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2 Capítulo 1 - Detenção.


Eu estava caminhando em direção a escola, olhando para baixo e adimirando meu All Star enquanto andava e ouvia Highway to hell no máximo em meus fones. Uma trilha sonora muito apropriada para o caminho que eu estava fazendo até meu destino. Passei as três primeiras aulas completamente mole e nem sequer abrir minha mochila, tamanho era meu desinteresse. Meu único amigo naquele inferno nem me telefonou para avisar que não viria pra escola. "Ótimo!" resmungo pra mim mesmo com um mal humor e tédio que fazia minha cara não ser nem um pouco amigavel.

Ouço o sinal para o intervalo e me levanto devagar e vou me arrastando para fora da sala, descendo as escadas do segundo piso até chegar ao térreo, passando pela cantina e descendo mais escadas enquanto um amontoado de gente começa a surgir em minha frente e me deixar ainda mais mal humorado.

Me dirigi até a quadra que costumava ser um saco mais eu e meu amigo Michell ficávamos sentado na arquibancada vendo os garotos jogarem. Não era divertido, afinal o time da escola nos odiava — pra falar a verdade a escola toda nos odiava — mais isso não nos privava de assistir os treions e ajudava a matava o nosso tempo.

Distraído, eu observei a bola rolando de um lado para o outro na quadra e não notei a aproximação de alguém até que este tivesse se sentado a meu lado e me desse um "Oi".

Me virei incrédulo com o que acabara de testemunhar, uma pessoa falando comigo? Só podia estar querendo me zoar.. É sempre assim. Eu olho em seu rosto. Um cara muito bonito estava sentado do meu lado. Puta merda! Se quer me zoar por que não me trouxe um cara feio? Assim eu poderia me sentir bem mesmo sendo esculachado.

- Oi... — eu respondo rápido e tentando não parecer grosso.

Cara foi ridéculo, acho que estava ficando vermelho.

- O jogo 'tá' quanto? — ele sorriu e eu dei de ombros evitando a todo custo olhar os olhos dele que estavam me chamando atenção.

- Nem sei, não estava prestando atenção em nada...- Eu coço a cabeça tentando olhar para a bola no campo buscando distração mais não estava conseguindo. É, meu lado gay está gritando dentro de mim que o cara é um gostoso, mais é claro que eu fiquei quieto e quase imóvel. Como um cara daqueles havia passado despercebido por mim em um colégio pequeno? Ele deveria ser novo. É quando percebo que ele esta me cutucando.

- Hey?...

- Ahh..Desculpe, eu me distraí..

Ele percebe que eu fiquei sem jeito e sorri. Puta merda, que sorriso mais lindo ele tem. Eu ouço um cara muito alto e magro gritar um pouco mais ao longe.

- Ger, seu lerdo, nós já estamos indo... Anda logo cara!

Ele se levantou rapidamente me dando um tchau e sai correndo.

Era engraçado ve-lo correr — não que eu seja um tarado, mais eu gostei de olhar a bunda dele.

Eu já estava na sala de aula quando enfim toca o segundo sinal e todos os alunos ainda falando alto, entraram e encheram o local. Minha professoa de matemática entra logo em seguida rindo e alisando aquela juba que ela ousava chamar de cabelo. Aperto mais meu rosto em minha mochila e tento fujir do alcançe de visão dela, em vão. Ela começa a passar de fila em fila e anotar os números de quem não fez a sua maldita lição e não trouxe o livro. Eu pude ouvir vários "Não consegui fazer professora", todas desculpas esfarrapadas que ela deixava passar com apenas uma anotação. Chega a minha vez e eu sinto ela bater com a caneta em minha cabeça e me olhar. Finjo não sentir e fecho os olhos.

- Onde está o seu livro e o dever que eu passei na semana passada?

- Não fiz a lição e o livro está na minha bolsa...

Eu pude sentir o estresse dela com o meu tom calmo ao falar a frase e ela não deixou passar, se virou e falou tentando parecer calma mais era evidente que ela não estava. Notei ela escrever em seu caderno alguma coisa com muita força e logo soltou suas palavras quase cuspindo em mim.

- Porque ainda se dá ao trabalho de aparecer em minha aula se não vai fazer nada?

"Por que eu sou obrigado a vir pra esse inferno todo amaldiçoado dia? Tá bom pra você assim?" Eu penso.
A professora me entrega um bilhete e me aponta pra saínda com um olhar furioso e eu pego minha mochila e vou me arrastando a caminho da direção. Eu podia ouvir as risadas de todos atrás de mim e isso me fez ligar o foda-se em minha cabeça, colocar meu fone e andar de cabeça erguida agora.

