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15 Problemas no 'paraíso'


— O que tem pra resolver? Vocês moram no espaço, que problemas tem por aqui?

— Onde há humanos, há problema. Em uma de nossas buscas por você, acabamos nos encontrando com alguns saqueadores e na batalha, perdemos nosso propulsor FTL e não poderemos ir muito longe sem ele, apenas orbitar pela terra....por um tempo.

— E como você pretendo recuperar isso daí? Tem algum na terra?

— Acredito que não sejamos a única nave orbitando pela terra, vimos alguém vindo pra cá pelo outro lado, mais exatamente em Hentiesbaai, na Namíbia.

— Okay, vamos lá então, estamos todos prontos?

— Acho que sim, temos armamentos e pessoas o suficiente pra lidar com qualquer grupinho besta que vocês encontrarem.

— Como assim 'vocês'? Você não vem?

— Alguém precisa controlar a nave e ficar de olho em alguma aproximação suspeita, vocês podem ser emboscados. Tomarei conta de vocês de longe.

Ela termina de dizer isso, apoia sua mão em meu ombro e sorri. Achava que ela andava sempre com seu grupo mas faz sentido, um capitão não pode abandonar seu navio e neste caso, sua nave. Eu e meu grupo ficamos ali na cozinha enquanto o grupo dela foi se preparar para a busca. Assim que eles saíram, Ilana vira para nós e diz:

Ilana- Então, vocês não sabem mas MUITO coincidentemente eu vim de lá.

Stanley- Lá? Da Namíbia? O que você foi fazer tão longe de casa?

Ilana- É uma história muito longa e nem tão interessante assim, vamos nos concentrar em seguir o plano.

Morgana- Não parece tão complicado, entramos, procuramos o tal artefato e voltamos. Mas pra que será que eles precisam tanto disso?

Kage- Era o que eu estava me perguntando esse tempo todo.

Stanley- Eles precisam disso pra navegarem por aí pelo que parece, que mistério tem nisso?

Kage- O mistério é "Pra onde eles precisam tanto ir?"

Stanley- Vocês estão muito paranóicos, vamos ajudá-los e quem sabe eles também não nos ajudam a resolver isso tudo. Ou pelo menos tiram aquele povoado da minha cola.

Shelly volta trazendo algumas coisas pra comermos, diz que precisamos nos manter fortes para nossa missão e então sai novamente, nós terminamos de comer e fomos descansar, Shelly nos disse que haviam cômodos separados para cada um de nós mas preferimos dormir todos no mesmo quarto, eu e Kage no chão e as mulheres na cama. Eu acordei primeiro que todos eles, pelo menos foi o que eu pensei, Kage não estava lá. Fui dar uma passeada pela nave para encontrá-lo, porém encontrei Shelly na parte de controle da nave, sentada com os pés na própria cadeira, tomando café e olhando pro horizonte, se é assim que posso chamar. Cheguei mais perto e disse:

— Realmente é bonito.

— Não é? Sabia que você ia gostar. Senta aqui comigo.

— Na verdade eu estava procurando pelo Kage.

— Ele acordou mais cedo e está na sala de treino. Na verdade, acho que ele nem dormiu.

— Típico dele.

— Tem mais café pronto ali perto da porta, leve pra ele. Avise que está quase na hora.

Peguei café pra nós dois e procurei a tal sala de treino. Quando cheguei lá, vi ele lutando de mãos vazias contra um boneco de madeira e havia mais 2 bonecos iguais ao que ele estava lutando, só que num canto, quebrados. Achava que ele só sabia lutar com espadas mas parece que ele se sai bem em qualquer tipo de luta. Entrei e o chamei, ofereci café e ele disse:

— Eu não tomo isso, prefiro um chá.

— Fresco. Como está aí sua briguinha contra esses bonecos inanimados?

— Quer vir aqui descobrir se eu não te quebro também?

De repente, Shelly aparece na porta, aperta alguns botões do lado de fora da sala e diz:

— Mas os dois podem descobrir isso juntos, aqui nós não treinamos com o aparelho desligado.

E então a sala se fechou em uma fina camada azul transparente nas paredes e portas, o boneco que ele estava lutando se soltou da armação em que estava pendurado, e os outros 2 que estavam quebrados se levantaram, coloquei meu café no canto da sala e então eles vieram pra cima, dois contra Kage e um contra mim. Não deu dois segundos e eu já havia tomado um chute na boca do estômago, quase boto meu café pra fora, fiquei tentando desviar dos ataques mas o boneco era muito rápido, o que eu nao conseguia desviar, eu defendia mas eu não conseguia abertura pra atacar. Foi quando vi Kage pegar uma espada que estava presa na parede e jogar pra mim, peguei a espada no ar e tive aquela sensação novamente, como se a espada sempre fizesse parte de mim, finalmente eu consegui atacar com maestria, o boneco deu dois socos que rasparam pela espada e então eu arranquei seus braços e pernas, ele caiu como se tivesse sido desligado. Olhei para a porta e estava Kage e Shelly bebendo e olhando pra mim, apenas me assistindo. Foi quando eu disse:

Stanley- Que bom que pude entreter vocês, posso tomar meu café em paz agora?

Shelly- Não imaginei que você fosse tão mal numa luta, porém sempre soube que você tinha mais proficiência com armas do que com suas próprias mãos.

Kage- Também nunca entendi isso, desde a primeira vez que dei a ele uma espada curva, ele soube exatamente o que fazer.

Shelly- Então foi você que deu aquela espada pra ele?

Kage- Bom, EU tirei da poça de sangue e entreguei a ele.

