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12 Capítulo 11 - Uma revelação
Sentado na mesa roendo minhas unhas eu estava distraído sem dar atenção para o Mich até ouvir um "Oi" atras de mim. Era o Ray e desta vez não estava acompanhado do Ger. Minha educação foi pro espaço com isso e apenas deixei escapar de minha boca
- O -nde está o Ger? Faz dias que não vejo ele... e o irmão — eu corri em acrescentar Mikey na frase e não parecer tão desesperado.
- Você não soube? Os pais deles estão muito putos pelo Mikey e resolveram tirar os dois da escola. Isso sem falar que o Gee resolveu dar uma de valentão e acertar as contas com uns caras ae que bateram no irmão dele..
Eu não escutei mais nada depois disso, me levantei e sai correndo de onde estava e me dirigi a diretoria e nem me importei com Ray e Mich me olhando. Minha cabeça estava completamente fora de ordem e eu não conseguia aceitar os fatos. Eu iria falar toda a verdade... Iria esclarecer que o Gee não tinha feito nada. Oh Gee, você não pode me deixar agora!
Parei na frente da diretoria e encarei a porta com um ar assustado e entrei buscando rapidamente por coragem. A diretora não quis falar comigo sobre o assunto apenas me dispensou e disse que era pra eu comparecer amanhã na sala dela. Fiquei entristecido, já havia se passado muito tempo e só agora eu sabia o que estava acontecendo e queria de alguma maneira impedir que Gee se ferrasse nessa.
Me encostei na parede do lado de fora da diretoria e comecei a chorar. Não sei quanto tempo eu fiquei ali até que senti um par de braços me envolver e eu me entreguei abraçando quem fosse.
Meus soluços não sessavam e então eu ouvi a voz de Mich.
- Se acalme, por favor...
Parado ali nos braços dele nada mais importava e eu ainda soluçava enquanto recuperava minhas forças e coloquei meus braços em volta de sua cintura agarrando em sua camisa com força num movimento involuntário.
Aquela altura eu estava me sentindo como se o Shang Tsung tivesse sugado minha miserável alma e só restasse uma carcaça, uma carcaça que estava sentindo muita dor.
- Acalme-se... — a vós de Mich saiu doce e seu hálito quente estava me deixando calmo.
Eu levantei meu rosto e o fitei com meus olhos vermelhos e inchados. Era bom demais ele estar ali e estar me apoiando sendo o amigo que eu precisava naquele momento. Eu queria dizer tanta coisa, queria dizer o quanto eu era grato por ele estar ali mais invés disso uma onda de palavras explodiu em minha boca e eu não consegui me conter.
- E- u... Ele vai ser transferido... Ele esta levando a culpa por uma coisa que... — Os dedos de Mich tocaram meus lábios e me fizeram calar.
- Eu sei e também sei o quanto você gosta dele... — a vós dele agora era de compreensão mesclada com uma dor reprimida.
- O que vai acontecer agora?... — eu perguntei quase que pra mim mesmo.
Ele segurou meu queixo e olhou profundamente em meus olhos eu podia ler nos dele o que ele queria me dizer.
- Eu te amo cara!
Puta merda meu coração estava duplamente machucado agora.
Não queria ser ingrato, ele estava se abrindo pra mim com toda a sinceridade mais eu estava atordoado com tanta coisa e não sabia como reagir.
Desviei meus olhos dos dele mais ele insistiu. Seu rosto estava muito aproximou do meu e isso estava me impedindo de respirar.
Eu fiquei quieto apenas desejando que a minha cabeça se acalmasse pois naquele momento ela estava a mil.
- Não se preocupe com o Gerard eu sei que isso vai se resolver...
Eu o abracei novamente com todas as forças que eu ainda tinha e ele retribuiu o gesto e me beijou.
Na manhã seguinte eu estava muito ansioso por resolver o assunto que estava me atormentando tanto. Eu mal pude dormir durante a noite tantas eram as coisa na minha cabeça. E Mich? eu não queria que a nossa amizade mudasse depois do que aconteceu, não mesmo.
Engoli meus medos e segui de vagar para a tão temida sala. O sinal para a segunda aula já havia tocado e eu estava nervoso pelo que iria acontecer e um puta frio na barriga me atingiu.
