Untitled
3 Capítulo 2 - Uma aula sobre sexologia
Era um saco, eu estava no portão de casa e nem sequer podia me desmanchar em lágrimas, que ódio, não podia permitir que a minha mãe me visse naquele estado ou me encheria de perguntas.
Me deitei no gramado da frente da minha casa e fiquei de olhos fexados esperando me acalmar. As pessas na rua começaram a passar e me olhar mais eu nem me importei e eu realmente saquei que era tarde quando ví a vizinha da frente retirar o seu carro para o trabalho. Me vi obrigado a levantar antes que a minha mãe resolvesse sair pela rua a minha procura.
Eu entrei em casa ainda injuriado e caminhei na direção daquela mulher alta de cabelos longos e negros que já me esperava com os braços cruzados e uma cara nada convidativa. Fodeu, eu penso.
- Frank Anthony Thomas Ie..- Ela foi interrompida pelo telefone que começou a tocar e me lançou um olhar e foi atende-lo. Ou eu tinha um anjo da guarda ou o diabo estava querendo me torturar e brincar comigo.
Eu passo pela sala e vou para a minha cama e me deito enfiando minha cara no travesseiro. Eu precisava muito gritar e quebrar tudo porque a raiva era demais dentro de mim. Não deu pra controlar, quando ela finalmente desligou o telefone eu acertei o soco mais forte que pude na parede fazendo minha mão quase quebrar. Senti o sangue escorrer entre meus dedos e a dor se apossar de minha mão mais a raiva ainda era maior. Minha mãe surge na porta do quarto me olhando com um olhar do tipo o que está acontecendo com você moleque?
Eu não falei nada só deixei que ela viesse com o sermão de sempre sobre responsabilidade e cumprir horários. Era uma cena patética e deplorável, ela não fazia ideia do que realmente estava acontecendo e mesmo assim explodia em palavras. Acenti a cada coisa que ela falava sem prestar um pingo de atenção e desejando que ela saísse logo para o trabalho pra que eu pudesse chorar, gritar, o diabo que fosse.
Ela finalmente se afasta e avisa que a mana estava na casa da minha tia e que eu ficaria sozinho hoje. Finalmente paz. Eu choro e não me aguento em soluços e gritos contra o travesseiro. O cansaço foi tanto que adormeci por horas e só fui interrompido pelo meu celular tocando. Atendo e noto que era Mich
- Alo? — eu ouço a voz dele do outro lado da linha.
- Seu filho da puta porque não me avisou que iria faltar eu teria polpado um inferno no colégio hoje, sabia?
- Desculpa cara, é que.. Hey, você esteve chorando? — Ele perguntou preocupado.
- Vai se foder — Eu estava quase desligando o celular quando ele me pede desculpas mais uma vez e o que eu posso fazer é balançar a cabeça e pedir desculpas também.
- Posso ir na sua casa? — Eu pergunto meio sem jeito depois de ter gritado com ele.
- É claro que pode né, seu idiota — Ele ri e eu acabei por rir também. Me levantei e fui para a casa dele que ficava a algumas quadras da minha. Chegando lá eu expliquei o que aconteceu e ele ficou se sentindo meio mal por ter faltado, por não ter estado comigo e me ajudado a superar uma coisa tão chata como aquela de mais cedo.
Uma semana se passou, Michell e eu estamos em um clima de zoar qualquer idiota para rir e nos animar. Tínhamos combinado de ir a qualquer lugar e aprontar algumas quando eu avisto aquele garoto lindo passar e eu me lembro da detenção e de como foi bom conversar com ele.
Ele me avista e acena para mim e eu retribuo com um sorriso. Michell percebe e pergunta.
- É esse o bonitão de que você tanto falou a semana toda?
- Cala a boca.. — Eu não tirava os olhos do garoto.
- Pare de babar, vai encharcar o meu tênis novo — Ele me dá um soco no braço e ri da minha cara. Eu apenas consigo soltar um sorriso e revirar os olhos.
- Você tá com cara de idiota, sabia? Não que você já não tenha uma ...
- Vai se foder — Eu falo rindo
- Hey, calma meu amigo, falou? Tem dupla pra aula de sexologia?
Era incrível como aquele palhaço conseguia mudar de assunto tão rápido e me fazer rir.
- Não, faz comigo? — Ele faz que sim com a cabeça.
Depois do intervalo fomos para o laboratório onde duas mulheres e um homem nos aguardavam, estavam vestindo jaleco branco e nos olhando com cara de divertimento. Era muito chato aquelas aulas que a gente recebia mais pelo menos não tinha que ficar escrevendo. O assunto da aula fazia as pessoas rirem enquanto uma das mulheres segurou um pênis de borracha e a outra ensinava como colocar uma camisinha. Michell começa a me cutucar e eu lhe pergunto o que ele queria. Ele aponta para o outro lado do laboratório e vejo os jogadores fazendo graças tentando me provocar. Que pesadelo. Todos estavam rindo e me olhando, era constrangedor.
Eu estava entediado demais com aquilo e comecei a me inclinar na cadeira e jogar a cabeça para trás, foi quando avistei algo familiar. Eu vi o garoto que tanto me chamava atenção correndo pelo corredor das salas e chutando as portas, ele estava acompanhado de um cara diferente desta vez. Era forte de corpo e cabelo bem cacheados e volumosos. Era incrível, ele tinha o mesmo passa tempo que eu, atrapalhar a aula dos outros.
Fale com o autor