E então eles ficaram ali, rindo e contando coisas passadas, depois de um tempo eu me intrometi e indaguei Shelly:

— Como é possível eu saber usar uma espada sem nunca ter tocado em uma?

— Não é. O mais provável é que você tenha retido as memórias de suas outras 'cópias'. Afinal, era pra você ter se visto mais de uma vez por aí. E não vimos uma pessoa repetida sequer.

— Isso não é totalmente verdade, eu e Kage encontramos um mini eu pela floresta, mesmo nome, mesma história, menos idade.

— Ainda não muda o que eu disse, só que o caso desse garoto deve ter algo de diferente.

Vogler veio até nós e disse que estava na hora, eu e Kage fomos acordar as garotas e nos aprontar. Ilana estava um pouco ansiosa pra voltar a sua cidade natal, comentava sobre as casas, o clima, os costumes. Eu só pensei em como a gente estava indo encontrar novamente uma tribo decadente e retrógrada. Estávamos todos indo para a nave menor, foi quando Morgana puxou meu braço e disse em baixo tom:

— Você tem algum plano? Ou vai só obedecer essa gente, sem mais nem menos?

Esperei Kage e Ilana tomarem mais distância de nós e disse:

— ESSE é o plano. Não "obedecer essa gente" e sim "ajudá-los para ser ajudado".

— E você acha que isso vai funcionar porque mesmo? Pela Shelly?

— Sim, basicamente por isso.

Ela ficou quieta e continuamos andando. Ela não confia em Shelly. Chegando a nave menor, todos já estavam lá, exceto por Shelly que ficaria no controle da missão daqui mesmo, foi quando Shelly veio de outra sala e disse:

— Seria muito melhor se eu tivesse algum tipo de ajuda por aqui também, não sabemos o que pode acontecer quando vocês estiverem lá embaixo.

Eu ia dizer que ficaria mas Morgana resolveu dizer primeiro do que eu. O que será que ela está tramando? Shelly disse:

— Ótimo, já me sinto melhor. Vocês novatos, peguem esses comunicadores, tem ótimo alcance, comunicação simultânea, sistema de áudio alto e claro, tudo que poderia ter pra nos comunicarmos em qualquer situação, seja daqui da nave ou entre vocês lá embaixo.

Shelly fala no meu ouvido:

— Tem uma outra estação de comunicação que você pode falar em particular quando quiser com sua 'amiga', é só apertar este botão aqui quando quiser trocar de estação. Não se preocupe, só o seu comunicador e o dela podem entrar nessa estação.

Após isso, ela se afasta e vai falar com os amigos dela. Eu jogo minha mochila com minhas coisas na nave e falo com os meus amigos:

Stanley- Eu sei que nunca disse isso pra nenhum de vocês mas somos uma equipe e tanto. Espero conseguirmos voltar com vida, caso não conseguirmos, faço aqui um pacto de vingar qualquer um de nós.

Kage- Vai dar tudo certo, não conheço pessoas melhores para concluir qualquer tarefa do que nós.

Ilana- Quer dizer que faço mesmo parte desta equipe? É uma honra, prometo não desapontar vocês.

Morgana- Vamos todos dar nosso melhor e tentar voltar com segurança, okay? Temos muito trabalho pela frente além daqui, vamos lá.

Parecia realmente que tudo iria dar certo, nos despedimos de Morgana, ela meu deu um abraço apertado e fomos para a navezinha. Vogler era nosso piloto, estava nos levando até um lugar com bastante areia de onde conseguíamos ver, bem diferente do mundinho azul e verde que dizem ser a terra. Fomos aterrisando num lugar onde não era muito diferente do resto, muita areia pra todo canto, umas casinha aqui e ali mas em sua imensidão, tão vazio quanto o espaço, nem parecia a terra de onde eu saí a poucas horas. Assim que aterrissamos, Dion saiu primeiro da nave e Nero logo atrás junto com Ilana, ficamos eu, Morgana e Vogler na retaguarda, Shelly usou o comunicador para falar conosco:

Shelly- Okay, vocês já estão na localização onde mandei vocês, certo?

Vogler- Positivo, estamos bem aqui e não há nada por aqui.

Dion- Não é possível que você nos mandou pro lugar errado. De novo.

Ninguém tinha reparado mas Ilana tinha se afastado de todos, ela andou pra parte de trás da nave e começou a tatear pela areia, chamei eles e Dion perguntou:

Dion- O que está fazendo? Vai comprometer nossa posição, não é hora de brincar.

Então ela puxou alguma coisa da areia, um pedaço de madeira como uma alavanca e sentimos o chão estremecer, partes do solos se afastavam e um pequeno buraco se abriu, ali pudemos ver umas placas metálicas por dentro e luzes num caminho para o subsolo. Foi quando Ilana se levantou e disse:

— Entrem logo, antes que vocês comprometam nossa posição.

Dion ficou um pouco irritado mas ninguém mandou ele ficar bancando o líder, todos sabemos que quem está liderando aqui é a Shelly sem nem precisar estar aqui. Passamos a informação do que aconteceu para Shelly e ela disse:

— Era de se esperar, num lugar tão deserto como esse, não deixariam algo importante tão na cara. Vão descendo e mantenham o comunicador ligado, preciso saber se perderei contato com vocês lá embaixo.

Dion sorriu e ironicamente reverenciou Ilana para que tomasse sua frente, depois fechou a cara e foi logo atrás dela. Fomos descendo e o som dos ventos na areia ficavam mais e mais abafados a cada passo que dávamos. O buraco atrás de nós se fechou, a partir dali só ouvíamos o som de nossos calçados em contato com a superfície metálica e alguns poucos grãos de areia que haviam ali dentro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.