Quando cheguei na direção e entreguei o papel para a mulher que estava na sala ela faz sinal para que eu entrasse. Dentro daquela sala estava cheio de gente que eu odiava. Não que eles fossem merecedores de meu particular ódio. Eu odiava a todos no geral.

Joguei minha mochila na mesa e me atirei numa cadeira vazia e cruzei meus braços olhando para o relógio. Eram sempre muito chatas as horas na detenção mais como eu tinha uma quantidade gigantesca de sono e vontade de fazer droga nenhuma aquele era o local perfeito para se dormir, quando não, ser zoado pelos jogadores que ficavam por lá.

Distraido olhando o ponteiro mais rápido completar suas voltas eu o acompanhava com os olhos até que eu me surpreendo com a imagem a minha frente. Era o garoto que falou comigo no intervalo. Estava mais sexy ou era impressão minha? Diabo de pensamentos... Ele estava entrando e seguindo em minha direção com aquele puta sorrindo.

Parecia que eu era o único rosto familiar pra ele. Respirei fundo e esperei até que tivesse vós em minha garganta para cumprimentando-o e ele logo solta um comentário...

- Não imaginei que iria te encontrar aqui...- Ele me olhou e sorriu virando o rosto de um jeito que faz seu cabelo negro brilhar sob a luz fraca e branca da sala. Seu rosto pálido e sua pele pareciam ser fina como seda. Por um instante desejei toca-lo mais é claro que eu a contive. Deus, como você pode criar um ser tão lindo?

Ele pegou uma cadeira e a arrastou para perto da minha e se sentou.

- Por que está aqui? — Eu tentei puxar assunto mais ele parecia se divertir com a minha pergunta do que interessado em responde-la.

- Fui pego quando estava tentando gazear as duas últimas aulas de História...- Eu achei o jeito dele falar engraçado. Ele gesticulava com as mãos de uma maneira a fixar bem o que ele dizia. Logo acrescentou algo sobre ser bom gazeteiro mais deu bobeira desta vez, isso nem importava, ele falava e eu admirava cada movimento que a boca dele fazia. Ele pareceu notar e se virou pra me encarar com leve inoscencia.

- E você, por que está aqui...? — Ele engoliu mais alguma coisa que ia dizer e eu respirei fundo antes de responder meio cansado.

- Nunca faço nada nas aulas e hoje a professora se cansou de mim e me mandou pra cá... Acho que eu devo roncar muito nas aulas dela! — Acrescentei com um sorriso.

Ficamos conversando sobre qualquer coisa, ele falava e isso me acalmava por dentro, adorava ouvir a sua voz. E como tudo que é bom acaba rápido o sinal toca e nós temos que ir embora. Ele me surpreendeu com a pressa ao se levantar.

- Então nos vemos por ae... Até qualquer hora...- Eu assenti com a cabeça e ele saiu elegante pela porta.

Senti uma bolinha de papel bater no topo de minha cabeça e eu me viro para olhar. Era um dos jogadores que estava me provocando, gesticulando uma obscenidade. Era óbvio que eles tinham reparado em mim quando estava conversando com o garoto. Eles começaram a rir e fazer graças mais eu nem me importei, só agora tinha reparado que não sabia o nome dele.

Peguei minha mochila e segui para fora da sala quando a provocação aumentou. A mulher que ficava do lado de fora da sala cuidando para que nenhum espertinho fugisse da detenção já havia saído.

Girei nos calcanhares e encarei todos com um olhar mortal, não sei se estava tentando impor uma barreira do tipo, sou mal, não me toque ou me provoque, ou era apenas a minha raiva transparecendo em meu rosto.

- O viado arranjou uma fêmea para molestar.. — Todos riram da piada sem graça.

- Hey, Iero... quem é o homem de vocês dois, heim? — Mais risos encheram a sala e eu me enchi de fúria e gritei logo um "Vão se foder!"

Voltei-me para a porta e sai mais aquele idiota se levantou e os outros que estavam com ele foram atrás de mim pelos corredores gritando e fazendo zombas.

- Frank.. você só chupa o pau dele ou ..- A frase não pode ser terminada pois a diretora estava na nossa frente. Eu apenas o vi de relance e comecei a correr, saindo o mais rápido possível daquele lugar antes que eu começasse a chorar.