchers, destruam os inimigos e façam-nos provarem a dor do seguidor da morte – Recito e varias sombras com formas de mãos cobrem as gosmas e as transformam em pó.
– Uff, essa cansou, acho melhor voltarmos...
– Savana! – Fala Walter me puxando para o lado, enquanto uma criatura desce dos céus fazendo uma cratera no telhado do prédio.
A criatura tinha um rosto animalesco como o de um morcego, mas era o dobro do tamanho de uma pessoa, ele investe contra mim e me jogo para o lado caindo no chão, ele volta mais rápido ainda não dando tempo de desviar e me lançando do telhado do prédio até o chão.
Abro meus olhos tentando recuperar as forças e ele pousa encima de mim me fazendo arfar, se aproxima com sua boca para me devorar e dar o fim a minha vida, quando um impacto o acerta e ele cai longe de mim, me viro e avisto a mesma mulher de antes, mas agora com uma calça colante preta e um top com decote e um chicote com a ponta brilhando azul.
– Você foi nada mal... Para uma novata – Fala com uma voz forçada para ser gentil e um ar de superioridade – Mas agora observe uma expert – Fala olhando para a figura que avança rapidamente contra ela – Puf! Brincadeira de criança – Fala dando um golpe horizontal com chicote lançando a criatura para o lado, e enlaçando o braço dela e arrancando-lhe, ela pula na criatura enlaçando o chicote no pescoço da mesma e arrancando-lhe a cabeça.
A criatura vira pó e é levada pelo vento, nos escombros de poeira e pedras vejo a silhueta da mulher que vira para mim – Sou Irene Lanton e você?
– S-Savana... – Murmuro ainda com a voz fraca e tremula
Ela dá um sorrisinho – Que surpreendente encontrar outra usuária de demônio, achei que estávamos extintos, bem poderia me seguir... Garanto que teremos muito o que conversar.
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