Eu esperava ver qualquer coisa naquela sala, menos o que estava presenciando. A diretora estava parada sentada atras da sua imponente mesa com um ar intimidador e eu me encolhi. Onde estavam os outros?
- Então você veio....- eu assenti com a cabeça e ela fez um gesto com a mão para que eu me sentasse e assim o fiz.
- Eu já estou a par de tudo o que aconteceu... Já conversei com o sr. Way e com o sr. Brown.- A diretora Davis era uma mulher que assustava mesmo quando falava com calma. — Eu recebi a visitinha de uma pessoa que viu o que realmente aconteceu e ela me contou tudo e o sr. Brown não teve como negar depois.
Quem havia visto aquilo além daqueles idiotas? Jim teve que voltar atras no que disse? Eu não estava entendendo mais nada e pior, temendo pelo que esta pessoa havia visto.
- Jim tem uma rixa com você, certo?
Se você quer por as coisas desse jeito? E nem tenho direito a resposta com esses filhos da puta sempre me zoando, eu penso. Assenti com a cabeça e ela continuou.
- Por que você não veio me procurar quando isso começou?
- Eu não sei, eram coisas bobas no começo, irritavam mais eram bobas. Eles são uns manés que vivem perturbando todo mundo, eles fazem isso a muito tempo...- Eu estava quase que defendendo eles, nem acreditava nas minhas próprias palavras. Que ódio!
- E...? — ela insistiu que eu continuasse.
- Eram "brincadeiras" pesadas e mesmo assim eu deixei que eles fizessem por que cara, eu morria de medo deles mais só que eu explodi quando eles foram pra cima do Ger...- eu abaixei a cabeça.
- Eu espero que você entenda que mesmo tentando defender seu amigo você fez uma coisa errada.
- Eu entendo.- Minto. Na verdade eu não entendia nada, como defender uma pessoa que você gosta é errado? Isso era muito injusto.
-Estou dando o beneficio da duvida pra você Iero. Eu sei que você é um bom aluno e ainda tem concerto só precisa ser menos distraído...
Ela sorri e eu me espanto. Ela era a primeira pessoa que estava acreditando em mim e não me julgando. Eu era um frequentador quase diário da sala dela e talvez isso fosse um motivo fortíssimo pra ela nem me dar ouvidos e mesmo assim ela estava ali.
Os professores também não ficavam atrás quando o assunto era não estar nem ai para mim, eles me consideravam um caso perdido a preguiça em forma de gente e que não sabe fazer nada além de dormir.
Não que eu fizesse bagunça, na verdade eu tinha uma gigantesca vontade de não fazer nada somada ao tédio das manhãs preso numa sala de aula o que contribuía muito para o meu sono crescer quase três vezes mais então eu não fazia nada mesmo.
- Você me escutou? — Eu havia me perdido em pensamentos e só a notei quando ela estava frente a frente comigo.
- Ahm?
- Eu estava comentando o quanto você é distraído!
Eu concordei. Eu queria agradecer a ela por tudo mais o que escapou de meus lábios foi bem diferente.
- Quem viu o que aconteceu?
- O zelador da escola estava passando e ouviu tudo que aconteceu... Eu não vou te questionar pelos motivos pelas quais eles te chamaram daquela maneira mais saiba que agora esta em suas mãos acabar com toda essa intriga, ok?
É claro que as intrigas com Jim não acabariam o passatempo dele é atormentar a minha vida mais isso ela não entenderia. Recebi meu castigo sem me preocupar tanto por que Gerard não estava mais levando a culpa e isso é o que importa.
- Ah, mais uma coisa...- ela se virou e me encarou — Eu pedi para que os pais de Gerard e Michael não transferissem eles porque são bons alunos e vocês são muito amigos...
Tal noticia não poderia ter me deixado mais feliz, nada mais importava agora. Eu estava explodindo em felicidade por isso. Sra. Davis a senhora ganhou muitos pontos com essa, com certeza!
Sai daquela sala com um sorrindo enorme e com um pensamento fixo, eu teria que melhorar e provar para a diretora que ela não tinha perdido seu tempo comigo, ela não iria se decepcionar comigo. Naquele corredor eu tomei uma decisão importante "Daqui pra frente eu vou melhorar!"
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