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9 Capítulo 8 - Mikey's
Estava cedo ainda quando cheguei no colégio. Eu costumava chegar nesse horário porque gostava de ficar na biblioteca lendo. Na verdade a leitura não me interessava tanto eu sempre achei aquele local o mais seguro de todo o colégio. As pessoas que frequentavam a biblioteca parecia ser de gostos bem variados mais não passavam de CDFs, nerds e garotas muito chatas e apaixonadas que ficavam lendo livros e mais livros de romance e poesia, sem contar os que se encontravam ali só para ficar fora das aulas. Mais o fato é que era um local seguro principalmente depois que os jogadores do time da escola, os populares, começaram uma caçada. Uma caçada a Mikey.
Então aquele lugar se transformou no meu refúgio, o único lugar depois das salas de aula em que eu podia ficar tranquilo.
Aquela caçada idiota já se estendia por muito tempo e só piorou quando ficou claro sobre minha sexualidade. Ser o cara que leva a fama de boiola, bixa, viado é uma coisa humilhante. Ser chamado de mulher e ser alvo de brincadeiras estupidas e ridículas por ser gay é patético. Mais nada muda o fato de serem um bando de preconceituosos porque a carreira de palhaço deles não os levaria ao estrelato, isso com certeza.
A bibliotecária ainda não havia aberto a porta então eu me sentei na escada e ajeitei meus óculos esperando o tempo passar e foi quando eu pude ver que três caras seguiram na minha direção — eram os jogadores que sempre me zoavam como se eu fosse um brinquedo — eles não me deram tempo de reação e me pegaram pelo braço me arrastando para fora do portão da escola.
Como ainda era cedo as inspetoras ainda estavam fazendo qualquer outra coisa que não podiam cumprir o seu trabalho e eu fui levado e ninguém estava lá para testemunhar o que estava prestes a acontecer. Era óbvio no que aquilo iria acabar.
Não consegui me conter e comecei a tentar de todas as formas escapar.
- Segure direito esse viado — Falou o líder dos três.
- Me soltem! — Eu gritei entre ofegos tentando me soltar a qualquer custo.
- O que foi bixa, vai chorar? — Ele falava aquilo como se fosse muito engraçado enquanto os outros dois caiam na risada. Eu não pude mais encarar o rosto dele quando notei seu soco. Sua mão pesada acertou em cheio meu estomago enquanto os outros me seguravam pelo braço. Era uma covardia filha da puta!
Eu senti mais socos tomarem meu estomago e a dor se apossar de mim. Quando se está em uma grande desvantagem em porte físico e número não tem jeito, você apanha.
Ele não se cansava de me bater, talvez tenha enjoado de me bater apenas no estomago eu não sei, apenas senti ele puxar meu cabelo me obrigando a encarar seus olhos e sua mão afundou em meu lábio e nariz.
Enfim os dois me soltaram e eu cai de joelhos encarando apenas os sapato dos três. Eles riam de mim e eu não aguentei, me debrucei no chão tentando conter as lágrimas de dor e ódio enquanto mais risadas saim deles que só sabiam assistir enquanto eu me contorcia de dor naquela calçada.
Eu avistei um rosto familiar muito longe que corria em em minha direção. Eu não sentia mais dor, só conseguia ver aquele rosto se aproximando cada vez mais lento e eu ouvi eles correrem me deixando ali.
- Mano o que eles fizeram contigo? Cara, olha pra mim!?
Era Ger, o meu irmão. Ele parecia muito preocupado e eu não entendia o porque eu não estava numa situação tão má assim.
- Porra Mikey, fala comigo! — Ele gritava e tentava me fazer levantar. Foi quando ele dobou meu corpo que eu pude sentir dor novamente e então eu gritei.
Ele me levou com cuidado para o banheiro e cuidou de mim.
Sim ele cumpria muito bem o seu papel quado se tratava de me ajudar. Era o tipo de cara que era responsável e companheiro. Se ele não fosse meu irmão eu juro que ficaria com ele porque sejamos sinceros, meu irmão era muito gostoso.
Ele pegou do banheiro um punhado de papel toalha, daqueles bem ásperos e vagabundos e começou a pressionar contra meu nariz e boca e isso ardeu. Encarei o espelho sujo e embolorado na parede do banheiro, eu estava sangrando. Ele continuava a me limpar e a estancar o sangue com todo o cuidado até parar.
- Quero ver o que vou falar para a mãe quando ela ver isso.- Eu tentei quebrar aquele tenso silêncio.
- Eles machucaram você em mais algum lugar? — Ele me perguntou olhando concentrado em meu ferimento parecendo não ter me ouvido.
- Eu estou bem Gee, não se preocupe!
Ele me olhava com tanto cuidado e dó que eu mal conseguia falar.
Ficar nos braços dele recebendo toda aquela atenção me proporcionava uma deliciosa sensação de estar protegido com ele ali.
Levei minha mão até o rosto dele e senti um sorriso se formar em seu rosto pálido e ele beijou minha mão. Ele era muito lindo e ficava sexy com aquela cara de bobo e preocupado.
O segundo sinal tocou e ele me olhou com um ar piedoso e se afastou.
- Eu vou pra minha aula. Se precisar de alguma coisa me avise...
Ele saiu pela porta do banheiro de cabeça baixa e me deixou.
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