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7 Capítulo 6 - Dead
Deitado na banheira fria como aquele banheiro eu estava com meu caderno e minha guitarra na mão tentando de alguma maneira fazer com que simples palavras se tornassem algo mais interessante para se ler.
Uma música era ótimo a não ser pela falta de ideia e eu realmente estava cansado de buscar por um som legal que nunca chegava.
Percorri meus dedos pelas cordas e nada parecia me animar, os sons realmente não passavam de barulhos e a melodia não vinha nem a pau.
Fechei meus olhos agarrado a minha Pansy. Era estranho escrever quando eu estava me sentindo vazio por dentro, faltava um pedaço de mim. Não sabia o que realmente havia mais eu queria — muito mais que o comum — que eu morresse tragicamente.
Eu sei que parece ser uma birra infantil mais eu realmente queria morrer, queria parar de sentir aquele buraco.
Rabisquei a folha com a palavra Dead. Foi um bom começo porque as palavras que antes não vinham começaram a explodir no papel e uma melodia embalou meus pensamentos seguindo um ritmo muito bom e eu me animei enquanto escrevia.
Comecei a escorregar meus dedos pelas cordas e o som que saia eu realmente estava curtindo.
- Have you heard the news that you're dead? No one ever had much nice to say I think they never liked you anyway...
Aquela melodia realmente fazia par comigo e eu me sentia melhor cantando e tocando- a mais pra mim ainda faltava alguma coisa que não estava me satisfazendo. Continuei a tocar por um longo tempo até ouvir minha mãe bater na porta do banheiro.
- Frank, você não vai jantar?
- Não!
Minha vós saiu seca e eu pude ouvir os passos dela se afastarem até finalmente não ouvi-la mais. Voltei a contemplar a folha de papel e reler o que estava escrito arrumando mentalmente algumas coisas.
- Sai desse banheiro moleque! — Esse foi o primeiro som que ouvi pela manhã. Acordei assustado com a minha mãe esmurrando a porta e me levantei. Eu havia dormido numa banheira.
Minha mãe que estava na cozinha quando eu sai já estava reclamando logo cedo com o seu tom enjoado e sarcástico — mais que o normal — que as coisas não andavam pra frente naquela casa. Quando me viu começou a falar que eu iria me atrasar para o colégio. Eu sabia que estava atrasado e não precisava que ela ficasse me avisando de cinco em cinco minutos. Realmente estressava ficar ouvindo muita coisa logo cedo.
No caminho para o "inferno" eu estava lendo distraidamente a música na qual eu havia trabalhado tanto na noite passada quando ouvi alguém me chamar.
- Hey Frank, espera ae cara...
Eu me virei rapidamente e vejo Gerard correndo para me alcançar. Estava lindo como sempre mesmo estando de uniforme completo hoje o que era uma novidade pois ele costumava combinar o uniforme com suas roupas o que lhe destacava entre os demais alunos.
Era tarde e eu sabia que nós levaríamos uma chamada na diretoria logo na primeira aula o que me fez diminuir mais os meus passos não me importando com o atraso.
- O que é isso? — Ele apontava para o papel em minha mão e eu recuei.
- Não é nada!
- Relaxa, só queria saber o que era mais parece que você não quer compartilhar o que está escrito né?...- Ele havia conseguido me fazer sentir um idiota por não mostrar um misero papel rabiscado. Por outro lado era uma música e eu precisava de uma crítica de fora sobre ela. Segurei um pouco firme no papel exitando por um momento e então entrego a folha amassada para ele.
Eu observo atentamente Gerard vasculha os olhos rapidamente pelo papel concentrado. Isso me faz ficar tenso e engolir seco. Por fim ele sorri e disse com uma voz muito doce.
- É ótimo. Foi você quem escreveu?
-Oh sim.. Passei a noite trabalhando nela...- Eu coço a cabeça bobamente.
-Ficou bom mesmo! E uma ótima letra. Hum... você toca alguma coisa? — Ele chutou uma latinha que estava em seu caminho quando notou o portão da escola não muito distante.
-Guitarra!
