Untitled

10 "Proteção" Extra


Fui até a tenda do curandeiro, era maior do que as outras em volta, só não sei porque tinha umas galinhas lá dentro. Enfim, encontrei o curandeiro e ele veio logo falar comigo:

— Senhor Stanley, estava ansioso para falar com você. Gostou de nossa festa em sua homenagem?

— Deu pra espairecer um pouco.

— Que bom. Precisamos falar de coisas mais importantes hoje. Lembra daqueles 2 monstros que você matou? Eles são mercenários, contratados por um homem que odiava meu filho por ele ter um romance proibido com sua filha. Ela morreu após ter dado luz a filha deles e desde então, ele procura acabar com nossa família, você já fez metade do trabalho para eles, ele apenas o atacou por pensar que você seria alguém contratado por Vougan Parnos.

— E qual a sua brilhante idéia?

— Isso é algo para se pensar a longo prazo. Só preciso saber que você protegerá minha neta, custe o que custar.

— Disso você pode ter certeza.

— Perfeito, eu não me perdoaria se acontecesse algo a minha querida neta, é ótimo saber que ela estará em boas mãos caso aconteça algo a mim.

Ele iria continuar falando mas ele viu alguma coisa estranha, fez um olhar meio desconfiado e disse:

— Você estava brigando antes de vir até mim? Seu nariz está sangrando.

Passei as costas do meu dedo no nariz e realmente estava sangrando um pouco, eu não sentia dor nem nada mas de alguma forma, meu nariz começou a sangrar. Ele continuou:

— Enfim, você não parece muito bem, se quiser podemos continuar essa conversa mais tarde. Ou até posso terminar agora, não tenho muito a dizer, apenas queria saber se você está bem armado.

— Tenho uma espada que Kage "saqueou" de um corpo e me deu, mas o que você tem em mente?

— Temos uma ótima ferreira conosco, ela possui vários tipos de armas, tanto para combate corpo a corpo quanto a distância, se estiver interessado, sua forja fica ao lado da minha tenda, você talvez tenha visto Ágata antes de entrar aqui, fale com ela, talvez ela já tenha algo perfeito para você.

— Pode ser, até uso bem essa espada mas é sempre bom ter algo "extra".

— Seu nariz parece não estar sangrando mais, mas tome esse lenço, cuide de você primeiro antes de fazer algo mais importante.

Limpei meu nariz que estava com um pouco de sangue e saí da tenda a procura da ferreira. Atrás da tenda, havia realmente uma forja incrivelmente legal, especialmente montada, tinha de tudo ali, fiquei maravilhado com a quantidade de armas brancas que tinham ali. E então avistei Ágata, com seu avental de couro, martelo em uma mão e um tipo de "pinça" na outra mão, que segurava uma espada, ela tinha um brilho nos olhos fazendo aquilo, ela parecia mesmo gostar de seu trabalho como ferreira. Seus cabelos negros estavam presos como um coque, ela era mais alta que eu, usava luvas, tinha algumas cicatrizes em seus braços, usava botas também de couro e ela aparentava ser bem forte. Quando cheguei mais perto, ela prontamente falou comigo:

— Stanley, não é? Você não estava nada puro ontem hein.

— Eu estou com medo de saber o que eu fiz.

— Nada demais, coisas que todo bom bêbado faz, apenas. Meu nome é Ágata, muito prazer. Algum motivo em especial para vir aqui hoje?

— Garan disse que você tem algumas armas interessantes, pensei em dar uma olhada.

— Evidente que são interessantes, eu que as produzi. Que tipo de armas você prefere?

— Não tenho preferência quanto a armas brancas, me surpreenda.

— Tenho algo que acho que deva ser perfeito para você.

Ela entrou em sua cabana, fiquei ouvindo barulho de metais estridentes se chocando até ela sair de la com uma arma bem legal. E então ela disse:

— Ontem você disse que gostava de armas de longo alcance, comecei a fazê-la ontem mesmo, terminei hoje de manhã, acho que você irá gostar.

— E que tipo de arma é essa?

— É uma alabarda, uma espécie de mistura entre machado e lança, é preciso igualmente um pouco de força e destreza para manuseá-la. É um tipo de arma bem eficaz contra inimigos fortemente protegidos ou montarias, caso encontre alguém que esteja atrás de você, use a parte de baixo da haste, onde é mais pontiagudo, ao invés de ter que se virar para o adversário. Só tenha cuidado com o erro de alvos, será difícil de segurá-la, fazendo você cambalear um pouco caso você erre o seu ataque.

Era uma arma bem bonita, nunca me interessei por armas brancas até conhecer esta. Sua lâmina oblíqua no formato de meia-lua e outra adjascente a ela, um esporão em formato de gancho, sua haste bronze, uma ponta bem afiada, eu estava apaixonado por aquela arma. Ela continuou:

— Já coloquei um adorno para evitar deixar a haste escorregadia com sangue ou qualquer outra coisa, se não lhe agradar, pode vir aqui trocar.

— Parece ter dado bastante trabalho fazer isso, não cansa de fazer isso o dia todo? Não querendo ser ingrato, adorei ela, estou doido pra testá-la em alguém.

— É um dos pontos fortes de trabalhar com algo que você ama, eu não canso mesmo de fazer isso, é uma arte tão significativa pra mim.

— Notável, fala de sua arma com tanta paixão. Farei bom uso dessa arma, pode deixar, vou testar agora mesmo com um certo olho puxado.

— Antes disso, tenho um suporte para essa alabarda, caso faça longas viagens, um arreio, você pode colocá-la nas costas e continuar seu caminho.

Fiz um sinal de continência, pus a alabarda nas costas e fui procurar Kage, quando encontrei Morgana no caminho e ela falou comigo:

— O que aconteceu ontem?

— Também queria saber, não faço idéia do que houve.

— Minha cabeça está me matando. E o que é isso nas suas costas?

— "Proteção" extra. Procure o curandeiro pra essa dor de cabeça, tenho que falar com o Kage, testar essa beleza de proteção.

— Okay, não vá se machucar.

— Preocupação inútil, mas vou tentar não machucar ele.

— Claro, ele é "só" um samurai treinado desde criança.

— Vou ignorar que você está me subestimando, vai cuidar dessa dor de cabeça.