- How cara, que legal. Meu amigo Ray toca guitarra também, já o meu irmão é baixista
Finalmente chegamos ao tão temido portão. Cerberus perdia feio para a diretora — que parecia ter um radar para detectar alunos atrasados — que já estava nos esperando.
O habito da diretora de gritar com os alunos não era o pior dos males. Ela realmente nos castigou nos deixando depois da aula para limpar a escola.
Depois das aulas chatas e aparentemente intermináveis nós finalmente voltamos pra diretoria onde uma das mulheres que cuidava da limpeza já nos aguardava. Ela explicou o nosso trabalho e era evidente que nós não tínhamos a menor pressa ou disposição para fazer aquilo.
Enquanto eu organizava as carteiras e recolhia o lixo, Gerard varria a sala. Ele começou a cantarolar uma música inintendivel. Depois de um tempo ele realmente se empolgou e eu pude entender que ele estava cantando I want to break free.
Era engraçado vê-lo cantar enquanto varria e fazia poses muito engraçadas, Mich estava perdendo feio para ele.
Fizemos uma senhora limpeza nas salas do andar térreo que era o espaço do nosso castigo. Eu guardei os materiais de limpeza que havíamos usado em uma salinha que os funcionários usavam para guardar praticamente de tudo e então avistei uma coisa familiar. Puxei o objeto até poder ver totalmente o que era, um violão meio empoeirado.
Escorreguei meus dedos pelas cordas e o som era quase perfeito exceto por duas notas desafinadas. Minha atenção se voltou para o violão e eu comecei a afina-lo com o sorriso de uma criança que acabara de receber um punhado de doces.
- Caramba, que legal — Gerard começou a babar no violão enquanto eu o afinava. — Toca pra mim te ouvir?
Ele havia falado perto demais pois eu pude sentir sua respiração chegar até mim. Eu não respondi. Também não poderia. Suei frio e meu coração começou a disparar.
Eu perdi um pouco a concentração sobre o que estava fazendo, ele não fazia ideia do efeito que causava sobre mim.
- And if your heart stops beating ... I'll be here wondering
Did you get what you deserve?
Ele começou a cantar a música que eu havia escrito e isso me espantou. Era a harmonia perfeita a minha letra e a vós dele. Finalmente havia encontrado o que faltava, Ele.
Comecei a tocar e ele prosseguiu com a letra, me deixando cada vez mais certo de que a voz dele era perfeita. Ouvi- lo cantar me deixava numa espécie de transe deixando cada nota que ele acrescentava me fazer testar sua potência vocal. Um som mais forte em um violão não surte o efeito de uma guitarra mas eu estava me empolgando e ele também pois seu tom começou a subir e a maneira como ele dramatizava a voz ao cantar era irresistível, eu não podia parar.
Como tudo que é bom dura pouco e não foi uma escolha nossa. O zelador estava passando para trancar todas as portas e só notamos a presença dele quando vimos aquele senhor de meia idade, magro e com um molho de chaves na mão se entreter com o nosso "barulho". Gente velha costuma achar que música de jovens não passam de bagunça ou qualquer outra coisa.
- Está na hora de vocês dois irem pra casa. Já esta tarde rapazes!
Ele não me pareceu irritado pelo contrário, eu poderia arriscar até que ele havia curtido o que acabara de ouvir.
Devolvi o violão ao local de onde havia tirado e sai ao lado de Gerard. Do lado de fora da escola as ruas estavam com um caminho laranjado de uma tarde para percorrermos .
Começamos a caminhar e Gerard só sabia rir e dizer o quanto a música estava boa que até mesmo o zelador havia gostado.
Nós chegamos na esquina que nos separava e aquilo me fez sentir um aperto no coração. Eu não queria sair de perto dele eu não queria deixa- lo partir mais eu tinha que fazer.
- Tchau Frank. Nos vemos segunda?
- Oh, sim. Tchau Gerard. -Eu virei para encarar o final da rua enquanto falava.
Eu senti ele se aproximar de meu ombro e falar baixo
- Só Ger — e saiu.
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